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sábado, 28 de março de 2026

A erva-mate gaúcha que conquistou a Argentina: do Vale do Taquari ao vestiário de Messi

Baldo, de Encantado, é a nova fornecedora oficial da Seleção Argentina — e a história por trás disso é mais gaúcha do que parece

A Associação de Futebol Argentino (AFA) anunciou nesta semana uma parceria que orgulha o Rio Grande do Sul: a ervateira Baldo, com sede em Encantado, no Vale do Taquari, passa a ser a fornecedora oficial de erva-mate para os jogadores e a comissão técnica da atual campeã mundial. A marca gaúcha acompanhará a seleção de Messi na preparação e durante a disputa da Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

Mas quem conhece a história da Baldo sabe que isso não é uma surpresa — é a chegada de um reconhecimento que já deveria ter vindo faz tempo.

Uma família, um Vale e mais de um século de erva-mate

A história da Baldo começa em 1920, no interior de Vespasiano Corrêa — então distrito de Guaporé, no Vale do Taquari. Os irmãos João, Antônio e Luiz Baldo, filhos de imigrantes italianos, montaram uma pequena fábrica artesanal de erva-mate. Não havia tecnologia sofisticada, não havia mercado garantido — havia conhecimento de quem cresceu olhando para os ervais e entendendo o produto como quem entende a própria terra.

Décadas depois, na figura do empresário Arlindo Plácido Baldo — filho de João, caçula de 11 irmãos, presidente da empresa por décadas —, a Baldo deu o salto definitivo. Na década de 1970, a sede foi transferida para Encantado, onde está até hoje. A empresa se expandiu para Santa Catarina e Paraná, abriu filiais, e se tornou a maior exportadora de erva-mate do Brasil.

São mais de 500 colaboradores diretos, quatro fábricas no Brasil e um número que impressiona: 

Encantado exportou em 2024 cerca de US$ 51,8 milhões — a erva-mate representa 65% do total das exportações do município.

"Desde jovem entendi o processo da erva-mate — é um know-how nosso de décadas." — Arlindo Plácido Baldo, presidente da Baldo S.A.

O segredo que poucos sabem: Canarias é gaúcha

Aqui mora o detalhe mais curioso — e mais gaúcho — de toda essa história. A erva-mate Canarias, marca líder absoluta no Uruguai, é controlada pela Baldo desde 1998. A empresa do Vale do Taquari detém o controle acionário da marca uruguaia e processa a maior parte da erva em Encantado.

Os números são impressionantes: dos 30 milhões de quilos de erva-mate que o Uruguai consome por ano, a Baldo fornece 20 milhões — dois terços de tudo que o país toma. A Canarias representa mais de 60% do consumo de mate em todo o Uruguai.

E tem mais: na Copa do Mundo do Qatar, em 2022, a seleção argentina já levou erva Canarias na bagagem — o que gerou polêmica entre os próprios argentinos, indignados por seus jogadores tomarem mate de uma marca uruguaia. A AFA chegou a emitir nota explicativa. O que ninguém sabia — ou fingia não saber — era que aquela erva era processada em Encantado, Rio Grande do Sul.

Agora, em 2026, a AFA oficializou o que já era realidade nos bastidores — mas desta vez com a marca gaúcha estampada no contrato.

No Qatar, os argentinos já tomavam erva gaúcha — só não sabiam. Agora sabem, e assinaram contrato.

O que a AFA disse ao anunciar a parceria

Em comunicado oficial, a AFA destacou que a presença da Baldo no mercado argentino — iniciada formalmente em 2024 — influenciou os hábitos de consumo no país. Segundo a entidade, o produto ganhou espaço de forma orgânica entre os atletas do futebol local e também entre jogadores que atuam nas principais ligas da Europa.

A adoção foi espontânea — esse foi o termo usado pela AFA. Em outras palavras: antes de qualquer contrato, os jogadores já escolhiam a Baldo. A parceria oficial veio confirmar o que o paladar já tinha decidido.

