quinta-feira, 12 de março de 2026

Biografia Gaúcha - Cenair Maicá

Das barrancas do Rio Uruguai para o mundo

Conhecido como o Poeta do Pampa, a voz que fez as Missões cantarem para o mundo. Cenair Maicá nasceu em 3 de maio de 1947, na localidade de Águas Frias, no que hoje é o município de Tucunduva — então distrito de Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul. Cresceu numa região de fronteira viva, onde o Brasil, a Argentina e o Paraguai se encontram nas águas do Rio Uruguai e nas memórias dos povos guaranis.

Desde pequeno, Cenair viveu essa mistura. Estudou na cidade de Oberá, na província argentina de Misiones, e ali aprendeu os primeiros acordes no violão, conheceu aspectos da cultura guarani e absorveu a música platina que mais tarde daria cor especial ao seu trabalho. Era um menino de fronteira — e essa fronteiridade seria a marca mais profunda de toda a sua arte.

De volta ao Brasil, foi para Santo Ângelo, onde passaria a maior parte da vida. Ali, aos 10 anos, já se apresentava em público ao lado do irmão Adelque, formando a dupla Irmãos Maicá. Tocavam nas rádios e nos bailes da região — dois guris cheios de talento e uma música que ainda mal sabia o tamanho que ia tomar.

"Se meu destino é cantar, eu canto." — Cenair Maicá

1966: o manifesto que mudou a música gaúcha

Em 1966, Cenair Maicá, Noel Guarany e Pedro Ortaça lançaram um manifesto que poucos documentos na história da música gaúcha igualam em importância. O texto reivindicava a herança guarani como parte legítima — e esquecida — da identidade do Rio Grande do Sul, e anunciava a intenção de criar, a partir dela, uma nova arte missioneira.

Até então, a identidade gaúcha oficial era quase que exclusivamente baseada na figura do estancieiro da campanha, do peão dos pampas do sul. As Missões — aquela região de história tão rica quanto esquecida — não tinham voz nos palcos nem nas gravadoras. Cenair e seus companheiros decidiram mudar isso.

Juntos, os quatro artistas — Cenair, Noel Guarany, Pedro Ortaça e Jayme Caetano Braun — ficaram conhecidos como os Quatro Troncos Missioneiros. Cada um com sua voz própria, mas todos enraizados na mesma terra e movidos pela mesma causa: dar ao povo missioneiro o lugar que lhe pertencia na cultura do estado.

1970: a consagração na Argentina e o início do sucesso

O nome Cenair Maicá entrou definitivamente na história da música gaúcha em 1970. Naquele ano, ele venceu o 7º Festival do Folclore Correntino, realizado em Santo Tomé, na Argentina, interpretando a música Fandango na Fronteira — composição de Noel Guarany, com quem dividiu o palco na noite da vitória.

A consagração foi dupla: para Cenair como intérprete e para os dois artistas como símbolo do que aquele manifesto de 1966 havia prometido. A vitória num festival internacional revelou que a música missioneira não era apenas uma questão regional — era arte com potencial para atravessar fronteiras.

O prêmio rendeu a gravação do compacto duplo Filosofia de Gaúcho (1970), o primeiro registro fonográfico oficial de Cenair. A partir daí, a carreira solo seria inevitável.

A carreira: poesia, denúncia e identidade

Em 1978, Cenair lançou Rio de Minha Infância, seu primeiro LP solo — produzido e dirigido por Noel Guarany. O disco apresentou ao público o universo que definiria toda a obra de Cenair: o Rio Uruguai e suas águas como metáfora de vida e liberdade, os ribeirinhos e balseiros como protagonistas esquecidos, os indígenas como herança viva — não como curiosidade histórica.

Nas canções Homem Rural e Balaio, Lança e Taquara, Cenair deu voz aos trabalhadores do interior — camponeses, índios, gente simples que raramente aparecia nas letras da música regional. Sua poesia era denúncia social embrulhada em melodia, um ato político disfarçado de milonga.

Não é por acaso que a Ditadura Militar censurou sua canção Canto dos Livres, proibindo sua execução nas rádios e chegando a apreender discos. Cenair era inconveniente para o regime — e isso era, para ele, o maior dos elogios.

Paralelamente à música, Cenair trabalhou como representante comercial das máquinas de escrever Olivetti e apresentou programas nas rádios Repórter de Ijuí, Sepé Tiaraju de Santo Ângelo e Liberdade FM de Viamão. Homem de muitas frentes, mas sempre com a música como centro.

"O músico, além de cantar as coisas bonitas, a alegria, tem que ser um porta-voz do povo." — Cenair Maicá

Imagem da internet

A saúde, a luta e a despedida

A vida de Cenair carregou uma sombra desde cedo. Aos 17 anos, num acidente, perdeu um rim. A consequência não foi imediata — mas o futuro já estava marcado.

Em 1984, o rim remanescente começou a falhar. Cenair precisou se submeter a sessões de hemodiálise, o que debilitou profundamente sua saúde e o afastou temporariamente dos palcos. Em 1985, realizou um transplante de rim — o doador foi seu irmão Darci Maicá, num gesto de amor que a família nunca esqueceu.

Em dezembro de 1988, foi internado para a colocação de uma prótese femural. Não resistiu a uma infecção hospitalar. Em 2 de janeiro de 1989, Cenair Maicá morreu em Porto Alegre, aos 41 anos. Uma vida curta, mas vivida com a intensidade de quem sabe que o tempo é precioso.

Como era seu desejo, foi enterrado pilchado, de botas e lenço vermelho. Seus restos mortais estão em Santo Ângelo, no mausoléu construído na entrada do Cemitério Municipal. Dois pilares marcam o local: um representando a MÚSICA, outro a POESIA. No centro, a frase que resume tudo: Se meu destino é cantar, eu canto. Ao lado da data de nascimento: Nasce o poeta. Ao lado da data de morte: O mundo fica mais triste.

Discografia

Cenair gravou um compacto duplo e quatro LPs ao longo da carreira, dois deles posteriormente relançados em CD. Uma obra pequena em volume, gigante em qualidade.

1970 - Filosofia de Gaúcho (compacto duplo). Com Noel Guarany. Primeiro registro de Cenair após vitória no Festival Correntino.

1978 - Rio de Minha Infância. 1º LP solo. Produção de Noel Guarany. Relançado em CD em 2003 na série Tradição Gaúcha.

1980 - Canto dos Livres. 2º LP. Contém a música censurada pela Ditadura Militar. Um dos mais importantes do nativismo gaúcho.

Imagem da internet

1983 - Meu Canto. 3º LP. Gravado com saúde já debilitada. Reúne composições de forte teor social e poético.

1985 - Companheira Liberdade. Relançamento/compilação das melhores faixas gravadas para o selo Rodeio (WEA). Reeditado em CD.

2003 - Tradição Gaúcha (coletânea). Relançamento em CD do LP Rio de Minha Infância. Lançado postumamente pela série Tradição Gaúcha.

Principais canções

Canto dos Livres; Balseiros do Rio Uruguai; Baile do Sapucaí; Bolicho; Homem Rural; Rio de Minha Infância; Balaio, Lança e Taquara; Fandango na Fronteira; Rio Ibicuí; João Sem Terra

O legado que as águas não apagam

Mais de três décadas após sua morte, Cenair Maicá segue vivo em cada roda de chimarrão onde alguém tatareia Canto dos Livres, em cada jovem compositor missioneiro que sente que precisa falar do povo simples, em cada artista que se recusa a deixar o comercial sobrepor o verdadeiro.

O legado é concreto também: uma rodovia recebe seu nome — a RS-536, no noroeste gaúcho. Travessas em Tucunduva e em Santo Ângelo. Um mausoléu. Um busto. E uma entrevista gravada em fita magnética no Museu Antropológico de Ijuí, onde sua voz ainda ecoa para quem quiser ouvir.

Cenair Maicá não fez muito disco. Mas fez música que dura. E isso, no fundo, é o único legado que importa.

"Nasce o poeta." — inscrição no mausoléu de Cenair Maicá, ao lado da data de nascimento

Conheces a obra de Cenair Maicá?

Qual é a tua música favorita do Cantor Missioneiro? Deixa nos comentários — e se tens uma história ligada à obra de Cenair, conta para nós. A memória de quem fez história merece ser mantida viva por quem a viveu.

terça-feira, 10 de março de 2026

Dicionário Gaudério - Entrevero

ENTREVERO - esta é a palavra que nos acompanha, y tu sabes vivente, quando tudo se mistura no pampa — a vida fica mais interessante.

Mas, afinal o que significa ENTREVERO?

Substantivo masculino. No linguajar gaúcho, entrevero é a mistura confusa, o embaralhamento de coisas, pessoas ou situações. É a briga generalizada onde todos brigam com todos, o rebanho que se mistura com o do vizinho, a conversa que começa num assunto e termina em outro completamente diferente.

