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quinta-feira, 26 de março de 2026

Biografia Gaúcha - Gildo de Freitas

Considerado o Rei dos Trovadores, Gildo de Freitas é o homem que fez o Rio Grande todo cantar de improviso

O guri do Passo d'Areia que aprendeu gaita escondido

Leovegildo José de Freitas nasceu em 19 de junho de 1919, no bairro Passo d'Areia, em Porto Alegre. Muita gente ainda confunde e diz que Gildo era de Alegrete — mas não. Ele nasceu na capital gaúcha e mais tarde recebeu o título de Cidadão Alegretense, cidade onde passou longos períodos e pela qual nutria profundo carinho.

Filho de Vergílio José de Freitas e Georgina de Freitas, Gildo teve quatro irmãos — Juvenal, Alfredo, João e Manuel — e quatro irmãs. Frequentou a escola por apenas seis meses, tendo a professora Dona Paulina como única mestra formal. O restante da educação veio da rua, da vida e das rodas de trova.

A gaita entrou na vida de Gildo pelos fundos — literalmente. Era o instrumento do irmão Alfredo, tocado às escondidas em casa enquanto o dono não estava. Vendo amigos do pai tocarem nas canchas de carreiramento onde ia cuidar de cavalos, aprendeu de ouvido e de olho, sem professor, sem método. Quando comprou a sua própria gaita de oito baixos, já tinha vinte anos — e já era quase imbatível nos versos.

"De longe, Gildo era o mais esperto." — relato de quem conheceu a família Freitas

A vida brava: fugas, prisões e a trova como salvação

A vida de Gildo de Freitas não foi fácil — e ele nunca fingiu que foi. Aos 12 anos fugiu de casa pela primeira vez. Aos 18 já animava bailes pela região metropolitana de Porto Alegre, quando não estava em confusão com a polícia. Em 1937, considerado desertor por não se apresentar à convocação militar, se envolveu numa briga séria onde um amigo perdeu a vida — e passou a nutrir um ódio profundo pelas autoridades que o perseguiam.

Em 1941, o casamento com Dona Carminha trouxe alguma estabilidade. Passaram a morar no bairro de Niterói, em Canoas, na Grande Porto Alegre. Mas os contratempos com a polícia continuaram, e Gildo seguia viajando, trovando, desaparecendo e reaparecendo.

Em 1949, já famoso em todo o Rio Grande do Sul, desapareceu de casa e chegou a ser dado como morto na capital. Reapareceu meses depois na fronteira gaúcha — em Alegrete, com problema de paralisia nas pernas, mal conseguindo caminhar, mas com a garganta e a mente em plena forma. Numa comemoração de eleição em Alegrete, foi carregado numa cadeira para se apresentar porque as pernas não sustentavam — mas os versos saíram perfeitos.

1950: Getúlio Vargas e o fim das perseguições

Em 1950, em São Borja, Gildo conheceu Getúlio Vargas e entrou em sua campanha política. O encontro com o presidente mudou o rumo da vida do trovador: as perseguições policiais cessaram. Gildo fez sua primeira viagem ao Rio de Janeiro e começou a sentir o gosto de um Brasil maior do que o Rio Grande.

Entre 1953 e 1954, conquistou fama definitiva como trovador nos programas de rádio ao vivo em Porto Alegre, voltando a morar com a família no Passo d'Areia. Era o começo da lenda.

1955: o encontro com Teixeirinha — parceria, rivalidade e amizade

Em 1955, Gildo de Freitas conheceu Vitor Mateus Teixeira — o Teixeirinha. O encontro entre os dois maiores nomes da música gauchesca foi imediato em identificação. Juntos, passaram a viajar pelo estado, enchendo galpões e praças com uma combinação irresistível: Teixeirinha no violão e Gildo na gaita, dois trovadores capazes de ficar horas no palco sem repetir um verso.

Entre 1956 e 1960, Gildo se tornou a maior atração do programa de rádio Grande Rodeio Coringa, que ia ao ar aos domingos à noite — o programa de entretenimento mais popular do estado. As viagens com Teixeirinha se multiplicavam, e a dupla era tratada como realeza onde quer que chegasse.

A parceria formal terminou em 1959 — mas os dois continuaram se encontrando, cantando juntos e, a partir de 1965, travando a famosa disputa pelos discos: músicas que provocavam, respostas que arrancavam gargalhadas, um duelo de versos que o público adorava e que ambos usavam como ferramenta de marketing . Nos bastidores, a relação era de admiração e amizade genuínas. Como o apresentador Nico Fagundes costumava dizer: nesses desafios, os dois poderiam ficar horas trovando e mesmo assim não se teria um vencedor.

"A rivalidade foi feita em brincadeira — a amizade era de verdade." — memória dos que conviveram com os dois

1963: os discos, o sucesso nacional e a saúde que insistia em falhar

Com o declínio dos programas de rádio ao vivo e a chegada da televisão, Gildo tomou uma decisão surpreendente em 1961: largou a cantoria e foi criar porcos. Mas o destino tinha outros planos. Em 1963, o Teixeirinha gravou uma música de autoria de Gildo — e o nome do trovador voltou à mídia. Em 1963, Gildo viajou a São Paulo para gravar o primeiro disco.

A partir de 1965, o sucesso explodiu no Rio Grande do Sul. Na década de 1970, Gildo já fazia apresentações em todos os estados brasileiros — levando a cultura gaúcha para plateias que nunca tinham visto um trovador de verdade. Em meados de 1964, foi convocado a prestar depoimento sobre suas ligações com o trabalhismo — episódio delicado, num Brasil que vivia sob a ditadura militar.

Em 1977 e 1978, inaugurou em Viamão a Churrascaria Gildo de Freitas, onde também promovia bailões e o famoso Rodeio Gildo de Freitas — onde os peões tinham que provar que eram bons para ficar em cima dos cavalos mais velhacos, como o próprio Gildo exigia.

A saúde, porém, sempre foi um capítulo à parte. Problemas nas pernas e nos pulmões o hospitalizavam com frequência ao longo de toda a carreira. Nos anos 70, as internações se multiplicaram. No disco de 1979, já andava muito doente — por isso trocou a gaita pesada pelo violão mais leve. Mas a voz seguia firme.

Novembro de 1982: a última apresentação — e 4 de dezembro

Em novembro de 1982, Antonio Augusto Fagundes e Ivan Trilha levaram Gildo aos estúdios da RBS TV para uma última aparição pública no Galpão Crioulo. Além do apresentador Nico Fagundes, estavam no palco as gauchinhas missioneiras e Os Serranos. Gildo cantou com a saúde já muito debilitada — mas cantou com o coração na voz, dando o máximo de si em respeito à arte e ao público.

Em 4 de dezembro de 1982, Leovegildo José de Freitas morreu em Porto Alegre, aos 63 anos. O Rei dos Trovadores se foi — mas deixou uma coincidência que parece tirada de uma de suas próprias canções: exatamente três anos depois, em 4 de dezembro de 1985, morreu Teixeirinha. O mesmo dia. A mesma data. Como se o destino quisesse que os dois chegassem juntos à eternidade, assim como tinham chegado juntos aos palcos.