Copa 2026: a erva-mate gaúcha vai aos três países

A Copa do Mundo de 2026 será realizada em três países — Estados Unidos, México e Canadá — com início marcado para junho. A Argentina, bicampeã mundial (1978, 1986) e atual tricampeã (2022), vai em busca do quarto título com Messi à frente do grupo.

Com a parceria anunciada, a erva Baldo será o mate oficial dos treinos, das concentrações e das viagens da delegação argentina. Em cada roda de chimarrão que os jogadores fizerem nos vestiários dos estádios americanos, mexicanos e canadenses, haverá erva processada no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, Brasil.

O que isso significa para o RS — e para a cultura gaúcha

Para além do negócio em si, essa parceria tem um significado cultural que o Entrevero Xucro não poderia deixar de sublinhar. O mate — esse ritual que os guaranis ensinaram ao mundo, que os jesuítas espalharam, que os gaúchos adotaram como identidade — vai ao maior evento esportivo do planeta estampando um nome do Rio Grande do Sul.

O Vale do Taquari, que desde 1850 já era o primeiro polo produtor de erva-mate do RS, que atravessou crises e concorrências e reinventou a indústria ervateira com tecnologia e qualidade, chega agora ao topo da vitrine global.

E para quem ainda precisa de um argumento: a erva-mate é a única planta com cafeína nativa das Américas. Nasceu aqui. Foi cultivada aqui. Virou produto aqui. Faz sentido que o mundo a tome com uma etiqueta gaúcha.

A erva-mate nasceu nas Américas, foi cultivada no pampa e agora vai à Copa do Mundo com um nome do Vale do Taquari. Isso se chama: orgulho gaúcho.

Tu conhecias a história da Baldo?

Deixa nos comentários. E se quiseres saber mais sobre a história do chimarrão no Rio Grande do Sul — origem guarani, tradições regionais e o jeito de cada rincão do estado de tomar o seu mate — lê os nossos posts sobre o tema aqui no Entrevero Xucro.



terça-feira, 24 de março de 2026

O Chimarrão de Cada Região do RS Não existe um único jeito de tomar mate

Aqui no Entrevero Xucro já falamos sobre a história e a tradição do chimarrão — a origem guarani, os jesuítas, os 10 mandamentos do mate e a legislação que reconhece sua importância cultural (se não leu, confere o post Chimarrão: Tradição,História e Cultura Gaúcha). Mas tem um detalhe que pouca gente para pra pensar: o chimarrão não é igual em todo o Rio Grande do Sul.

A erva muda. A cuia muda. A temperatura muda. O ritual muda. E é exatamente essa diversidade — esse entrevero de jeitos de tomar mate — que faz do chimarrão um espelho perfeito da identidade gaúcha: uma só tradição, mil formas de vivê-la.

"Ofertar o mate é abrir a porta de casa sem precisar abri-la."

Por que o chimarrão varia tanto pelo estado?

O Rio Grande do Sul é um estado de contrastes imensos. A fronteira com o Uruguai e a Argentina ao sul e ao oeste trouxe influências platinas. A colonização alemã e italiana ao norte e na serra criou outros hábitos. As Missões, com a herança guarani, têm sua própria relação com a erva-mate. E o litoral, com o chimarrão tomado de frente para o mar, tem um jeito todo seu de encarar a cuia.

Além da cultura, influenciam também: o clima (no frio serrano a água vai mais quente), o acesso a determinadas marcas e tipos de erva, e as tradições familiares passadas de geração em geração. Nenhum jeito é mais certo que o outro — cada um é legítimo dentro da sua cultura.

O mate de cada rincão do RS

Campanha — o mate da fronteira

Erva preferida: Erva grossa, peneirada, com pouco pó

 Cuia: Cuia grande, de porongo, bem curada

O ritual: Na Campanha, terra de estância e horizonte largo, o chimarrão é parceiro de trabalho. Toma-se no campo, no lombo do cavalo ou à sombra do galpão. A roda é silenciosa — cada um sabe a hora de passar a cuia, sem pressa, sem conversa desnecessária. É o mate contemplativo, companheiro do homem que trabalha sozinho com o pensamento.