Mas — e aqui está a riqueza da palavra — o entrevero não é necessariamente algo ruim. Pode ser o animado encontro de amigos no galpão onde as histórias se embaralham e ninguém sabe mais quem começou qual conversa. Pode ser a festa onde o salão da dança vira um só corpo pulsante. O entrevero é a vida em seu estado mais vivo.

"Deu um entrevero danado — gado, gente e cachorro, tudo junto, entreverados."

A origem da palavra vem do verbo espanhol entreverar, que significa misturar, intercalar, embaralhar. Chegou ao Rio Grande do Sul pela fronteira com o Uruguai e a Argentina, como tantas outras palavras que compõem o falar gaúcho — esse rico entrevero linguístico por si só.

No contexto militar do século XIX, o termo designava a batalha de cavalaria em que os soldados se misturavam ao inimigo em combate corpo a corpo — diferente do ataque organizado em formação. Daí a ideia de confusão intensa, de forças que se embaralham sem distinção.

Como se usa no dia a dia? O entrevero aparece em diferentes contextos do cotidiano gaúcho:

No campo: "Aquele vento forte causou um entrevero no rebanho — levou a manhã toda pra separar os bichos."

Na política e nos negócios: "A reunião virou um entrevero — cada um puxando pro seu lado, ninguém se entendia."

No bom sentido: "Que entrevero bom aquele baile! Música, chimarrão, prosa — não dava nem pra saber que horas eram."

Na culinária: "entrevero é a mistura de carnes, gado, frango, porco, linguiça, etc."

E claro — no nome deste blog. Entrevero Xucro é exatamente isso: uma mistura brava e autêntica de cultura, história e identidade gaúcha. Sem filtro, sem adorno. Do jeito que o pampa é.

O entrevero na música gaúcha e a palavra marcou presença em letras de músicas nativistas e na poesia gauchesca. O entrevero virou metáfora da própria alma do pampa — aquele lugar onde o vento, o gado, o povo e a saudade se misturam sem pedir licença.

Nos grandes festivais, compositores sempre voltam a esse universo do entrelaçamento: de raças, de culturas, de idiomas, de fronteiras que existem no mapa mas não no coração das pessoas.

"O pampa é um entrevero de horizontes — onde o céu não sabe onde termina e a terra não sabe onde começa."

Palavras da mesma família:

Entreverado(a): misturado, embaralhado. Exemplo: Aquele rebanho está todo entreverado com o do vizinho.

Entreverar: o verbo. Misturar, embaralhar, intercalar. Exemplo: Não vai entreverar as coisas, senão perde tudo.

Entrevero de ideias: expressão comum para uma conversa onde os assuntos se misturam de forma produtiva - ou não.

Y tu tchê, já se pegou num entrevero hoje?

Conta nos comentários a melhor situação de entrevero que já viveste. E se conheces outra palavra gaúcha que merece um post, deixa a sugestão — este dicionário é construído em conjunto, como todo bom entrevero deve ser.

Série: Dicionário Gaudério - EP: Entrevero

Acesse: entreveroxucro.blogspot.com



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Bioma Pampa: Origem do Gaúcho, Cultura do Rio Grande do Sul e Diferenças entre Brasil, Argentina e Uruguai

Quando se pesquisa no Google sobre o Bioma Pampa, sobre a formação do gaúcho ou sobre as diferenças entre os gaúchos do Brasil, da Argentina e do Uruguai, quase sempre os assuntos aparecem separados. Mas, aqui no Sul, a gente sabe que não dá para falar de um sem falar do outro. O campo moldou o homem, o homem moldou a cultura, e tudo isso nasceu numa mesma paisagem: o Pampa.

O Bioma Pampa, também conhecido como Campos do Sul ou Campos Sulinos, ocupa cerca de 176,5 mil km² no Brasil, o que representa aproximadamente 2% do território nacional. Ele está presente exclusivamente no estado do Rio Grande do Sul, onde cobre cerca de 63% do território gaúcho, e se estende pela Argentina e pelo Uruguai, formando uma grande faixa contínua de campos naturais no sul da América do Sul. A palavra “pampa” vem de origem indígena e significa “região plana”, embora, na prática, a paisagem seja marcada por coxilhas suaves, várzeas úmidas e horizontes que parecem não ter fim.

Diferente de outros biomas brasileiros, o Pampa é essencialmente campestre. A vegetação é formada principalmente por gramíneas e plantas herbáceas, com poucas árvores espalhadas. À primeira vista, pode parecer tudo igual, um grande tapete verde baixo, variando entre 60 centímetros e 1 metro de altura. Mas basta olhar com mais atenção para perceber a riqueza que existe ali. Nos topos mais planos, a vegetação é mais rala; nas encostas, torna-se mais densa e diversa, com predominância de gramíneas, compostas e leguminosas. Gêneros como Stipa, Piptochaetium, Aristida, Melica e Briza fazem parte desse cenário natural, além de espécies endêmicas de cactos e bromeliáceas que só existem nessa região.

Os campos do Sul são considerados formações edáficas, ou seja, estão diretamente ligados às características do solo. O solo do Pampa, em geral, apresenta baixa fertilidade natural e é bastante suscetível à erosão. Em áreas de contato com o arenito Botucatu, especialmente na região de Quaraí e Alegrete, surgem solos podzólicos vermelho-escuros e fenômenos de arenização que, muitas vezes, são confundidos com desertificação. Essa fragilidade ambiental exige cuidado, principalmente quando se fala na substituição dos campos naturais por monoculturas. Toda monocultura provoca desequilíbrio ambiental, reduzindo algumas espécies, favorecendo outras e alterando funções ecológicas básicas. Num bioma naturalmente campestre, essas mudanças têm impacto ainda mais profundo.

Um exemplo de preservação dentro desse contexto é a Área de Proteção Ambiental do Rio Ibirapuitã, onde se encontram formações campestres e florestais de clima temperado distintas de outras regiões do país. Ali vivem mamíferos raros ou ameaçados de extinção, diversas espécies de aves e até peixe endêmico da bacia local. Isso mostra que o Pampa não é um “campo vazio”, mas um ecossistema complexo e um dos mais importantes do mundo em termos de biodiversidade campestre.

Foi nesse ambiente de clima temperado, com temperatura média em torno de 18°C, entre coxilhas e várzeas, que começou a se formar o modo de vida gaúcho. Muito antes da chegada dos europeus, povos indígenas como guaranis e charruas já viviam nessas terras, em equilíbrio com o Bioma Pampa. Caçavam, pescavam, cultivavam e conheciam o ritmo da natureza. Com a chegada de espanhóis e portugueses no século XVII, a região passou a viver disputas territoriais, missões religiosas e mudanças profundas na organização social.

A formação do gaúcho é resultado direto dessa mistura. Indígenas, europeus e africanos escravizados contribuíram para a construção de uma identidade própria, ligada ao campo e à pecuária. A introdução do cavalo pelos europeus e o desenvolvimento da criação extensiva de gado mudaram a economia da região e consolidaram a figura do homem campeiro. O gaúcho passou a ser reconhecido como hábil cavaleiro, conhecedor da lida com o gado, resistente ao frio e ao calor, acostumado às longas distâncias das estâncias.

No século XIX, conflitos como a Revolução Farroupilha reforçaram o sentimento regionalista no Rio Grande do Sul. A guerra, motivada por questões econômicas e políticas, marcou a memória coletiva e fortaleceu a ideia de autonomia e orgulho local. Até hoje, a Semana Farroupilha mantém viva essa lembrança em todo o estado. Ao mesmo tempo, a chegada de imigrantes alemães e italianos trouxe novos elementos culturais, principalmente na Serra Gaúcha, influenciando a agricultura, a produção de vinhos, o artesanato e a gastronomia.

O churrasco, preparado no espeto e no fogo de chão, nasceu nas estâncias como forma simples e prática de assar carne. O arroz carreteiro, o feijão mexido e tantos outros pratos surgiram da rotina campeira. O chimarrão, compartilhado em roda, tornou-se símbolo de hospitalidade e convivência. Bombacha, lenço no pescoço, poncho e bota deixaram de ser apenas vestimentas funcionais para se transformarem em símbolos de identidade. Tudo isso tem origem direta na vida moldada pelo Pampa.

Quando ampliamos o olhar para além das fronteiras brasileiras, percebemos que o gaúcho não é exclusividade do Rio Grande do Sul. Nos pampas da Argentina e do Uruguai, encontramos figuras muito semelhantes. A base é a mesma: campos abertos, pecuária extensiva, cavalo, laço e vida nas estâncias. Na Argentina, o gaucho foi eternizado na literatura e elevado à condição de herói rural. No Uruguai, faz parte do imaginário nacional e das tradições do interior. No Brasil, consolidou-se como símbolo regional, especialmente ao longo do século XIX.