Em homenagem aos dois, a Lei Estadual 8.814/89 instituiu o dia 4 de dezembro como Dia Estadual do Artista Regionalista e Poeta Repentista Gaúcho no Rio Grande do Sul.

"Em novembro cantou pela última vez. Em dezembro, o Rio Grande ficou mais silencioso."

Discografia

Gildo de Freitas gravou 17 LPs entre 1964 e 1982, todos pela Continental e pela Chantecler/Sertanejo — uma das discografias mais extensas da música gauchesca.

1964 - Gildo de Freitas — O Trovador dos Pampas. 1º LP. Clássicos: Acordeona, Baile do Chico Torto, História dos Passarinhos.

1965 - O Trovador dos Pampas — Vida de Camponês. 2º LP. Primeira provocação a Teixeirinha: Baile de Respeito.

1966 - Desafio do Padre e o Trovador. 3º LP. Com o Padre Rubens Pillar. Inclui Definição do Grito.

1968 Gildo de Freitas e Sua Caravana 4º LP. Continua as provocações a Teixeirinha.

1969 De Estância em Estância 5º LP. Inclui Resposta da Milonga, provocação a Milonga da Fronteira.

1970 Gildo de Freitas e Zezinho e Julieta 6º LP. Parceria com dupla caipira.

1970 Rei do Improviso 7º LP. Um dos mais conhecidos. Consolida o título.

1972 Desafio do Paulista e o Gaúcho 8º LP. Desafio interestadual com trovador paulista.

1975 Gildo de Freitas e Seus Convidados 9º LP. Participações especiais.

1975 O Ídolo 10º LP. Coletânea de grandes sucessos.

1976 Gauchada de Sul a Norte 11º LP. Registra a abrangência nacional do artista.

1979 Eu Não Sou Convencido 12º LP. Já no violão — saúde debilitada impede a gaita pesada.

1980 Mais Sucessos 13º LP. Lançado pela Chantecler/Sertanejo.

1981 O Rei dos Trovadores 14º LP. Penúltimo disco em vida. Última provocação ainda acesa.

1982 Figueira Amiga 15º LP. Último disco em vida. Gravado pela Continental. Última aparição nos estúdios.

1984 Lembrando Gildo de Freitas Coletânea póstuma. Lançada dois anos após a morte.

s/d 20 Anos de Glória Compilação comemorativa lançada postumamente.

Principais canções

Prazer de Gaúcho

Velho Casarão

Eu Reconheço que Sou Grosso

Acordeona

História dos Passarinhos

Baile do Chico Torto

Figueira Amiga

Baile de Respeito

Definição do Grito

Resposta da Milonga

Brasil de Bombachas

Gaúchos do Litoral

O legado do Rei — uma trova que o tempo não apaga

Gildo de Freitas construiu sua fama a partir da trova — uma das manifestações folclóricas mais antigas do Rio Grande do Sul. E ao fazê-lo, criou um estilo próprio, consagrado na tradicional afinação Mi Maior de Gavetão, em versos de sextilhas, que até hoje é referência para trovadores de todo o estado.

Sem exagero, pode-se dizer que grande parte da atual música gauchesca tem um pouco — ou muito — de Gildo de Freitas. Sua influência se estende por gerações de compositores, intérpretes e grupos que aprenderam com ele que a trova não é apenas entretenimento: é memória viva de um povo.

O CTG Gildo de Freitas, em Porto Alegre, leva seu nome. O Parque Arroz com Leite, em Viamão, onde a família realizou as comemorações do centenário em 2019, é um dos pontos de encontro dos fãs. E toda vez que um trovador gaúcho improvisa um verso em cima de um palco, Leovegildo está lá — invisível, mas presente, sorrindo daquele jeito irreverente que era só dele.

"Ele fazia verso sobre tudo que vinha em sua mente — e o que vinha era sempre ouro." — memória de quem o viu trovar

Qual é a tua música favorita do Rei dos Trovadores?

Deixa nos comentários — e se tens uma história, uma memória ou uma anedota do Gildo de Freitas, conta para nós. A trova é feita para ser compartilhada. Assim como ele fazia, de palco em palco, de bolicho em bolicho, de fronteira em fronteira.

Também publicamos aqui no Entrevero Xucro o post Teixeirinha e Gildo de Freitas: Uma Amizade que Atravessou a Lenda da Rivalidade — que conta a história dos dois juntos, incluindo a coincidência do 4 de dezembro.

Confira abaixo as vendas Amazon de material do Gildo de Freitas:





quinta-feira, 12 de março de 2026

Biografia Gaúcha - Cenair Maicá

Das barrancas do Rio Uruguai para o mundo

Conhecido como o Poeta do Pampa, a voz que fez as Missões cantarem para o mundo. Cenair Maicá nasceu em 3 de maio de 1947, na localidade de Águas Frias, no que hoje é o município de Tucunduva — então distrito de Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul. Cresceu numa região de fronteira viva, onde o Brasil, a Argentina e o Paraguai se encontram nas águas do Rio Uruguai e nas memórias dos povos guaranis.

Desde pequeno, Cenair viveu essa mistura. Estudou na cidade de Oberá, na província argentina de Misiones, e ali aprendeu os primeiros acordes no violão, conheceu aspectos da cultura guarani e absorveu a música platina que mais tarde daria cor especial ao seu trabalho. Era um menino de fronteira — e essa fronteiridade seria a marca mais profunda de toda a sua arte.

De volta ao Brasil, foi para Santo Ângelo, onde passaria a maior parte da vida. Ali, aos 10 anos, já se apresentava em público ao lado do irmão Adelque, formando a dupla Irmãos Maicá. Tocavam nas rádios e nos bailes da região — dois guris cheios de talento e uma música que ainda mal sabia o tamanho que ia tomar.

"Se meu destino é cantar, eu canto." — Cenair Maicá

1966: o manifesto que mudou a música gaúcha

Em 1966, Cenair Maicá, Noel Guarany e Pedro Ortaça lançaram um manifesto que poucos documentos na história da música gaúcha igualam em importância. O texto reivindicava a herança guarani como parte legítima — e esquecida — da identidade do Rio Grande do Sul, e anunciava a intenção de criar, a partir dela, uma nova arte missioneira.

Até então, a identidade gaúcha oficial era quase que exclusivamente baseada na figura do estancieiro da campanha, do peão dos pampas do sul. As Missões — aquela região de história tão rica quanto esquecida — não tinham voz nos palcos nem nas gravadoras. Cenair e seus companheiros decidiram mudar isso.

Juntos, os quatro artistas — Cenair, Noel Guarany, Pedro Ortaça e Jayme Caetano Braun — ficaram conhecidos como os Quatro Troncos Missioneiros. Cada um com sua voz própria, mas todos enraizados na mesma terra e movidos pela mesma causa: dar ao povo missioneiro o lugar que lhe pertencia na cultura do estado.

