sábado, 28 de março de 2026

A erva-mate gaúcha que conquistou a Argentina: do Vale do Taquari ao vestiário de Messi

Baldo, de Encantado, é a nova fornecedora oficial da Seleção Argentina — e a história por trás disso é mais gaúcha do que parece

A Associação de Futebol Argentino (AFA) anunciou nesta semana uma parceria que orgulha o Rio Grande do Sul: a ervateira Baldo, com sede em Encantado, no Vale do Taquari, passa a ser a fornecedora oficial de erva-mate para os jogadores e a comissão técnica da atual campeã mundial. A marca gaúcha acompanhará a seleção de Messi na preparação e durante a disputa da Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

Mas quem conhece a história da Baldo sabe que isso não é uma surpresa — é a chegada de um reconhecimento que já deveria ter vindo faz tempo.

Uma família, um Vale e mais de um século de erva-mate

A história da Baldo começa em 1920, no interior de Vespasiano Corrêa — então distrito de Guaporé, no Vale do Taquari. Os irmãos João, Antônio e Luiz Baldo, filhos de imigrantes italianos, montaram uma pequena fábrica artesanal de erva-mate. Não havia tecnologia sofisticada, não havia mercado garantido — havia conhecimento de quem cresceu olhando para os ervais e entendendo o produto como quem entende a própria terra.

Décadas depois, na figura do empresário Arlindo Plácido Baldo — filho de João, caçula de 11 irmãos, presidente da empresa por décadas —, a Baldo deu o salto definitivo. Na década de 1970, a sede foi transferida para Encantado, onde está até hoje. A empresa se expandiu para Santa Catarina e Paraná, abriu filiais, e se tornou a maior exportadora de erva-mate do Brasil.

São mais de 500 colaboradores diretos, quatro fábricas no Brasil e um número que impressiona: 

Encantado exportou em 2024 cerca de US$ 51,8 milhões — a erva-mate representa 65% do total das exportações do município.

"Desde jovem entendi o processo da erva-mate — é um know-how nosso de décadas." — Arlindo Plácido Baldo, presidente da Baldo S.A.

O segredo que poucos sabem: Canarias é gaúcha

Aqui mora o detalhe mais curioso — e mais gaúcho — de toda essa história. A erva-mate Canarias, marca líder absoluta no Uruguai, é controlada pela Baldo desde 1998. A empresa do Vale do Taquari detém o controle acionário da marca uruguaia e processa a maior parte da erva em Encantado.

Os números são impressionantes: dos 30 milhões de quilos de erva-mate que o Uruguai consome por ano, a Baldo fornece 20 milhões — dois terços de tudo que o país toma. A Canarias representa mais de 60% do consumo de mate em todo o Uruguai.

E tem mais: na Copa do Mundo do Qatar, em 2022, a seleção argentina já levou erva Canarias na bagagem — o que gerou polêmica entre os próprios argentinos, indignados por seus jogadores tomarem mate de uma marca uruguaia. A AFA chegou a emitir nota explicativa. O que ninguém sabia — ou fingia não saber — era que aquela erva era processada em Encantado, Rio Grande do Sul.

Agora, em 2026, a AFA oficializou o que já era realidade nos bastidores — mas desta vez com a marca gaúcha estampada no contrato.

No Qatar, os argentinos já tomavam erva gaúcha — só não sabiam. Agora sabem, e assinaram contrato.

O que a AFA disse ao anunciar a parceria

Em comunicado oficial, a AFA destacou que a presença da Baldo no mercado argentino — iniciada formalmente em 2024 — influenciou os hábitos de consumo no país. Segundo a entidade, o produto ganhou espaço de forma orgânica entre os atletas do futebol local e também entre jogadores que atuam nas principais ligas da Europa.

A adoção foi espontânea — esse foi o termo usado pela AFA. Em outras palavras: antes de qualquer contrato, os jogadores já escolhiam a Baldo. A parceria oficial veio confirmar o que o paladar já tinha decidido.

Copa 2026: a erva-mate gaúcha vai aos três países

A Copa do Mundo de 2026 será realizada em três países — Estados Unidos, México e Canadá — com início marcado para junho. A Argentina, bicampeã mundial (1978, 1986) e atual tricampeã (2022), vai em busca do quarto título com Messi à frente do grupo.

Com a parceria anunciada, a erva Baldo será o mate oficial dos treinos, das concentrações e das viagens da delegação argentina. Em cada roda de chimarrão que os jogadores fizerem nos vestiários dos estádios americanos, mexicanos e canadenses, haverá erva processada no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, Brasil.

O que isso significa para o RS — e para a cultura gaúcha

Para além do negócio em si, essa parceria tem um significado cultural que o Entrevero Xucro não poderia deixar de sublinhar. O mate — esse ritual que os guaranis ensinaram ao mundo, que os jesuítas espalharam, que os gaúchos adotaram como identidade — vai ao maior evento esportivo do planeta estampando um nome do Rio Grande do Sul.

O Vale do Taquari, que desde 1850 já era o primeiro polo produtor de erva-mate do RS, que atravessou crises e concorrências e reinventou a indústria ervateira com tecnologia e qualidade, chega agora ao topo da vitrine global.

E para quem ainda precisa de um argumento: a erva-mate é a única planta com cafeína nativa das Américas. Nasceu aqui. Foi cultivada aqui. Virou produto aqui. Faz sentido que o mundo a tome com uma etiqueta gaúcha.

A erva-mate nasceu nas Américas, foi cultivada no pampa e agora vai à Copa do Mundo com um nome do Vale do Taquari. Isso se chama: orgulho gaúcho.

Tu conhecias a história da Baldo?

Deixa nos comentários. E se quiseres saber mais sobre a história do chimarrão no Rio Grande do Sul — origem guarani, tradições regionais e o jeito de cada rincão do estado de tomar o seu mate — lê os nossos posts sobre o tema aqui no Entrevero Xucro.



quinta-feira, 26 de março de 2026

Biografia Gaúcha - Gildo de Freitas

Considerado o Rei dos Trovadores, Gildo de Freitas é o homem que fez o Rio Grande todo cantar de improviso

O guri do Passo d'Areia que aprendeu gaita escondido

Leovegildo José de Freitas nasceu em 19 de junho de 1919, no bairro Passo d'Areia, em Porto Alegre. Muita gente ainda confunde e diz que Gildo era de Alegrete — mas não. Ele nasceu na capital gaúcha e mais tarde recebeu o título de Cidadão Alegretense, cidade onde passou longos períodos e pela qual nutria profundo carinho.

Filho de Vergílio José de Freitas e Georgina de Freitas, Gildo teve quatro irmãos — Juvenal, Alfredo, João e Manuel — e quatro irmãs. Frequentou a escola por apenas seis meses, tendo a professora Dona Paulina como única mestra formal. O restante da educação veio da rua, da vida e das rodas de trova.

A gaita entrou na vida de Gildo pelos fundos — literalmente. Era o instrumento do irmão Alfredo, tocado às escondidas em casa enquanto o dono não estava. Vendo amigos do pai tocarem nas canchas de carreiramento onde ia cuidar de cavalos, aprendeu de ouvido e de olho, sem professor, sem método. Quando comprou a sua própria gaita de oito baixos, já tinha vinte anos — e já era quase imbatível nos versos.

"De longe, Gildo era o mais esperto." — relato de quem conheceu a família Freitas

A vida brava: fugas, prisões e a trova como salvação

A vida de Gildo de Freitas não foi fácil — e ele nunca fingiu que foi. Aos 12 anos fugiu de casa pela primeira vez. Aos 18 já animava bailes pela região metropolitana de Porto Alegre, quando não estava em confusão com a polícia. Em 1937, considerado desertor por não se apresentar à convocação militar, se envolveu numa briga séria onde um amigo perdeu a vida — e passou a nutrir um ódio profundo pelas autoridades que o perseguiam.

Em 1941, o casamento com Dona Carminha trouxe alguma estabilidade. Passaram a morar no bairro de Niterói, em Canoas, na Grande Porto Alegre. Mas os contratempos com a polícia continuaram, e Gildo seguia viajando, trovando, desaparecendo e reaparecendo.

