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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Chimarrão: Tradição, História e Cultura Gaúcha

O chimarrão é muito mais do que uma simples bebida quente; ele representa um ritual de hospitalidade, um símbolo de amizade e uma tradição enraizada na cultura do Rio Grande do Sul. Sua história remonta às práticas dos povos indígenas e atravessa séculos de transformações sociais e culturais. Vamos explorar desde suas origens até sua presença no dia a dia dos gaúchos.


As Origens Indígenas: O Primeiro Contato com a Erva-Mate

Muito antes da chegada dos colonizadores europeus, os povos indígenas que habitavam a região sul da América do Sul, especialmente os Guaranis, já utilizavam a erva-mate (Ilex paraguariensis). Eles acreditavam que essa planta tinha propriedades medicinais e espirituais. O consumo era feito de diversas formas, incluindo mastigar as folhas e preparar infusões em água quente, o que deu origem ao que hoje conhecemos como chimarrão.


A Proibição Jesuítica e a Redescoberta

Com a chegada dos jesuítas, que buscavam catequizar os povos indígenas, houve um período de proibição do consumo da erva-mate. Os religiosos temiam que o uso estivesse ligado a práticas pagãs e até mesmo que tivesse efeitos negativos sobre a saúde. No entanto, ao perceberem que a erva ajudava a reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e aumentava a disposição dos nativos, acabaram por adotar e incentivar seu uso.

Dessa forma, os jesuítas contribuíram para a disseminação do consumo do chimarrão, aperfeiçoando técnicas de cultivo e colheita da erva-mate, além de introduzirem o costume entre os colonos europeus.


A Consolidação como Hábito e Tradição

Ao longo dos séculos, o chimarrão passou a ser uma parte essencial do cotidiano gaúcho. Mais do que uma simples bebida, tornou-se um símbolo de convivência e tradição. Beber chimarrão é um ato de hospitalidade, e a roda de mate é uma prática social valorizada até os dias de hoje.


O Chimarrão na Legislação

A importância cultural do chimarrão é reconhecida até mesmo em leis estaduais e federais. No Rio Grande do Sul, o Dia do Chimarrão e do Churrasco foi instituído pela Lei Estadual nº 11.929, sendo comemorado em 24 de abril. Em nível nacional, a Política Nacional da Erva-Mate foi sancionada em 2019, incentivando o desenvolvimento da cadeia produtiva da erva-mate no Brasil.


Produção e Regiões Produtoras de Erva-Mate

O Brasil é um dos maiores produtores de erva-mate do mundo, sendo os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul os principais polos produtivos. Em 2023, a produção brasileira ultrapassou 737 mil toneladas. A erva-mate também é exportada para países como Argentina, Uruguai, Paraguai e até mercados europeus, onde cresce o interesse por bebidas naturais e energéticas.


Os Tipos de Erva-Mate

Existem diversas classificações de erva-mate, que variam conforme o processo de produção:

Erva-mate tradicional: Moída fina, com alto teor de pó, muito usada no chimarrão gaúcho.

Erva-mate moída grossa: Menos pó e folhas maiores, comum em algumas regiões do Paraná.

Erva-mate peneirada: Com menos resíduos, mais uniforme, popular para exportação.


O Chimarrão na Cultura e na Música

A presença do chimarrão na cultura gaúcha é evidente na música, na poesia e na literatura. Muitos versos tradicionalistas exaltam o chimarrão como um elemento essencial da identidade sulista. Cantores como Vítor Ramil e grupos de música nativista frequentemente mencionam o mate em suas composições, reforçando seu papel na cultura regional.


Mitos e Verdades sobre o Chimarrão

Mito: O chimarrão faz mal para o estômago.

Verdade: Se consumido moderadamente, ele pode até auxiliar na digestão.

Mito: Compartilhar chimarrão é anti-higiênico.

Verdade: O ritual de passar a cuia faz parte da tradição, e a higiene depende dos cuidados individuais.


Os 10 Mandamentos do Chimarrão

1. Não se pede açúcar no mate. Chimarrão de verdade é puro.

2. Não se diz que o mate está muito quente. Faz parte da experiência.

3. Não se mexe na bomba. Isso pode entupir o mate.

4. Não se deixa um mate pela metade. Se aceitou, beba até o fim.

5. O ronco no fim do mate não é falta de educação. Apenas sinaliza que terminou.

6. O dono da casa sempre toma o primeiro mate. É um gesto de hospitalidade.

7. O mate deve seguir a ordem da roda. Não se quebra a sequência.

8. Não se apressa a roda. Cada um tem seu tempo para saborear.

9. Não se dorme com a cuia na mão. Se recebeu, beba e passe adiante.

10. Não se desvaloriza o chimarrão. Ele é parte da identidade cultural dos gaúchos.

O chimarrão é mais do que uma bebida: é um legado histórico e um símbolo de identidade. Seu consumo transcende gerações e continua sendo uma tradição viva, que representa a hospitalidade, a cultura e a união dos povos do Sul.



sábado, 29 de março de 2025

A Chama Crioula e o nascimento da Semana Farroupilha

Era uma tarde de setembro de 1947 quando um grupo de jovens estudantes do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, decidiu dar um passo fundamental na preservação das tradições gaúchas. Entre eles estava um jovem visionário chamado João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, que, ao lado de seus colegas Barbosa Lessa, Cyro Dutra, Fernando Machado Vieira, Flávio Krebs, Glaucus Saraiva, Ivo Sanguinetti e Wilmar Santana, concebeu a ideia de resgatar e valorizar a cultura do Rio Grande do Sul de uma forma inédita.

Inspirados pelo sentimento de pertencimento e pela necessidade de exaltar a identidade gaúcha em meio à modernização do Brasil, esses estudantes fundaram o Departamento de Tradições Gaúchas (DTG) dentro do grêmio estudantil do colégio. A iniciativa buscava resgatar costumes, celebrar a cultura regional e incentivar o conhecimento da história da Revolução Farroupilha. Mas a ideia logo se expandiria para algo maior.

A busca pela chama e o nascimento de um símbolo

A primeira grande ação desse grupo ocorreu no dia 7 de setembro daquele ano. Aproveitando as comemorações da Independência do Brasil, os estudantes solicitaram à Liga de Defesa Nacional uma centelha do Fogo Simbólico da Pátria, chama que ardia na Pira da Pátria, no Parque Farroupilha. A intenção era criar um novo símbolo para o tradicionalismo gaúcho.

Com a autorização concedida, Paixão Côrtes, montado a cavalo e empunhando um archote¹ improvisado, conduziu a centelha até o Colégio Júlio de Castilhos. Ali, acendeu um candeeiro crioulo, dando origem à primeira Chama Crioula, que se tornaria um dos maiores emblemas das tradições gaúchas.

O simbolismo desse ato foi imediato. Durante os dias seguintes, a chama permaneceu acesa dentro do colégio, iluminando não apenas o local, mas também os corações daqueles que queriam manter viva a essência cultural do Rio Grande do Sul. O gesto inspirou uma série de eventos que culminariam na criação da Semana Farroupilha.

O crescimento da tradição e a primeira Ronda Crioula

Durante os dias que antecederam o 20 de setembro, data que marca o início da Revolução Farroupilha, os jovens organizaram a primeira Ronda Crioula, uma série de atividades culturais que incluíam apresentações de dança, declamações de poesias, encontros de gaiteiros e debates sobre a história do estado.

A celebração culminou em um evento marcante: o primeiro baile tradicionalista da história, realizado no Teresópolis Tênis Clube. O jantar foi servido com pratos típicos como churrasco, pastel de carreira e o clássico café de chaleira. No salão, homens vestiam bombachas e lenços farroupilhas, enquanto as mulheres desfilavam seus vestidos de prenda.

A iniciativa dos estudantes logo se espalhou e, nos anos seguintes, diversos grupos tradicionalistas passaram a repetir o ritual da Chama Crioula, realizando cavalgadas para buscar e distribuir a centelha pelo Rio Grande do Sul. Em 1954, a data foi oficializada pelo governo estadual e a Semana Farroupilha tornou-se um evento consolidado no calendário gaúcho.

O legado de um movimento estudantil

O que começou como um gesto simbólico de jovens idealistas transformou-se na maior celebração da cultura gaúcha. A Semana Farroupilha, hoje, atrai milhares de pessoas para desfiles, acampamentos e atividades culturais, mantendo viva a história e a identidade do Rio Grande do Sul.

Graças à coragem e à paixão de Paixão Côrtes e seus colegas, a Chama Crioula segue ardendo como um lembrete de que a tradição gaúcha não é apenas uma lembrança do passado, mas um compromisso vivo com o futuro.

1 - Utensílio de iluminação, usado principalmente ao ar livre, que consiste essencialmente em um pedaço de corda untado de breu que se acende para iluminar; facho, teda, teia, tocha.


segunda-feira, 3 de março de 2025

Cinema no Rio Grande do Sul

Com toda a repercussão do Oscar no último domingo (02/03), resolvemos trazer aqui um pouco do cinema regional do Rio Grande do Sul, como nosso foco é o regional e a cultura local, vamos apresentar aqui algumas produções que marcaram época e mostraram o dia dia cultural no nosso estado. Claro que sempre que falamos de cinema gaúcho, sempre vamos lembrar dos filmes do Teixeirinha que marcou época e inclusive com repercussão nacional.

Além dos filmes do saudoso Teixeirinha, tivemos a série da Globo A Casa das sete mulheres e o tema O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo que talvez tenha sido o livro mais reproduzido no cinema e na televisão, incluindo ainda outros livros do Arquipélago.

Conheça abaixo alguns filmes que contam o cotidiano e/ou a história do nosso estado.

O TEMPO E O VENTO (2013)

O Tempo e o Vento, filme ambientado no final do século XIX, se passa no Rio Grande do Sul, onde as famílias Amaral e Terra-Cambará são inimigas históricas na cidade de Santa Fé. A história começa quando o sobrado dos Terra-Cambará é cercado pelos Amaral, forçando todos os membros da família a se defenderem com as armas que têm à disposição. A vigília dura vários dias, o que faz com que os recursos, como comida, comecem a escassear.

Dentro do sobrado, está Bibiana (Fernanda Montenegro), matriarca da família, que recebe a visita de seu falecido esposo, o capitão Rodrigo (Thiago Lacerda). Juntos, eles relembram a história do amor que viveram e de como a família Terra-Cambará surgiu, enquanto enfrentam o cerco e a luta pela sobrevivência.

O filme é uma adaptação do clássico romance de Erico Veríssimo, retratando não apenas o conflito entre as famílias, mas também os laços de amor e a memória histórica da região.

Ainda tivemos uma minissérie das mesmas gravações exibida na tv e outra em 1985.

UM CERTO CAPITÃO RODRIGO (1971)

Entre os grandes clássicos do cinema nacional, Um Certo Capitão Rodrigo se destaca, especialmente pelo seu compromisso com a autenticidade histórica. Quase como um documentário, o filme impressiona pelo rigor na reconstrução de cenários, figurinos e costumes. Desde a escolha das locações – com filmagens realizadas nos casarões de arquitetura portuguesa de General Câmara, Triunfo e Santo Amaro – até os mínimos detalhes culturais, tudo foi cuidadosamente planejado sob a exigente direção de Anselmo Duarte.

O projeto original previa Tônia Carrero como protagonista, mas, devido ao adiamento da produção ao longo dos anos, a ideia precisou ser reformulada. O elenco final contou com Francisco Di Franco no papel de Capitão Rodrigo, ao lado de Newton Prado, Pepita Rodrigues e do folclorista João Carlos Paixão Côrtes, que interpretou Pedro Terra, pai de Bibiana. Além disso, Paixão Côrtes atuou como “consultor de costumes”, garantindo a fidelidade histórica do filme. A grandiosidade da produção envolveu também 400 cavaleiros e mais de 300 figurantes.