 
O sabor: A influência uruguaia aparece aqui: erva mais grossa, menos pó, água um pouco menos quente que no restante do estado. O sabor é mais suave, levemente adocicado pelo tipo de processamento da erva da fronteira.

Missões — o mate da herança guarani

Erva preferida: Erva nativa, às vezes misturada com ervas da mata

 Cuia: Cuia de porongo pequena, ou cuia de madeira

O ritual: No noroeste do estado, onde as ruínas jesuítico-guaranis marcam a paisagem, o chimarrão carrega a memória de um povo. Os guaranis já consumiam a erva-mate antes dos europeus chegarem — e essa história viva se sente em cada roda de mate nas Missões. Toma-se devagar, com respeito ao silêncio e à história.

 O sabor: A erva da região de Santo Ângelo, Ijuí e arredores tende a ser mais verde e fresca, com notas herbáceas pronunciadas. O sabor é mais intenso, com um amargor limpo que os mateiros do noroeste apreciam sem adições.

Serra Gaúcha — o mate do frio

Erva preferida: Erva com bastante pó, bem moída

Cuia: Cuia menor, de porongo ou sintética, muito bem vedada

O ritual: Na Serra, onde o inverno morde de verdade e a neblina cobre as vinhas de manhã cedo, o chimarrão é quase medicinal — é o que aquece o corpo antes do trabalho na lavoura. A influência italiana e alemã criou um jeito mais prático de tomar mate: sem muita cerimônia, mas sem abrir mão da qualidade.

 O sabor: Água bem quente — mas nunca fervendo — e erva bem moída, com bastante pó. O resultado é um mate mais encorpado, espesso, de sabor pronunciado e cor bem verde. É o chimarrão que sustenta até o almoço.

 Litoral — o mate da praia

Erva preferida: Erva mais leve, às vezes com ervas aromáticas

 Cuia: Cuia de porongo, garrafa térmica sempre do lado

O ritual: Quem nunca viu alguém tomando chimarrão na beira da praia das Dunas, do Cassino ou da Praia do Rosa nunca entendeu a extensão do hábito gaúcho. No litoral, o mate vai junto para tudo — para a pescaria de madrugada, para a caminhada na areia, para a tarde de sol. A garrafa térmica é companheira inseparável.

 O sabor: A erva do litoral tende a ser mais suave, às vezes com misturas de hortelã ou erva-cidreira — uma influência da proximidade com Santa Catarina e do jeito mais despretensioso de consumir. O mate é bebido sem cerimônia, mas com muito afeto.

Planalto e Alto Uruguai — o mate da colônia

Erva preferida: Erva média, com equilíbrio de pó e folha

 Cuia: Cuia de porongo média, bem curada com banha ou óleo

O ritual: Na região de Passo Fundo, Erechim e ao longo do Alto Uruguai — terra de colonização italiana, alemã e cabocla —, o mate é o centro da vida social. É na roda de chimarrão que se fecha negócio, que se resolve questão de família, que se conta a novidade da vizinhança. A cuia não para de circular.

 O sabor: O planalto gaúcho tem uma das maiores concentrações de produtores de erva-mate do estado, e isso aparece no copo: a erva é fresca, bem processada, com um equilíbrio entre amargor e dulçor que agrada desde o mateiro de primeira viagem até o mais exigente.

A temperatura da água — o segredo que pouca gente fala

Muito se fala da erva, da cuia e da bomba. Mas o grande segredo de um bom chimarrão está na água — e a temperatura ideal varia não só por gosto pessoal, mas pela região e pelo tipo de erva.