Existem diferenças, claro. No Rio Grande do Sul, a tradição é organizada e preservada por meio de entidades e normas que regulamentam a pilcha e as manifestações culturais. Em Buenos Aires ou Montevidéu, o gaúcho é mais símbolo histórico e cultural do que presença cotidiana nas grandes cidades. Na culinária, o churrasco gaúcho convive com o assado argentino e uruguaio, preparado na parrilla e com cortes variados. O mate atravessa fronteiras, mudando apenas detalhes no modo de preparo.

Apesar das particularidades, o que une os três países do Pampa é maior do que o que os separa. Honra, coragem, companheirismo e respeito pela terra são valores compartilhados. A paisagem de campos abertos criou um tipo humano adaptado à liberdade e à vastidão do horizonte. O Pampa formou o gaúcho, e o gaúcho ajudou a construir a história do sul do continente.

Por isso, quando alguém pesquisa sobre o Bioma Pampa, sobre a cultura do Rio Grande do Sul ou sobre as diferenças entre gaúchos do Brasil, da Argentina e do Uruguai, está, na verdade, buscando entender uma mesma raiz. Não se trata apenas de geografia ou de folclore, mas de uma relação profunda entre natureza e identidade. O Pampa é chão, é história e é cultura viva. E enquanto houver campo aberto, mate passando de mão em mão e cavalo cruzando coxilha, essa identidade seguirá firme, atravessando gerações e fronteiras.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Por quê o gaúcho chama o dinheiro de pila?

Quem vem para o Rio Grande do Sul estranha ao ouvir a frase: “me empresta uns pila”, “isso aí custa dez pila”, “tô sem pila hoje”. A palavra atravessou gerações, resistiu à troca de moedas e saiu das fronteiras do Estado junto com os gaúchos que migraram Brasil afora. Mas afinal, de onde veio esse termo tão nosso?

A origem é política — e histórica. O “pila” tem sobrenome: Raul Pilla. Médico e liderança marcante do antigo Partido Libertador, Pilla foi um dos principais defensores do parlamentarismo no país e adversário declarado de Getúlio Vargas nos turbulentos anos 1930. Com a derrota política e os desdobramentos da Revolução Constitucionalista de 1932, acabou exilado no Uruguai, praticamente sem recursos.

Foi então que seus correligionários organizaram uma forma de ajudá-lo financeiramente. Criaram bônus, uma espécie de título ou letra partidária, em que o portador contribuía com determinado valor em cruzeiros “em prol da Democracia”. O documento vinha assinado por Raul Pilla e funcionava como uma arrecadação solidária para sustentar o líder no exterior. O dinheiro recolhido era enviado a ele.

Esses papéis passaram a circular entre simpatizantes e, pouco a pouco, o sobrenome estampado na assinatura virou sinônimo da própria contribuição em dinheiro. “Me dá um Pilla” teria se transformado naturalmente em “me dá um pila”. O termo pegou. E ficou.

Há também uma versão popular, mais folclórica, segundo a qual cabos eleitorais teriam cortado cédulas ao meio, entregando uma parte ao eleitor com a promessa de receber a outra após o voto confirmado em Raul Pilla. Embora pitoresca, essa história é vista mais como lenda política do que como fato comprovado.

O que é fato é que a palavra atravessou o tempo. Réis, cruzeiros, cruzados, cruzeiros novos, reais — pouco importou a mudança na economia nacional. No linguajar gaúcho, um pila sempre correspondeu a uma unidade da moeda corrente. Hoje, equivale a um real. Ontem, foi um cruzeiro. Antes disso, outro valor. O nome sobreviveu a todos.

O mais curioso é que o regionalismo ultrapassou as divisas do Estado. Em cidades de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e até mais longe, onde há presença gaúcha, o “pila” também circula na fala cotidiana. É um traço cultural que viajou junto com a bombacha, o chimarrão e o sotaque.

No fim das contas, o “pila” é mais do que dinheiro. É memória política, é identidade linguística e é prova de como a história pode se entranhar no vocabulário popular sem que muita gente saiba exatamente por quê. E assim segue, firme no bolso e na boca do povo: pila pra cá, pila pra lá.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Tu és gaúcho raiz ou nutella?

Pois é gauchada, as vezes nas redes sociais sempre escutamos debates e até embates sobre raiz e nutella. Mas primeiramente os defensores do raiz, deveriam exemplificar e esclarecer o que é ser raiz, pois, não conseguimos compreender um raiz nos moldes defendidos fazer discurso no celular, que é uma tecnologia muito nutella e nos poupa de muitas dificuldades.

Hoje por desinformação, que é muito comum em todas as áreas, as pessoas acham que escutar sertanejo antigo e Mano Lima é ser raiz, que escutar vaneira de banda e bailão não é gaúcho raiz. Na minha opinião, escutar sertanejo antigo nem gaúcho é, e por incrível que se pareça o sertanejo universitário se identifica mais com a cultura gaúcha, pois, tem sua levada marcada pela vaneira bem mais simplificada, quem é do ramo musical pode auxiliar e a partir desse ponto podemos definir como gostar ou não de um gênero e não se é ou não gaúcho. 

Outro ponto, é criticar a ponto de faltar o respeito os músicos de bandas gaúchas como os Tchês, Bailaço, entre outros pelo fato de não pilchar e não "ser raiz" mas, esquecem que são eles que atravessaram as fronteiras do Sul mostrando a "nossa" vaneira. Então, raízes entendidos de plantão, me expliquem por que estes gaúchos não podem ter seu trabalho respeitado e aceito na música se seus próprios filhos não seguem o raiz e devem ouvir coisas bem piores do centro do país e dos Estados Unidos que ultimamente tão idolatrado por aqui.

Ir nas redes sociais bradar bagualismo e desrespeitar pessoas é muito fácil atrás de uma tela, porém, muitos gaúchos por aí tem embaixo do mesmo teto o filho fazendo dancinha de tiktok com música pop ou funk. O desrespeito ao compatriota gaúcho faz com que o tradicionalista fique taxado de um tosco preconceituoso e retrógrado, e de certa forma é assim mesmo. Pois vamos aos fatos, hoje muitos tendem a levar para o lado político seu gauchismo, como já escutamos frases como: sou gaúcho, então sou de direita. Sou gaúcho e sou conservador. Sou gaúcho e agro, mas, o sujeito não tem um pinto para dar boia. Primeiramente isso mostra o despreparo do sujeito que muitas vezes está a frente de um ctg, piquete ou qualquer outra entidade tradicionalista, pois, os ideais farroupilha que tanto exaltam tem cunho estancieiro, capitalista e maçônico sim, mas, também muitos ideais revolucionários da Revolução Francesa, que se olharmos a fundo o viez é social, portanto, socialista.

Isso mostra que a maioria dos gaúchos hoje em dia estão ficando com um déficit intelectual elevadíssimo, pois, deixaram de buscar raízes e conhecimento sobre a nossa origem e ficam bradando ideais falsos, de moralidades duvidosas em busca do discurso que está do lado raiz.

Quer ser raiz? Então faça o seguinte, estude nossas origens, ideias republicanos de Netto, veja como fomos forjados, conheça a história da Cisplatina e de onde veio um tal de "índio vago" que apareceu em uma certa banda em 1700 e pouco. Depois de tudo isso, podemos definir e separa o raiz e o nutella, mas, me desculpem, enquanto estiverem metendo política na nossa cultura e levando tudo para o lado político, eles vão conseguir o que querem, acabar com a nossa identidade e normalizar e padronizar o Brasil em direita e esquerda e sabe de qual o lado que estamos, do lado de fora, do lado intelectual que defende a tradição gaúcha que se moldou no cotidiano, do lado do Rio Grande do Sul, da República Rio-Grandense. 


sábado, 3 de janeiro de 2026

Posicionamento da musical regional em 2025

 Como já é de costume, todo encerramento de semestre e de ano fizemos uma análise da nossa musica regional pelo site Connectmix, para ver o desempenho no primeiro semestre, clique AQUI.

A cada virada de ano, fizemos a comparação com o mês anterior e uma breve análise.

Região Sul – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 39º Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti


Região Sul – Rádios Comunitárias

5º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

17º lugar: Saudade da Ex – Céu e Cantos e Brilha Som


Rio Grande do Sul – Rádios Comerciais

8º lugar: Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti

16º lugar: Esperando Na Janela – Brilha Som


Rio Grande do Sul – Rádios Comunitárias

2º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

6º lugar: Me Diz – Brilha Som e Corpo e Alma

7º lugar: Apartamento 104 – Grupo Festerê e Cleiton Borges

9º lugar: Saudade da Ex – Céu e Cantos e Brilha Som

19ºlugar: Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti

20º lugar: Uma Só Lajota - Cleiton Borges


Santa Catarina – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 60º Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti


Santa Catarina – Rádios Comunitárias

1º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

12º lugar: Amada Que Mora Longe – Céu e Cantos


Paraná – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 100.