A trama é bem conhecida, baseada nos trechos clássicos de O Tempo e o Vento: Rodrigo Cambará, um aventureiro carismático, chega à pacata Santa Fé, conquista o coração da jovem Bibiana Terra e, ao mesmo tempo, desperta rivalidades na cidade, desencadeando grandes conflitos.

ANA TERRA (1971)

Assim como Um Certo Capitão Rodrigo, este filme já era um projeto antigo do produtor paulista Alberto Ruschel, idealizado junto a Tônia Carrero ainda nos tempos da Companhia Vera Cruz. No entanto, a produção não saiu do papel até ser finalmente concretizada anos depois. Baseado no clássico personagem criado por Érico Veríssimo em O Tempo e o Vento, Ana Terra traz uma adaptação cinematográfica de uma parte distinta da história, diferenciando-se dos filmes anteriores.

Classificado como um drama histórico brasileiro, o filme foi rodado em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul. A trilha sonora conta com composições do gaúcho Carlos Castilho, conhecido sapateador, cantor e compositor, que também atua no longa e chega a dançar alguns passos de Chula.

A narrativa se passa no final da década de 1770, ainda no período imperial, logo após a destruição das missões jesuítas. O fazendeiro bandeirante Manuel Terra parte com sua esposa Henriqueta e seus filhos Ana, Antônio e Horácio para a região de fronteira, onde estabelece uma estância de criação de gado. No entanto, a família vive sob constante ameaça, seja por bandoleiros armados, grupos indígenas sobreviventes das missões ou pelo risco de invasões vindas de países vizinhos. Para se proteger, Manuel conta apenas com seus filhos e, ocasionalmente, com a ajuda de milícias locais, entre elas uma liderada pelo Major Pinto Bandeira.

Em determinado momento, a família socorre um mestiço ferido a tiros, Pedro Missioneiro, planejando enviá-lo embora assim que ele se recuperasse. No entanto, Pedro decide permanecer na estância, tornando-se um ajudante valioso nos serviços e domas. Além disso, ele fascina Ana Terra com seus conhecimentos religiosos, sua arte e a alfabetização que adquiriu na missão jesuítica. O envolvimento entre os dois cresce e Ana acaba engravidando, dando continuidade à saga exatamente como descrita na obra de Érico Veríssimo.

O SOBRADO (1956)

Lançado em 1956, este filme é um clássico do cinema nacional e faz parte da saga O Tempo e o Vento. Classificado como drama, O Sobrado desenvolve sua narrativa a partir do cerco à residência de Licurgo Terra-Cambará, que se encontra isolada pelas forças dos maragatos.

Os adversários, prestes a serem derrotados, precisam abandonar a cidade, mas mantêm o cerco devido à rivalidade entre os Amaral e Licurgo, um conflito antigo que se reflete na insistência dos atacantes.

Dentro do sobrado, a família de Licurgo e seus capangas enfrentam dificuldades extremas, como escassez de água, comida e assistência médica. A trama é marcada por uma narrativa fragmentada, interrompida por longos trechos que remetem ao passado da família Terra-Cambará, prolongando ainda mais a resolução da história.

Um detalhe interessante do filme é a cena da Chula, que ganha destaque como uma manifestação cultural. Além disso, esta produção foi a primeira a registrar a dança sendo executada sobre uma lança, uma adaptação criada dentro do contexto da guerra, sem referência histórica comprovada.

Com um elenco de peso, incluindo Lima Duarte, Fernando Baloroni e Bárbara Parisi, O Sobrado se consagrou como uma obra marcante do cinema brasileiro

CORAÇÃO DE LUTO (1973)

“Coração de Luto” é um drama musical que traz à tona a trajetória de um homem devastado pela dor e pela perda. A história se passa na década de 1970 e é centrada no personagem de Teixeirinha, interpretado pelo próprio cantor. Ele dá vida a um homem marcado pela morte da esposa, cuja partida deixa um vazio profundo em seu coração. Desolado, ele se vê preso a lembranças e à saudade da mulher que amava.

O filme explora a dor da perda e o sofrimento de quem fica para trás, enquanto o personagem tenta encontrar uma maneira de lidar com a tragédia e seguir adiante. O enredo se desenrola com bastante emoção e sentimento, refletindo na tela a profundidade da música e da cultura gaucha, com destaque para a interpretação de Teixeirinha e suas canções, que tornam a narrativa ainda mais tocante.

TROPEIRO VELHO (1978)

Tropeiro Velho é um drama que narra a história de um homem já idoso, que vive em uma época de grandes mudanças, refletindo sobre sua vida como tropeiro. O personagem principal, interpretado por José Maia, é um homem simples e resiliente, que dedicou sua vida ao transporte de mercadorias através das trilhas do interior do Rio Grande do Sul. À medida que envelhece, o tropeiro se vê confrontado com a modernização que ameaça sua forma de viver e de trabalhar, ao mesmo tempo em que lida com as memórias e as dificuldades de um passado que não pode mais ser revivido.

A história explora o desgaste físico e emocional do tropeiro, que, apesar da idade avançada, ainda sente a necessidade de seguir sua jornada, enfrentando as intempéries e os desafios da vida rural. O filme é uma reflexão sobre o fim de uma era e a resistência de um homem que, embora envelhecido, se recusa a abandonar seu legado e as tradições que marcaram sua vida e a história do Rio Grande do Sul.

ANITA E GARIBALDI (2013)

O filme Anita e Garibaldi se passa durante a Revolução Farroupilha (1835–1845) e conta a história de Giuseppe Garibaldi (Gabriel Braga Nunes), um comandante de 32 anos dos rebeldes republicanos, que invade a cidade de Laguna, em Santa Catarina. Durante essa jornada, ele encontra sua alma gêmea, Anita (Ana Paula Arósio), uma jovem de 18 anos, esposa de um sapateiro local.

Entre a paixão que nasce entre eles e as batalhas pela liberdade, o filme explora como o amor de Anita e Garibaldi influencia não apenas suas vidas, mas também o curso da revolução. A união dos dois se torna um marco tanto na história pessoal dos personagens quanto no contexto histórico da Guerra dos Farrapos.

Rodado entre 2005 e 2006, com locações em São Francisco do Sul e Lages, o filme busca reconstituir o cenário histórico de forma envolvente, destacando a luta pela liberdade e a força de uma mulher que se torna símbolo de resistência.

CERRO DO JARAU (2004)

O filme Cerro do Jarau narra a história de três primos que cresceram em um lugar mágico do sul do Brasil, conhecido como o Cerro do Jarau. Desde a infância, os três foram influenciados pela lenda de uma princesa aprisionada em uma caverna, Teiniaguá. Dentre os primos, a menina é a mais corajosa e aquela que, ainda jovem, ousou desafiar as histórias místicas sobre o local.

Com o tempo, os primos crescem e a jovem, agora casada, vai ajudar o marido na administração de um clube. No entanto, quando o novo dono do estabelecimento se recusa a pagar o que deve, o marido acaba sendo pressionado por um criminoso a saldar uma dívida, o que o leva a cometer um assalto. Sentindo-se traída e humilhada, a mulher decide fugir com o dinheiro e retornar ao Cerro do Jarau, onde reencarnam antigas lendas e onde ela encontrará novas revelações sobre seu passado e as histórias que marcaram sua infância.

NETTO PERDE SUA ALMA (2001)

Primeira experiência do escritor Tabajara Ruas na direção de um longa-metragem, Netto Perde Sua Alma foi realizado em parceria com Beto Souza. O filme é uma adaptação do livro homônimo do próprio Ruas e narra a trajetória do General Antônio de Souza Netto, figura histórica brasileira. Gravemente ferido por uma bala durante a Batalha de Tuiuti, na Guerra do Paraguai, em maio de 1866, Netto é encaminhado para um hospital de campanha na cidade de Corrientes, na Argentina.

Ali, enquanto se recupera, começa a perceber acontecimentos inquietantes. Entre eles, o capitão de Los Santos, que acusa o cirurgião do hospital de ter amputado suas pernas sem necessidade. Além disso, Netto reencontra o sargento Caldeira, um antigo companheiro de guerra e ex-escravizado, com quem lutou na Revolução Farroupilha décadas antes. Ao lado de Caldeira, Netto revisita suas memórias, recordando sua participação na guerra, seu encontro com Milonga – jovem escravizado que se alistou no Corpo de Lanceiros Negros – e o período de exílio que passou no Uruguai.

Um filme que mergulha na história brasileira e na trajetória de um dos grandes personagens do século XIX.

NETTO E O DOMADOR DE CAVALOS (2008)

Na sequência de Netto Perde Sua Alma (2001), Netto e o Domador de Cavalos, dirigido por Tabajara Ruas, traz uma releitura contemporânea da lenda do Negrinho do Pastoreio, uma das mais populares do Rio Grande do Sul, e também narra mais sobre a história do herói farroupilha Antônio de Souza Netto (interpretado por Werner Schünemann).

Situado na América do Sul em 1835, durante o Império Brasileiro ainda escravocrata, o filme retrata Netto como um republicano que luta pela liberdade dos negros, enfrentando a tirania e a opressão. O general foi um herói das Guerras de Fronteira no Sul do Brasil no século XIX.

A história se desenrola no início da Guerra dos Farrapos, quando Netto descobre que seu antigo companheiro de guerra, Índio Torres (Tarcísio Filho), está preso. Para libertá-lo, ele se alia a escravos rebeldes, incluindo Negrinho (Evandro Elias), considerado o melhor cavaleiro da região.

O filme faz parte de uma trilogia, e um novo capítulo, intitulado Netto nos Braços da Moura, está previsto para dar continuidade à saga. No Festival de Cinema de Gramado de 2001, o primeiro filme da trilogia foi premiado com quatro Kikitos, o principal prêmio do maior festival de cinema do Brasil.

PAIXÃO GAÚCHO (1957)

Este é mais um grande clássico do cinema nacional, embora ainda pouco conhecido pelo público. Paixão Gaúcho tem seu roteiro completamente baseado e adaptado a partir do livro O Gaúcho, de José de Alencar, publicado em 1870. A trama se passa em 1836 e acompanha a forte amizade entre dois homens, que se vê ameaçada quando ambos se apaixonam pela mesma mulher. Com o início da Guerra dos Farrapos, os antigos amigos acabam em lados opostos, e a disputa pelo amor da jovem apenas intensifica o conflito entre eles.

A trilha sonora conta com algumas canções de Barbosa Lessa, incluindo Chimarrita Cafuné. O próprio Lessa foi convidado pelo diretor Walter George Dust (o mesmo de O Sobrado) para atuar como “consultor de costumes” da produção. No entanto, por estar cumprindo um estágio obrigatório como aspirante no IX Regimento de Cavalaria de São Gabriel, indicou seu primo Sady para a função. Ainda assim, conseguiu participar dos últimos dias de gravação e até mesmo da cena do casamento, onde dançou o Anú, dança recém-publicada por ele e Paixão Côrtes naquele ano.

Lima Duarte, que já havia participado de O Sobrado, retorna neste filme, interpretando com maestria um gaúcho campechano. Ele divide cena com a cantora Inhána, responsável por interpretar as músicas compostas por Lessa para a trilha sonora.

PÁRA PEDRO! (1969)

Lançado em 1969, este foi um dos primeiros filmes coloridos a retratar os regionalismos gaúchos. Pára Pedro! é uma comédia inspirada na famosa canção homônima de José Mendes, que até hoje é lembrada e cantada em todo o Brasil.

A trama se desenrola na região de Vacaria e arredores, acompanhando Pedro, que se vê obrigado a fugir da cidade após um desentendimento com o secretário de um político local, candidato a deputado. O motivo da confusão envolve um mal-entendido relacionado à sua namorada, Rosário, e sua madrinha, que nunca aprovou o relacionamento dos dois. Sem entender as razões da fuga de Pedro, Rosário decide agir por conta própria e contrata um pistoleiro para trazê-lo de volta, dando início a uma série de situações cômicas e inesperadas.