Muito quente: Acima de 85°C - Queima a erva, amarga demais, perde aromas finos — o chamado chimarrão "lavado"

Ideal — clássico: 70°C a 80°C - Extrai os melhores compostos da erva, sabor equilibrado, boa durabilidade da cuia

Morno: 55°C a 70°C - Sabor mais suave, menos amargo — preferido por quem está começando ou tem o estômago sensível

Tererê (frio): Temperatura ambiente - Mate frio com água ou suco — tradição no Mato Grosso do Sul, mas ganhando espaço no RS no verão

A cuia — mais do que um recipiente, um objeto de cultura

A cuia de porongo é um patrimônio em si. Feita do fruto da cuieira (Lagenaria siceraria), ela precisa ser curada antes de usar — um ritual que os mais velhos levam muito a sério e que os jovens estão redescobrindo.

Como curar uma cuia nova:

         Enche a cuia com erva-mate usada e úmida até a borda

         Deixa descansar por 24 horas

         Esvazia, raspa levemente o interior com a bomba e repete o processo por mais 2 a 3 dias

         Só então a cuia está pronta — impermeabilizada pela própria erva e com o sabor equilibrado

Hoje existem cuias de silicone, de vidro, de inox, de bambu e de madeira — cada uma com seus defensores. Mas para o mateiro de raiz, nada substitui o porongo bem curado, aquecido pelas mãos e pelo tempo.

A erva — o coração do mate e as diferenças entre marcas

O Rio Grande do Sul tem uma relação apaixonada com a erva-mate. O estado é o segundo maior produtor brasileiro, com destaque para as regiões do Alto Uruguai e do Planalto. Mas a erva que vai na cuia gaúcha vem de vários lugares — e as diferenças são reais.

Erva jovem vs. erva envelhecida:

         Erva jovem: mais verde, mais amarga, com sabor pronunciado e bastante espuma. Preferida pelos que gostam de mate forte.

         Erva envelhecida (em balaio por 12 a 24 meses): mais suave, com sabor mais amadeirado e menos amargor. Preferida por quem toma mate durante o dia todo.

Um detalhe que poucos sabem: a erva-mate é parente próxima do azevinho europeu, e a espécie Ilex paraguariensis só cresce naturalmente na Bacia do Prata — o que faz do chimarrão gaúcho um produto genuinamente regional, impossível de ser replicado com a mesma identidade em outro lugar do mundo.

A erva-mate é a única planta com cafeína nativa do continente americano — um presente dos guaranis para o mundo.

O que a ciência diz sobre o chimarrão

Nos últimos anos, pesquisas sobre a erva-mate se multiplicaram e os resultados animam os mateiros. Entre os benefícios estudados e já bem documentados:

         Ação antioxidante: a erva-mate tem concentração de polifenóis comparável ao chá verde

         Estímulo suave: a combinação de cafeína e teobromina da erva dá energia sem o pico e a queda do café

         Efeito termogênico: auxilia no metabolismo — estudado para uso em suplementos esportivos

         Saúde cardiovascular: estudos indicam redução do colesterol LDL com consumo regular moderado

         Atenção: o consumo em temperatura muito alta (acima de 65°C de forma contínua) é associado a risco aumentado de câncer de esôfago — deixa a água esfriar um pouco antes de tomar

Qual é o teu mate?

De que região és? Como é o teu chimarrão — erva grossa ou fina, cuia grande ou pequena, água bem quente ou morna? Conta nos comentários. Porque o chimarrão não é uma bebida — é uma conversa que nunca termina.

E se quiseres saber mais sobre a história completa do chimarrão — origem guarani, os jesuítas, os 10 mandamentos do mate e a legislação — lê o nosso post Chimarrão: Tradição, História e Cultura Gaúcha, publicado em abril de 2025 aqui no Entrevero Xucro.

Abaixo, temos uma variedade de sugestões de artigos gaúchos para o mate na Amazon, confira algumas, inclusive as contestadas cuias stanley, o que tu acha disso? só clicar no produto que tu és direcionado para a Amazon.


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Uruguaia

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Chimarrão: Tradição, História e Cultura Gaúcha

O chimarrão é muito mais do que uma simples bebida quente; ele representa um ritual de hospitalidade, um símbolo de amizade e uma tradição enraizada na cultura do Rio Grande do Sul. Sua história remonta às práticas dos povos indígenas e atravessa séculos de transformações sociais e culturais. Vamos explorar desde suas origens até sua presença no dia a dia dos gaúchos.