1970: a consagração na Argentina e o início do sucesso

O nome Cenair Maicá entrou definitivamente na história da música gaúcha em 1970. Naquele ano, ele venceu o 7º Festival do Folclore Correntino, realizado em Santo Tomé, na Argentina, interpretando a música Fandango na Fronteira — composição de Noel Guarany, com quem dividiu o palco na noite da vitória.

A consagração foi dupla: para Cenair como intérprete e para os dois artistas como símbolo do que aquele manifesto de 1966 havia prometido. A vitória num festival internacional revelou que a música missioneira não era apenas uma questão regional — era arte com potencial para atravessar fronteiras.

O prêmio rendeu a gravação do compacto duplo Filosofia de Gaúcho (1970), o primeiro registro fonográfico oficial de Cenair. A partir daí, a carreira solo seria inevitável.

A carreira: poesia, denúncia e identidade

Em 1978, Cenair lançou Rio de Minha Infância, seu primeiro LP solo — produzido e dirigido por Noel Guarany. O disco apresentou ao público o universo que definiria toda a obra de Cenair: o Rio Uruguai e suas águas como metáfora de vida e liberdade, os ribeirinhos e balseiros como protagonistas esquecidos, os indígenas como herança viva — não como curiosidade histórica.

Nas canções Homem Rural e Balaio, Lança e Taquara, Cenair deu voz aos trabalhadores do interior — camponeses, índios, gente simples que raramente aparecia nas letras da música regional. Sua poesia era denúncia social embrulhada em melodia, um ato político disfarçado de milonga.

Não é por acaso que a Ditadura Militar censurou sua canção Canto dos Livres, proibindo sua execução nas rádios e chegando a apreender discos. Cenair era inconveniente para o regime — e isso era, para ele, o maior dos elogios.

Paralelamente à música, Cenair trabalhou como representante comercial das máquinas de escrever Olivetti e apresentou programas nas rádios Repórter de Ijuí, Sepé Tiaraju de Santo Ângelo e Liberdade FM de Viamão. Homem de muitas frentes, mas sempre com a música como centro.

"O músico, além de cantar as coisas bonitas, a alegria, tem que ser um porta-voz do povo." — Cenair Maicá

Imagem da internet

A saúde, a luta e a despedida

A vida de Cenair carregou uma sombra desde cedo. Aos 17 anos, num acidente, perdeu um rim. A consequência não foi imediata — mas o futuro já estava marcado.

Em 1984, o rim remanescente começou a falhar. Cenair precisou se submeter a sessões de hemodiálise, o que debilitou profundamente sua saúde e o afastou temporariamente dos palcos. Em 1985, realizou um transplante de rim — o doador foi seu irmão Darci Maicá, num gesto de amor que a família nunca esqueceu.

Em dezembro de 1988, foi internado para a colocação de uma prótese femural. Não resistiu a uma infecção hospitalar. Em 2 de janeiro de 1989, Cenair Maicá morreu em Porto Alegre, aos 41 anos. Uma vida curta, mas vivida com a intensidade de quem sabe que o tempo é precioso.

Como era seu desejo, foi enterrado pilchado, de botas e lenço vermelho. Seus restos mortais estão em Santo Ângelo, no mausoléu construído na entrada do Cemitério Municipal. Dois pilares marcam o local: um representando a MÚSICA, outro a POESIA. No centro, a frase que resume tudo: Se meu destino é cantar, eu canto. Ao lado da data de nascimento: Nasce o poeta. Ao lado da data de morte: O mundo fica mais triste.

Discografia

Cenair gravou um compacto duplo e quatro LPs ao longo da carreira, dois deles posteriormente relançados em CD. Uma obra pequena em volume, gigante em qualidade.

1970 - Filosofia de Gaúcho (compacto duplo). Com Noel Guarany. Primeiro registro de Cenair após vitória no Festival Correntino.

1978 - Rio de Minha Infância. 1º LP solo. Produção de Noel Guarany. Relançado em CD em 2003 na série Tradição Gaúcha.

1980 - Canto dos Livres. 2º LP. Contém a música censurada pela Ditadura Militar. Um dos mais importantes do nativismo gaúcho.

Imagem da internet

1983 - Meu Canto. 3º LP. Gravado com saúde já debilitada. Reúne composições de forte teor social e poético.

1985 - Companheira Liberdade. Relançamento/compilação das melhores faixas gravadas para o selo Rodeio (WEA). Reeditado em CD.

2003 - Tradição Gaúcha (coletânea). Relançamento em CD do LP Rio de Minha Infância. Lançado postumamente pela série Tradição Gaúcha.

Principais canções

Canto dos Livres; Balseiros do Rio Uruguai; Baile do Sapucaí; Bolicho; Homem Rural; Rio de Minha Infância; Balaio, Lança e Taquara; Fandango na Fronteira; Rio Ibicuí; João Sem Terra

O legado que as águas não apagam

Mais de três décadas após sua morte, Cenair Maicá segue vivo em cada roda de chimarrão onde alguém tatareia Canto dos Livres, em cada jovem compositor missioneiro que sente que precisa falar do povo simples, em cada artista que se recusa a deixar o comercial sobrepor o verdadeiro.

O legado é concreto também: uma rodovia recebe seu nome — a RS-536, no noroeste gaúcho. Travessas em Tucunduva e em Santo Ângelo. Um mausoléu. Um busto. E uma entrevista gravada em fita magnética no Museu Antropológico de Ijuí, onde sua voz ainda ecoa para quem quiser ouvir.

Cenair Maicá não fez muito disco. Mas fez música que dura. E isso, no fundo, é o único legado que importa.

"Nasce o poeta." — inscrição no mausoléu de Cenair Maicá, ao lado da data de nascimento

Conheces a obra de Cenair Maicá?

Qual é a tua música favorita do Cantor Missioneiro? Deixa nos comentários — e se tens uma história ligada à obra de Cenair, conta para nós. A memória de quem fez história merece ser mantida viva por quem a viveu.

sábado, 27 de setembro de 2025

Biografia Gaúcha - Luiz Carlos Borges

Luiz Carlos Borges foi um dos maiores representantes da música gaúcha missioneira, com uma trajetória que uniu fronteiras, festivais e discos e teve uma vida inteira dedicada ao acordeon e à cultura do sul. Nascido em 25 de março de 1953, em Vila Seca, distrito de Santo Ângelo, nas Missões do Rio Grande do Sul, cresceu em meio às influências musicais da região e desde guri foi envolvido pela sonoridade do chamamé, das rádios de fronteira e dos bailes de campanha. Aos sete anos começou a estudar música e aos nove já tocava gaita nos bailes com o grupo familiar Irmãos Borges, com quem gravou os três primeiros LPs ainda na juventude. Essa fase inicial de estrada, fandangos e rádio forjou o músico que depois se destacaria no cenário nativista em festivais e circuitos culturais dentro e fora do estado.