Com roteiro de Antônio Augusto Fagundes, o filme captura com autenticidade a vida do gaúcho serrano, destacando seus costumes, tradições e até a arquitetura local. Uma obra divertida e cheia de identidade cultural, que vale a pena conferir

NÃO APERTA APARÍCIO! (1970)

Este filme, lançado em 1970, também traz José Mendes como protagonista e é inspirado em uma de suas canções mais conhecidas, que leva o mesmo nome. As filmagens ocorreram na região de Dom Pedrito e na Base Aérea de Canoas, contando com um elenco de peso, incluindo Grande Otélo, José Lewgoy, Angelito Mello e Edson Acri, que, mais uma vez, contribuiu com seus desenhos na abertura.

A história acompanha o Coronel Amaro Silva, um grande criador de gado e dono de uma imensa estância no interior de Dom Pedrito. Seu filho, Aparício, trabalha como capataz da propriedade, sempre acompanhado do negrinho Tonico (personagem interpretado por Grande Otélo), afilhado do coronel.

A situação muda com a chegada de um novo vizinho, o Dr. Azevedo, que adquire terras ao lado da estância. Com ele, vem sua filha Aurora, que acaba conhecendo Aparício e iniciando um romance com ele. No entanto, o clima de amor logo dá lugar a um grande problema: parte do gado do Dr. Azevedo é roubada e Aparício é acusado injustamente, já que os verdadeiros ladrões deixaram pistas falsas para incriminá-lo. Agora, ele precisa lutar para provar sua inocência.

ANAHY DE LAS MISIONES (1997)

Este drama retrata a jornada de Anahy, uma mulher errante, descendente de guaranis (o que seu próprio nome já sugere), que atravessa os campos da Província durante a Revolução Farroupilha. Acompanhada de seus quatro filhos – Teobaldo, Leonardo, Luna e Solano –, do revoltoso Manuel e da prostituta Picumã, ela percorre os campos de batalha recolhendo trajes, pertences e qualquer tipo de valor dos soldados caídos, repassando-os a outros combatentes, sem distinção de lado.

Dirigido por Sérgio Silva e produzido por Gisele Hilti, o filme se destaca pela cuidadosa reconstrução histórica, desde as locações até figurinos e objetos de época, fruto de um extenso trabalho de pesquisa da equipe. O elenco reúne grandes nomes do cinema brasileiro, como Dira Paes, Marcos Palmeira, Matheus Nachtergaele, Paulo José e Araci Esteves, que dá vida à protagonista.

O QUATRILHO (1995)

A trama de O Quatrilho se desenrola em 1910, em uma comunidade rural situada na serra do Rio Grande do Sul, onde dois casais muito amigos vivem juntos, compartilhando a mesma casa e enfrentando, juntos, as dificuldades da vida. No entanto, a rotina desses casais muda quando a esposa de um deles começa a se envolver com o marido do outro e decide fugir com ele.

A maior parte das filmagens do filme foi realizada na cidade de Farroupilha, com destaque para cenas que mostram a beleza da Cascata do Salto do Ventoso e o tradicional caminho de pedras, que servem como um cenário natural impactante.

Esta é a nossa sugestão de cinema no Rio Grande do Sul, faltou algum, pode contribuir nos comentários. E tu que é de fora do nosso estado e tem um filme regional para contribuir para nós, fica a vontade tchê, todas culturas regionais são bem vindas.

sábado, 1 de março de 2025

A paz do Ponche Verde - O Fim da Revolução Farroupilha

O Tratado de Ponche Verde, também chamado de Convenção de Ponche Verde ou Paz de Ponche Verde, marcou o encerramento da Revolução Farroupilha, selando infelizmente a reincorporação do território da República Rio-Grandense (considerada rebelde) ao Império do Brasil sob o governo de Dom Pedro II. No final de fevereiro de 1845, os termos da pacificação foram levados à análise dos líderes farroupilhas, já assinados pelo Barão de Caxias. O general David Canabarro, comandante-em-chefe do Exército Republicano, aceitou os termos em nome da República Rio-Grandense. A data oficial da assinatura é aceita como 1º de março de 1845, quando  foi oficialmente anunciada a paz no Acampamento Imperial de Carolina, em Poncho Verde.

A região de Ponche Verde, nomeada assim pelos vastos campos verdejantes ideais para a criação de gado, corresponde hoje ao município de Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul. Foi ali que os líderes republicanos e as forças imperiais selaram um acordo que, ao menos no papel, garantiria anistia e direitos aos combatentes farroupilhas.

Embora o tratado tenha determinado o fim formal da República Rio-Grandense, seu legado permanece vivo na identidade do Rio Grande do Sul. A bandeira e o brasão do estado preservam os símbolos da república revolucionária, assim como outros estados brasileiros mantêm referências a movimentos emancipatórios em seus símbolos cívicos.

Além disso, diversas cidades gaúchas carregam nomes de figuras históricas da Revolução Farroupilha, como Bento Gonçalves, Garibaldi e Farroupilha. Porto Alegre, por sua resistência ao cerco farroupilha, recebeu do próprio D. Pedro II o título de "Mui Leal e Valerosa".

Os Bastidores da Pacificação

No final de 1844, já estava claro que a resistência farroupilha se enfraquecia e havia o desgaste do conflito e dificuldade em sustentar a guerra. Com isso o próprio Imperador Dom Pedro II buscou uma solução conciliatória e expediu um decreto confidencial em 18 de dezembro daquele ano, concedendo ao Barão de Caxias poderes para negociar a paz. O documento deixava claro que os farrapos, antes vistos como traidores, seriam recebidos com clemência caso aceitassem depor as armas.

No documento, ficava clara a disposição imperial de perdoar os insurgentes. Em um dos trechos do decreto, o imperador afirmava que os revoltosos, embora tivessem desafiado as leis do Império, mereciam sua "paternal proteção", concedendo-lhes plena anistia e garantindo que não seriam perseguidos pelos atos cometidos durante a guerra.

O artigo 2º desse decreto imperial dizia:

“Recorrendo à minha imperial clemência aqueles de meus súditos que, iludidos e desvairados, têm sustentado na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul uma causa atentatória da Constituição (...), concedo-lhes plena e absoluta anistia, para que nem judicialmente, nem de outra forma, possam ser perseguidos.” Ou seja, o Império buscava encerrar o conflito sem retaliações formais contra os rebeldes – ao menos, era isso o que se prometia.

O acordo estabelecia 12 cláusulas, sendo elas:

Art. 1° - Fica nomeado Presidente da Província o indivíduo que for indicado pelos republicanos.

Art. 2° - Pleno e inteiro esquecimento de todos os atos praticados pelos republicanos durante a luta, sem ser, em nenhum caso, permitida a instauração de processos contra eles, nem mesmo para reivindicação de interesses privados.

Art. 3° - Dar-se-á pronta liberdade a todos os prisioneiros e serão estes, às custas do Governo Imperial, transportados ao seio de suas famílias, inclusive os que estejam como praça no Exército ou na Armada.

Art. 4° - Fica garantida a Dívida Pública, segundo o quadro que dela se apresente, em um prazo preventório.

Art. 5° - Serão revalidados os atos civis das autoridades republicanas, sempre que nestes se observem as leis vigentes.

Art. 6° - Serão revalidados os atos do Vigário Apostólico.

Art. 7° - Está garantida pelo Governo Imperial a liberdade dos escravos que tenham servido nas fileiras republicanas, ou nelas existam.

Art. 8° - Os oficiais republicanos não serão constrangidos a serviço militar algum; e quando, espontaneamente, queiram servir, serão admitidos em seus postos.

Art. 9° - Os soldados republicanos ficam dispensados do recrutamento.

Art. 10° - Só os Generais deixam de ser admitidos em seus postos, porém, em tudo mais, gozarão da imunidade concedida aos oficiais.

Art. 11° - O direito de propriedade é garantido em toda plenitude.

Art. 12° - Ficam perdoados os desertores do Exército Imperial.

Com o tratado firmado, David Canabarro emitiu uma proclamação aos farrapos no dia 28 de fevereiro de 1845, declarando o fim da guerra:

"Concidadãos! A guerra civil que há mais de nove anos devasta este belo país está acabada. Podeis volver tranquilos ao seio de vossas famílias. Vossa segurança individual e vossa propriedade estão garantidas pela palavra sagrada do monarca." Fica a questão, foi ou não foi traição nos Porongos?

O clima de conciliação, no entanto, escondia contradições que logo ficariam evidentes. Embora o acordo garantisse anistia e direitos aos farrapos, muitas cláusulas foram descumpridas:

Os republicanos não puderam indicar o presidente da província, e o próprio Barão de Caxias foi nomeado senador do Império.

Não há registros que comprovem o pagamento das compensações financeiras prometidas aos líderes farroupilhas. Antônio Vicente da Fontoura, responsável pela negociação, relatou que a distribuição dos valores foi caótica, marcada por disputas e suspeitas de corrupção.

Nem todos os escravizados que lutaram pelo Exército Farroupilha foram libertos. Muitos foram devolvidos aos antigos senhores, outros vendidos no Rio de Janeiro. Os Lanceiros Negros, um dos grupos mais emblemáticos da revolução, foram traídos e massacrados na Batalha de Porongos.

A pacificação não apagou completamente as feridas do conflito. Rivalidades entre os antigos aliados farroupilhas permaneceram, resultando, anos depois, em novos embates políticos e até mesmo em assassinatos, como o de Vicente da Fontoura, morto em 1860 por opositores. Essas divisões ainda ecoaram na Revolução Federalista de 1893 e na Revolução de 1923, sendo finalmente apaziguadas com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930.

Reconhecimento Internacional da República Rio-Grandense

A República Rio-Grandense chegou a obter algum reconhecimento internacional. Em 1841, Bento Gonçalves firmou um acordo de auxílio militar com o Uruguai, estabelecendo cooperação entre os dois países. Além disso, em 1842, no chamado Pacto de Paysandú, províncias independentes do norte argentino reconheceram a legitimidade da República Rio-Grandense ao lado de líderes como José María Paz e Juan Pablo López, em oposição ao ditador argentino Juan Manuel de Rosas.

Conclusão

O Tratado de Poncho Verde selou o fim de um dos mais marcantes movimentos separatistas do Brasil. A Revolução Farroupilha não alcançou a independência, mas moldou a identidade gaúcha, deixando um legado de coragem, resistência e orgulho que perdura até os dias de hoje. O povo do Rio Grande do Sul nunca esqueceu seus heróis e seus feitos, mantendo viva a memória da luta farroupilha como um dos capítulos mais intensos de sua história

A Revolução Farroupilha terminou, mas seus ideais – e suas contradições – continuam a ecoar na identidade do povo gaúcho até os dias de hoje.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

O Gaúcho tem mesmo orgulho de seu estado? Será?

Sempre nas férias buscamos descansar e fazer uma viagem se propondo a conhecer novos lugares e culturas, comigo não é diferente. O foco aqui no blog é cultura gaúcha, mas, à cada viagem procuro fazer uma imersão na cultura regional do lugar e depois de Minas Gerais, onde mostramos as semelhanças culturais em outro post, agora foi a vez de conhecer a Paraíba. 

Em Minas já tínhamos visto um enorme orgulho das suas raízes, inclusive a capital Belo Horizonte conta com um mercado central dedicado exclusivamente a cultura regional de Minas, focado em queijo, cachaça e outras regionalidades. 

Na Paraíba não é diferente, espaços dedicados ao artesanato regional e mercado público de frutas típicas.