Paraná – Rádios Comunitárias

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 40º Amor Infinito – Céu e Cantos

Comparando aos números de 2024 AQUI no seguimento Região Sul comercial, Corpo e Alma segue como destaque, fora do top 20, mas, na mesma posição com outra música. Já na Região Sul comunitária, nossa música perdeu força, caindo de 5 para 2 músicas no top 20.

Já por estado, o RS se destaca como berço e popularidade da música regional e das bandas de bailão, inclusive aumentando de 1 para 2, no seguimento comercial, porém, caiu de 8 para 6 no comunitário.

Em SC, no comercial não temos top 20, mas, a melhor posicionada melhorou no ranking de 93º para 60º e no comunitário caiu de 3 para 2.

Já o PR, não está representando o bailão, em ambos os seguimentos não temos artistas no top 20 e no comercial nem no top 100, o comunitário caiu a melhor colocada de 23º para 40º, será que devemos desconsiderar ano que vem? Amigos paranaenses, colaborem com a música regional.

Nos acompanhe e deixe sua opinião nos comentários

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Origem e significado dos nomes das cidades do RS

Sempre tive a curiosidade de saber a origem do nome das cidades e resolvi começar a estudar o assunto e como sempre começando pelas origens seguindo a valorização da regionalidade. Primeira cidade é Pinheiro Machado minha origem e depois Pelotas onde comecei minha formação acadêmica.

1 - Pinheiro Machado - O município de Cacimbinhas teve seu nome mudado para Pinheiro Machado no governo do Intendente Provisório Dr.Ney Lima Costa quando o Senador José Gomes Pinheiro Machado foi assassinado no Rio de Janeiro, por Francisco Manso de Paiva Coimbra, que era um morador da região de Cacimbinhas. A mudança não foi aceita pela população, que se rebelou contra o Intendente que teve que deixar a cidade.

2 - Pelotas - O nome do município, “Pelotas”, teve origem no nome das embarcações de varas de corticeira forradas de couro, usadas para a travessia dos rios na época das charqueadas. A travessia do arroio com estas embarcações deram origem ao nome do arroio e depois da cidade pela importância do arroio no crescimento da cidade ao seu redor.

3 - Caxias do Sul - Conforme relato oficial é uma homenagem a Duque de Caxias, intitulada como Colônia Caxias pela Inspetoria Especial de Terras e Colonização da Província do Rio Grande do Sul e somente em posteriormente foi inserida sua posição geográfica em seu nome, o sul.

4 - Porto Alegre -  Antes Porto do Dornelas, Porto de Viamão e Porto dos Casais, não tem significado específico, apenas muitas versões. Uma delas é baseada na alegria do povo que vivia na época na região, outros que tem origem em uma série de nomes de localidades portugueses que remetem a Porto Alegre (Santana de Porto Alegre, na Ilha Terceira. Portalegre, no Alto Alentejo).

5 - Aceguá - O nome Aceguá tem origem na língua tupi: yace-guab tem diversos significados: “lugar de descanso eterno”, indicando o local alto que os indígenas escolhiam para viver seus últimos dias, por proporcionar alentadora visão panorâmica e proximidade com o céu; “terra alta e fria”, apontando as características geográfica e climática do local; e ainda “seios da lua”, em alusão aos cerros altos da serra do Aceguá. No folclore popular da região existe outra explicação: o nome Aceguá derivaria de uma espécie de lobo pequeno, denominado guará ou sorro, abundante na região. Os mercadores que por ali passavam há mais de dois séculos, ao ouvir o uivo dos lobos, diriam: “Hay um bicho que hace guá” (“Há um bicho que faz guá”).

6 - Água Santa - Quando os primeiros moradores se fixaram na região, descobriram uma gruta natural, distante 2 km da atual sede do município. Nesta gruta brota uma fonte cuja água era considerada milagrosa pelos primeiros moradores, que acreditavam ter ela curado várias doenças.

7 - Agudo - O nome "Agudo" provêm de um morro a oeste do município com 429 m de altura, que possui característica acentuada.

8 - Ajuricaba - Tendo sido reprimida a revolta de Ajuricaba, os Manaos acabaram por ser totalmente exterminados, destruídos, havendo segundo crônicas, sendo eliminados mais de 20.000 (vinte mil) índios.
Inspirados no exemplo de resistência e luta pela liberdade do herói indígena, a comunidade do 3º distrito de Ijuí em 1940 passou a se chamar AJURICABA que, para a história do município simboliza o “homem que luta pela liberdade”.

9 - Alecrim - nos tempos em que se efetuaram as medições do território Alecrinense, pelo Estado, dividindo-o em secções e estas em lotes, os agrimensores: Thomas Marquevitch, José Adriano Flech e João do Prado Mallmann sob a chefia do Dr. Artur Ambros, acamparam num local aprazível, fixando aí seu acampamento, sob a sombra dos Alecrins. Quando saiam a medir as terras, referiam-se ao acampamento com a expressão: "Acampamento do Alecrim". Os cargueiros que traziam mantimentos e outros objetos para o pessoal do acampamento, recebiam ordens do chefe da Inspetoria de Terras de Santa Rosa, nestes termos: "Levem esta carga para o Alecrim

10 - Alegrete - O nome tem origem no nome da capela Nossa Senhora da Conceição Aparecida de Alegrete quando o povoado ali formado foi atacado e arrasado pelos orientais, que só se retiraram com a aproximação das forças comandadas por Dom Luiz Telles da Silva Menezes, 5o Marquês de Alegrete, a capela foi erguida  em homenagem ao título honorífico do governador da capitania.

11 - Alegria - Segundo os moradores mais antigos, há três versões para a origem do nome da cidade de Alegria. São elas:
“certa ocasião os índios atacaram a casa do Senhor Vicente Taborda, travou-se uma grande luta. Em sinal da vitória, os brancos hastearam uma Bandeira. O irmão, João Taborda, ao saber da vitória, organizou o BAILE DA ALEGRIA”.

 “o primeiro Subprefeito de Vila Alegria, por Santo Ângelo, era o Senhor Francisco Rolim de Moura, um homem de bom caráter, digno e respeitador, resolveu contratar o conjunto “Eickhoff” de Ijuí, para fazer una surpresa, pois ele estava de aniversário. Foi uma festa muito animada, da qual ele gostou muito. Muitas vezes o subprefeito dizia: “Que alegria, que alegria; que alegria temos hoje aqui! Viva a nossa alegria!” Este acontecimento chegou logo aos ouvidos dos moradores de toda a região. Quando alguém mais tarde se dirigia ao local, dizia ao sair de casa: “Vou para Alegria”.

 “O Dr. Vité, Engenheiro Civil, da Comissão de Terras de Santa Rosa, realizando trabalhos na região, constatou que o pessoal era muito alegre, animado e gostava de diversões. Por esta razão sugeriu que dessem o nome de Alegria à localidade."

12 - Almirante Tamandaré do Sul - O nome do hoje município de Almirante Tamandaré do Sul foi sugerido por um expedicionário da Guerra do Paraguai que participou da medição de áreas onde foi instalada a colonização e o loteamento que anos mais tarde formou a vila de Almirante Tamandaré.

13 - Alpestre - Nome sugerido pelo político Vicente Dutra, primeiro prefeito de Iraí, devido a semelhança da região com os Alpes Suíços.

14 - Alto Alegre - Após uma festa ter sido animada, o povo muito alegre, e o lugar bonito, aprazível livre e muito alto, as autoridades presentes no então faxinal, em solenidades inaugurais, pronunciaram que este lugar deveria chamar-se ALTO ALEGRE.

 15 - Alto Feliz - É originário de "Obern Feliz" (Feliz Alta), utilizado já nos primórdios da colonização e relaciona-se com sua situação geográfica. Os colonizadores alemães chegaram no ano de 1846, estabelecendo-se em local bucólico, no alto de um morro

16 - Alvorada - O nome sugerido por um integrante da Comissão Pró-Emancipação, teve inspiração em dois fatores: a alvorada do povo, que acorda às primeiras horas da manhã e parte para o trabalho, e o Palácio da Alvorada, o grande destaque na então nova capital do País, Brasília, inaugurada em 1960.

17 - Ametista do Sul - É uma referência à sua principal riqueza mineral, a pedra ametista.

18 - Amaral Ferrador - é uma homenagem ao General José Amaral Ferrador. O general nasceu no Uruguai em 1801, lutou na Revolução Farroupilha, na campanha contra o Ditador Juan Manuel Rosas e na Guerra do Paraguai. Após o fim das lutas, mudou-se para a vila de São José do Patrocínio, seu antigo nome.