Em 1949, já famoso em todo o Rio Grande do Sul, desapareceu de casa e chegou a ser dado como morto na capital. Reapareceu meses depois na fronteira gaúcha — em Alegrete, com problema de paralisia nas pernas, mal conseguindo caminhar, mas com a garganta e a mente em plena forma. Numa comemoração de eleição em Alegrete, foi carregado numa cadeira para se apresentar porque as pernas não sustentavam — mas os versos saíram perfeitos.

1950: Getúlio Vargas e o fim das perseguições

Em 1950, em São Borja, Gildo conheceu Getúlio Vargas e entrou em sua campanha política. O encontro com o presidente mudou o rumo da vida do trovador: as perseguições policiais cessaram. Gildo fez sua primeira viagem ao Rio de Janeiro e começou a sentir o gosto de um Brasil maior do que o Rio Grande.

Entre 1953 e 1954, conquistou fama definitiva como trovador nos programas de rádio ao vivo em Porto Alegre, voltando a morar com a família no Passo d'Areia. Era o começo da lenda.

1955: o encontro com Teixeirinha — parceria, rivalidade e amizade

Em 1955, Gildo de Freitas conheceu Vitor Mateus Teixeira — o Teixeirinha. O encontro entre os dois maiores nomes da música gauchesca foi imediato em identificação. Juntos, passaram a viajar pelo estado, enchendo galpões e praças com uma combinação irresistível: Teixeirinha no violão e Gildo na gaita, dois trovadores capazes de ficar horas no palco sem repetir um verso.

Entre 1956 e 1960, Gildo se tornou a maior atração do programa de rádio Grande Rodeio Coringa, que ia ao ar aos domingos à noite — o programa de entretenimento mais popular do estado. As viagens com Teixeirinha se multiplicavam, e a dupla era tratada como realeza onde quer que chegasse.

A parceria formal terminou em 1959 — mas os dois continuaram se encontrando, cantando juntos e, a partir de 1965, travando a famosa disputa pelos discos: músicas que provocavam, respostas que arrancavam gargalhadas, um duelo de versos que o público adorava e que ambos usavam como ferramenta de marketing . Nos bastidores, a relação era de admiração e amizade genuínas. Como o apresentador Nico Fagundes costumava dizer: nesses desafios, os dois poderiam ficar horas trovando e mesmo assim não se teria um vencedor.

"A rivalidade foi feita em brincadeira — a amizade era de verdade." — memória dos que conviveram com os dois

1963: os discos, o sucesso nacional e a saúde que insistia em falhar

Com o declínio dos programas de rádio ao vivo e a chegada da televisão, Gildo tomou uma decisão surpreendente em 1961: largou a cantoria e foi criar porcos. Mas o destino tinha outros planos. Em 1963, o Teixeirinha gravou uma música de autoria de Gildo — e o nome do trovador voltou à mídia. Em 1963, Gildo viajou a São Paulo para gravar o primeiro disco.

A partir de 1965, o sucesso explodiu no Rio Grande do Sul. Na década de 1970, Gildo já fazia apresentações em todos os estados brasileiros — levando a cultura gaúcha para plateias que nunca tinham visto um trovador de verdade. Em meados de 1964, foi convocado a prestar depoimento sobre suas ligações com o trabalhismo — episódio delicado, num Brasil que vivia sob a ditadura militar.

Em 1977 e 1978, inaugurou em Viamão a Churrascaria Gildo de Freitas, onde também promovia bailões e o famoso Rodeio Gildo de Freitas — onde os peões tinham que provar que eram bons para ficar em cima dos cavalos mais velhacos, como o próprio Gildo exigia.

A saúde, porém, sempre foi um capítulo à parte. Problemas nas pernas e nos pulmões o hospitalizavam com frequência ao longo de toda a carreira. Nos anos 70, as internações se multiplicaram. No disco de 1979, já andava muito doente — por isso trocou a gaita pesada pelo violão mais leve. Mas a voz seguia firme.

Novembro de 1982: a última apresentação — e 4 de dezembro

Em novembro de 1982, Antonio Augusto Fagundes e Ivan Trilha levaram Gildo aos estúdios da RBS TV para uma última aparição pública no Galpão Crioulo. Além do apresentador Nico Fagundes, estavam no palco as gauchinhas missioneiras e Os Serranos. Gildo cantou com a saúde já muito debilitada — mas cantou com o coração na voz, dando o máximo de si em respeito à arte e ao público.

Em 4 de dezembro de 1982, Leovegildo José de Freitas morreu em Porto Alegre, aos 63 anos. O Rei dos Trovadores se foi — mas deixou uma coincidência que parece tirada de uma de suas próprias canções: exatamente três anos depois, em 4 de dezembro de 1985, morreu Teixeirinha. O mesmo dia. A mesma data. Como se o destino quisesse que os dois chegassem juntos à eternidade, assim como tinham chegado juntos aos palcos.

Em homenagem aos dois, a Lei Estadual 8.814/89 instituiu o dia 4 de dezembro como Dia Estadual do Artista Regionalista e Poeta Repentista Gaúcho no Rio Grande do Sul.

"Em novembro cantou pela última vez. Em dezembro, o Rio Grande ficou mais silencioso."

Discografia

Gildo de Freitas gravou 17 LPs entre 1964 e 1982, todos pela Continental e pela Chantecler/Sertanejo — uma das discografias mais extensas da música gauchesca.

1964 - Gildo de Freitas — O Trovador dos Pampas. 1º LP. Clássicos: Acordeona, Baile do Chico Torto, História dos Passarinhos.

1965 - O Trovador dos Pampas — Vida de Camponês. 2º LP. Primeira provocação a Teixeirinha: Baile de Respeito.

1966 - Desafio do Padre e o Trovador. 3º LP. Com o Padre Rubens Pillar. Inclui Definição do Grito.

1968 Gildo de Freitas e Sua Caravana 4º LP. Continua as provocações a Teixeirinha.

1969 De Estância em Estância 5º LP. Inclui Resposta da Milonga, provocação a Milonga da Fronteira.

1970 Gildo de Freitas e Zezinho e Julieta 6º LP. Parceria com dupla caipira.

1970 Rei do Improviso 7º LP. Um dos mais conhecidos. Consolida o título.

1972 Desafio do Paulista e o Gaúcho 8º LP. Desafio interestadual com trovador paulista.

1975 Gildo de Freitas e Seus Convidados 9º LP. Participações especiais.

1975 O Ídolo 10º LP. Coletânea de grandes sucessos.

1976 Gauchada de Sul a Norte 11º LP. Registra a abrangência nacional do artista.

1979 Eu Não Sou Convencido 12º LP. Já no violão — saúde debilitada impede a gaita pesada.

1980 Mais Sucessos 13º LP. Lançado pela Chantecler/Sertanejo.

1981 O Rei dos Trovadores 14º LP. Penúltimo disco em vida. Última provocação ainda acesa.

1982 Figueira Amiga 15º LP. Último disco em vida. Gravado pela Continental. Última aparição nos estúdios.

1984 Lembrando Gildo de Freitas Coletânea póstuma. Lançada dois anos após a morte.

s/d 20 Anos de Glória Compilação comemorativa lançada postumamente.

Principais canções

Prazer de Gaúcho

Velho Casarão

Eu Reconheço que Sou Grosso

Acordeona

História dos Passarinhos

Baile do Chico Torto

Figueira Amiga

Baile de Respeito

Definição do Grito

Resposta da Milonga

Brasil de Bombachas

Gaúchos do Litoral

O legado do Rei — uma trova que o tempo não apaga

Gildo de Freitas construiu sua fama a partir da trova — uma das manifestações folclóricas mais antigas do Rio Grande do Sul. E ao fazê-lo, criou um estilo próprio, consagrado na tradicional afinação Mi Maior de Gavetão, em versos de sextilhas, que até hoje é referência para trovadores de todo o estado.