Sabemos que são lugares bastante visitados e exclusivamente turísticos, interior de Minas e praias, porém, o orgulho da cultura regional desses lugares está estampada no cotidiano das pessoas que vivem ali.

Em Minas, inclusive na capital, onde olhar tu vê as menções a Tiradentes e a exploração do ouro pelos portugueses nos primórdios da exploração, colonização e roubo das riquezas naturais das terras da Minas Gerais.

Na Paraíba, Lampião e Maria Bonita são personagens constante, a arte em couro está por todo lugar, as roupas estampam a bandeira do estado. Já em Olinda, Pernambuco, o frevo pulsa na cidade, as cores tradicionais do carnaval estão por toda parte e os bonecos de Olinda são figuras constantes nas feiras e lojinhas.

Aqui, os gaúchos de Facebook, raiz que se dizem da pura cepa ficam defendendo símbolos alheios ao Rio Grande, as prefeituras montam comércios para ambulantes venderem bugiganga e não criam espaços regionais para valorização da cultura regional, o povo briga por políticos de fora daqui e os políticos daqui usam sua influência para defenderem ideologias de outras querências. Quem se diz regionalista, enche a boca para defender Lulas e Bolsonaros e ninguém defende nossa cultura que definha a margem de estrangeirismos.

Quando alguém posta algo de bandas de bailão sempre vem um pseudo puritano dizer que não é tradição e pelo contrário, é o puro suco de regionalismo dos bailes do interior o de um ritmo se idealizou dentro do estado e a cada dia está mais popular.  Muitos acham que nossa cultura é só bota e bombacha e não é, é o sotaque de Porto Alegre, do noroeste e da campanha, é falar dE no norte e nas bandas de Bagé e ali no lado falar Di sem perder a essência de ser do RS e tudo isso acaba em mi-mi-mi.

Em outros estados, lugares são destinados para as culturas regionais, governos incentivam símbolos regionais e o povo produz, defende e divulga seus símbolos. Como nos estados citados acima que tem seus símbolos, desconheço material com ampla divulgação de nossos personagens, camisetas com General Netto e Bento Gonçalves, exaltação aos lanceiros negros e demais personagens de nossa história. 

Falo isso baseado na experiência da Serra, onde Caxias do Sul oferece pouco ou quase nada de cultura gaúcha fora da semana Farroupilha e algumas feiras esporádicas com temática italiana em seu interior. Alguns passeios e rotas que visam o mercado financeiro sem o principal produto estar em evidência, o Rio Grande do Sul.

Baseado nisso tudo,  conseguimos hoje afirmar que o RS ainda valoriza sua cultura? Temos o Pampa, a Serra, as Missões e demais regiões, elas são amplamente divulgadas?

Como ainda desconheço alguns municípios daqui do RS, gostaria que nossos leitores deixem nos comentários locais que vendem artigos regionais, ambientais temáticos e espaços dedicados para a cultura do estado do Rio Grande do Sul.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Cultura Gaúcha e Mineira: Um Encontro de Tradições

O Brasil é um país rico em diversidade cultural, e cada região traz consigo tradições únicas que encantam e contam a história do nosso povo. Hoje, vamos falar sobre duas culturas que, embora distintas, compartilham um profundo orgulho de suas raízes: a cultura gaúcha e a cultura mineira.

Sempre valorizando a cultura regional e cientes da riqueza da cultura mineira, fizemos essa postagem com o objetivo de mostrar as singularidades das culturas e que acabam se encontrando pelas suas qualidades.

A Cultura Gaúcha: Tradição e Orgulho no Sul

No extremo sul do Brasil, o Rio Grande do Sul é conhecido por sua forte identidade cultural, marcada pela tradição dos *pampas*. A cultura gaúcha é celebrada com orgulho, especialmente durante as festas típicas como a Semana Farroupilha, que homenageia a Revolução Farroupilha e os ideais de liberdade e justiça.

Churrasco e Chimarrão: Dois símbolos incontestáveis da cultura gaúcha. O churrasco, feito com maestria, é quase um ritual, enquanto o chimarrão, compartilhado em rodas de conversa, representa a hospitalidade e a união do povo gaúcho.

Danças Tradicionais: As danças como o vanerão e o chamamé são parte essencial das festividades, acompanhadas pelo som do acordeão.

Trajes Típicos: As bombachas, as botas e os lenços no pescoço são marcas registradas do gaúcho, refletindo sua conexão com o campo e a vida campeira.

A Cultura Mineira: Calor Humano e Sabores Inesquecíveis

Já em Minas Gerais, a cultura é marcada pela simplicidade, pelo calor humano e por uma culinária que conquista qualquer paladar. O mineiro é conhecido por sua hospitalidade e por preservar tradições que remontam ao período colonial.

Culinária Mineira: Quem nunca ouviu falar do pão de queijo, do feijão tropeiro ou do tutu à mineira? A comida mineira é um verdadeiro patrimônio, feita com ingredientes simples, mas com um sabor que emociona.


Fé e Tradição: Minas Gerais é terra de igrejas barrocas, romarias e festas religiosas, como a Festa do Divino e o Congado, que misturam devoção e cultura popular.


Música e Folclore: O violão, a viola caipira e as modas de viola são parte da alma mineira, assim como as histórias folclóricas que povoam o imaginário local.

O Que Gaúchos e Mineiros Têm em Comum?

Apesar das diferenças geográficas e culturais, gaúchos e mineiros compartilham valores como o amor pela terra, o respeito às tradições e a importância da família e dos amigos. Ambos têm um jeito único de receber quem chega, seja com um chimarrão quente ou com um café fresquinho e um pedaço de bolo de fubá.

Além disso, tanto no Rio Grande do Sul quanto em Minas Gerais, as festas típicas são momentos de celebração da identidade cultural, onde as gerações se encontram para manter viva a história de seus antepassados.

Veja os principais pontos em comum desses dois estados únicos 

Hospitalidade: O Ponto de Encontro

Tanto os gaúchos quanto os mineiros são conhecidos por sua hospitalidade. No Rio Grande do Sul, o mate amargo da cuia é compartilhado como símbolo de amizade e acolhimento. Em Minas Gerais, é o café fresquinho e o pão de queijo quentinho que traduzem esse carinho. Ambas as culturas têm em comum a valorização do encontro, da conversa e da convivência calorosa.

Culinária: Sabores da Alma

Se o churrasco e o carreteiro são ícones da mesa gaúcha, o pão de queijo, o feijão-tropeiro e a galinhada com quiabo são os representantes mineiros. O gosto pela simplicidade e pela autenticidade é um elo entre essas culturas, ambas marcadas por pratos feitos com amor e ingredientes locais.

Música e Tradição

O Rio Grande do Sul tem nos festivais nativistas e na música tradicionalista, como o som da gaita e da milonga, uma forma de preservar suas raízes. Em Minas Gerais, o congado e o som das violas caipiras contam histórias de fé, resistência e celebração da vida. Ambas as culturas exaltam suas tradições por meio de canções que emocionam e conectam.

Paisagens e Estilos de Vida

As montanhas mineiras e os pampas gaúchos não poderiam ser mais distintos em aparência, mas compartilham algo especial: o convite à contemplação e ao contato com a terra. Enquanto os mineiros apreciam o horizonte montanhoso com suas cidades históricas, os gaúchos vivem a imensidão do campo e o vento livre do sul.

Religião e Fé

Em Minas Gerais, as igrejas barrocas e a forte influência do catolicismo contam uma história de devoção. No Rio Grande do Sul, a religiosidade também se manifesta, seja no catolicismo ou nas crenças trazidas por imigrantes europeus. Em ambos os estados, a fé é uma base cultural que se reflete em festas e tradições.

O Charme do Interior

A vida no interior é um ponto de convergência entre gaúchos e mineiros. A simplicidade, o ritmo tranquilo e o valor dado às coisas pequenas são características que unem as duas culturas. Seja no sotaque arrastado mineiro ou no “tchê” gaúcho, há uma beleza única que nos faz sentir em casa.

A cultura gaúcha e a cultura mineira são dois pilares importantes da identidade brasileira. Cada uma com suas particularidades, mas ambas carregando consigo um profundo senso de pertencimento e orgulho de suas raízes. Que possamos sempre valorizar e celebrar essas tradições, que tanto enriquecem o nosso país.

Essa união de contrastes e similaridades mostra como a diversidade brasileira é encantadora. Ao entender um pouco mais sobre as culturas gaúcha e mineira, percebemos que, apesar das diferenças regionais, o que realmente importa são os valores compartilhados: tradição, hospitalidade e amor pelas próprias raízes.

E você, já teve a oportunidade de vivenciar a cultura gaúcha ou mineira? Qual delas mais te encantou? Compartilhe suas histórias nos comentários!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Biografia Gaúcha- Os Monarcas

A Trajetória dos Monarcas: Uma História de Amor à Música Gaúcha

Como um verdadeiro gaúcho apaixonado pela cultura do nosso Rio Grande, é impossível não se emocionar ao contar a história de Os Monarcas. Um grupo que começou pequeno, mas que, com trabalho, talento e amor à música regionalista, se tornou uma lenda viva da nossa tradição.

A trajetória de Os Monarcas começou em 1967, na cidade de Erechim, no norte do Rio Grande do Sul. Foi lá que os irmãos Gildinho e Chiquito formaram a dupla Gildinho e Chiquito, animando bailes da região e apresentando o programa de rádio "Assim Canta o Rio Grande". Essa paixão pela música os levou a estudar acordeom na Escola de Belas Artes.

Em 1972, o nome da dupla mudou para Os Monarcas e, dois anos depois, eles lançaram o primeiro LP, Galpão em Festa. Em 1976, com a entrada de João Argenir dos Santos (guitarra), Luiz Carlos Lanfredi (contrabaixo) e Nelson Falkembach (bateria), o grupo assumiu sua formação completa e gravou o álbum O Valentão Bombachudo, que marcou o início de uma trajetória de sucesso na música regionalista gaúcha.

A década de 1980 consolidou Os Monarcas como um dos maiores grupos do gênero. Foram lançados LPs icônicos como Isto é Rio Grande (1980), Rancho Sem Tramela (1985) e Fandangueando (1988). Foi nesse período que o grupo ganhou o reforço de Ivan Vargas, que permanece até hoje como vocalista.

Nos anos 1990, Os Monarcas atingiram o auge. Também em 1990, um dos pioneiros, o acordeonista Chiquito, deixou o grupo para fundar o conjunto Chiquito & Bordoneio. Para o seu lugar, foi chamado o também acordeonista Leonir Vargas, catarinense, conhecido como Varguinhas. Em 1991, o CD Cheiro de Galpão foi um estrondoso sucesso de vendas, rendendo ao grupo o primeiro Disco de Ouro. Nessa mesma época, Francisco de Assis Brasil, o Chico Brasil, se juntou ao conjunto, trazendo sua habilidade na gaita-ponto. Em 1994, o grupo lançou Eu Vim Aqui Para Dançar, que também foi premiado com Disco de Ouro.

A década terminou com mais mudanças importantes. Em 1999, o grupo passou a gravar pela gravadora ACIT e lançou Locomotiva Campeira. O percussionista Vanclei da Rocha também se uniu ao grupo, agregando ainda mais qualidade à sonoridade dos Monarcas.

Além de levar a música gaúcha para todo o Brasil, Os Monarcas acumularam ao longo dos anos 10 Discos de Ouro, incontáveis troféus e prêmios. Em 2013, a história do grupo foi eternizada no filme Os Monarcas – A Lenda, que conta a trajetória de Gildinho e Chiquito, mostrando como o amor à música e à tradição moldou esse grupo único.

Os Monarcas também têm uma extensa discografia, com mais de 40 álbuns lançados. Destacam-se trabalhos como Do Sul Para o Brasil (1989), Rodeio da Vida (1995), Alma de Pampa (2003) e Marca Monarca (2021). Em 2023, comemoraram 50 anos de estrada, reafirmando o legado de um grupo que é sinônimo de música regional gaúcha.