As Origens Indígenas: O Primeiro Contato com a Erva-Mate

Muito antes da chegada dos colonizadores europeus, os povos indígenas que habitavam a região sul da América do Sul, especialmente os Guaranis, já utilizavam a erva-mate (Ilex paraguariensis). Eles acreditavam que essa planta tinha propriedades medicinais e espirituais. O consumo era feito de diversas formas, incluindo mastigar as folhas e preparar infusões em água quente, o que deu origem ao que hoje conhecemos como chimarrão.


A Proibição Jesuítica e a Redescoberta

Com a chegada dos jesuítas, que buscavam catequizar os povos indígenas, houve um período de proibição do consumo da erva-mate. Os religiosos temiam que o uso estivesse ligado a práticas pagãs e até mesmo que tivesse efeitos negativos sobre a saúde. No entanto, ao perceberem que a erva ajudava a reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e aumentava a disposição dos nativos, acabaram por adotar e incentivar seu uso.

Dessa forma, os jesuítas contribuíram para a disseminação do consumo do chimarrão, aperfeiçoando técnicas de cultivo e colheita da erva-mate, além de introduzirem o costume entre os colonos europeus.


A Consolidação como Hábito e Tradição

Ao longo dos séculos, o chimarrão passou a ser uma parte essencial do cotidiano gaúcho. Mais do que uma simples bebida, tornou-se um símbolo de convivência e tradição. Beber chimarrão é um ato de hospitalidade, e a roda de mate é uma prática social valorizada até os dias de hoje.


O Chimarrão na Legislação

A importância cultural do chimarrão é reconhecida até mesmo em leis estaduais e federais. No Rio Grande do Sul, o Dia do Chimarrão e do Churrasco foi instituído pela Lei Estadual nº 11.929, sendo comemorado em 24 de abril. Em nível nacional, a Política Nacional da Erva-Mate foi sancionada em 2019, incentivando o desenvolvimento da cadeia produtiva da erva-mate no Brasil.


Produção e Regiões Produtoras de Erva-Mate

O Brasil é um dos maiores produtores de erva-mate do mundo, sendo os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul os principais polos produtivos. Em 2023, a produção brasileira ultrapassou 737 mil toneladas. A erva-mate também é exportada para países como Argentina, Uruguai, Paraguai e até mercados europeus, onde cresce o interesse por bebidas naturais e energéticas.


Os Tipos de Erva-Mate

Existem diversas classificações de erva-mate, que variam conforme o processo de produção:

Erva-mate tradicional: Moída fina, com alto teor de pó, muito usada no chimarrão gaúcho.

Erva-mate moída grossa: Menos pó e folhas maiores, comum em algumas regiões do Paraná.

Erva-mate peneirada: Com menos resíduos, mais uniforme, popular para exportação.


O Chimarrão na Cultura e na Música

A presença do chimarrão na cultura gaúcha é evidente na música, na poesia e na literatura. Muitos versos tradicionalistas exaltam o chimarrão como um elemento essencial da identidade sulista. Cantores como Vítor Ramil e grupos de música nativista frequentemente mencionam o mate em suas composições, reforçando seu papel na cultura regional.


Mitos e Verdades sobre o Chimarrão

Mito: O chimarrão faz mal para o estômago.

Verdade: Se consumido moderadamente, ele pode até auxiliar na digestão.

Mito: Compartilhar chimarrão é anti-higiênico.

Verdade: O ritual de passar a cuia faz parte da tradição, e a higiene depende dos cuidados individuais.