Sem exagero, pode-se dizer que grande parte da atual música gauchesca tem um pouco — ou muito — de Gildo de Freitas. Sua influência se estende por gerações de compositores, intérpretes e grupos que aprenderam com ele que a trova não é apenas entretenimento: é memória viva de um povo.

O CTG Gildo de Freitas, em Porto Alegre, leva seu nome. O Parque Arroz com Leite, em Viamão, onde a família realizou as comemorações do centenário em 2019, é um dos pontos de encontro dos fãs. E toda vez que um trovador gaúcho improvisa um verso em cima de um palco, Leovegildo está lá — invisível, mas presente, sorrindo daquele jeito irreverente que era só dele.

"Ele fazia verso sobre tudo que vinha em sua mente — e o que vinha era sempre ouro." — memória de quem o viu trovar

Qual é a tua música favorita do Rei dos Trovadores?

Deixa nos comentários — e se tens uma história, uma memória ou uma anedota do Gildo de Freitas, conta para nós. A trova é feita para ser compartilhada. Assim como ele fazia, de palco em palco, de bolicho em bolicho, de fronteira em fronteira.

Também publicamos aqui no Entrevero Xucro o post Teixeirinha e Gildo de Freitas: Uma Amizade que Atravessou a Lenda da Rivalidade — que conta a história dos dois juntos, incluindo a coincidência do 4 de dezembro.

Confira abaixo as vendas Amazon de material do Gildo de Freitas:





terça-feira, 24 de março de 2026

O Chimarrão de Cada Região do RS Não existe um único jeito de tomar mate

Aqui no Entrevero Xucro já falamos sobre a história e a tradição do chimarrão — a origem guarani, os jesuítas, os 10 mandamentos do mate e a legislação que reconhece sua importância cultural (se não leu, confere o post Chimarrão: Tradição,História e Cultura Gaúcha). Mas tem um detalhe que pouca gente para pra pensar: o chimarrão não é igual em todo o Rio Grande do Sul.

A erva muda. A cuia muda. A temperatura muda. O ritual muda. E é exatamente essa diversidade — esse entrevero de jeitos de tomar mate — que faz do chimarrão um espelho perfeito da identidade gaúcha: uma só tradição, mil formas de vivê-la.

"Ofertar o mate é abrir a porta de casa sem precisar abri-la."

Por que o chimarrão varia tanto pelo estado?

O Rio Grande do Sul é um estado de contrastes imensos. A fronteira com o Uruguai e a Argentina ao sul e ao oeste trouxe influências platinas. A colonização alemã e italiana ao norte e na serra criou outros hábitos. As Missões, com a herança guarani, têm sua própria relação com a erva-mate. E o litoral, com o chimarrão tomado de frente para o mar, tem um jeito todo seu de encarar a cuia.

Além da cultura, influenciam também: o clima (no frio serrano a água vai mais quente), o acesso a determinadas marcas e tipos de erva, e as tradições familiares passadas de geração em geração. Nenhum jeito é mais certo que o outro — cada um é legítimo dentro da sua cultura.

O mate de cada rincão do RS

Campanha — o mate da fronteira

Erva preferida: Erva grossa, peneirada, com pouco pó

 Cuia: Cuia grande, de porongo, bem curada

O ritual: Na Campanha, terra de estância e horizonte largo, o chimarrão é parceiro de trabalho. Toma-se no campo, no lombo do cavalo ou à sombra do galpão. A roda é silenciosa — cada um sabe a hora de passar a cuia, sem pressa, sem conversa desnecessária. É o mate contemplativo, companheiro do homem que trabalha sozinho com o pensamento.

 
O sabor: A influência uruguaia aparece aqui: erva mais grossa, menos pó, água um pouco menos quente que no restante do estado. O sabor é mais suave, levemente adocicado pelo tipo de processamento da erva da fronteira.

Missões — o mate da herança guarani

Erva preferida: Erva nativa, às vezes misturada com ervas da mata

 Cuia: Cuia de porongo pequena, ou cuia de madeira

O ritual: No noroeste do estado, onde as ruínas jesuítico-guaranis marcam a paisagem, o chimarrão carrega a memória de um povo. Os guaranis já consumiam a erva-mate antes dos europeus chegarem — e essa história viva se sente em cada roda de mate nas Missões. Toma-se devagar, com respeito ao silêncio e à história.

 O sabor: A erva da região de Santo Ângelo, Ijuí e arredores tende a ser mais verde e fresca, com notas herbáceas pronunciadas. O sabor é mais intenso, com um amargor limpo que os mateiros do noroeste apreciam sem adições.

Serra Gaúcha — o mate do frio

Erva preferida: Erva com bastante pó, bem moída

Cuia: Cuia menor, de porongo ou sintética, muito bem vedada

O ritual: Na Serra, onde o inverno morde de verdade e a neblina cobre as vinhas de manhã cedo, o chimarrão é quase medicinal — é o que aquece o corpo antes do trabalho na lavoura. A influência italiana e alemã criou um jeito mais prático de tomar mate: sem muita cerimônia, mas sem abrir mão da qualidade.

 O sabor: Água bem quente — mas nunca fervendo — e erva bem moída, com bastante pó. O resultado é um mate mais encorpado, espesso, de sabor pronunciado e cor bem verde. É o chimarrão que sustenta até o almoço.

 Litoral — o mate da praia

Erva preferida: Erva mais leve, às vezes com ervas aromáticas

 Cuia: Cuia de porongo, garrafa térmica sempre do lado

O ritual: Quem nunca viu alguém tomando chimarrão na beira da praia das Dunas, do Cassino ou da Praia do Rosa nunca entendeu a extensão do hábito gaúcho. No litoral, o mate vai junto para tudo — para a pescaria de madrugada, para a caminhada na areia, para a tarde de sol. A garrafa térmica é companheira inseparável.

 O sabor: A erva do litoral tende a ser mais suave, às vezes com misturas de hortelã ou erva-cidreira — uma influência da proximidade com Santa Catarina e do jeito mais despretensioso de consumir. O mate é bebido sem cerimônia, mas com muito afeto.

Planalto e Alto Uruguai — o mate da colônia

Erva preferida: Erva média, com equilíbrio de pó e folha

 Cuia: Cuia de porongo média, bem curada com banha ou óleo

O ritual: Na região de Passo Fundo, Erechim e ao longo do Alto Uruguai — terra de colonização italiana, alemã e cabocla —, o mate é o centro da vida social. É na roda de chimarrão que se fecha negócio, que se resolve questão de família, que se conta a novidade da vizinhança. A cuia não para de circular.

 O sabor: O planalto gaúcho tem uma das maiores concentrações de produtores de erva-mate do estado, e isso aparece no copo: a erva é fresca, bem processada, com um equilíbrio entre amargor e dulçor que agrada desde o mateiro de primeira viagem até o mais exigente.

A temperatura da água — o segredo que pouca gente fala

Muito se fala da erva, da cuia e da bomba. Mas o grande segredo de um bom chimarrão está na água — e a temperatura ideal varia não só por gosto pessoal, mas pela região e pelo tipo de erva.

Muito quente: Acima de 85°C - Queima a erva, amarga demais, perde aromas finos — o chamado chimarrão "lavado"

Ideal — clássico: 70°C a 80°C - Extrai os melhores compostos da erva, sabor equilibrado, boa durabilidade da cuia

Morno: 55°C a 70°C - Sabor mais suave, menos amargo — preferido por quem está começando ou tem o estômago sensível

Tererê (frio): Temperatura ambiente - Mate frio com água ou suco — tradição no Mato Grosso do Sul, mas ganhando espaço no RS no verão

A cuia — mais do que um recipiente, um objeto de cultura

A cuia de porongo é um patrimônio em si. Feita do fruto da cuieira (Lagenaria siceraria), ela precisa ser curada antes de usar — um ritual que os mais velhos levam muito a sério e que os jovens estão redescobrindo.