A história de Os Monarcas não é apenas a de um grupo musical, mas de um pedaço da alma do Rio Grande do Sul. Cada acorde, cada letra, cada fandango é um tributo à nossa terra e às nossas tradições. E para nós, gaúchos, eles sempre serão mais do que músicos: são símbolos vivos do que significa amar e viver a cultura gaúcha.

Discografia:

1969: Os Trovadores do Sul

1974: Gaúcho Divertido

1976: Galpão em Festa

1978: O Valentão Bombachudo

1980: Isto é Rio Grande

1982: Grito de Bravos

1985: Rancho Sem Tramela

1986: Chamamento

1988: Fandangueando

1989: Do Sul Para o Brasil

1991: Cheiro de Galpão

1992: Os Monarcas

1994: Eu Vim Aqui Para Dançar

1995: Rodeio da Vida

1997: Do Rio Grande Antigo

1999: Locomotiva Campeira

2000: No Tranco dos Monarcas

2001: 30 Anos de Estrada

2002: A Gaita Gaúcha dos Monarcas

2003: Alma de Pampa

2004: Só Sucessos

2006: Recordando o Tempo Antigo

2007: DVD e CD 35 Anos - História, Música e Tradição - Ao Vivo

2008: A Marca do Rio Grande

2009: Os Monarcas Interpretam João Alberto Pretto

2011: Cantar é Coisa de Deus

2012: DVD e CD 40 Anos - Ao Vivo

2013: Alma de Gaita

2015: Perfil Gaúcho

2017: DVD 45 Anos - Ao Vivo

2017: Tô Pegando a Estrada

2018: Identidade Monarca

2021: Marca Monarca

2023: 50 Anos

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

2025: Um Novo Ciclo para o Povo Gaúcho e Nossa Cultura

O ano de 2024 trouxe desafios que marcaram profundamente o Rio Grande do Sul. Enchentes devastadoras, perdas humanas em acidentes e outros eventos impactaram nossas vidas, mas a força e a resiliência do gaúcho seguem inabaláveis. Com a chegada de 2025, renovamos a esperança de dias melhores, mais prósperos e tranquilos para todos. Um ano que será cheio de eventos tradicionalistas que certamente necessitarão do apoio da nossa população em sua integralidade. 

Começamos hoje dia 03/01, na cidade de Capitão,onde, inicia-se oficialmente a temporada de rodeios, com cerca de 3.500 eventos esperados ao longo do ano. Esta modalidade não é apenas uma celebração cultural, mas também um motor econômico poderoso, movimentando mais de 2 bilhões de reais por ano no estado. É a força do pampa, unindo tradição e desenvolvimento.

Temos também os festivais nativistas  que são a alma do povo Gaúcho e entre os 28 festivais nativistas confirmados para 2025, destacam-se eventos como o Acampamento da Canção, que inaugura o calendário nativista e a . Esses festivais são verdadeiras vitrines da nossa música, poesia e dança, levando a essência do Rio Grande do Sul para todos os cantos do Brasil.

A música nativista terá sua expressão máxima em festivais como a Califórnia da Canção Nativa que encerra a cena musical tradicional gaúcha e o Festival da Música Crioula, enquanto a poesia encontra palco no Sesmaria da Poesia Gaúcha e no Bivaque da Poesia Crioula. Esses eventos são o coração da cultura gaúcha e nos conectam às nossas raízes de forma única.

Além dos festivais, 2025 será marcado por grandes eventos tradicionalistas organizados pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). O ENART, o Juvenart, o Sarau de Prendas e a FECARS são alguns dos momentos mais aguardados, celebrando o talento e a paixão pelo tradicionalismo em diversas modalidades artísticas e campeiras.

E não podemos esquecer a Semana Farroupilha, nosso maior símbolo de orgulho e identidade, que reúne milhares de gaúchos em desfiles, cavalgadas e celebrações por todo o estado.

Neste novo ano, temos o compromisso de levar a cultura gaúcha para além das fronteiras do Rio Grande. Usaremos a Internet para mostrar ao mundo nossa música, dança, poesia e a força das tradições que carregamos com tanto orgulho.

O verdadeiro gaúcho não apenas preserva suas raízes; ele as compartilha com o mundo. Que venha 2025, com todos os seus desafios e conquistas, mantendo sempre viva a chama crioula!

Entrevero Xucro: o xucrismo do Rio Grande na Internet.

sábado, 7 de dezembro de 2024

Teixeirinha e Gildo de Freitas: Uma amizade que atravessou a lenda da rivalidade

Recentemente, dia 04 mais precisamente, fecha mais um ano de morte desses dois grandes artistas do Rio Grande do Sul. A música regionalista gaúcha tem em sua história esses dois nomes que transcenderam as fronteiras do Rio Grande do Sul e conquistaram o Brasil: Teixeirinha e Gildo de Freitas. Estes dois ícones da cultura gaúcha, com estilos marcantes e trajetórias singulares, carregaram ao longo de suas carreiras uma relação envolta em mitos de rivalidade, mas fundamentada em respeito e amizade. Vamos relembrar suas histórias, suas contribuições para a música, e a curiosa coincidência de suas partidas.

Teixeirinha: o "Rei do Disco"

Vitor Mateus Teixeira, mais conhecido como Teixeirinha, nasceu em 3 de março de 1927, em Rolante, no Rio Grande do Sul. Ele enfrentou uma infância dura, perdendo os pais ainda criança, e encontrou na música uma forma de superar as dificuldades. Sua canção, "Coração de Luto", foi inspirada na tragédia da perda de sua mãe e tornou-se um fenômeno nacional.

Com mais de 50 milhões de discos vendidos, Teixeirinha ganhou o título de "Rei do Disco". Ele também brilhou no cinema, protagonizando filmes como Coração de Luto e Ela Tornou-se Freira. Sua habilidade em conectar-se com o povo através de suas letras simples e emotivas consolidou seu lugar como uma lenda da música regional.

Imagem da internet

Gildo de Freitas: o "Rei dos Trovadores"

Gildo de Freitas, nascido em 19 de junho de 1919, em Porto Alegre, destacou-se como um dos maiores trovadores do Rio Grande do Sul. Conhecido por suas "trovas" – forma improvisada de poesia cantada –, Gildo encantava com sua presença de palco e sua habilidade em criar versos que misturavam humor, crítica social e regionalismo.

Além de ser um exímio trovador, Gildo gravou vários discos que perpetuaram clássicos como "Prazer de Gaúcho" e "Velho Casarão". Sua persona autêntica e irreverente fazia dele uma figura carismática, que encantava multidões por onde passava.



Amizade e os mitos da rivalidade

Embora frequentemente retratados como rivais – um duelo simbólico entre o trovador improvisador e o cantor romântico –, Teixeirinha e Gildo de Freitas compartilhavam uma amizade sólida. A suposta rivalidade foi em grande parte alimentada pela mídia e pelos próprios fãs, que adoravam a ideia de um embate entre esses gigantes da música gaúcha.

Nos bastidores, a relação entre os dois era de admiração mútua. Gildo, com seu estilo espontâneo, e Teixeirinha, com sua habilidade de compor histórias emotivas, reconheciam e respeitavam o talento um do outro. Diz-se que os dois frequentemente brincavam com essa falsa rivalidade, utilizando-a como ferramenta para promover seus shows.

O adeus no mesmo dia

Em uma coincidência que parece tirada de uma canção melancólica, Teixeirinha e Gildo de Freitas faleceram no mesmo dia: 4 de dezembro, embora em anos diferentes – Gildo em 1982 e Teixeirinha em 1985. Este fato marcou profundamente os fãs e a história da música regional, como se o destino quisesse eternizar a ligação entre esses dois ícones.

Legado

Teixeirinha e Gildo de Freitas deixaram um legado imensurável para a cultura gaúcha. Suas músicas continuam sendo celebradas por novas gerações, e suas histórias, repletas de desafios, conquistas e amor à terra, permanecem vivas na memória popular.

Mais do que cantores, eles foram cronistas de um Rio Grande autêntico, que encontra em suas canções um espelho da alma do povo gaúcho. E assim, a amizade que venceram as lendas e o tempo segue inspirando e emocionando os admiradores de sua arte.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Significados das cores da bandeira do Rio Grande do Sul

A bandeira do Rio Grande do Sul, que herdou as cores da antiga República Rio-Grandense, carrega um rico simbolismo que remonta à Revolução Farroupilha (1835-1845). Cada cor – verde, amarelo e vermelho – reflete tanto aspectos históricos quanto ideais políticos da época. Entender esses significados é essencial para compreender a identidade cultural e política do povo gaúcho.

O verde e o amarelo: herança e unidade

As cores verde e amarelo, presentes tanto na bandeira da República Rio-Grandense quanto na atual bandeira estadual, possuem uma ligação direta com o Império do Brasil. Na heráldica imperial, o verde simbolizava a Casa de Bragança (Portugal), enquanto o amarelo representava a Casa de Habsburgo (Áustria), da qual fazia parte Dona Leopoldina, primeira esposa de Dom Pedro I. Essas cores, portanto, remetiam às famílias nobres que fundaram o Brasil independente.

No contexto da Revolução Farroupilha, porém, o significado dessas cores ganha outra nuance. Mesmo lutando contra o governo imperial, os líderes farroupilhas não buscavam romper totalmente com a pátria brasileira, mas sim rejeitar seu modelo centralizador. Essa ideia é reforçada por um diálogo lendário atribuído a David Canabarro, em resposta a uma oferta de ajuda militar de Juan Manuel de Rosas, da Argentina. Segundo a narrativa, Canabarro teria afirmado que os farrapos prefeririam a união com os monarquistas brasileiros a aceitar qualquer invasão estrangeira. Isso demonstra que a causa farroupilha tinha como base a defesa de um modelo federativo, em vez de uma separação definitiva do Brasil. Segue a transcrição do diálogo:

“O primeiro de vossos soldados que transpuser a fronteira, fornecerá o sangue com que assinaremos a Paz de Piratini com os imperiais, por cima de nosso amor à República está o nosso brio de brasileiros. Quisemos ontem a separação de nossa pátria, hoje almejamos a sua integridade. Vossos homens, se ousassem invadir nosso país, encontrariam ombro a ombro, os republicanos de Piratini e os monarquistas do Sr. D. Pedro II.”. Um aparte: foi traição em porongos?

Walter Spalding, historiador gaúcho, apontou em 1955 que as cores verde e amarelo na bandeira representam a fidelidade à pátria comum e ao ideal de uma federação. Assim, essas cores simbolizam não apenas a ligação com o Brasil, mas também o desejo de um governo mais justo e descentralizado.

O vermelho: sangue, liberdade e conexões internacionais

A inclusão da cor vermelha na bandeira é mais complexa e suscita debates entre historiadores. Uma das interpretações mais populares associa o vermelho ao sangue derramado pelos gaúchos durante os combates da Revolução Farroupilha. No entanto, há também outras explicações, que conectam o vermelho a ideais republicanos e movimentos revolucionários da época.

O professor César Augusto Barcellos Guazzelli sugere que o vermelho pode ter sido inspirado pelos revolucionários platinos, que em 1810 iniciaram a luta pela independência das Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina e Uruguai). Na Argentina, o vermelho era associado ao federalismo e, simbolicamente, à luta pela liberdade. Essa influência é visível nos laços políticos, econômicos e culturais entre os farroupilhas e seus vizinhos platinos, fortalecendo a ideia de que o vermelho representava tanto uma inspiração libertária quanto a solidariedade entre movimentos republicanos.

Além disso, o uso do vermelho como símbolo da revolução também se manifestava nos trajes, como o famoso lenço vermelho adotado pelos farroupilhas. Esse costume se perpetuou na cultura política gaúcha, sendo associado a outros movimentos revolucionários no Rio Grande do Sul, como as revoluções de 1893 e 1923.