Com o tempo, Luiz Carlos Borges passou dos bailes familiares para os festivais e para a composição. O grande ponto de virada ocorreu quando venceu a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana em 1979 com a música “Tropa de Osso”, que marcou o início da sua carreira solo e do seu primeiro disco individual em 1980.

Formou-se em Música pela Universidade Federal de Santa Maria e também assumiu funções na área cultural em São Borja, Santa Maria e Santa Rosa. Foi em Santa Rosa que idealizou e organizou o Musicanto Sul-Americano de Nativismo a partir de 1983, criando um dos maiores espaços de integração musical entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai dentro do universo tradicionalista e missioneiro.

Ao longo da carreira, Luiz Carlos Borges lançou mais de 30 discos entre LPs, CDs e DVDs. Dos trabalhos com os Irmãos Borges nos anos 1970 às parcerias internacionais nas décadas seguintes, construiu uma discografia ampla e respeitada. Entre os álbuns individuais estão:

Tropa de Osso (1981)

Noites, Penas e Guitarra (1982)

Quarteada (1984)

Solo Livre (1986)

Fronteras Abiertas com Antonio Tarragó Ros (1991)

Gaúcho Rider com o Grupo Alma (1992)

Geraldo Flach & Luiz Carlos Borges com Geraldo Flach (1992)

Na Chama do Chamamé (1993)

Hay Chamamé (1995)

Gaúcho com Edison Campagna (1995)

Temperando (1996)

Campeiros com Mauro Ferreira (1999)

Luiz Carlos Borges (1999)

Do Pampa ao Pantanal (2001)

40 Anos de Música (2002)

Luiz Carlos Borges & Quarteto (2004)

Buenaço (2008)

Itinerário de Rosa (2008) 

Con Amigos Argentinos (2010).



Em 2014 lançou também o DVD “50 Anos de Música – Ao Vivo”, premiado no Prêmio Açorianos e registrado com participações especiais.



Durante a carreira também teve coletâneas como Sucessos de Ouro (1994), Acervo Gaúcho (1998) e 40 Anos de Glória (2003), todas incrementando o acervo das gravações missioneiras e chamameceras que ajudou a popularizar.

Sua ligação com o chamamé foi decisiva para a integração musical do Cone Sul. Atuou ao lado de grandes nomes argentinos como Antonio Tarragó Ros, Rudi e Nini Flores e participou de encontros com artistas de peso do folclore latino-americano, inclusive dividindo palco com Mercedes Sosa, Juan Falú e Geraldo Flach. Com Mercedes Sosa gravou uma música em seu último trabalho o albúm Cantora

Representou o Brasil no Festival Nacional del Folklore de Cosquín em Córdoba, na Argentina, nas edições de 1984 e 1998. Se apresentou nos Estados Unidos em 1986 no International Festival of Folklore em Salt Lake City, esteve na Semana Regional do Folclore na Guiana Francesa em 1988 e fez turnês em países europeus como França, Alemanha e Áustria. Participou também da Fiesta Nacional del Chamamé em Corrientes, consolidando-se como uma referência do gênero para o público latino.

Ao longo de décadas, foi presença constante e premiada em festivais nativistas, vencendo como compositor, intérprete, instrumentista e arranjador. Recebeu mais de uma centena de premiações,  distinções e indicações, incluindo vários Prêmios Açorianos de Música em Porto Alegre, sendo eles:

1998 - Foi indicado para Disco de Música Regional e Instrumentista de Teclado

2008 - Foi premiado como Compositor de Música Regional e Arranjador (com Leandro Rodrigues)

2011 - Ganhou menção especial pelos 50 anos de carreira

2014 - Venceu como Compositor de Música Regional, Intérprete de Música Regional, Instrumentista de Música Regional, DVD do ano e melhor álbum de música regional com o disco 50 Anos de Música. Além destas premiações diversas entidades culturais e prefeituras lhe prestaram homenagens ao longo da vida e após seu falecimento.

Seu estilo era marcado pela fusão da milonga, vaneira, polca e chamamé com a identidade missioneira da fronteira oeste gaúcha. A gaita ponto e sua interpretação forte e sensível levaram a música do sul a novos países e a novos públicos. Para além dos palcos, Borges contribuiu com a organização cultural, especialmente com o Musicanto, que se tornou um palco de integração latino-americana. Seu compromisso com a tradição não impediu o diálogo com outros ritmos e artistas, o que tornou sua obra diversa e autêntica.

Luiz Carlos Borges faleceu em 10 de maio de 2023, aos 70 anos, em Porto Alegre, deixando um legado respeitado no Brasil, Argentina e Paraguai. É lembrado como embaixador missioneiro do chamamé, acordeonista de alma fronteiriça e figura central na construção da identidade musical do sul do país ao longo de mais de cinco décadas de carreira. Sua obra continua circulando em regravações, projetos de memória, coletivos musicais e publicações culturais.


sábado, 16 de agosto de 2025

Biografia Gaúcha - Telmo de Lima Freitas

Telmo de Lima Freitas nasceu em 13 de fevereiro de 1933, em São Borja, no Rio Grande do Sul. Desde muito cedo, demonstrou talento musical: aos dois anos já tocava cavaquinho e, posteriormente, aprendeu violão. Cresceu em um ambiente profundamente ligado à tradição campeira, o que influenciou sua obra poética e musical.

Aos 14 anos, integrou o Quarteto Gaúcho, iniciando sua trajetória artística em rádios locais, como o programa Porongo de Pedra na Rádio ZYFZ – Fronteira do Sul. Durante os anos 1960 e 1970, começou a se destacar em festivais regionais, consolidando-se como um dos grandes nomes do movimento nativista. Participou do 1º Festival de Música Regionalista da Rádio Gaúcha em 1969 e, anos depois, cofundou o grupo Os Cantores dos Sete Povos com Edson Otto e José Antônio Hahn. O grupo conquistou a Calhandra de Ouro na Califórnia da Canção Nativa em 1979 com a música “Esquilador”.

Telmo de Lima Freitas lançou diversos álbuns, muitos deles gravados pela USA Discos, destacando-se por composições que retratam a vida campeira, a simplicidade do campo e a cultura tradicional gaúcha. Sua obra é marcada pela poesia e pelo cuidado com a musicalidade, tornando-se referência para gerações de intérpretes.

Homenagens e Legado

Prêmio Açorianos (2000): Melhor Compositor e Melhor Disco Regional por A Mesma Fuça.

Prêmio Açorianos (2012): Homenageado do Ano pelo conjunto da obra.

Telmo faleceu em 18 de fevereiro de 2021, aos 88 anos, deixando um legado cultural inestimável para a música gaúcha.