Como curar uma cuia nova:

         Enche a cuia com erva-mate usada e úmida até a borda

         Deixa descansar por 24 horas

         Esvazia, raspa levemente o interior com a bomba e repete o processo por mais 2 a 3 dias

         Só então a cuia está pronta — impermeabilizada pela própria erva e com o sabor equilibrado

Hoje existem cuias de silicone, de vidro, de inox, de bambu e de madeira — cada uma com seus defensores. Mas para o mateiro de raiz, nada substitui o porongo bem curado, aquecido pelas mãos e pelo tempo.

A erva — o coração do mate e as diferenças entre marcas

O Rio Grande do Sul tem uma relação apaixonada com a erva-mate. O estado é o segundo maior produtor brasileiro, com destaque para as regiões do Alto Uruguai e do Planalto. Mas a erva que vai na cuia gaúcha vem de vários lugares — e as diferenças são reais.

Erva jovem vs. erva envelhecida:

         Erva jovem: mais verde, mais amarga, com sabor pronunciado e bastante espuma. Preferida pelos que gostam de mate forte.

         Erva envelhecida (em balaio por 12 a 24 meses): mais suave, com sabor mais amadeirado e menos amargor. Preferida por quem toma mate durante o dia todo.

Um detalhe que poucos sabem: a erva-mate é parente próxima do azevinho europeu, e a espécie Ilex paraguariensis só cresce naturalmente na Bacia do Prata — o que faz do chimarrão gaúcho um produto genuinamente regional, impossível de ser replicado com a mesma identidade em outro lugar do mundo.

A erva-mate é a única planta com cafeína nativa do continente americano — um presente dos guaranis para o mundo.

O que a ciência diz sobre o chimarrão

Nos últimos anos, pesquisas sobre a erva-mate se multiplicaram e os resultados animam os mateiros. Entre os benefícios estudados e já bem documentados:

         Ação antioxidante: a erva-mate tem concentração de polifenóis comparável ao chá verde

         Estímulo suave: a combinação de cafeína e teobromina da erva dá energia sem o pico e a queda do café

         Efeito termogênico: auxilia no metabolismo — estudado para uso em suplementos esportivos

         Saúde cardiovascular: estudos indicam redução do colesterol LDL com consumo regular moderado

         Atenção: o consumo em temperatura muito alta (acima de 65°C de forma contínua) é associado a risco aumentado de câncer de esôfago — deixa a água esfriar um pouco antes de tomar

Qual é o teu mate?

De que região és? Como é o teu chimarrão — erva grossa ou fina, cuia grande ou pequena, água bem quente ou morna? Conta nos comentários. Porque o chimarrão não é uma bebida — é uma conversa que nunca termina.

E se quiseres saber mais sobre a história completa do chimarrão — origem guarani, os jesuítas, os 10 mandamentos do mate e a legislação — lê o nosso post Chimarrão: Tradição, História e Cultura Gaúcha, publicado em abril de 2025 aqui no Entrevero Xucro.

Abaixo, temos uma variedade de sugestões de artigos gaúchos para o mate na Amazon, confira algumas, inclusive as contestadas cuias stanley, o que tu acha disso? só clicar no produto que tu és direcionado para a Amazon.


Kit mate

A tal cuia stanley

                    


Uruguaia

sábado, 21 de março de 2026

Por que o estatuto do teu CTG pode estar te prejudicando sem tu saber

Puxa o mate e vem comigo nessa charla.

Tu chegas no galpão, a invernada está ensaiando, o cheiro de churrasco já tomou conta do ar, o salão está cheio de gente boa. O CTG está vivo. Está de pé. Está cumprindo seu papel.

Mas lá na gaveta — ou numa pasta empoeirada no armário da secretaria — tem um documento que ninguém abre há anos. Um documento que pode estar, silenciosamente, colocando tudo isso em risco.

O estatuto social do teu CTG.

O que é o estatuto e por que ele importa tanto?

O estatuto é a lei interna do CTG. É ele que define quem manda, como se decide, quem pode ser sócio, como se faz uma eleição, o que acontece com o patrimônio se a entidade fechar.

Sem um estatuto atualizado e bem feito, o CTG fica vulnerável. Não de um jeito visível, como uma goteira no telhado. De um jeito silencioso — que só aparece quando a crise já chegou.

E aí já é tarde.

Os sinais de que o estatuto do teu CTG está desatualizado

Responde com honestidade: Quando foi a última vez que o estatuto foi atualizado e registrado em cartório?

Se a resposta for "mais de 5 anos atrás" — ou pior, "não sei" — é quase certo que tem coisa errada ali.

Veja os problemas mais comuns que encontro nos CTGs da nossa região:

1. O Patrão não tem prazo de mandato definido

É mais comum do que parece. O estatuto diz algo vago como "o Patrão exercerá o cargo enquanto contar com a confiança da assembleia" — sem prazo fixo, sem regra clara de renovação.

O resultado? O CTG vira refém de uma pessoa. Quando ela vai embora — por doença, desentendimento ou cansaço — ninguém sabe como assumir. A entidade trava.

2. O Conselho Fiscal não existe ou não tem função definida

O Conselho Fiscal é o órgão que fiscaliza as finanças do CTG de forma independente da diretoria. É obrigatório por lei para associações.

Mas em muitos estatutos, ele aparece apenas no papel — sem composição definida, sem prazo de reunião, sem obrigação de emitir parecer. Na prática, não existe.

Isso significa que ninguém fiscaliza as contas de forma independente. Qualquer desvio, intencional ou não, pode passar despercebido por anos.

3. As regras de assembleia não cabem mais na realidade

Estatutos antigos exigem convocação por edital no jornal local, reunião presencial com quórum de dois terços dos sócios, votação apenas por voto físico. Tenta reunir dois terços dos sócios de um CTG grande numa quinta-feira à noite. Boa sorte.

O resultado prático: assembleias que não atingem quórum, decisões tomadas informalmente, aprovações que não têm validade jurídica.

4. Nenhuma menção à LGPD

A Lei Geral de Proteção de Dados existe desde 2020. Todo CTG que coleta nome, CPF, endereço e dados de sócios está obrigado a cumpri-la.

Um estatuto de 2012 obviamente não menciona isso. E aí o CTG opera em irregularidade sem saber — com risco de multa e de processos por parte de sócios.

5. A cláusula de dissolução está errada ou ausente

A lei exige que o estatuto defina o que acontece com o patrimônio do CTG em caso de dissolução. Muitos estatutos antigos não têm isso — ou têm de forma incorreta.

Isso pode inviabilizar o registro de alterações no cartório, bloquear financiamentos e até impedir que o CTG participe de editais públicos.

"Mas o nosso CTG funciona bem assim há anos..."

Eu sei. E é exatamente por isso que o problema é traiçoeiro.

O estatuto ruim não atrapalha o dia a dia. O churrasco acontece, os ensaios seguem, os eventos lotam. A vida do CTG continua.

Ele atrapalha nos momentos de crise:

Quando dois grupos disputam a direção e não há regra clara de desempate

Quando um Patrão morre ou adoece e ninguém sabe legalmente quem assume

Quando alguém questiona uma decisão financeira e não há registro formal de aprovação

Quando o CTG tenta abrir conta bancária nova e o banco exige documentos atualizados

Quando chega uma oportunidade de financiamento e a entidade está irregular

Nessas horas, o estatuto empoeirado vira um problema enorme — e às vezes irreversível.

Por onde começar

A boa notícia é que atualizar o estatuto não precisa ser um bicho de sete cabeças. Com o apoio certo, dá pra fazer em dois a três meses, de forma participativa, sem traumatizar a diretoria.

O caminho básico é:

1. Localizar o estatuto atual e verificar a data do último registro em cartório

2. Comparar com a legislação vigente — especialmente o Código Civil (artigos 53 a 61) e as resoluções da MTG

3. Identificar os pontos que precisam de atualização

4. Elaborar a minuta do novo estatuto com apoio jurídico

5. Convocar Assembleia Geral Extraordinária para aprovação

6. Registrar em cartório

Simples na teoria — mas é onde a maioria dos CTGs trava, porque ninguém na diretoria tem tempo, conhecimento ou energia pra conduzir esse processo sozinho.