A bandeira como símbolo de união e luta

Desde o início, a bandeira da República Rio-Grandense refletia os ideais de seus criadores. Sem o brasão central que conhecemos hoje, ela trazia apenas as três faixas – verde, amarela e vermelha – e era entendida como uma representação da luta pela liberdade e pelo federalismo. Mesmo após o fim da revolução, esses ideais permaneceram enraizados no imaginário coletivo do povo gaúcho.

Hoje, a bandeira do Rio Grande do Sul mantém seu significado histórico como um símbolo de resistência, liberdade e unidade. As cores, enquanto evocam as lutas do passado, também reafirmam o orgulho de uma identidade que, embora profundamente conectada ao Brasil, carrega consigo a marca da luta por autonomia e justiça.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Como Preparar um Churrasco Gaúcho Autêntico: Um Guia Completo

Claro que aqui no Rio Grande quase todo mundo sabe fazer o nosso bom assado, uma picanha, maminha e a costela (a mais tradicional do churrasco). Mas para quem não é daqui, vamos ensinar a fazer o tradicional assado.

Mas, antes de tudo temos que lembrar que o churrasco é uma das tradições mais marcantes da cultura gaúcha e representa mais do que apenas uma refeição; é um ritual de união entre amigos e familiares. Neste post, vou te ensinar tudo o que você precisa saber para preparar um churrasco gaúcho autêntico, desde a escolha da carne até o corte, o tempero e, claro, as técnicas de assar na churrasqueira.

O primeiro passo para um bom churrasco é a seleção das carnes. O gaúcho valoriza peças específicas que garantem suculência e sabor. Algumas das preferidas são a costela, a picanha, a maminha e o vazio. Escolher cortes com uma camada generosa de gordura ajuda a garantir a suculência do churrasco, um fator essencial para o sabor autêntico.

Também no churrasco gaúcho, a técnica tradicional é o fogo de chão, onde as carnes são assadas em espetos fincados diretamente na terra, próximos ao fogo. Essa prática permite que a carne asse lentamente, absorvendo o calor e o sabor defumado da lenha. Caso não seja possível, a churrasqueira a carvão é uma ótima alternativa.

A simplicidade é o segredo. O churrasco gaúcho é temperado apenas com sal grosso, que preserva o sabor original da carne. A técnica consiste em passar uma camada generosa de sal na carne antes de assar. Durante o processo, o sal se dissolve e realça o sabor natural.

A lenha de madeira frutífera ou de árvores como a acácia e a angico é recomendada para o fogo de chão, pois produzem brasas duradouras e aromáticas. No caso de uma churrasqueira a carvão, certifique-se de usar carvões de boa qualidade e bem secos, garantindo uma brasa forte e uniforme.

E claro nenhum churrasco está completo sem o chimarrão, a bebida tradicional gaúcha. É comum que o responsável pelo churrasco – o assador – sirva uma roda de chimarrão para os convidados enquanto a carne assa. É um momento de descontração e conversa.

por tudo isso que o churrasco gaúcho é mais do que uma refeição; é uma forma de celebração. Experimente essas técnicas e compartilhe momentos especiais com quem você ama, mantendo viva essa rica tradição gaúcha!

sábado, 7 de setembro de 2024

Acampamento Farroupilha de Porto Alegre

Começa hoje o Acampamento Farroupilha de Porto Alegre. Confira toda a programação abaixo:

SÁBADO(07/09)

PALCO JAYME CAETANO BRAUN

12h- Cerimônia de Abertura
16h30- Os Pajadores
17h50- Paullo Costa
19h50- Ernesto Fagundes
21h50- Lincon Ramos
PALCO NICO FAGUNDES
14h- CTG Raízes doSul
14h50- Trova: José Estivalet e Vitor Hugo
15h50- Declamação Andrea Loe
16h- Marcelinho Nunes
17h- Zizi Machado

DOMINGO(08/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
17h50- Cristiano Quevedo
19h50- Luiza Barbosa
21h50- Sina Fandangueira
PALCO NICO FAGUNDES
14h- CTG Tiarayu
14h50- Trova: Amaranto Arena e Tetê Carvalho
15h50- Declamação Rui Matias
16h- Maykell Paiva
17h- Desiderio Souza

SEGUNDA-FEIRA(09/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN 
9h às 11h e 14h às 16h -Ciranda Escolar
17h50- Mauro Moraes
19h50- Daniel Torrez
21h50- Grupo Os Mateadores
PALCO NICO FAGUNDES
15h- Chula: Victor Schimmelpfenig e Vinícius Schimmelpfenig
16h- Manoel Souza
17h- Moisés Oliveira e Grupo Vozes do Campo

TERÇA-FEIRA(10/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN 
9h às 11h e 14h às 16h -Ciranda Escolar
 17h50- Raul Quiroga
19h50- César Oliveira & Rogério Melo
21h50- João Luiz Corrêa & Grupo Campeirismo
PALCO NICO FAGUNDES
15h- Chula: Adrian Latroni e Arthur Latroni
16h- Jayme Caetano Braun- Um Século de Arte
17h- João Paulo Deckert

QUARTA-FEIRA(11/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
9h às 11h e 14h às 16h -Ciranda Escolar
 17h50- Jorge Guedes & Família
19h50- Tchê Guri
21h50- Machado e Marcelo do Tchê
PALCO NICO FAGUNDES
14h- CTG Gurizada Campeira
16h- Felipe D’Avila
17h- Grupo Missões

QUINTA-FEIRA(12/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
9h às 11h e 14h às 16h -Ciranda Escolar
17h50- André Teixeira
19h50- Tchê Garotos 21h50- Tchê Barbaridade
PALCO NICO FAGUNDES
11h- Festival Prosa e Poesia- Eliminatória
15h- Chula: Jean Marques da Rocha e Tiago Ferrari 16h- Tiago Quadros
17h- Felipe D’Avila

SEXTA-FEIRA(13/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
9h às 11h e 14h às 16h -Ciranda Escolar
17h50- Flávio Hanssen
19h50- Tatiéli Bueno
21h50- Kelly Colares & Banda
PALCO NICO FAGUNDES
11h- Festival Prosa e Poesia- Eliminatória
14h- CTG Aldeia dos Anjos
15h- Chula: Adrian Latroni e Arthur Latroni
16h- Felipe Goulart
17h- KauanaNeves

SÁBADO(14/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
16h30- Alma e Pampa
17h50- Fofa Nobre
19h50- Marinês Siqueira
21h50- Eliandro Luz & Grupo Oh de Casa
PALCO NICO FAGUNDES
10h- Coral Despertar
11h- Festival Prosa e Poesia- Final
14h- CTG Chimangos
14h50- PQT Laçadores Herdeiros da Tradição
15h- Trova: José Estivalet e Clódis Rocha
15h30- Declamação Elvio Moraes
16h- Ricardo Rosa
17h- Heduardo Carrão

DOMINGO(15/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
10h- Missa Crioula
12h- CTG Lanceiros da Zona Sul
16h30- Maria Luiza Benitez
17h50- Marcelo Caminha
19h50- SomdoSul
21h50- Gurias Gaúchas
PALCO NICO FAGUNDES
14h- CTGV aqueanos da Tradição
14h50- Trova: Amaranto Arena e Clódis Rocha
15h30- Declamação Pablo Santana
16h- Diego Machado

SEGUNDA-FEIRA(16/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
17h50- Juliana Spanevello
19h50- JocaMartins
21h50- Rodrigo Silva & Grupo Ala-Pucha
PALCO NICO FAGUNDES
15h- Chula: Victor Schimmelpfenig e Vinícius Schimmelpfenig
16h- Ricardo Comassetto 
17h- Juliano Moreno

TERÇA-FEIRA(17/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
17h50- Os Chacreiros
19h50- Érlon Péricles
21h50- Grupo Alma gaudéria
PALCO NICO FAGUNDES
15h- Chula: Projeto Gurizada Campeira
16h- Gustavo Brodinho
17h- Jader Leal

QUARTA-FEIRA(18/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
17h50- João de Almeida Neto
19h50- Daniel Haack & Gaúchos Lá de Fora
21h50- Grupo Querência
PALCO NICO FAGUNDES
15h- Chula: Victor Schimmelpfenig e Adrian Latroni ou Projeto Gurizada Campeira
16h- Leonel Almeida
17h- The AllPargatas

QUINTA-FEIRA(19/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
17h50- Fátima Gimenez
19h50- Analise Severo
21h50- Sangue Farrapo
PALCO NICO FAGUNDES
14h- 35 CTG
15h- Chula: Daniel Magnus dos Santos e Valentin Otto Magnus dos Santos
16h- Jonatan Dalmonte e Maurício Marques
17h- Charles Arce

SEXTA-FEIRA(20/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
15h- Cerimônia de Encerramento- Chama crioula 16h30- Santa Fé
17h50- Luiz Marenco
19h50- Maria Alice
21h50- Pedro Ernesto
PALCO NICO FAGUNDES
14h- CTG Coxilha Aberta
14h50- Trova: Celso Oliveira e Vitor Hugo
15h30- Declamação Silvana Andrade
16h- Darlan Ortaça
17h- Eduardo Maicá

SÁBADO(21/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
16h30- Leandro Berlesi e Buena Parceria
17h50- Pirisca Grecco
19h50- Capitão Faustino
21h50- Sandro Coelho
PALCO NICO FAGUNDES
14h- Nelcy Vargas
14h50- Festival Pôr do Sol da Canção Piá

 DOMINGO(22/09)
PALCO JAYME CAETANO BRAUN
17h50- Elmer Fagundes
19h50- Eco do Minuano & Bonitinho
21h50- Grupo Tagarrado
PALCO NICO FAGUNDES
14h- CTG Porteira da Restinga
14h50- Trova: Celso Oliveira e Tetê Carvalho
15h30- Declamação Adriana Braun
16h- Cristiano Cesarino

Programação extraída do site oficial do evento 

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Bioma Pampa

Saiba um pouco mais sobre o BIOMA PAMPA

Também conhecido como Campos do Sul ou Campos Sulinos, ocupa uma área de 176,5 mil Km² (cerca de 2% do território nacional) e é constituído principalmente por vegetação campestre (gramíneas, herbáceas e algumas árvores).

No Brasil, o Pampa está presente do estado do Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território gaúcho e também territórios da Argentina e Uruguai.
Serão graves os impactos da transformação no ecossistema atual em monocultura de árvores, cujo estágio de sucessão é bem diferente.

Toda monocultura provoca um desequilíbrio ambiental, que corresponde com a diminuição de algumas espécies e aumento de outras, além de alteração nas funções ecológicas básicas do ecossistema.

Os Campos da Região Sul do Brasil são denominados como “pampa”, termo de origem indígena para “região plana”, entretanto, esta denominação corresponde somente a um dos tipos de campo, encontrado mais ao sul do Rio Grande do Sul, atingindo o Uruguai e a Argentina.

Outros tipos conhecidos como campos do alto da serra são encontrados em áreas de transição com o domínio de araucárias. Em outras áreas encontram-se, ainda, campos de fisionomia semelhantes à savana.
Os campos, em geral, parecem ser formações edáficas (do próprio solo) e não climáticas. A pressão do pastoreio e os incêndios não permitem o estabelecimento da vegetação arbustiva, como se verifica em vários trechos da área de distribuição dos Campos do Sul.

A região geomorfológica do planalto de Campanha, a maior extensão de campos do Rio Grande do Sul, é a porção mais avançada para oeste e para o sul do domínio morfoestrutural das bacias e coberturas sedimentares.

Nas áreas de contato com o arenito botucatu, ocorrem os solos podzólicos vermelho-escuros, principalmente a sudoeste de Quaraí e a sul e sudeste de Alegrete, onde se constata o fenômeno da desertificação.