Discografia Completa:

Álbuns de estúdio

O Canto de Telmo de Lima Freitas — 1973; reedição: 1983, PolyGram

Alma de Galpão — 1980, lançamento independente / Olvebra; reedição: 1990, BMG/Ariola

Tempos de Praça — 1993, USA Discos

De Marcha Batida — 1994, USA Discos

Rastreador — 1996, USA Discos

A Mesma Fuça — 2000, USA Discos



Poesias — 2001, USA Discos

Carteio da Vida (Acústico) — 2002, USA Discos

Aparte — 2006, Independente (releituras autorais)

Coletâneas e relançamentos

35 Mega Sucessos — 2010, compilação digital

Principais Canções

Esquilador

Lembranças

Prenda Minha

Pago Santo

Essas canções são consideradas clássicos da música nativista e continuam sendo interpretadas em festivais e rodas de música gaúcha.

Telmo de Lima Freitas foi um artista multifacetado, Poeta, cantor e violonista. Suas composições valorizam a vida campeira, a natureza e a tradição do Rio Grande do Sul e seu legado influencia novos artistas e garante a preservação da cultura regional, sendo lembrado como um verdadeiro guardião da alma gaúcha, sendo referência obrigatória para quem deseja conhecer a essência da música nativista.

Telmo de Lima Freitas foi muito mais do que um cantor e compositor; foi um poeta da vida campeira, um representante da tradição gaúcha e uma inspiração para novas gerações. Sua discografia completa, com canções marcantes, continua viva nas rodas de mate, festivais e plataformas digitais, mantendo sua obra sempre presente no coração do Rio Grande do Sul.



quinta-feira, 10 de julho de 2025

Biografia Gaúcha - Iedo Silva

Iedo Cruz da Silva (Cachoeira do Sul, 18 de dezembro de 1946 – Porto Alegre, 15 de setembro de 2021) foi um dos mais importantes artistas da música tradicionalista do Rio Grande do Sul, conhecido por sua gaita única, voz marcante e composições que tornaram-se hinos regionais

Nascido na zona rural de Cachoeira do Sul (RS), filho de agricultores, Iedo iniciou sua trajetória musical em 1965, tocando gaita e pandeiro em bailes de ramada no Piquiri e na barragem do Capané. 
Em 1970, decidiu mudar-se para Porto Alegre, vislumbrando maior oportunidade artística. Para isso, chegou a vender sua primeira gaita. Na capital, trabalhou numa indústria de ração e economizou para recomprar outra gaita, presente recebido de um fã a quem ensinou a tocar

Sua carreira ganharia impulso após participar de um programa de TV apresentado por Teixeirinha, convite feito pelo músico Xará, da dupla Xará e Timbaúva. Após essa aparição, foi demitido de seu trabalho e passou a viver exclusivamente da música. 

Em 1973, entrou como sócio no conjunto Os Tauras, assumindo o papel de gaiteiro e segunda voz. Gravou quatro LPs com o grupo, com destaque para a música “Súplica de um Gaúcho”, que garantiu participação no filme O Grande Rodeio. Foi nesse contexto que começou parceria com Albino Manique, em composições como “Jogo de Fole”.

Em 1980, fundou o grupo Os Farrapos, com o qual gravou aproximadamente sete discos. O grande marco desse período foi a conquista do Disco de Ouro com “Ala-Pucha Tchê” (1988). O grupo fez turnês internacionais à Inglaterra (1986) e Escócia (1989), a convite do folclorista

Em 1994, Iedo começou carreira solo, lançando seu primeiro disco solo Cantorias, e posteriormente Saudade na Garupa — ambos em 1994. Em 11 de junho de 2010, gravou seu primeiro DVD/CD ao vivo no CTG 35, Porto Alegre, celebrando 35 anos de carreira. O repertório reviveu sucessos como Pampa na Garupa, Chiquita, Ala-Pucha, Me Comparando ao Rio Grande, Cevando o Mate e vários outros clássicos.

Discografia Completa de Iedo Silva

Com Os Tauras

Os Tauras (LP, 1973)
Os Tauras - Ao Vivo (LP, 1975)
Os Tauras - 3º Disco (LP, 1976)
Súplica de um Gaúcho (LP, 1978)
 
Com Os Farrapos

Os Farrapos - Ao Vivo (LP, 1981)
Os Farrapos - O Melhor de Os Farrapos (LP, 1982)
Os Farrapos - Novo Tempo (LP, 1983)
Ala-Pucha Tchê (LP, 1988)
Os Farrapos - A Maior Família do Rio Grande (LP, 1989)
Os Farrapos - O Tempo Vai Passar (CD, 1992)
Os Farrapos - A Batalha Continua (CD, 1993)
 
Carreira Solo

Cantorias (CD, 1994)
Saudade na Garupa (CD, 1994)
Rio Grande Dentro do Peito (CD, 1999)
25 Anos (CD, 2000)
35 Anos - Ao Vivo (DVD/CD, 2010)
40 Anos (CD, 2015)
Semente de Vanera (CD, 2017)
Amanhecer no Pampa (CD, 2017)
Isto é Iedo Silva (CD, 2022)

Álbuns Póstumos (pós 2021)

Um Changador Ao Seu Estilo (CD, 2023) - Álbum lançado após seu falecimento, com gravações inéditas e remasterizadas de suas músicas.

Os principais sucessos de Iedo Silva que marcaram o nativismo gaúcho:

Ala-Pucha Tchê (Disco de Ouro)
Me Comparando ao Rio Grande (entre as candidatas a hino popular do RS)
Chiquita
Pampa na Garupa
Águas de Cachoeira
Gaita da Bossoroca
Cevando o Mate
Despedida de Peão
Faculdade Campeira
A Dança dos Compadres
Queixo Seco
Xote Laranjeira
Passo do Bugio

Prêmios e Reconhecimento

Disco de Ouro por Ala-Pucha Tchê (1988)
Medalha Jaime Caetano Braun (2007)
Troféu Rede Pampa de Rádio e Televisão (2008 e 2009)

“Me Comparando ao Rio Grande” figurou entre as 14 músicas mais cotadas para hino popular do RS (2007)

Iedo Silva faleceu em 15 de setembro de 2021, dia do Gaiteiro, aos 74 anos, em Porto Alegre. A causa foi complicações da COVID‑19. Ele também lutava contra um câncer de próstata, diagnosticado meses antes. O velório foi restrito à família devido aos protocolos sanitários.

Sua partida representou uma perda imensa para a cultura e música tradicionalista do Rio Grande do Sul. Sua voz, repertório e influências permanecem vivos entre músicos e admiradores da cultura regional 

Por que Iedo Silva é essencial à cultura gaúcha? Porque ele uniu técnica, emoção e tradição em cada gaita tocada. Porque sua trajetória, das barrancas do interior até palcos da Europa, simboliza a força e autenticidade da música do Pampa. Porque suas composições são verdadeiros retratos sonoros do povo gaúcho. E porque ninguém canta o Pago como ele cantou.