Uma pergunta pra ti

Quando foi a última vez que alguém da tua diretoria abriu o estatuto do CTG pra ler?

Se a resposta te deixou desconfortável, é um bom sinal. Significa que tu já sabes por onde começar.

Nos próximos meses vou trazer mais conteúdo sobre gestão prática para CTGs — finanças, eventos, captação de sócios — sempre com respeito pela tradição e pela realidade de quem vive o galpão de dentro.

Se esse assunto mexeu contigo, compartilha com o Patrão ou o Capataz do teu CTG. Pode ser que eles precisem ler isso hoje.


Até o próximo chimarrão.

Escrito por Rodrigo Silva — gestor público, especialista em gestão de manutenção industrial e apaixonado pela cultura gaúcha. Ajudo CTGs a ficarem mais fortes por dentro para durarem muito mais por fora.

terça-feira, 17 de março de 2026

Agenda cultural - Festivais nativistas de março e abril

2026 é um ano histórico para a música gaúcha. São mais de 100 festivais nativistas programados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina — o maior calendário dos últimos anos. E ainda tem um motivo especial para quem é das Missões: as celebrações dos 400 Anos das Missões Jesuítico-Guaranis colorem de história e emoção cada palco, cada música, cada premiação. Aqui no Entrevero Xucro, reunimos todos os festivais de março (a partir desta sexta) e abril para tu não perderes nenhum.

MARÇO DE 2026

O festival mais importante do mês — e um dos mais importantes do estado, o 17º Canto Missioneiro da Música Nativa nos dias 26, 27 e 28 de março na Praça Pinheiro Machado (em frente à Catedral Angelopolitana) de Santo Ângelo/RS.

Um dos festivais mais tradicionais e importantes da música missioneira gaúcha, o Canto Missioneiro chega à sua 17ª edição com uma carga simbólica enorme: o troféu principal homenageia Cenair Maicá, e toda a programação integra as celebrações dos 400 Anos das Missões Jesuítico-Guaranis. O festival acontece integrado ao Conecta Missões — semana de painéis, feiras, gastronomia e cultura que movimenta Santo Ângelo de 26 a 29 de março.

Programação artística:

Quinta (26/03) — Coral Guarani, Os Bilias e Elerson Louz Gottardo.

Sexta (27/03) — Família Maicá e Os Fagundes.

Sábado (28/03) — Hermanos Guedes.

Categorias premiadas no 17º Canto Missioneiro:

- 1º lugar: R$ 7.000 + Troféu Cenair Maicá

- 2º lugar: R$ 5.000 + Troféu Tio Bilia

- 3º lugar: R$ 4.000 + Troféu Cindinho Medeiros

- Melhor Intérprete, Melhor Letra, Melhor Tema Missioneiro, Melhor Indumentária, Música Mais Popular

Canto Piá Missioneiro (juvenil) — também no dia 21 de março:

- 1º lugar: R$ 700 | 2º lugar: R$ 500 | 3º lugar: R$ 300 — todos com troféu

13ª Vertente da Canção Nativa

De 20 e 21 de março em Piratini/RS

Festival tradicional do sul do estado, na histórica Piratini — a Cidade dos Presidentes. A Vertente reúne composições inéditas com forte apelo lírico e regional, num cenário de muita história gaúcha.

No mesmo fim de semana ocorre a 3ª Vertentinha (21/03), categoria infantojuvenil — uma excelente opção para levar a gurizada.

19º Canto da Lagoa

27, 28 e 29 de março em Encantado/RS

Realizado em Encantado, no Vale do Taquari, o Canto da Lagoa é um festival consolidado no calendário nativista gaúcho, conhecido pela qualidade das composições e pelo ambiente acolhedor que reúne músicos e apreciadores da música regional.

No dia 28 ocorre o Canto da Lagoa Juvenil — incentivo a novos talentos da música nativa.

Dica do Entrevero Xucro: Se fosses escolher apenas um festival em março, vai ao Canto Missioneiro em Santo Ângelo. Em 2026, com a homenagem aos 400 Anos das Missões e o troféu Cenair Maicá, será uma noite histórica para a música gaúcha.


ABRIL DE 2026

Quatro festivais espalhados pelo estado, do extremo sul à fronteira com o Uruguai e de volta ao noroeste missioneiro.

5ª Tropeada da Canção Nativa

3 e 4 de abril em Santana do Livramento/RS

Na fronteira com o Uruguai, em Santana do Livramento — cidade de fronteira seca com Rivera —, a Tropeada da Canção Nativa reúne a música que vem dessa mistura única de culturas: gaúcha, uruguaia, e a herança platina que define o pampa do extremo oeste gaúcho. Um festival jovem, mas com muito futuro.

Fronteira viva: a influência uruguaia e argentina na música da Tropeada é algo único no calendário nativista.

6º Cordeiraço da Canção Nativa

11 de abril em Santa Margarida do Sul/RS

Pequeno município da região das Missões, Santa Margarida do Sul recebe o Cordeiraço — festival que valoriza a música de raiz e a tradição missioneira. No dia seguinte, 12 de abril, ocorre o 3º Cordeiraço Mirim, mostrando o compromisso do evento com as novas gerações.

Em dois dias seguidos: o Cordeiraço (adultos) no sábado 11 e o Cordeiraço Mirim (crianças e jovens) no domingo 12.

19ª Jerra da Canção Nativa

17, 18 e 19 de abril em Santa Vitória do Palmar/RS

No extremo sul do Rio Grande do Sul, quase na fronteira com o Uruguai, Santa Vitória do Palmar recebe a Jerra — um dos festivais mais longevos do calendário nativista do estado. O nome do festival já diz tudo: jerra é o ato de marcar o gado, de imprimir identidade. É exatamente isso que a música gaúcha faz com quem a ouve.

Santa Vitória do Palmar fica próxima à Lagoa Mirim e ao Chuí — um roteiro cultural e de ecoturismo para quem for ao festival.

Querência do Bugio — 16º Aparte

30 de abril a 2 de maio em São Francisco de Assis/RS

Atravessando a virada de abril para maio, o Aparte de São Francisco de Assis é um dos festivais mais queridos do calendário gaúcho. A Querência do Bugio tem nome e personalidade: o bugio, o macaco ruivo dos capões e beiras de arroio gaúcho, é símbolo de uma natureza que resiste — assim como a música nativista.

Festival de virada: começa em abril e encerra em maio — um dos poucos com essa característica no calendário.

Dica do Entrevero Xucro: A Jerra em Santa Vitória do Palmar é uma das experiências mais completas — festival de qualidade no extremo sul do estado, com a paisagem única da Lagoa Mirim como pano de fundo.

Resumo Geral — Todos os Festivais de Março e Abril

 Data | Festival | Cidade/RS | Região |

| 20-21/03 | 13ª Vertente da Canção Nativa | Piratini | Sul |

| 21/03 | 3ª Vertentinha (juvenil) | Piratini | Sul |

| 21/03 | 16º Canto Piá Missioneiro | Santo Ângelo | Missões |

| 26-28/03 | 17º Canto Missioneiro ⭐ | Santo Ângelo | Missões |

| 27-29/03 | 19º Canto da Lagoa | Encantado | Vale do Taquari |

| 28/03 | Canto da Lagoa Juvenil | Encantado | Vale do Taquari |

| 03-04/04 | 5ª Tropeada da Canção Nativa | Santana do Livramento | Fronteira Oeste |

| 11/04 | 6º Cordeiraço da Canção Nativa | Sta. Margarida do Sul | Missões |

| 12/04 | 3º Cordeiraço Mirim | Sta. Margarida do Sul | Missões |

| 17-19/04 | 19ª Jerra da Canção Nativa ⭐ | Santa Vitória do Palmar | Sul |

| 30/04-02/05 | 16º Aparte — Querência do Bugio | São Francisco de Assis | Fronteira Oeste |

Destaque da edição

Vai a algum festival? Conta pra nós!**

Se vais a algum desses festivais, deixa nos comentários — adoramos saber qual é a tua praça nativista preferida. E se tens fotos dos festivais anteriores, compartilha! A memória da música gaúcha se constrói junto.