Os 10 Mandamentos do Chimarrão

1. Não se pede açúcar no mate. Chimarrão de verdade é puro.

2. Não se diz que o mate está muito quente. Faz parte da experiência.

3. Não se mexe na bomba. Isso pode entupir o mate.

4. Não se deixa um mate pela metade. Se aceitou, beba até o fim.

5. O ronco no fim do mate não é falta de educação. Apenas sinaliza que terminou.

6. O dono da casa sempre toma o primeiro mate. É um gesto de hospitalidade.

7. O mate deve seguir a ordem da roda. Não se quebra a sequência.

8. Não se apressa a roda. Cada um tem seu tempo para saborear.

9. Não se dorme com a cuia na mão. Se recebeu, beba e passe adiante.

10. Não se desvaloriza o chimarrão. Ele é parte da identidade cultural dos gaúchos.

O chimarrão é mais do que uma bebida: é um legado histórico e um símbolo de identidade. Seu consumo transcende gerações e continua sendo uma tradição viva, que representa a hospitalidade, a cultura e a união dos povos do Sul.



sábado, 9 de agosto de 2014

Os dez mandamentos do chimarrão

1 - NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE
O gaúcho aprende desde piazito o porquê o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas se tu és de outros pagos, mesmo sabendo, poderá achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar nesse pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se por água, ervas exóticas, cana, frutas, cocaína, feldspato, dollar, etc... mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites, pede uma coca-cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.
2 - NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO
Tu podes achar que é anti-higiênico por a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de chimarrão. Repito: pede uma coca-cola de canudinho. O canudo é puro como a água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não nele).
3 - NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS
Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume tuas frescuras (caso desejes te curar, recomendamos uma visita ao analista de Bagé). Se, porém, te julgas perfeitamente igual aos demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vai adorar o chimarrão de lá.
4 - NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE
Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Como o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante, já o chimarrão não. Tu deves tomar toda a água servida até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento abaixo.
5 - NÃO TE ENVERGONHES DO "RONCO" NO FIM DO MATE
Se, ao acabar o mate, sem querer fizer a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Esse negócio de chupar sem fazer barulho vale para a coca-cola com canudinho que tu podes até tomar com o dedinho levantado (fazendo pose de assumida).
6 - NÃO MEXAS NA BOMBA
A bomba de chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas por favor, não mexas na bomba. Fale com quem te passou o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.
7 - NÃO ALTERE A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO
Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do estado.
8 - NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O PRIMEIRO MATE
Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro mate, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro, e quem toma está te prestando um favor.
9 - NÃO DURMAS COM A CUIA NA MÃO
Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando... E às vezes te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudêncio... Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí o fundamental não é meditar, mas sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que essa tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer a cuia que está na tua mão. Fala quanto quizeres mas não esqueças de tomar o teu mate que a moçada tá esperando.
10 - NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA
Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pega na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que o chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esqueces o câncer. Se não der para esquecer, faz o seguinte: pede uma coca-cola com canudinho que ela etc... etc...

O chimarrão faz muito bem como nesta postagem que fiz há um tempo atrás: Chimarrão é saudável.

Conheça algumas comidas de inverno AQUI

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Fonte: Chimarrão.com

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Roda de Chimarrão Grupo Randon

Buenas Gauchada

Esta, é para toda gauchada do Grupo Randon e seus tercerizados, foi confirmado para o dia 11/09 a tradicional festa da Randon alusiva a Semana Farroupilha e este ano terá César Oliveira e Rogério Melo e Mano Lima, funcionários peguem suas famílias e vamos prestigiar esta data tão especial para nós gaúchos. Para quem não sabe de que se trata, a Roda de chimarrão é um evento tradicionalista promovido pelo Grupo Randon de Caxias do Sul, para seus funcionarios e acontece sempre por volta do inicio da semana farroupilha.

Um quebra be cinchado a todos

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Chimarrão é saudavel

Hoje, saiu mais uma notícia sobre um de nossos costumes mais tradicionais, o chimarrão. Foi anunciado pelo Instituto de Cardiologia do RS que o nosso amargo de todo dia sorvido com frequência (aproximadamente 1lt por dia), reduz os níveis do colesterol ruim, sendo mais eficaz do que o chá verde, ainda é um estudo e o resultado é mínimo. Queres mais informação bagual, botei um tal de link para a reportagem do Jornal Pioneiro/Caxias do Sul