DVD 35 Anos de Carreira de Iedo Silva gravado no CTG 35



quinta-feira, 8 de maio de 2025

Biografia Gaúcha - José Cláudio Machado

José Cláudio Machado não foi apenas um cantor. Foi um símbolo do pampa, um trovador das querências, um intérprete que fez da sua voz uma extensão da alma campeira do Rio Grande do Sul. Seu legado permanece vivo na memória dos amantes da música nativista e nas canções que ainda ecoam nos galpões, nos rodeios e nos corações gaúchos.

Quem foi José Cláudio Machado?

Natural de Tapes (RS), José Cláudio Machado nasceu em 17 de novembro de 1948 e desde cedo demonstrou afinidade com as raízes culturais do seu povo. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um dos maiores intérpretes da música regional sul-brasileira.

Com seu timbre rouco, arrastado e profundamente emocional, José Cláudio não apenas cantava o Rio Grande — ele era o Rio Grande em forma de música.



Início da Carreira

Sua primeira grande aparição no cenário nativista foi em 1972, durante a 2ª Califórnia da Canção Nativa, um dos festivais mais importantes da música regional. Com a canção “Pedro Guará”, conquistou o público e cravou seu nome na história da cultura gaúcha.

Antes da carreira solo, integrou grupos como Os Tapes, Os Teatinos e Os Serranos, com quem gravou o disco Isto É... Os Serranos (1986), ganhador de Disco de Ouro.

O Estilo Inconfundível

José Cláudio Machado foi muito mais que uma voz. Ele criou um estilo interpretativo único: calmo, reflexivo e profundamente carregado de sentimento. Seu canto lembrava uma prosa ao pé do fogo de chão — simples, mas carregada de verdade.

Esse estilo influenciou toda uma geração de artistas, ajudando a consolidar a milonga, a chamarra e outros ritmos regionais no cenário nacional.

Discografia Completa

Conheça os principais discos de José Cláudio Machado, verdadeiros tesouros da música nativista:

Recordando a Querência (1983)

Isto É... Os Serranos (1986)

Gaúcho (1987)

Fletes e Amores (1988)

Pedro Guará (1990)

Cantar Galponeiro (1990)

Milongueando uns Troços (1993, com Bebeto Alves)

Entre Amigos (1995)

Campesino (1997)

Acervo Gaúcho (1998)

Tapeando o Sombreiro (2000)

Em Espanhol (2001)

De Bota e Bombacha (2001, com Luiz Marenco)

Arranchado (2005)

No Meu Rancho – Acústico e ao Vivo (2008)

Ao Vivo em Vacaria (2009)

Canção do Gaúcho (2011)

Marcas (2012, com Valdo Nóbrega)

Canções Mais Marcantes

Algumas músicas de José Cláudio Machado se tornaram verdadeiros hinos da identidade sul-rio-grandense. Entre elas:

Pedro Guará

Pêlos

Poncho Molhado

Campesino

Milonga Abaixo de Mau Tempo

Chasque Prá Don Munhoz

Essas canções ainda emocionam peões, prenda e amantes do pago por onde são tocadas.

Legado Cultural

José Cláudio Machado faleceu em 12 de dezembro de 2011, aos 63 anos. Porém, sua obra permanece viva como parte essencial do patrimônio cultural gaúcho.

Foi também um dos idealizadores do Parque Harmonia, local tradicional dos Festejos Farroupilhas em Porto Alegre.

Em sua homenagem, uma estátua foi erguida em Guaíba, cidade onde viveu por mais de 30 anos, eternizando sua importância para a música e a cultura do Sul.

Por que José Cláudio Machado é eterno?

Porque soube traduzir o sentimento de uma terra inteira em melodia. Porque sua música fala de raízes, de campo, de verdade. E porque sua voz, mesmo em silêncio, ainda embala o espírito gaúcho.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Biografia Gaúcha- Os Monarcas

A Trajetória dos Monarcas: Uma História de Amor à Música Gaúcha

Como um verdadeiro gaúcho apaixonado pela cultura do nosso Rio Grande, é impossível não se emocionar ao contar a história de Os Monarcas. Um grupo que começou pequeno, mas que, com trabalho, talento e amor à música regionalista, se tornou uma lenda viva da nossa tradição.

A trajetória de Os Monarcas começou em 1967, na cidade de Erechim, no norte do Rio Grande do Sul. Foi lá que os irmãos Gildinho e Chiquito formaram a dupla Gildinho e Chiquito, animando bailes da região e apresentando o programa de rádio "Assim Canta o Rio Grande". Essa paixão pela música os levou a estudar acordeom na Escola de Belas Artes.

Em 1972, o nome da dupla mudou para Os Monarcas e, dois anos depois, eles lançaram o primeiro LP, Galpão em Festa. Em 1976, com a entrada de João Argenir dos Santos (guitarra), Luiz Carlos Lanfredi (contrabaixo) e Nelson Falkembach (bateria), o grupo assumiu sua formação completa e gravou o álbum O Valentão Bombachudo, que marcou o início de uma trajetória de sucesso na música regionalista gaúcha.

A década de 1980 consolidou Os Monarcas como um dos maiores grupos do gênero. Foram lançados LPs icônicos como Isto é Rio Grande (1980), Rancho Sem Tramela (1985) e Fandangueando (1988). Foi nesse período que o grupo ganhou o reforço de Ivan Vargas, que permanece até hoje como vocalista.

Nos anos 1990, Os Monarcas atingiram o auge. Também em 1990, um dos pioneiros, o acordeonista Chiquito, deixou o grupo para fundar o conjunto Chiquito & Bordoneio. Para o seu lugar, foi chamado o também acordeonista Leonir Vargas, catarinense, conhecido como Varguinhas. Em 1991, o CD Cheiro de Galpão foi um estrondoso sucesso de vendas, rendendo ao grupo o primeiro Disco de Ouro. Nessa mesma época, Francisco de Assis Brasil, o Chico Brasil, se juntou ao conjunto, trazendo sua habilidade na gaita-ponto. Em 1994, o grupo lançou Eu Vim Aqui Para Dançar, que também foi premiado com Disco de Ouro.

A década terminou com mais mudanças importantes. Em 1999, o grupo passou a gravar pela gravadora ACIT e lançou Locomotiva Campeira. O percussionista Vanclei da Rocha também se uniu ao grupo, agregando ainda mais qualidade à sonoridade dos Monarcas.

Além de levar a música gaúcha para todo o Brasil, Os Monarcas acumularam ao longo dos anos 10 Discos de Ouro, incontáveis troféus e prêmios. Em 2013, a história do grupo foi eternizada no filme Os Monarcas – A Lenda, que conta a trajetória de Gildinho e Chiquito, mostrando como o amor à música e à tradição moldou esse grupo único.

Os Monarcas também têm uma extensa discografia, com mais de 40 álbuns lançados. Destacam-se trabalhos como Do Sul Para o Brasil (1989), Rodeio da Vida (1995), Alma de Pampa (2003) e Marca Monarca (2021). Em 2023, comemoraram 50 anos de estrada, reafirmando o legado de um grupo que é sinônimo de música regional gaúcha.