As informações deste guia foram compiladas a partir da Agenda Nativista 2026 do blog Ronda dos Festivais (Jairo Reis), aqui tu tens além da agenda completa todas as notícias sobre os festivais, do Portal da Tradição e da Secretaria da Cultura do RS. Datas podem sofrer alterações — confirma sempre nos canais oficiais dos festivais antes de viajar.

Sabe de mais informações? Deixa nos comentários:

segunda-feira, 16 de março de 2026

Dicionário Gaudério - Xucro

XUCRO o que e bravio, indomável e autêntico, a essência do pampa gaucho.

Tu sabes o que significa XUCRO?

Adjetivo. No universo gaúcho, xucro é o animal que ainda não foi domado, o potro que nunca sentiu o peso de uma sela, a terneira que foge do laço, o touro que ninguém ainda ousou laçar ou encerrar na mangueira. Mas a palavra vai muito além do campo: virou sinônimo de tudo que é bruto, selvagem, autêntico, sem máscara.

Chamar alguém de xucro no Rio Grande do Sul pode ser um elogio disfarçado. É reconhecer que aquela pessoa tem fibra, que não foi amansada pelo mundo, que guarda em si algo genuíno e difícil de domar. É a marca de quem veio do chão, do vento e da lida.

"Aquele guri é xucro feito potro novo — não obedece ninguém, mas tem coragem de sobra."

A origem da palavra xucro é debatida entre os estudiosos do gaúchês. Uma linha aponta para o tupi-guarani çukuru, que designava animal feroz ou indomável. Outra corrente liga a palavra ao espanhol platino chúcaro, de mesma raiz semântica, muito usado no Uruguai e na Argentina para o animal não domado.

O certo é que a palavra chegou ao pampa gaúcho pela mistura de culturas que define essa região, indígena, ibérica, africana e se fixou no vocabulário com uma força que o tempo não apagou. Hoje, mais de dois séculos depois, ela ainda soa verdadeira na boca de qualquer gaúcho.

Como se usa no dia a dia?

O xucro aparece em múltiplos contextos, sempre carregando essa ideia de algo não domesticado:

No campo: Esse cavalo está xucro ainda, não chegou a vez da doma.

Para pessoas: É xucro o homem, mal chegou na cidade e já quer voltar pro interior.

Com carinho: Meu filho é um xucro igual ao pai, teimoso, mas de palavra.

Como identidade: Sou xucro e tenho orgulho, não fui criado em tapete, fui criado no campo.

Não é à toa que o nome deste blog carrega a palavra. Entrevero Xucro é uma declaração: aqui o conteúdo não é domesticado para agradar a todos. É bruto, autêntico e do pampa — do jeito que a cultura gaúcha merece ser contada.

Xucro e a doma: o maior rito do pampa

Entender o xucro é entender a doma, o ritual mais simbólico da cultura gaúcha. Domar um animal xucro não é quebrá-lo. O domador habilidoso não busca destruir o espírito bravio do animal: busca estabelecer uma parceria, um respeito mútuo entre duas criaturas livres que decidem trabalhar juntas.

Por isso o xucro é valorizado, não temido. Um animal que nunca foi xucro, que nasceu já mansinho demais, não tem a mesma força, o mesmo fôlego, a mesma garra de quem precisou ser conquistado. A bravura inicial é o que garante a qualidade final.

"Cavalo que nunca foi xucro nunca vai ser bom de campo, precisa ter o fogo antes de ter o freio."

O xucro na música e na poesia gaúcha

A palavra xucro atravessa décadas de música nativista e poesia gauchesca como um fio dourado. Compositores usam o xucro para falar de liberdade, de resistência, de identidade. É o gaúcho que não se curva, o pampa que não se deixa cercar, a tradição que não se deixa apagar pelo tempo.

Nos festivais de música nativista — da Califórnia da Canção Nativa ao Canto de Primavera — o universo do xucro aparece em metáforas, em imagens, em versos que celebram justamente o que não foi domado: o vento, o gaudério, a saudade, o pampa infinito.

Palavras da mesma família

Xucrada: conjunto de animais xucros, ou grupo de pessoas bravas e indômitas. Chegou a xucrada, prepara o laço.

Xucrez / Xucreza: o estado de ser xucro, a bravura natural. A xucreza daquele potro e impressionante.

Xucrar: verbo usado regionalmente para tornar-se bravio, fugir do domínio, agitar-se. O rebanho xucrou com a trovoada.

Tem algo de xucro em ti?

O pampa ensina que o mais valioso não é o que foi polido e domesticado — é o que manteve sua essência mesmo depois de tudo. Se tens algo de xucro em ti, cuida bem disso. É teu bem mais precioso.

Conta nos comentários: o que é xucro na tua vida? E se conheces outra palavra gaúcha que merece entrar no Dicionário Gaudério, deixa aqui a sugestão.

Série: Dicionário Gaudério - EP: Xucro
Acesse: entreveroxucro.blogspot.com




sábado, 14 de março de 2026

Capitais Gaúchas: os Títulos que o Rio Grande do Sul Carrega com Orgulho

O Rio Grande do Sul é campeão em títulos. Não só nos campos de futebol — mas nas leis e decretos que consagram suas cidades como capitais de produtos, tradições, atividades e identidades culturais. São dezenas de municípios gaúchos que carregam com orgulho reconhecimentos nacionais, estaduais e até informais, que contam um pouco da alma de cada canto do estado. A lista é longa, curiosa e, muitas vezes, surpreendente. Confira:

Alegrete — Capital Nacional da Linguiça Campeira | Lei Federal 15.021/2025

Ametista do Sul — Capital Nacional da Pedra Preciosa de Ametista | Projeto de Lei Federal 5617/2019 (em tramitação); reconhecida popularmente como Capital Mundial da Pedra Ametista

Antônio Prado — Capital Nacional da Massa e Cidade Mais Italiana do Brasil | Projeto de Lei Federal 2613/2019 (em tramitação)

Arvorezinha — Capital Nacional da Erva-Mate e do Melhor Chimarrão | Reconhecimento popular

Bagé — Capital Nacional da Criação de Cavalos da Raça Puro-Sangue Inglês | Lei Federal 14.571/2023; Capital Estadual do Cavalo Crioulo | Lei Estadual 13.771/2011

Bento Gonçalves — Capital Estadual do Vinho | Lei Estadual 10.852/1996; Capital Brasileira da Uva e do Vinho | Projeto de Lei Federal 3869/2025 (em tramitação); Capital Nacional da Indústria Moveleira | Projeto de Lei Federal 6515/2019 (em tramitação); reconhecida popularmente como Capital Brasileira das Parreiras

Bom Jesus — Capital Nacional do Tropeirismo | Projeto de Lei Federal 98/2015 (em tramitação)

Bom Princípio — Capital Estadual do Moranguinho | Lei Estadual 15.636/2021

Caçapava do Sul — Capital Gaúcha da Geodiversidade | Lei Estadual 14.708/2015

Cachoeira do Sul — Capital Estadual do Arroz | Lei Estadual 15.334/2019; Capital Nacional do Laço Feminino | Projeto de Lei Federal 3862/2019 (em tramitação)

Candiota — Capital Nacional do Carvão Mineral | Reconhecimento popular

Canela — Capital Nacional dos Parques Temáticos | Projeto de Lei Federal 4852/2020 (em tramitação)

Cândido Godói — Capital Mundial dos Gêmeos | Reconhecimento popular e internacional (cidade possui a maior taxa de nascimentos gemelares do mundo)

Canguçu — Capital Nacional da Agricultura Familiar | Projeto de Lei Federal 6408/2016 (em tramitação)

Canoas — Cidade do Avião | Lei Estadual 15.658/2021; Cidade Referência do Típico Xis Gaúcho | Lei Municipal 5.990/2016