19 - André da Rocha - O primeiro Juiz da Comarca de Lagoa Vermelha, Manoel André da Rocha, foi quem criou o Distrito, que em sua homenagem levou o nome de André da Rocha.

20 - Anta Gorda - Conta-se que, certa vez, foi abatida nas cercanias, uma anta de grandes proporções. Admirados com o tamanho do animal, os desbravadores logo passaram a utilizar o fato como referência sempre que se mencionava o local. Diziam: “Lá onde mataram a anta gorda…”.

 21 - Antônio Prado - Este núcleo não tinha nome, por isso, o Bacharel Manoel Barata Góis, engenheiro-chefe da Comissão de Madição de Lotes, sugeriu e solicitou que fosse dado à nova colônia o nome de Antônio Prado, em homenagem a Antônio da Silva Prado, fazendeiro paulista que como Ministro da Agricultura da época, promoveu a vinda dos imigrantes italianos ao Brasil, e instalou núcleos coloniais no Rio Grande do Sul.

22 - Arambaré - na língua tupi-guarani, significa sacerdote que espalha luz, e uma lenda conta que os índios arachãs escolheram essa terra porque lá encontraram o Bem Viver.

23 - Araricá - Tem origem tupi e significa "mata do rio das araras". A palavra é formada pela junção dos termos a'rara (arara), 'y (água, rio) e ka'a (mata) e está ligada a uma ave colorida, verde com penas azuis, Arariquaba ou Ararí - Caa (tradução indígena). Araricá era destinada como bebedouro dos papagaios,

24 - Aratiba - tem origem na língua tupi e significa "pequenas araras"

25 - Arroio do Meio - tem origem no arroio que corta a região, o qual recebeu essa denominação por estar localizado entre o Arroio Forqueta e o Arroio Grande

26 - Arroio do Padre - tem origem no padre Francisco Xavier Prates, o primeiro administrador da Feitoria, que também era professor do Mosteiro de São Bento e do Convento Santo Antônio no Rio de Janeiro. O nome foi dado ao arroio que banha a região, e posteriormente, ao distrito e ao município. 

27 - Arroio do Sal - tem origem na produção de sal feita por moradores locais junto a um arroio, durante a escassez de sal na Segunda Guerra Mundial. Eles ferviam água do mar próximo a uma figueira à beira do arroio para fabricar o sal.

28 - Arroio do Tigre - a origem está ligada à história de seus primeiros moradores, acredita-se que o nome surgiu após a morte de uma onça, que os moradores locais confundiram com um tigre, nas margens de um arroio. 

29 - Arroio dos Ratos - tem origem no arroio que atravessa o município, onde, segundo relatos, havia grande quantidade de ratões, especialmente nas lagoas formadas ao longo do curso d'água. Essa abundância de roedores deu origem ao nome do arroio e, consequentemente, da cidade. 

30 - Arroio Grande - tem origem na sua localização geográfica, estando situada junto a um arroio (pequeno curso d'água) de grande porte, que se tornou a principal referência para a região. 

31 - Arvorezinha - tem origem em uma pequena figueira que ficava ao lado da igreja matriz da cidade. Inicialmente, a região era conhecida como Alto da Figueira, possivelmente em referência ao primeiro morador, Lino Figueira, ou à árvore em si. Em 1938, com a criação da vila, o nome foi alterado para Arvorezinha, em referência à árvore figueira, que era pequena e se destacava na paisagem. 
O nome "Arvorezinha" surgiu como uma alternativa para evitar a repetição de nomes de localidades, conforme determinação do governo estadual na época.

32 - Bagé - tem origem indígena, provavelmente derivada da língua Minuano, e pode ter dois significados principais: "lugar de onde se volta" ou "lugar de retorno", ou ainda relacionado ao cacique indígena Ibagé. Alguns associam o nome à palavra "bag", que significa cerros, em referência às formações geográficas da região. 

33 - Balneário Pinhal - A origem do nome do Município é uma deferência à antiga Fazenda do Pinhal e não aos pinus plantados anos mais tarde.

34 - Barra do Ribeiro - O nome do município deriva da sua localização geográfica, caracterizada pelo encontro do Arroio Ribeiro com o Lago Guaíba.

35 - Barra do Quaraí - tem origem na sua localização geográfica e no nome do rio que a define. "Barra" refere-se à foz do rio Quaraí, onde ele deságua no rio Uruguai, enquanto "Quaraí" é um termo de origem indígena, possivelmente Tupi-Guarani, que significa "Rio das Garças" ou "Rio do Sol". 

36 - Barracão - tropeiros passavam pela região da cidade de forma clandestina para fugir do pagamento de impostos dos produtos transportados. Para fiscalizar a região, foi construído um barracão que serviria de quartel e casa de coletaria. A construção deu nome ao município.

37 - Bento Gonçalves - O nome foi dado em homenagem ao general Bento Gonçalves da Silva, chefe da Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul de 1835 a 1845. Bento Gonçalves deu seu primeiro impulso de progresso com a vinda da agência do Banco Nacional do Comércio e Banco de Pelotas.

38 - Boa Vista do Cadeado - Tem esse nome, por causa da vista sobre uma colina na Serra do Cadeado.

39 - Boa Vista do Incra - O nome de Boa Vista é por causa de uma fazenda que existe na cidade desde 1839. Em 1969, a propriedade foi adquirida para o reassentamento de famílias que foram atingidas pela construção de uma barragem. As áreas foram distribuídas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que completou o batismo do município.

40 - Bom Jesus - Vem da devoção religiosa ao Senhor Bom Jesus, iniciada com a promessa de um proprietário de terras local, Manoel Silveira de Azevedo, que prometeu erguer uma capela se voltasse são e salvo da Guerra do Paraguai

41 - Bom Princípio - O nome "Bom Princípio" teria sido criado em 1853, pelo comerciante Philip Jacob Selbach, para que a localidade tivesse um nome em português.

42 - Bom Retiro do Sul - Vem de um morro onde o gado era reunido para receber sal, sendo um "bom retiro" natural para os animais, o que deu nome à região.  A adição "do Sul" foi necessária para diferenciar a localidade fixando sua identidade geográfica. 

43 -Butiá - Um pé-de-butiá, típico da região carbonífera, deu origem ao nome do município. De acordo com a prefeitura, uma árvore isolada, que ficava próximo a uma estância da localidade, acabou se tornando ponto de referência e local para descanso de carreteiros que passavam pela região.

44 - Caçapava do Sul - O nome Caçapava vem do Tupi-Guarani e significa "Clareira na Mata", "Fim da Estrada na Mata" ou "Fim da Travessia no Monte", descrevendo uma área aberta na floresta, local onde um acampamento militar se estabeleceu e deu origem à cidade no século XVIII, no território dos índios charruas. 

45 - Cacequi - Origem indígena e significa "Água do Cacique" ou "Rio do Cacequi", derivado da língua dos povos nativos que habitavam a região antes da colonização, com o nome permanecendo mesmo após a expulsão dos nativos durante o povoamento do Rio Grande do Sul

46 - Cachoeira do Sul - Vem de uma antiga cachoeira que existia no Rio Jacuí, próximo ao local onde hoje está a Ponte do Fandango, sendo a "Cachoeira" a característica geográfica marcante que deu origem ao nome da localidade, posteriormente adicionado "do Sul" para diferenciar de outras cidades e indicar sua localização no estado do Rio Grande do Sul. 

Cachoeirinha - 

Camaquã - Vem de Icabaquã e na língua tupi-guarani I significa rio, água e Cabaquã quer dizer velocidade, correnteza. Então podemos concluir que o nome do município vem do rio Camaquã que passa na cidade.

Cambará do Sul - 

Campestre da Serra - 

Campo Bom - 

Candelária - 

Candiota - 

Canela - provém de uma árvore, chamada de Canela, que era localizada na área central da cidade, hoje Praça João Corrêa, esta caneleira servia de ponto de encontro e pousada de tropeiros.

Canoas - Durante a construção da estrada de ferro que ligava Porto Alegre à São Leopoldo, inaugurada em 1874, uma timbaúva (Enterolobium contortisiliquum) foi aproveitada na antiga fazenda de Gravataí para construir embarcações. O lugar passou a ser chamado de Capão das Canoas, e deu origem ao nome do povoado.

Capão da Canoa - 

Capão do Leão - 

Capela de Santana - 

Capitão - homenageia o primeiro dono das terras na região, o capitão Francisco Silvestre Ribeiro. O mineiro recebeu o título de capitão da 4ª Companhia da Guarda Nacional em 1846.

Caraá - 

Carazinho - 

Carlos Barbosa - 

Casca - Acredita-se que o nome tenha origem na palavra "cascare", que significa "cair" em italiano. Imigrantes teriam batizado um riacho considerado escorregadio e fácil de cair com esse nome. Outra possibilidade, é a extração de cascas de árvores com objetivos comerciais na região.