A história de Os Monarcas não é apenas a de um grupo musical, mas de um pedaço da alma do Rio Grande do Sul. Cada acorde, cada letra, cada fandango é um tributo à nossa terra e às nossas tradições. E para nós, gaúchos, eles sempre serão mais do que músicos: são símbolos vivos do que significa amar e viver a cultura gaúcha.

Discografia:

1969: Os Trovadores do Sul

1974: Gaúcho Divertido

1976: Galpão em Festa

1978: O Valentão Bombachudo

1980: Isto é Rio Grande

1982: Grito de Bravos

1985: Rancho Sem Tramela

1986: Chamamento

1988: Fandangueando

1989: Do Sul Para o Brasil

1991: Cheiro de Galpão

1992: Os Monarcas

1994: Eu Vim Aqui Para Dançar

1995: Rodeio da Vida

1997: Do Rio Grande Antigo

1999: Locomotiva Campeira

2000: No Tranco dos Monarcas

2001: 30 Anos de Estrada

2002: A Gaita Gaúcha dos Monarcas

2003: Alma de Pampa

2004: Só Sucessos

2006: Recordando o Tempo Antigo

2007: DVD e CD 35 Anos - História, Música e Tradição - Ao Vivo

2008: A Marca do Rio Grande

2009: Os Monarcas Interpretam João Alberto Pretto

2011: Cantar é Coisa de Deus

2012: DVD e CD 40 Anos - Ao Vivo

2013: Alma de Gaita

2015: Perfil Gaúcho

2017: DVD 45 Anos - Ao Vivo

2017: Tô Pegando a Estrada

2018: Identidade Monarca

2021: Marca Monarca

2023: 50 Anos

domingo, 24 de setembro de 2017

Biografia Gaúcha - Mauro Moraes

Buenas gauchada, hoje apresentamos na nossa Biografia Gaúcha, mais um ícone do nativismo gaúcho, Mauro Moraes um dos maiores compositores de nossa regionalidade.

Mauro Moraes é cantor e compositor nascido em Uruguaiana, premiado em todos os grandes festivais de música. Possui muitos CDs gravados por diversos artistas, a partir de sua obra. Na minha opinião o melhor é o "De Bota e Bombacha" gravado por José Cláudio Machado e Luiz Marenco, neste eu tive noção da real grandeza de Mauro Moraes para nossa música nativista.

Foi produtor fonográfico nos discos de José Cláudio Machado, César Passarinho, João de Almeida Neto, Joca Martins, Wilson Paim, Victor Hugo, Marcello Caminha, entre outros.
Vencedor de 6 (seis) troféus “Açorianos de Música”, foi escolhido como “Melhor Compositor” de “Música Regional” por 4 (quatro) vezes: 1999, 2004, 2005 e 2007. E ainda por 2 (duas) vezes “Melhor Disco Regional”.

Foi homenageado em novembro de 2002 na câmara municipal de Porto Alegre com o prêmio artístico “Lupicínio Rodrigues” pelo conjunto de sua obra cultural e arte rio-grandense. Em 2014, o parlamento gaúcho e a Assembleia Legislativa do estado do Rio Grande do Sul fizeram a entrega da “Medalha da 53ª Legislatura” ao compositor Mauro Moraes em homenagem à comemoração dos seus 30 anos de carreira.

Recebeu da gravadora USADISCOS 2 (dois) prêmios de “Discos de Ouro”, primeiro com o CD “De Bota e Bombacha” dos intérpretes Luiz Marenco e José Cláudio Machado e o segundo com o CD duplo “Com Todas as Letras” como intérprete junto ao Quarteto Milongamento.

Mauro Moraes foi o grande vencedor da “31ª Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana” com a Música “Feito o Carreto”, canção esta que conquistou 7 (sete) premiações.

Foi vencedor da “Tafona da Canção”, em Osório, por 4 (quatro) vezes e da “Moenda da Canção”, em Santo Antônio da Patrulha, por 3 (três) vezes, entre outros.

Participou das filmagens do documentário “Mais Uma Canção” (2013) produzido por Bebeto Alves e também da obra de Tabajara Ruas “Netto, Perde sua Alma” (2001).

No ano de 2014, a gravadora ACIT lançou com exclusividade o CD e DVD “Com o Violão na Garupa” gravado no Theatro Guarany em Pelotas/RS.

Em 2015, com o show “Abrecancha” ao lado dos músicos Éverson Maré, Carlos Madruga e Fabiano Torres, percorreu diversas cidades do estado.

Neste ano de 2016, Mauro Moraes passou a integrar o casting da produtora Catarse Produções Culturais, de Porto Alegre, com o objetivo de levar a sua arte para cada vez mais pessoas.

Dentre os objetivos, estão o lançamento do CD “Abrecancha” em parceria com “Minuano Discos” e o lançamento de novos conteúdos nas redes sociais, de modo que se estabeleça um canal de interatividade direta com o público.

Cantor e compositor uruguaianense premiado em todos os grandes festivais de música. Possui 15 (quinze) CDs gravados por diversos artistas, a partir de sua obra. Vencedor de 6 (seis) troféus “Açorianos de Música”, foi escolhido como “Melhor Compositor” de “Música Regional” por 4 (quatro) vezes: 1999, 2004, 2005 e 2007. E ainda por 2 (duas) vezes “Melhor Disco Regional”.

Discografia:

"Milongueando uns troços"
por Bebeto Alves e José Cláudio Machado
Troféu Açoriano de Música/1993
Categoria: Melhor Intérprete - BEBETO ALVES
Lançamento: USA Discos.
  

"Mandando Lenha"
por Bebeto Alves
Troféu Açoriano de Música/1997
Categoria: Melhor Disco Regional e Melhor Instrumentista (Clóvis “Boca” Freire)
Lançamento: USA Discos.


"Milongamento"
por Bebeto Alves
Troféu Açoriano de Música/1998
Categoria: Melhor Espetáculo
Lançamento: USA Discos.


"Metendo Chamamé"
por Neto Fagundes
Troféu Açoriano de Música/1999
Categoria: Melhor Compositor (Mauro Moraes), Melhor Intérprete (Neto Fagundes)



"Mauro Moraes" em Prosa e Verso (coletânea com vários intérpretes)
Lançamento: Sul Discos.

"De bota e bombacha"
por José Cláudio Machado e Luiz Marenco
Lançamento: Megatchê e USA Discos.


"Com todas as letras" (CD duplo)
por Mauro Moraes e Quarteto Milongamento
Lançamento: Megatchê e USA Discos.


"Cuia e Cambona"
por Mauro Moraes e Quarteto Milongamento
Troféu Açoriano de Música/2004
Categoria: Melhor Compositor (Mauro Moraes)
Lançamento: Megatchê e USA Discos.


"Vivendo a campo"
por Mauro Moraes e Quarteto Milongamento
Troféu Açoriano de Música/2005
Categoria: Melhor Compositor (Mauro Moraes)
Lançamento: Megatchê e USA Discos.