Carlos Barbosa — Capital Nacional do Futsal | Lei Federal 13.503/2017

Carazinho — Capital do Galeto com Massa | Reconhecimento popular (com lei municipal que institui o prato como comida típica do município)

Casca — Capital Gaúcha do Leite | Reconhecimento popular (maior produção de leite do estado conforme dados do IBGE)

Caxias do Sul — Capital Nacional do Voluntariado | Lei Federal 13.560/2017; Capital Estadual dos CTGs | Lei Estadual 15.630/2021; Capital Brasileira das Parreiras | Reconhecimento popular

Dom Pedrito — Capital da Paz | Reconhecimento histórico (o Tratado de Paz da Revolução Farroupilha foi assinado no distrito de Ponche Verde, em Dom Pedrito)

Eldorado do Sul — Capital Estadual da Agricultura Familiar | Reconhecimento estadual/popular

Encruzilhada do Sul — Capital Nacional do Azeite de Oliva | Projeto de Lei Federal 2080/2021 (em tramitação)

Erechim — Capital Nacional do Rally | Projeto de Lei Federal 4273/2020 (em tramitação); Capital da Amizade | Reconhecimento popular

Esteio — Capital Nacional da Solidariedade | Lei Federal 14.425/2022; Capital Nacional da Expointer | Lei Federal 15.008/2024

Fagundes Varela — Capital Estadual do Torresmo | Lei Estadual 16.319/2025

Farroupilha — Capital Nacional do Moscatel | Lei Federal 13.784/2018

Feliz — Capital Estadual da Cerveja Artesanal | Lei Estadual 14.697/2015

Flores da Cunha — Capital Nacional da Vindima e maior produtora de vinhos do estado | Reconhecimento popular/setorial

Garibaldi — Capital Nacional do Espumante | Projeto de Lei Federal 9.692/2018 (aprovado na Comissão de Cultura da Câmara em 2025; aguarda CCJ e Senado)

Gramado — Capital Nacional do Chocolate Artesanal e Capital Nacional do Cinema | Lei Federal 14.120/2021

Guabiju — Capital Nacional do Guabiju | Lei Federal 14.862/2024; Capital Estadual do Guabiju | Lei Estadual 15.310/2019

Igrejinha — Capital Estadual do Voluntariado | Lei Estadual 15.340/2019; Capital Nacional do Voluntariado | Projeto de Lei Federal 5897/2019 (em tramitação)

Ijuí — Capital Nacional de Etnias | Lei Federal 14.280/2021

Ipê — Capital Nacional da Agricultura Ecológica | Lei Federal 12.238/2010

Lagoa Vermelha — Capital Nacional do Churrasco | Lei Federal 14.806/2024; Capital Nacional da Dança da Chula | Lei Federal 14.957/2024

Lindolfo Collor — Capital dos Tapetes de Couro | Lei Estadual 13.967/2012

Maquiné — Capital Nacional do Verde e Terra das Cascatas | Projeto de Lei Federal 404/2022 (em tramitação)

Montenegro — Capital Estadual e Berço da Bergamota Montenegrina | Lei Estadual 15.288/2019

Não-Me-Toque — Capital Nacional da Agricultura de Precisão | Lei Federal 12.087/2009; Capital Nacional da Agricultura | Lei Federal 12.081/2009

Nova Bréscia — Terra dos Churrasqueiros e Capital Nacional da Mentira | Lei Estadual 13.010/2008

Nova Petrópolis — Capital Nacional do Cooperativismo | Lei Federal 12.234/2010

Nova Santa Rita — Capital Estadual do Polo de Produção de Morangos | Reconhecimento estadual/popular

Novo Hamburgo — Capital Nacional do Calçado | Lei Federal 13.399/2016

Palmeira das Missões — Capital Berço da Erva-Mate | Projeto de Lei Federal 1499/2019 (em tramitação)

Passo Fundo — Capital Nacional da Literatura | Lei Federal 11.264/2006

Pelotas — Capital Nacional do Doce | Lei Federal 14.867/2024

Pinheiro Machado — Capital Nacional do Churrasco de Ovelha | Reconhecimento popular (sede da Feovelha, maior feira de ovinos do estado)

Pinto Bandeira — Capital Estadual do Pêssego de Mesa | Lei Estadual 15.341/2019

Piratini — Capital Simbólica do Rio Grande do Sul (Capital Farroupilha) | Lei Estadual 16.275/2025

Porto Alegre — Capital Mundial do Churrasco | Projeto lançado pela Prefeitura em 2022 (em andamento)

Rio Grande — Capital Nacional das Águas | Lei Federal 14.746/2023; Capital Mais Longeva do Futebol Brasileiro | Projeto de Lei Federal 4585/2021 (em tramitação)

Rolante — Capital Estadual das Cucas | Lei Estadual 15.820/2022; Capital Estadual do Bitcoin | Lei Estadual 16.312/2025; Capital Nacional da Cuca | Projeto de Lei Federal 9530/2018 (em tramitação)

Sant'Ana do Livramento — Capital Nacional da Ovelha | Lei Federal 15.110/2025

Santa Maria — Capital do Xis | Reconhecimento popular

Santa Rosa — Berço Nacional da Soja | Lei Federal 14.349/2022

Santo Antônio da Patrulha — Terra da Cachaça, do Sonho e da Rapadura | Lei Estadual 14.591/2014; Capital Nacional da Rapadura | Reconhecimento popular

Santo Ângelo — Capital das Missões | Reconhecimento popular

São Borja — Terra dos Presidentes | Lei Estadual 13.041/2008; Capital Gaúcha do Fandango | Lei Estadual 15.093/2018

São Gabriel — Capital Nacional do Arroz | Lei Federal 13.442/2017; Terra dos Marechais | Reconhecimento popular

São Leopoldo — Berço da Colonização Alemã no Brasil | Lei Federal 12.394/2011

São Luiz Gonzaga — Capital Estadual do Carreteiro | Lei Estadual 15.664/2021; Capital Estadual da Música Missioneira | Lei Estadual 14.123/2012

São Paulo das Missões — Capital Nacional do Jogo de Barril | Reconhecimento popular

Serafina Corrêa — Capital Nacional do Talian | Título conferido em 2015 (reconhecimento popular e institucional; o Talian é patrimônio imaterial do RS pela Lei Estadual 13.178/2009 e idioma cooficial do município pela Lei Municipal 2.615/2009)

Soledade — Capital Nacional das Pedras Preciosas | Lei Federal 15.217/2025

Teutônia — Capital Nacional do Canto Coral | Lei Federal 13.563/2017

Torres — Capital Nacional do Balonismo | Projeto de Lei Federal 9073/2017 (em tramitação)

Três Coroas — Capital Gaúcha do Rafting | Reconhecimento popular

Três Passos — Capital Nacional do Lambari | Lei Federal 14.512/2022

Turuçu — Capital Nacional da Pimenta Vermelha | Reconhecimento popular

Vacaria — Capital Nacional dos Rodeios Crioulos | Lei Federal 15.016/2024; Capital Gaúcha das Gincanas Culturais | Lei Estadual 15.159/2018

Venâncio Aires — Capital Estadual do Chimarrão | Lei Estadual 13.111/2009

Veranópolis — Terra da Longevidade | Reconhecimento popular e científico (certificada pela OMS como Cidade Amiga do Idoso em 2016); Berço Nacional da Maçã | Reconhecimento popular

Vicente Dutra — Capital Estadual da Cuia | Lei Estadual 15.777/2021

Victor Graeff — Capital Estadual da Cuca com Linguiça | Lei Estadual 15.693/2021

Vila Flores — Capital Nacional do Filó Italiano | Projeto de Lei Federal 4830/2016 (em tramitação)

Com mais de 90 municípios ostentando algum tipo de título — oficial por lei federal, estadual, municipal ou por reconhecimento popular — o Rio Grande do Sul é provavelmente o estado brasileiro com mais "capitais" por quilômetro quadrado. Cada título conta uma história: de colonização, de produção, de cultura, de bravura e, claro, de muito orgulho gaúcho.