Catuípe - 

Cerrito - Originou-se por ser um lugar bastante elevado e estar muito próximo de cerros e coxilhas. Uma das designações dadas pelos índios referia-se a montículos sepulcrais que significa: ponto culminante do lugar (Cerro Pelado )

Cerro Grande do Sul - 

Chapada -

Chuí - A palavra Chuy, segundo a maioria dos estudiosos, provém da língua tupi guarani. Com ela, os indígenas teriam designado o pequeno arroio em cujas bordas haveria de surgir no século XIX a população que hoje leva esse nome. Por outro lado, o antropólogo e escritor Daniel Granada afirma que “chui” era o nome que os indígenas davam a um pássaro de peito amarelo, nativo e comum nos banhados da região. Além disso, o escritor Tancredo Blotta diz que “chuy” é uma palavra composta e que pode ser traduzida como “rio de água parda”.

Chuvisca - se deve a uma área no município em que ocorria uma garoa permanente. Localizado próximo aos arroios Sutil e Duro, o fenômeno, que era popularmente chamado de "chuvisca", é característico do município.

Cidreira - 

Ciríaco - tem como origem o nome do primeiro morador da região. Segundo a prefeitura, não há registros escritos sobre sua estadia ou origem, mas relatos dizem que o homem teria se estabelecido no município entre 1860 e 1890, vindo da fronteira. Ciríaco, o morador, era um famoso esgrimista, conhecido em toda a região. Um dia, teria desafiado um tropeiro de Cruz Alta para um duelo e sofreu sua primeira derrota. Desapontado, entregou a sua espada ao vencedor e adquiriu uma posse de terras na região da mata, onde construiu uma choupana e viveu até falecer. Em torno deste local, surgiu o município de Ciríaco.

Crissiumal - 

Cristal - Surgiu dentro da área da "Estância do Cristal", propriedade histórica da família Bento Gonçalves da Silva, o herói Farroupilha que viveu nesta época durante 40 anos.

Cruz Alta - 

Cruzeiro do Sul - 

Dom Feliciano - 

Dom Pedrito - 

Encantado - 

Erechim - 

Esmeralda - 

Espumoso - inicialmente denominada "Passo Espumoso", com este nome porque o Jacuí formava grandes cones de espuma em suas águas, que alcançavam até 30 centímetros de altura. O fenômeno, que ocorria pela grande presença de cascatas e cachoeiras na região, não era registrado por viajantes em outros pontos do rio.

Estância Velha - 

Esteio - 

Estrela - 

Farroupilha - O nome é em homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha, que seria comemorado no ano seguinte, 1935. A palavra farroupilha poderia originar não só de "farrapo" que significa "pano velho", "tecido gasto"; mas também de "farroupo", um porco pequeno, com menos de um ano, marrãozinho.

Feliz - Uma comitiva sob o comando do engenheiro Afonso Mabilde foi incumbida de abrir um caminho através da mata dos pinhais e o Campo dos Bugres (Caxias do Sul) aos campos de criação de gado de Vacaria. Este grupo atravessou com uma canoa o rio das Antas, usando uma embarcação como elo de ligação com os já ocupados campos de Vacaria, donde obtinham os mantimentos necessários. Uma enchente, no entanto, teria arrastado a canoa e foram obrigados a retornar ao sul. Depois de muitos dias pelo mato, finalmente teriam encontrado a casa de um colono e saudado este encontro com a exclamação: Oh Feliz! Em lembrança deste fato, a nova picada recebeu o nome de Feliz

Flores da Cunha - Tem esse nome numa homenagem ao ex-governador do estado, José Antônio Flores da Cunha, que havia prometido construir uma estrada férrea ligando o município ao resto do estado.

Formigueiro - naqueles tempos remotos, passando pela localidade uma comissão de engenheiros, um dos profissionais teria dito "isto aqui é um formigueiro!" ao ver a grande profusão de carretas que ali pousavam no trajeto até a fronteira.

Frederico Westphalen - Por decisão de uma assembleia de moradores, foi fixado o nome de Vila Frederico Westphalen, homenageando o engenheiro que colonizou a região sob o comando do Governo do Estado

Garibaldi - 

Gentil - O pároco de Marau, Frei Gentil de Caravaggio, teve grande influência sobre a localidade. Mesmo que tenha ficado pouco tempo em Marau, a influência do capuchinho era tanta que, em 1957, o povoado passou a se chamar Vila Frei Gentil, quando ainda fazia parte de Marau. Quando se emancipou, em março de 1992, o então distrito aboliu o status religioso do nome e foi batizado "apenas" como Gentil.

Giruá - 

Gramado - O nome da cidade está relacionado ao seu passado, quando servia de passagem para tropeiros que tocavam o gado pelos campos de cima da Serra, no fim do século XIX.

Guaíba - Foi batizada com o mesmo nome do lago que a margeia, a palavra Guaíba é de origem tupi, gua-ybe e tem o sentido de "baía de todas as águas".

Guaporé - 

Gravataí - 

Herval - 

Herveiras - Os colonizadores estavam em busca de araucárias e de ervas gigantes, o que deu origem ao nome da cidade. Cultivados inicialmente em pequena escala nas propriedades, com o tempo houve uma produção em maior escala, impulsionando assim o desenvolvimento da região.

Hulha Negra - 

Igrejinha - 

Ijuí - 

Imbé - 

Itaara - 

Itaquí - 

Ivoti - 

Jaguarão - 

Jóia - 

Júlio de Castilhos - 

Lagoa Vermelha - 

Lajeado - vem do ponto de referência que era dado à região. No Rio Taquari, na mesma área em que a cidade se encontra, as águas formavam cascatas sobre lajeiros (ou lajeados), rochas planas parecidas com lajes, por isso seu nome.

Lavras do Sul - 

Machadinho - 

Maquiné - O nome pode ter relação com a foz do rio, de mesmo nome da cidade, local onde morriam muitos índios, que batizaram o local de "Passo do Inferno".

Mariana Pimentel - 

Mormaço - devido ao forte calor provocado pelo sol no meio da mata fechada e, em época de frio, pelo vapor que se elevava do degelo das geadas, o local foi denominado "Serra do Mormaço" por alguns, mas acabou prevalecendo apenas o último nome.

Morro Redondo - 

Morro Reuter - 

Mostardas - Para o Executivo municipal, a hipótese mais aceita é a da historiadora Marisa Oliveira Guedes, segundo a qual a denominação tem uma origem militar – e vegetal. A pesquisadora aponta que a "Guarda das Mustardas" teria sido criada em 1738, recebendo esse nome porque as trincheiras cavadas pelos guardas eram camufladas através da plantação de mostarda, um vegetal que não murcha. Mais tarde, quando a localidade do sul do estado se transformou em freguesia, em 1773, é que passou a chamar-se "Freguesia de São Luís de Mostardas". Em 1963, quando se emancipou de São José do Norte, a localidade ficou apenas com a última parte do nome.

Muçum - 

Muitos Capões - 

Não-Me-Toque - Existem duas hipóteses uma delas é a presença de uma planta abundante na região, a "sucará" ou "espinho de Santo Antônio", chamada também de não-me-toque, justamente por causa dos espinhos. A outra possibilidade, de acordo com o município, é em razão de uma fazenda batizada de Não-Me-Toque registrada no cartório desde 1885.

Nova Hartz - 

Nova Pádua - 

Nova Petrópolis - 

Nova Prata - 

Nova Roma do Sul - 

Nova Santa Rita - 

Osório - 

Palmitinhos - Os primeiros colonizadores da região plantaram seis palmeiras em frente ao primeiro oratório da cidade, que fica no Noroeste do estado. A espécie plantada na praça era a de palmitos, o que deu origem ao nome do município.

Panambi - 

Paraí - 

Parobé - 

Passa Sete - Está em um arroio localizado no território pertencente ao município, onde, antigos moradores relatavam que viajantes que por ali passavam tinham que cruzar o referido arroio por sete vezes durante seus trajetos, muito íngremes e tortuosos. O fato motivou os passantes a chamarem de Passa Sete aquele trecho de seus itinerários.

Passo do Sobrado - pelo fato de haver uma passagem em um arroio, situado na entrada da cidade. Próximo a este arroio, existia uma casa de madeira, conhecida por sobrado. Carroceiros e tropeiros atribuíam a essa passagem o nome de passo do sobrado.

Passo Fundo - é uma tradução do nome originalmente dado pelos indígenas habitantes da região, que chamavam o local de GOYO-EN, sinônimo de muita água e rio fundo.

Pedras Altas - 

Pedro Osório - 

Picada Café - tem duas hipóteses para o nome, a primeira diz que tropeiros acampavam na cidade para tomar café ou pernoitar antes de seguir viagem. A outra versão diz que imigrantes receberam mudas de café para plantar na região. A plantação não prosperou mas o nome permaneceu. Já o termo "picada" significa estrada ou trilha aberta na mata.