"MANADA"
por Mauro Moraes
Lançamento: Megatchê e USA Discos


"Retrato gauchesco"
por Mauro Moraes
Lançamento: Megatchê e USA Discos


"Fronteira"
por Mauro Moraes
Lançamento: Megatchê e USA Discos


"Só as confirmadas"
por Mauro Moraes e convidados
Lançamento: Megatchê e USA Discos



"Num bolicho da linha melódica"
por Mauro Moraes
Lançamento Megatchê e USA Discos


"Marca de casco"
por João de Almeida Neto e Nelson Cardoso
Lançamento: Megatchê e USA Discos



"Com o violão na garupa" (CD e DVD Gravado ao vivo no Theatro Guarany - Pelotas/RS)
Lançamento: ACIT Discos


"Dos Arreios"
por Mauro Moraes
Projeto de uma Parceria entre a Catarse Produtora e a nossa parceira Minuano Discos



Todas as imagens foram coletadas da internet, e nesta como nas demais seções aceitamos sugestões para melhoramos ainda mais a divulgação dos artistas do nativismo.

Confira que já passou pelo blog:

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Biografia Gaúcha - Pirisca Grecco

Buenas gauchada amiga desse entrevero virtual, hoje demos uma volteada pela biografia de Pirisca Grecco, um gaudério nascido em Uruguaiana que há muitos anos vem trazendo uma roupagem nova a nossa música nativista e juntamente com a sua Comparsa Elétrica (banda), leva nossa cultura carregada de sotaque castelhano, para o resto do mundo.

Como citado acima, nasceu em Uruguaiana no dia 30 de novembro de 1971, em 2000 levou sua música pela primeira vez a um palco de festival, a Coxilha Nativista de Cruz Alta, desde então não parou mais de abocanhar premiações, dentre elas 3 Calhandras de Ouro da Califórnia da Canção de Uruguaiana, um dos maiores e mais importantes festivais do Rio Grande do Sul e 5 Prêmios do Festival Açoriano de Música.

As vezes criticado por sua autenticidade, porém, muito respeitado e admirado no mundo nativista, Pirisca traz uma roupagem moderna sem perder a verdadeira essência gaúcha, faz questão de sempre lembrar que é cria de Uruguaiana e cria do Rio Grande, faz a música com o coração, pois é sua paixão. Seu talento e sua simpatia já contribuiu muito aos nosso ouvidos com grandes parcerias, com os maiores nomes nativistas.

Sempre acompanhado de sua banda a "Comparsa Elétrica", ele foi o Pioneiro no projeto do filme, gravado com recursos do financiamento coletivo, que foi uma novidade no ramo nativista e um grande sucesso. Formada por Paulinho Goulart (acordeon), Texo Cabral (flauta), Rafa Bisogno (bateria) e Duca Duarte (contrabaixo), a Comparsa Elétrica já acompanha Pirisca Grecco há mais dez anos. A mescla entre o tradicional e o contemporâneo está marcada na identidade da banda. Foi ao lado da Comparsa que Pirisca alcançou a maturidade artística de seu trabalho.

Confira abaixo a discografia de Pirisca Grecco:

O que sou e o que pareço (2001, independente)


Compasso Taipero (2003, MídiaBrasil/VirtualMusix)
Vencedor do Troféu Açorianos Melhor Álbum Regional


Muchas Gracias (2005, USA Discos)
Indicado ao Troféu Açorianos Melhor Álbum Regional


Bem de Bem (2006, USA Discos)
Vencedor do Troféu Açorianos Melhor Álbum Regional
Vencedor do Troféu Açorianos Melhor Intérprete Regional



Comparsa Eletrica (2009, USA Discos)
Vencedor do Troféu Açorianos Melhor Álbum Regional
Vencedor do Troféu Açorianos Melhor Intérprete Regional


Clube a Esquila (2011, USA Discos)
Indicado ao Troféu Açorianos Melhor Intérprete Regional


Vidro dos Olhos (2014, LUNA)
Indicado ao Troféu Açorianos Melhor Intérprete MPB

Comparsa Elétrica - O Filme
CD e DVD (2016)

Fonte: www.Minuanodiscos.com.br
          pirisca.wordpress.com

Acesse as outras Biografias Gaúchas de:

César Passarinho
Luiz Marenco
Jairo Lambari Fernandes
Mauro Moraes

sábado, 21 de maio de 2016

Biografia Gaúcha - Jairo Lambari Fernandes

Buenas gauchada que acompanha o xucrismo do Rio Grande na internet, o blog Entrevero Xucro traz a terceira edição da Biografia Gaúcha com Jairo Lambari Fernandes.

Nascido em 13/07/1967 em Cacequi, Jairo Alvino Fernandes é cantor, compositor e violonista e uma das maiores vozes da música do Rio Grande e a voz romântica do nativismo gaúcho.
Filho de Adão Alvino Kupper e Francisca Palmeira Fernandes, carrega o apelido de Lambari que recebeu ainda guri, em Cacequi onde passou sua infância. Ainda em Cacequi, foi peão de estância e guasqueiro, na granja Santa Terezinha onde foi descoberto por Joarez Fialho, este que o apresentou à Jaime Brum Carlos, o responsável por levar Jairo ao seu primeiro festival nativista em meados dos anos 90.

Lambari começou compondo e como não era conhecido, encontrou dificuldades para que algum músico interpretasse sua música e acabou subindo ao palco para defender sua própria composição e desde, então, não parou mais de cantar e conquistar prêmios nos festivais Rio Grande afora.

Entre várias conquistas estão o Ponche Verde de Dom Pedrito (12º, 13º e 14° e 15° como melhor música e interprete), 1° lugar (Minuano da canção, Sapecada e tema livre da 20ª Califórnia) e tem como sua grande conquista o Troféu Revelação do Açorianos 2001.

Apesar de várias influências musicais tanto na música regional como na nacional tem como ídolo Jayme Caetano Braun, o eterno Payador, e com isso trazendo um estilo único para suas composições, nas quais se destacam "Romance de Flor e Luna", "No Rastro da Gadaria", "Cena de Campo", "Morena" e "Por bendizer-te". 
São 3 cd's na carreira: “De Flor e Luna”, “Buena Vida” e “Cena de Campo” , onde fica estampada sua estirpe do romantismo e do homem rural, tendo como destaque parcerias com Padre Fábio de Melo e Sérgio Reis.

A simplicidade é sua marca e seu conhecimento se destaca, vendo entrevistas que concedeu anteriormente deixa claro sua paixão pela música e sua vontade de levar o seu canto e o canto regional ao resto do mundo.




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CD Vida Buena

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CD Flor e Luna

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CD Cena de Campo
Veja também:
Fonte:
http://bahstidores.blogspot.com

http://www.jairolambarifernandes.com.br

http://galpaopatriaepoesia.blogspot.com.br