O solo, em geral, de baixa fertilidade natural e bastante suscetível à erosão. À primeira vista, a vegetação campestre mostra uma aparente uniformidade, apresentando nos topos mais planos um tapete herbáceo baixo – de 60 cm a 1 m, ralo e pobre em espécies, que se torna mais denso e rico nas encostas, predominando gramíneas, compostas e leguminosas; os gêneros mais comuns são: Stipa, Piptochaetium, Aristida, Melica, Briza. Sete gêneros de cactos e bromeliáceas apresentam espécies endêmicas da região.
A mata aluvial apresenta inúmeras espécies arbóreas de interesse comercial.

Na Área de Proteção Ambiental do Rio Ibirapuitã, inserida neste bioma, ocorrem formações campestres e florestais de clima temperado, distintas de outras formações existentes no Brasil. Além disso, abriga 11 espécies de mamíferos raros ou ameaçados de extinção, ratos d’água, cevídeos e lobos, e 22 espécies de aves nesta mesma situação. Pelo menos uma espécie de peixe, cará (Gymnogeophagus sp., Família Cichlidae) é endêmica da bacia do rio Ibirapuitã.

O Pampa Gaúcho está situado no sul do Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul, na divisa com o Uruguai. O Pampa é uma região de clima temperado, com temperaturas médias de 18°C, formada por coxilhas onde se situam os campos de produção pecuária e as várzeas que se caracterizam por áreas baixas e úmidas.
A região sul tem, na pecuária, uma tradição que se iniciou com a colonização do Brasil.

Os campos no Rio Grande do Sul ocupam uma área de aproximadamente 40% da área total do estado.
O Pampa gaúcho da Campanha Meridional encontra-se dentro da área de maior proporção de campos naturais preservados do Brasil, sendo um dos ecossistemas mais importantes do mundo.

Fonte: Site do Instituto Brasileiro de Florestas

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Programação da Expointer 2024

Começa neste fim de semana a Expointer 2024, que será marcada pela retomada da região metropolitana após as enchentes. Pela primeira vez haverá um show nacional em agradecimento ao apoio dos artistas do centro do país.

Festival Sou do Sul
24/08 - 21h - Luísa Sonza
25/08 - 21h - Maiara e Maraísa
26/08 - 21h - Fernando e Sorocaba

Show Beneficente Reconstruir
28/08 - 20h - Os Serranos e Michel Teló

Programação cultural geral

24/08 - sábado

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Grupo de Danças do 35 CTG
14:30 - Mostra Fotográfica com Edu Rocha
PROJETO JAYME CAETANO BRAUN- UM SÉCULO DE ARTE
15:00 - Show Especial “Jayme Cetano Braun-Um Século de Arte”
PROJETO ESTRADA CULTURAL
16:00 - Taina Boeri
17:00 - Leonel Gomez
18:00 - João de Almeida Neto

25/08 - domingo

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Grupo de Danças do CTG Rancho da Saudade
14:30 - Ricardo Comasseto
PROJETO ESTRADA CULTURAL
15:00 - Bibiana Melo
16:00 - Mauro Moraes 17:00- Eliandro Luz e Grupo Oh De Casa
18:00 - Érlon Péricles

26/08 - segunda

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Grupo de Danças do CTG Gildo de Freitas
14:30 - Luciano Maia
PROJETO ESTRADA CULTURAL
15:30 - Antonyo Rycardo
16:30 - Maria Luiza Benitez
17:30 - Cristiano Quevedo

27/08 - terça

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Edison Gaúcho e Grupo Força Gaúcha
14:30 - Mostra Fotográfica com Virgínia Souza
15:00 - Elmer Fagundes
PROJETO ESTRADA CULTURAL
15:30- Amilton Lima
16:30- Pedro Ernesto Denardin
17:30- Guri de Uruguaiana

28/08 - quarta

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Grupo de Danças do CTG Independência Gaúcha
14:30 - Dudu Gaiteiro
PROJETO ESTRADA CULTURAL
15:00 - Rosina Ferreira
16:00 - Grupo Sombra Del Ayer
17:00 - Pirisca Grecco
18:00 - Os Chacreiros

29/08 - quinta

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Grupo de Danças Querência Amada
14:30 - Renato Borghetti
PROJETO ESTRADA CULTURAL
15:30 - Thiago Reder e Fabiano Índio
16:30 - Janaina Maia
17:30 - Carlos Magrão
18:30 - Daniel Torres

30/08 - sexta

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Agrupamento Biriva Tranca-Fio
14:30 - Mostra Fotográfica Fernando Dias
14:45 - Marcello Caminha
PROJETO ESTRADA CULTURAL
15:30 - Juliana Spanevello
16:30 - Joca Martins
17:30 - Wilson Paim
18:30 - Shana Muller

31/08 - sábado

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Grupo de Danças do CTG Brazão do Rio Grande
14:30 - Fabiano Harden
15:00 - Fofa Nobre
PROJETO ESTRADA CULTURAL
15:30 - Nycolas Pereira
16:30 - Angelo Franco
17:30 - Elton Saldanha
18:30 - Luiza Barbosa

01/09 - domingo

2ª MOSTRA DA CULTURA GAÚCHA DO PARQUE ASSIS BRASIL
14:00 - Grupo de Danças Folk de Espora
14:30 - Jean Carlos Godoy e Leandro Rodrigues
PROJETO ESTRADA CULTURAL
15:00 - Stephanie Kauana
16:00 - Capitão Faustino
17:00 - Marcelo Cachoeira
18:00 - César Oliveira e Rogério Melo

Além da programação cultural, tem a programação da feira com palestras e demais atividades voltadas ao homem do campo e que tu pode conferir AQUI 

domingo, 18 de agosto de 2024

Acendimento Chama Crioula 2024

 Hoje, se encerra mais um evento de acendimento da chama crioula na cidade do Alegrete. Antes de falar sobre o evento vamos resumir para conhecimento o que é a Chama Crioula.

A Chama Crioula é um dos símbolos mais importantes do tradicionalismo gaúcho e está profundamente enraizada na cultura e na identidade do Rio Grande do Sul. Ela representa o espírito e a resistência do povo gaúcho, mantendo viva a memória da Revolução Farroupilha, que foi uma das maiores revoltas civis da história do Brasil, ocorrida entre 1835 e 1845.

Foi idealizada em 1947, no contexto do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), que buscava resgatar e preservar as tradições e a cultura do povo do Rio Grande do Sul. A ideia surgiu durante o 1º Congresso Tradicionalista Gaúcho, realizado na cidade de Santa Maria, um evento que reuniu jovens preocupados com a preservação da cultura gaúcha. Os idealizadores do movimento foram jovens estudantes de Porto Alegre, membros do grupo conhecido como "os Oito Sentinelas do Rio Grande", que incluía Paixão Côrtes, Cyro Dutra Ferreira e Glauco Saraiva, entre outros. Inspirados pelo desejo de reviver o espírito farroupilha, eles decidiram criar um símbolo que unisse os gaúchos em torno de sua história e tradições.

Primeira Chama Crioula

Em 7 de setembro de 1947, esses jovens retiraram uma centelha do fogo simbólico da Pátria, aceso em frente ao Palácio Piratini, e a levaram até o Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, onde foi acesa a primeira Chama Crioula. Esse ato marcou o início das comemorações da Semana Farroupilha, que celebra a Revolução Farroupilha e é um dos maiores eventos culturais do estado. Desde então, a Chama Crioula passou a ser distribuída a partir de um local simbólico escolhido anualmente, de onde cavaleiros percorrem diversas partes do estado, levando-a a todas as regiões do Rio Grande do Sul. Esse percurso é chamado de "Ronda Crioula", e simboliza a união dos gaúchos em torno de suas tradições.

Importância Cultural

Mais do que um simples fogo, a Chama Crioula representa a resistência, a bravura e o orgulho do povo gaúcho. Ela é um símbolo de fé, tradição e patriotismo, ligando o presente ao passado e mantendo viva a memória dos antepassados que lutaram pela liberdade e pela identidade do Rio Grande do Sul.

Hoje, a Chama Crioula é reverenciada em todos os rincões do estado, sendo acesa em milhares de Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) e servindo como um elo entre os gaúchos e suas raízes culturais, seja no Rio Grande do Sul ou em qualquer parte do mundo onde haja um gaúcho que mantenha viva a sua tradição.

O evento em 2024

Chama Crioula foi acesa em Alegrete, dando início aos Festejos Farroupilhas 2024, sendo a 75ª Geração e Distribuição da Chama Crioula que ocorreu na noite desta sexta-feira (16) e marcou o início dos Festejos Farroupilhas 2024. Com o tema "Pampa Uma Pátria Sem Fronteiras", a cerimônia foi realizada em Alegrete, na Fronteira Oeste e marcou a primeira vez que a Chama Crioula foi gerada com a participação de três países simultaneamente. Anteriormente, em 2015, a cerimônia realizada na Colônia do Santíssimo Sacramento havia contado apenas com a presença do Brasil e Uruguai..

O evento se encerrou neste domingo (18), e contou com simpósios, shows musicais e churrasco, no Parque de Exposições Lauro Dornelles. 

A programação do acendimento foi precedida por um espetáculo teatral que apresentou a história de Alegrete e das fronteiras, destacando a formação da região e a integração dos povos que a constituem, incluindo representações do Brasil, Uruguai e Argentina. A Chama Crioula foi acesa por volta de 22h, e envolveu um monumento em forma de casa de pedras e a figura de um laçador, idealizado por Paixão Cortez. A chama, simbolizando a reconstrução e a esperança, foi acesa e colocada na pira central e contou com a presença do ex-BBB, natural de Alegrete, Matteus Amaral.

Participantes de Santa Catarina, Argentina e Uruguai também estiveram nos três dias do evento. A presença deles é "uma homenagem aos costumes e à história que unem os povos do Pampa", segundo a entidade. Após o acendimento, a Chama foi retirada por Adalberto Lima dos Santos, vice-presidente da Cavalgada do Rio Grande do Sul. Ele a transportou em seu candeeiro, onde posteriormente a pira foi apagada.

A distribuição da Chama ocorreu às 8h30min de sábado (17), a pira foi acesa novamente, mas desta vez a cavalo e começa a ser distribuída para as regiões tradicionalistas, abrangendo 30 e incluindo três regiões fora do Rio Grande do Sul: Paraná e Santa Catarina.. 

Após completar o ciclo de distribuição, todos os cavalarianos participaram da cavalgada até a Praça Nova e retornam à Zona leste. Ao término, os participantes retornam ao parque, encerrando a celebração com a entrega da chama às diversas regiões tradicionalistas, reforçando a união e a tradição da cultura gaúcha. A programação incluiu a Churrascada do Baita Chão Especial Pampa, ao meio-dia. Às 14h30min, ocorreu o simpósio de integração cultural 05 Gaúchos e Los Gauchos: A Vida no Pampa. À noite, um show com a cantora uruguaia Catherine Vergnes e baile do grupo Alma Gaudéria.

O encerramento do evento se deu no domingo, com uma mateada às 15h30min e apresentações artísticas às 16h.

O acendimento da Chama Crioula é organizado em parceria com o governo estadual, prefeitura de Alegrete e MTG.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

O Verdadeiro Gaúcho. A bandeira Rio-grandense - Cap. 05

BANDEIRA DO RIO GRANDE DO SUL

A bandeira do Rio Grande do Sul, tem sua origem ligada à Revolução Farroupilha de 1835. Segundo diversas fontes literárias, o símbolo teria surgido durante a Guerra dos Farrapos, mas sem o brasão de armas que hoje a caracteriza sendo o primeiro dos símbolos criados pelo Estado republicano gaúcho no decreto de criação da Bandeira da República, de 12 de novembro de 1836, a qual, naquele momento, era chamada de “Escudo d’armas”:

"O escudo d’armas do Estado Rio-Grandense será de ora em diante de forma de um quadrado dividido pelas três cores (nacionais), assim dispostas: - A parte superior junto à haste verde, e formada por um triangulo isósceles, cuja hipotenusa será paralela à diagonal do quadrado; - O centro escarlate, formado por um hexágono, determinado pela hipotenusa do primeiro triangulo, e a de outro igual e simetricamente disposto, cor de ouro, que forma a parte inferior.”.