Pinto Bandeira - 

Piratini - (denominação primitiva) na língua tupi-guarani significa "peixe barulhento", Chegaram 48 casais de açorianos na condição de ali residirem e trabalharem no local denominado "Capão do Piratini".

Poço das Antas - "poço" se refere ao formato do relevo da cidade, uma região cercada de montanhas em forma de vale para onde correm os rios. Já as antas eram atraídas para o poço, em busca de água.

Portão - 

Porto Xavier - 

Quaraí - 

Restinga Seca - 

Rio Grande - 

Rio Pardo - 

Rolante - 

Rosário do Sul - 

Salto do Jacuí - 

Salvador do Sul -

Santa Cruz do Sul - 

Santa Margarida do Sul - 

Santa Maria - originou-se do nome do rio que existia no local com nome de rio Santa Maria. 

Santa Rosa - 

Santa Tereza - Surgiu com a expressão de gratidão e amor do engenheiro chefe da colonização Senhor Joaquim Rodrigues Antunes pela sua esposa Tereza.

Santa Vitória do Palmar - 

Santo Ângelo - 

Santo Antônio da Patrulha - 

Santo Antônio das Missões - 

Santo Cristo - 

Santana da Boa Vista - 

Santana do Livramento - 

São Borja - é uma homenagem a São Francisco de Borja, que foi o terceiro general (geral) da ordem dos jesuítas.

São Francisco de Assis - Após os portugueses conquistarem da Espanha a região das missões, guardas de milicianos portugueses são instaladas ao norte do Rio Ibicuí. Uma delas é a guarda de São Francisco de Assis, cujo Forte foi construído à margem esquerda do rio Inhacundá. Início da povoação permanente se dá ao redor do Forte

São Francisco de Paula - O povoamento da cidade começou quando Pedro da Silva Chaves, capitão de ordenanças da região de cima da serra, doou uma área de terra para a fundação do povoado, que virou patrimônio de uma igreja construída no local. A esta igreja, o capitão batizaria de São Francisco de Paula, santo de sua devoção.

São Gabriel - 

São Jerônimo - 

São José do Norte - 

São José dos Ausentes - 

São Leopoldo - 

São Lourenço do Sul - 

São Luíz Gonzaga - 

São Marcos - Conta a história que Antônio Machado de Souza  atingiu "as campinas verdes de São Francisco de Paula de Cima da Serra, lá para o rincão de São Marcos, no fundo da invernada então pertencente Oliveira Pedroso". Assim se deu a chegada no território que, mais tarde, se chamaria São Marcos Dei Polacchi.

São Miguel das Missões - 

São Nicolau - foi uma homenagem à Nicolau Duran Mastrilli, arcebispo da Cúria de Buenos de Aires.

São Pedro do Sul - 

São Sebastião do Caí - 

São Sepé - 

São Vendelino - 

Sapiranga - 

Sapucaia do Sul - 

Seberi- 

Segredo - Abel Batista da Silva, dono de vastas terras na região, foi morto a golpes de machado, em 1881, por um empregado, Salvador Carvalho, e um escravizado de nome Benjamim. Após o homicídio, o corpo teria sido jogado no arroio que passava logo abaixo do local do crime, um paiol onde hoje fica o Centro do município. Dias depois, alguns pescadores encontraram um cadáver no curso d'água. Presumiu-se que Salvador Carvalho e o escravo Benjamim haviam assassinado o antigo patrão e ambos foram condenados pelo crime, mas nunca foi provado que o cadáver era mesmo o de Abel e o motivo do crime não foi descoberto. Contudo, existia uma suspeita sobre um possível caso amoroso entre Maria Francisca da Silva, esposa do morto, e Salvador. O arroio onde apareceu o corpo passou a ser chamado de "Arroio Segredo", dando origem ao nome da localidade.

Sentinela do Sul - O nome remete a sua localização em zona elevada, a qual permitiu que os soldados revolucionários montassem guarda para observar as tropas inimigas.

Serafina Corrêa - 

Sério - uma possibilidade é uma homenagem ao Rio Serio, na Itália, região de origem do dono de terras na cidade. A outra hipótese é mais curiosa. Italianos teriam dificuldade para pronunciar a letra "g" do nome de Sérgio Franciosi, um morador da região. O nome dele, então, era dito "Sério".

Sertão Santana - 

Sinimbú - o nome significa “lagarto do mato”  e a versão mais acertada para a origem do nome do distrito é a de homenagem ao Dr. João Lino Vieira Cansanção de Sinimbu, que foi o presidente da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, tendo determinado a colonização das linhas Sinimbu, São João da Serra, Dona Josefa e Andréas.

Sobradinho - 

Taquara - 

Taquari - 

Tapejara - 

Tapes - 

Tenente Portela - 

Terra de Areia - 

Teutônia - 

Tio Hugo - Pelos anos de 1962, estabeleceu-se no Km 214 da rodovia 386, o Sr. Hugo André Londero com a finalidade de instalar um Posto de Combustível. Inicialmente era um pequeno Posto de Serviços, Hugo Londero era uma pessoa carismática, de bom relacionamento, muito atencioso no atendimento a seus clientes e prestativo em relação aos seus vizinhos e amigos. Esse carisma fez com que todos passassem a chamá-lo de tio Hugo e, por conseguinte, a localidade ficou também conhecida como Tio Hugo.

Torres - Tem este nome devido a três grandes rochedos que se estendem à beira Mar. São eles: Torre do Norte (Morro do Farol); Torre do Centro (Morro das Furnas) e Torre do Sul (onde está a Praia da Guarita).

Tramandaí -

Travesseiro - tem como origem o conjunto de pontilhões de madeira que faziam a travessia do arroio que corta o município. As travessias viraram "travesseiro".

Três Cachoeiras - 

Três Coroas - 

Três de Maio - 

Três Passos - 

Triunfo - 

Tucunduva - 

Turuçu - Na língua indígena, quer dizer “águas grandes”, em referência ao arroio homônimo que faz divisa com o município de São Lourenço do Sul.

Unistalda - Quando foi construída uma estrada de ferro entre Santiago e São Borja. As obras foram comandadas pelo general Horta Barbosa. A vila erguida na região foi batizada em homenagem à mãe do militar, a dona Unistalda.

Uruguaiana - A nova freguesia, de início, teve a denominação de Santana do Uruguai e logo depois, Domingos José de Almeida, reunindo os nomes Uruguai (rio) e Ana (Nossa Senhora de Santana - padroeira da Vila) altera o nome para Uruguaiana.

Vacaria - 

Vale Real - O antigo nome de Vale Real era Kronenthal, nome impropriamente traduzido do alemão que significa Vale da Coroa, vale da Coroa de Montanhas

Venâncio Aires - 

Veranópolis - 

Vespasiano Corrêa - 

Viamão - Uma das hipóteses para o nome é uma referência ao avistamento de uma mão espalmada. Isso porque os cinco rios afluentes do Guaíba formariam uma mão sendo vista do alto. Outra possibilidade, segundo a prefeitura, seria uma variação de "ibiamon", ou seja, terra dos pássaros ibias. Existe também o relato de que o município ficaria na região de uma passagem entre montes, a via-monte. Outra versão diz que a cidade, vizinha a Porto Alegre, foi batizada em homenagem a Viamara, antigo nome da província de Guimarães, em Portugal.

Vila Nova do Sul - veio da reestruturação do antigo povoado de São João Velho surgindo uma Vila Nova do Sul.

Xangri-lá - Shangri-La é um paraíso, nas montanhas do Himalaian retratado no livro "Horizonte Perdido", do inglês James Hilton. Lá, a harmonia e a felicidade prevaleceriam entre os moradores.

Fiesta de la Pátria Gaucha - A festa Gaúcha do Uruguay

A Fiesta de la Patria Gaucha, que acontece todos os anos em Tacuarembó, no Uruguai, representa um dos maiores encontros de tradição campeira e gaúcha e exaltação cultural tradicional da América do Sul — um entrevero cultural que reúne história, música, cavalo, arte, festa e identidade numa só celebração. Essa festa não é apenas um evento festivo, mas um espelho vivo das raízes gauchas que unem o sul do Brasil, o Uruguai e partes da Argentina, mostrando ao público tudo aquilo que se viveu no pampa desde tempos imemoriais até hoje. 

A edição de 2026, que será a 39ª da história, está programada para acontecer de 7 a 15 de março de 2026 na tradicional Laguna de las Lavanderas, espaço amplo que se transforma durante esses dias no coração pulsante da cultura gaucha uruguaia. 