Bandeira da República Rio-Grandense


A autoria da bandeira é motivo de debate entre historiadores. Alguns creditam sua criação a Bernardo Pires, enquanto outros defendem que o responsável seria José Mariano de Mattos. Além disso, a bandeira apresenta elementos com clara inspiração maçônica, como as duas colunas que ladeiam o losango invertido no brasão, similares às presentes em templos maçônicos.

O símbolo foi oficialmente adotado como a bandeira do Estado nos primeiros anos da República, sendo promulgado pela Constituição Estadual em 14 de julho de 1891. Curiosamente, desde então, nenhuma legislação posterior foi criada para regulamentar seu uso ou descrever seus detalhes de forma oficial.

Bandeira Oficial do estado

Durante o período do Estado Novo, entre 1937 e 1946, o então presidente Getúlio Vargas suspendeu o uso de todos os símbolos estaduais e municipais, incluindo bandeiras e brasões. A bandeira do Rio Grande do Sul só voltaria a ser oficialmente restabelecida em 5 de janeiro de 1966, através da lei nº 5.213, juntamente com o brasão das armas e o hino dos estado.

As cores

O significado das cores da bandeira do Rio Grande do Sul é tema de diversas interpretações, sem um consenso claro entre historiadores. Uma das versões mais aceitas e apresentada no site oficial, sugere que a faixa verde representa a vegetação dos pampas, a cor vermelha simboliza o ideal revolucionário e a coragem do povo gaúcho, enquanto o amarelo faz referência às riquezas naturais do território.

No entanto, há outras explicações que apontam para diferentes simbolismos. Algumas fontes defendem que as cores expressam o "auriverde" do Brasil, separado pelo vermelho da guerra. Outras teorias mencionam que o vermelho estaria ligado ao ideal republicano. Popularmente em nossos grupos independentes da literatura tradicional brasileira, consideramos que o significado é o sangue dividindo o império do Brasil.

O decreto do governo republicano do Rio Grande do Sul especificava as cores da bandeira—verde, vermelho e amarelo—e seu formato quadrado. Essas cores não eram estranhas ao imaginário da província, situada em uma posição de transição entre o universo luso-brasileiro, representado pelo verde e amarelo, e o mundo hispano-americano do Prata, onde o vermelho simbolizava o federalismo argentino.

A disposição das cores na bandeira rio-grandense também remete a um design familiar na época. Elas eram similares às da bandeira marítima da província de São Pedro, usada durante o Império. Naquele período, cada província tinha sua própria bandeira marítima, apesar de a Bandeira do Império ser o símbolo oficial de todas. Essas bandeiras eram utilizadas nos navios para identificar a província de origem, e a da província de São Pedro do Rio Grande do Sul era composta por faixas diagonais em branco e azul.


Bandeira da Província


O brasão 

Mesmo ainda desconhecida sua origem, grande parte dos historiadores afirmam que o Padre Hildebrando foi o autor do desenho, mas que foi o Major Bernardo Pires que teria dado os retoques finais (onde aplicou inúmeros elementos maçônicos a obra), ambos considerados grandes farroupilhas, que prestaram ótimos serviços à causa!

No primeiro desenho, não existia nenhuma escrita. Os dizeres “Liberdade, Igualdade e Humanidade”, “República Rio-Grandense” e “20 de Setembro de 1835” foram oficializados apenas em 1891. Porém, o lema “Liberdade, Igualdade e Humanidade” foi usado desde 1839, quando os farrapos ocuparam Santa Catarina e proclamaram a República Juliana. Lembrando que este lema, também possui origem maçônica. A Revolução Francesa teve como lema: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Essa ampla utilização de simbolismos maçônicos se dá pois a elite gaúcha militar, em sua grande maioria, era maçônica.

Brasão antigo imagem da internet 

O Brasão, foi oficializado em definitivo pela lei estadual nº 5.213, de 5 de Janeiro de 1966, pelo então Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Ildo Meneguetti.

O Brasão contém um escudo oval de prata com um quadrilátero com sabre de ouro, sustentando na ponta um barrete frígio vermelho, entre ramos de fumo e erva-mate de sua cor, cruzando sobre o punho do sabre; um losango verde com duas estrelas de cinco pontas de ouro, colocadas nos ângulos superiores e inferiores ladeado por duas colunas jônicas compostas com capitel e três anéis no terço inferior de fuste liso, de ouro, encimadas por uma bala de canhão antigo, de preto, assentes sobre um campo ondulado, de verde em ponta.

Ao redor deste escudo, uma bordadura azul, contendo a inscrição REPÚBLICA RIO-GRANDENSE e a data 20 DE SETEMBRO DE 1835, de ouro, separadas por duas estrelas de cinco pontas, também de ouro; o escudo está sobreposto a: quatro bandeiras tricolores (verde, vermelho e amarelo) entrecruzadas duas a duas com hastes rematadas de flor de lis invertidas de ouro.

As duas bandeiras dos extremos estão decoradas com uma fita vermelha com bordas de ouro, atadas junto à ponta; no centro uma lança da cavalaria, de vermelho, rematada por uma flor de lis, de ouro, entre: quatro fuzis armados de baionetas de ouro e, na base do conjunto os troféus de armas, dois tubos-canhão de negro, entrecruzados, semi-cobertos pelas bandeiras; um listel de prata com a legenda LIBERDADE, IGUALDADE, HUMANIDADE, de negro.”

Brasão oficial. 

Existem algumas modificações do original, como por exemplo, os dois ramos inicialmente eram de louro e erva-mate (e não fumo), pois o louro simbolizava a vitória, e que também ao invés das estrelas de cinco pontas, o que formava a bandeira eram amores-perfeitos, pois simbolizavam a firmeza e a doçura dos republicanos, será que existia doçura?.

Agora o significado de tudo isso. O quadrilátero de prata simboliza a Loja, a Maçonaria local. Já sabre de ouro dentro do quadrilátero, é a Maçonaria local em AÇÃO e o barrete frígio (gorro vermelho), que fica bem ao centro do brasão na ponta da espada, indica que o objetivo dessa ação é a República.

Os ramos simbolizam que os ideais nunca devem morrer e as duas estrelas, uma inferior e uma superior, indicam um símbolo maçônico universal, indicando que a maçonaria do mundo inteiro apoiam os ideias republicanos Rio-Grandenses.

E por fim, tudo colocado entre duas colunas, indicando que toda obra planejada deverá obedecer aos postulados da maçonaria.

Lenço Farroupilha

Um resumão do que significa a nossa bandeira tricolor pampeana do Rio Grande do Sul.




 

terça-feira, 25 de junho de 2024

A música gaúcha

Conforme alguns estudos de historiadores no assunto, acredita-se que a música vem desde os habitantes seminômades da pampa, principalmente a payada.

Em um livro de João Cezimbra Jaques em 1883, há um registro de um major da Guerra do Paraguai que em meados de 1800 as danças vindas da Europa começaram a dominar  as classes altas do ambiente rural deixando de lado o antigo Fandango açoriano. No mesmo livro ele menciona polkas, schottisches, mazurkas e havaneras que perduram até hoje como xote e vaneira.

Apesar dos registros, músicos não eram citados. Sabe-se que a gaita entro no RS pelas fronteiras de Uruguai e Argentina após a guerra dos Paraguai e ganhou força com a chegada dos imigrantes italianos invadindo as danças acoimasse caracterizando os bailes gauchescos. 

Porém, os primeiros registros de gravações brasileiras de música gaúcha se dá em torno de 1911, após, Theodoro Hartlieb e Savério Leonetti montam duas gravadoras, a Casa Hartlieb e a Casa A Eléctrica. Com isso, há registros de várias gravações no ano de 1913 e mesmo que não possa se comprovar, os xotes Pisou-me no Poncho e Está de tirar lixiguana gravadas por Lúcio de Souza no acordeom e várias músicas ao som de gaita de Moysés Mandadori na mesma época.

Esta fase durou pouco e com os músicos ainda desconhecidos, já que nos anos 20 a música gauchesca pouco teve relevância e a mudança só ocorreu com o surgimento das rádios Gaúcha e Farroupilha que abriram espaço para a música regional, com programas do gênero regional e com destaque para o programa campereadas, onde, em 1939 surge o acordeonista catarinense Pedro Raymundo que organizou o Quarteto dos Tauras e quatro anos mais tarde foi contratado pela rádio Nacional do RJ e estourou o xote Adeus Mariana.

A partir daí, abrem-se os caminhos para os cantores regionais, já que Pedro Raymundo fez sucesso em nível nacional usando os trajes típicos do gaúcho, com uso de botas, bombacha, lenço, chapéu de aba larga e guaiaca. Nesse embalo surgiram a Dupla Campeira é o Conjunto Farroupilha no início dos anos 50 e em 1955 Honeyde e Adelar Bertussi surgiram com o estilo Serrano.

No final dos anos 50 a música gauchesca volta a ser minimizada e perder espaço até o surgimento em 1959 de Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha e acabou se tornando um dos maiores sucessos da música gaúcha até os dias de hoje. Nos anos 60 Gildo de Freitas e José Mendes. A partir dos anos 70 a popularidade dos músicos começou gerar críticas vindas dos tradicionalistas que acusaram os músicos mais popular de estigmas a grossura distorcendo a cultura gaúcha.

Com essa rivalidade de gêneros nasce o festival Califórnia da Canção com o objetivo de renovar a música gaúcha e reciclar o cancioneiro gaúcho e daí surge o nativismo. Desde então a música gaúcha começa  com suas divisões, conhecidas por subdivisões, tendo a música tradicionalista gerida pelo MTG, a regionalista ligada a cultura popular influenciada pela indústria cultural e a nativista considerada jovem e renovadora.

A partir dos anos 70 o nativismo transforma-se em um movimento intelectual influenciado por música urbana e seus participantes com passagens pelo universo acadêmico. Mesmo com grande popularidade o nativismo não ofuscou o regionalismo e nem ficou independente do tradicionalismo como movimento cultural. Com a era dos festivais a cultura gaúcha ficou supervalorizada e surgiram vários artistas no início dos anos 80.

Nesse mesmo período a indústria fonográfica perde o interesse pelo gênero gaúcho, porém, o mercado local já é auto-sustentável e desde então há a consolidação do mercado local da música gaúcha.

Nos anos 80 ainda há a consolidação dos grupos de fandangos e bailes, como os Monarcas, Os Serranos, Grupo Rodeio entre outros. Nos aos 90 surgem o movimento dos grupos musicas que tentaram mudar a roupagem da música gáucha, os TCHÊS, eles cativara os público jovem e tentaram uma guinada na para centro do país com o movimento Tchê Music, buscando apelo comercial, abandonara a pilcha no início dos anos 2000 e depois do grande sucesso dos anos 90, quase deixaram de existir, pois, ao abandonar a pilcha, perderam a identidade e a união com produtores do centro do país que não entenderam o que era realmente a música gaúcha fez com que o Tchê Music não entrasse no centro do país e fosse deixado de lado no sul. Todos voltaram a cantar seus sucesso dos anos 90 para que pudessem ressurgir no mundo da música gaúcha novamente.

Aqui é um resumo da história da nossa música regional, grande parte das informação equi mencionadas foram retiradas de um trabalho da Revista Contemporâneos que vale a pena conferir na íntegra clicando AQUI.