A origem da Fiesta de la Patria Gaucha remonta ao final de 1986, quando a Legislatura do departamento de Tacuarembó aprovou por unanimidade um projeto para realçar a figura do gaucho na região através da participação de representantes e sociedades nativistas do campo. Dessa aprovação nasceu a primeira edição, realizada entre os dias 13 e 15 de fevereiro de 1987 com coordenação da Comissão Departamental de Turismo.

Ao longo das décadas, essa festa foi se fortalecendo e consolidando como um ponto de encontro que celebra a tradição campeira e sua importância para a identidade uruguaia e regional.

No centro dessa celebração está o gaucho — figura símbolo da vida rural, do trabalho no campo, da habilidade com o cavalo e dos valores de bravura, lealdade e hospitalidade. A festa busca preservar e difundir as práticas, crenças e costumes que compõem a vida do homem de campo, incorporando competições, músicas, danças, gastronomia e atividades ligadas ao universo tradicionalista. 

O local onde tudo acontece, a Laguna de las Lavanderas, é mais do que um simples espaço de festas; é um ambiente que acolhe por diversos dias milhares de pessoas, tornando-se um grande acampamento de tradições, semelhantes ao acampamento farroupulha. Lá se erguem fogones e aparcerías que recriam ambientes rurais históricos, tendas interativas, arenas para competições de jineteadas e provas campeiras e palcos para apresentações artísticas. 

Durante a festa, as sociedades criollas — associações de tradicionalistas que representam comunidades rurais — participam de concursos e competições que vão desde a habilidade com a laçada e domas até shows e atividades que reproduzem cenas da vida rural dos séculos passados. Essas sociedades constroem seus próprios espaços de exposição, recriando com riqueza de detalhes ranchos, escolas rurais, igrejas e vilarejos de época. 

Além das competições e exposições, um dos momentos mais emblemáticos da Patria Gaucha é o desfile de cavalos e cavaleiros, onde milhares de gaúchos montados cruzam a cidade alinhados, exibindo seus trajes tradicionais e seu amor pelo cavalo, estabelecendo um espetáculo que mistura arte, história e identidade. Música tradicional, grupos de dança, recitadores e apresentações artísticas completam o ambiente, transformando cada edição num festival multifacetado que atende a públicos de todas as idades. 

A gastronomia campeira também ocupa lugar de destaque, oferecendo pratos típicos rurais e revivendo sabores que nasceram no campo, além de incentivar a valorização de produtos locais e a culinária regional que, como no Rio Grande do Sul, tem na carne, no fogo de chão e no chimarrão símbolos tão fortes quanto suas contrapartes ao outro lado do pampa. 

Para quem nunca ouviu falar da Fiesta de la Patria Gaucha, pensar nela como “uma grande festa gaúcha uruguaia” já ajuda, mas essa definição ainda é pequena diante da riqueza que o evento representa. Esta celebração serve tanto para preservar a memória e a herança cultural dos gaúchos quanto para aproximar novas gerações de suas origens, reforçando que a cultura campeira — com seus valores, histórias e modos de vida — continua viva e em movimento nas planícies do pampa. 

O ponto de encontro de tanta tradição e festa revela também a semelhança profunda com a cultura tradicionalista do Rio Grande do Sul, com a qual compartilha a reverência ao homem do campo, aos cavalos, à música folclórica e às celebrações comunitárias. Em ambos os lados da fronteira, a festa, a música e as práticas de campo são muito mais do que elementos folclóricos: são expressões de um modo de vida que atravessa gerações e molda identidades. 

Também merece atenção o contexto étnico e histórico do departamento de Tacuarembó: a região mantém fortes traços de presença indígena guarani no próprio nome do lugar e na paisagem cultural, misturando raízes indígenas com a herança europeia e a tradição rural que foi se consolidando ao longo dos séculos. Essa combinação de influências mostra que a construção cultural do pampa uruguaio, assim como no sul do Brasil e na Argentina, é resultado de múltiplas tradições que se fundem e se transformam em práticas vivas até hoje. 

A Fiesta de la Patria Gaucha é mais do que uma celebração — é um testemunho do amor pela tradição, pela vida rural e pela identidade cultural que define, pelo menos em parte, o modo de ser do povo que habita essas vastas e belas planícies do sul da América. 



quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Boas festas

Estamos chegando ao final de mais um ano, e é tempo de celebrar as conquistas, fortalecer laços e renovar esperanças. Aqui no Entrevero Xucro, 2025 foi marcado por muita prosa sobre nossas tradições, a beleza do nosso Rio Grande e o orgulho de cultivar a cultura gaúcha.

Neste Natal, que o espírito do bom chimarrão aqueça nossos corações, assim como a chama do fogo de chão nos une em roda de amigos. Que a simplicidade e a generosidade do nosso povo sirvam de inspiração para dias melhores.

Ao olhar para 2026, que o vento minuano traga coragem e determinação para enfrentar os desafios, e que cada amanhecer seja uma nova chance de honrar nossas raízes. Seguiremos juntos, preservando o que há de mais xucro e autêntico na cultura gaúcha, contando histórias, resgatando costumes e mantendo viva a essência do nosso povo.

Desejamos a todos um Feliz Natal e um Ano Novo redomado de alegrias, com muita saúde, mate bem cevado e esperança nos dias vindouros.

Grande abraço,

Equipe Entrevero Xucro

sábado, 6 de dezembro de 2025

Dia Nacional do Gaúcho na Argentina

Sim, tu não leu errado nosso título, hoje 06/12 é o Dia Nacional do Gaúcho na Argentina, e a gente puxa o facón da história e acende a lenha da memória: o Dia Nacional do Gaúcho na Argentina é uma homenagem à figura que marcou a alma do pampa e a língua do povo. A data foi escolhida em referência à publicação da primeira parte do livro El gaucho Martín Fierro, de José Hernández, obra-marco da literatura gauchesca que consagrou o gaúcho como símbolo cultural argentino e acabou se espalhando pelo pampa e se tornando referência para os Gaúchos e Gauchos. A escolha do dia remete à edição de 1872 do poema, que passou a ser lido como voz do pampa e do homem montado à cavalo. 

A Lei Nº 24.303 sancionou a instituição do Día Nacional del Gaucho sendo aprovada e sancionada em 15 de dezembro de 1993 (com a data comemorativa marcada para 6 de dezembro). Como desdobramento, o Decreto 1096/96 instituiu a Comissão Nacional do Gaúcho para promover as ações e celebrações da data no âmbito da Secretaria de Cultura. A motivação não foi só um gesto literário, sendo que o movimento visou reconhecer o gaucho como símbolo da nacionalidade para valorizar suas práticas, costumes, canto e saberes, preservando as festas, a música, as vestimentas e as manifestações rurais que compõem uma identidade histórica. A lei busca também fomentar atividades culturais, educativas e de memória que aproximem as novas gerações do patrimônio gaúcho. 


Quando dezembro chega, algumas festividades acompanham o Día Nacional del Gaucho, as celebrações argentinas focam na exaltação da cultura, costumes e na figura simbólica do gaúcho na formação da nação, em várias localidades acontecem a Fiesta Nacional del Gaucho — festas locais (como em General Madariaga e Chivilcoy) que reúnem cavalgadas, desfiles em traje criollo, ofícios de artesãos e praça de comidas típicas. É onde o povo mostra o cavalo, o facón, e a melhor bombacha. Além disso tem Gineteadas e domas, Payadas e música folclórica.

Atividades institucionais — a partir da lei, órgãos públicos e instituições culturais promovem eventos, exposições e atos oficiais que resgatam a história e a iconografia do gaúcho. 

O Día Nacional del Gaucho é comemorado em diferentes localidades e tamanhos, desde pequenas festas em municípios do interior até atividades oficiais em Buenos Aires e outros centros. As celebrações mesclam devoção cultural à Martín Fierro, homenagens a personalidades e festa campeira com assados, cavalgadas, danças e competições. Municípios e museus rurais aproveitam a data para discutir patrimônio imaterial e políticas de preservação. 

O Dia Nacional do Gaúcho não é só nostalgia, é memória viva, é resistência cultural e é ferramenta de identidade. Preservar essas práticas é preservar pedaços da história do pampa — assim como o homem que cavalga, a tradição segue em movimento, contando e reinventando-se a cada galope.

Que possamos cada vez mais afirmar por aqui nossa identidade sem regras a cada setembro e que a data máxima do Gaúcho do Rio Grande do Sul vire símbolo de resistência como a data Argentina, que seja símbolo de nossa luta contra a invasão de culturas estrangeiras que inundam a cabeça dos nossos jovens e nossas lares. Quando falamos estrangeirismo, não remetemos apenas de fora da América, mas, vinda de outros estados que tentam normatizar culturas como um todo como se o Brasil fosse uniforme.

Que outros estados sempre exaltem e celebrem suas culturas, para manter viva as regionalidades culturais deste território continental, culturas diversas que assim como a Gaúcha, devem ser mantidas e celebradas.