Confira algumas curiosidades dessas capitais:

Nova Bréscia tem dois títulos curiosíssimos na mesma lei estadual: Terra dos Churrasqueiros e Capital Nacional da Mentira, por causa do tradicional Festival da Mentira realizado no município. Um caso único no estado — e talvez no Brasil.

Cândido Godói não tem lei, mas sua fama é mundial. A cada 100 nascimentos, cerca de 10 são de gêmeos — uma taxa dez vezes acima da média brasileira, estudada por pesquisadores da UFRGS há mais de 30 anos.

São Borja aparece com dois títulos por lei: Terra dos Presidentes (Getúlio Vargas e João Goulart nasceram lá) e Capital Gaúcha do Fandango.

Lagoa Vermelha é duplamente consagrada por lei federal: Capital Nacional do Churrasco (2024) e Capital Nacional da Dança da Chula (2024).

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quinta-feira, 12 de março de 2026

Biografia Gaúcha - Cenair Maicá

Das barrancas do Rio Uruguai para o mundo

Conhecido como o Poeta do Pampa, a voz que fez as Missões cantarem para o mundo. Cenair Maicá nasceu em 3 de maio de 1947, na localidade de Águas Frias, no que hoje é o município de Tucunduva — então distrito de Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul. Cresceu numa região de fronteira viva, onde o Brasil, a Argentina e o Paraguai se encontram nas águas do Rio Uruguai e nas memórias dos povos guaranis.

Desde pequeno, Cenair viveu essa mistura. Estudou na cidade de Oberá, na província argentina de Misiones, e ali aprendeu os primeiros acordes no violão, conheceu aspectos da cultura guarani e absorveu a música platina que mais tarde daria cor especial ao seu trabalho. Era um menino de fronteira — e essa fronteiridade seria a marca mais profunda de toda a sua arte.

De volta ao Brasil, foi para Santo Ângelo, onde passaria a maior parte da vida. Ali, aos 10 anos, já se apresentava em público ao lado do irmão Adelque, formando a dupla Irmãos Maicá. Tocavam nas rádios e nos bailes da região — dois guris cheios de talento e uma música que ainda mal sabia o tamanho que ia tomar.

"Se meu destino é cantar, eu canto." — Cenair Maicá

1966: o manifesto que mudou a música gaúcha

Em 1966, Cenair Maicá, Noel Guarany e Pedro Ortaça lançaram um manifesto que poucos documentos na história da música gaúcha igualam em importância. O texto reivindicava a herança guarani como parte legítima — e esquecida — da identidade do Rio Grande do Sul, e anunciava a intenção de criar, a partir dela, uma nova arte missioneira.

Até então, a identidade gaúcha oficial era quase que exclusivamente baseada na figura do estancieiro da campanha, do peão dos pampas do sul. As Missões — aquela região de história tão rica quanto esquecida — não tinham voz nos palcos nem nas gravadoras. Cenair e seus companheiros decidiram mudar isso.

Juntos, os quatro artistas — Cenair, Noel Guarany, Pedro Ortaça e Jayme Caetano Braun — ficaram conhecidos como os Quatro Troncos Missioneiros. Cada um com sua voz própria, mas todos enraizados na mesma terra e movidos pela mesma causa: dar ao povo missioneiro o lugar que lhe pertencia na cultura do estado.

1970: a consagração na Argentina e o início do sucesso

O nome Cenair Maicá entrou definitivamente na história da música gaúcha em 1970. Naquele ano, ele venceu o 7º Festival do Folclore Correntino, realizado em Santo Tomé, na Argentina, interpretando a música Fandango na Fronteira — composição de Noel Guarany, com quem dividiu o palco na noite da vitória.

A consagração foi dupla: para Cenair como intérprete e para os dois artistas como símbolo do que aquele manifesto de 1966 havia prometido. A vitória num festival internacional revelou que a música missioneira não era apenas uma questão regional — era arte com potencial para atravessar fronteiras.

O prêmio rendeu a gravação do compacto duplo Filosofia de Gaúcho (1970), o primeiro registro fonográfico oficial de Cenair. A partir daí, a carreira solo seria inevitável.

A carreira: poesia, denúncia e identidade

Em 1978, Cenair lançou Rio de Minha Infância, seu primeiro LP solo — produzido e dirigido por Noel Guarany. O disco apresentou ao público o universo que definiria toda a obra de Cenair: o Rio Uruguai e suas águas como metáfora de vida e liberdade, os ribeirinhos e balseiros como protagonistas esquecidos, os indígenas como herança viva — não como curiosidade histórica.

Nas canções Homem Rural e Balaio, Lança e Taquara, Cenair deu voz aos trabalhadores do interior — camponeses, índios, gente simples que raramente aparecia nas letras da música regional. Sua poesia era denúncia social embrulhada em melodia, um ato político disfarçado de milonga.

Não é por acaso que a Ditadura Militar censurou sua canção Canto dos Livres, proibindo sua execução nas rádios e chegando a apreender discos. Cenair era inconveniente para o regime — e isso era, para ele, o maior dos elogios.

Paralelamente à música, Cenair trabalhou como representante comercial das máquinas de escrever Olivetti e apresentou programas nas rádios Repórter de Ijuí, Sepé Tiaraju de Santo Ângelo e Liberdade FM de Viamão. Homem de muitas frentes, mas sempre com a música como centro.

"O músico, além de cantar as coisas bonitas, a alegria, tem que ser um porta-voz do povo." — Cenair Maicá

Imagem da internet

A saúde, a luta e a despedida

A vida de Cenair carregou uma sombra desde cedo. Aos 17 anos, num acidente, perdeu um rim. A consequência não foi imediata — mas o futuro já estava marcado.

Em 1984, o rim remanescente começou a falhar. Cenair precisou se submeter a sessões de hemodiálise, o que debilitou profundamente sua saúde e o afastou temporariamente dos palcos. Em 1985, realizou um transplante de rim — o doador foi seu irmão Darci Maicá, num gesto de amor que a família nunca esqueceu.

Em dezembro de 1988, foi internado para a colocação de uma prótese femural. Não resistiu a uma infecção hospitalar. Em 2 de janeiro de 1989, Cenair Maicá morreu em Porto Alegre, aos 41 anos. Uma vida curta, mas vivida com a intensidade de quem sabe que o tempo é precioso.

Como era seu desejo, foi enterrado pilchado, de botas e lenço vermelho. Seus restos mortais estão em Santo Ângelo, no mausoléu construído na entrada do Cemitério Municipal. Dois pilares marcam o local: um representando a MÚSICA, outro a POESIA. No centro, a frase que resume tudo: Se meu destino é cantar, eu canto. Ao lado da data de nascimento: Nasce o poeta. Ao lado da data de morte: O mundo fica mais triste.

Discografia

Cenair gravou um compacto duplo e quatro LPs ao longo da carreira, dois deles posteriormente relançados em CD. Uma obra pequena em volume, gigante em qualidade.

1970 - Filosofia de Gaúcho (compacto duplo). Com Noel Guarany. Primeiro registro de Cenair após vitória no Festival Correntino.

1978 - Rio de Minha Infância. 1º LP solo. Produção de Noel Guarany. Relançado em CD em 2003 na série Tradição Gaúcha.

1980 - Canto dos Livres. 2º LP. Contém a música censurada pela Ditadura Militar. Um dos mais importantes do nativismo gaúcho.

Imagem da internet

1983 - Meu Canto. 3º LP. Gravado com saúde já debilitada. Reúne composições de forte teor social e poético.

1985 - Companheira Liberdade. Relançamento/compilação das melhores faixas gravadas para o selo Rodeio (WEA). Reeditado em CD.

2003 - Tradição Gaúcha (coletânea). Relançamento em CD do LP Rio de Minha Infância. Lançado postumamente pela série Tradição Gaúcha.

Principais canções

Canto dos Livres; Balseiros do Rio Uruguai; Baile do Sapucaí; Bolicho; Homem Rural; Rio de Minha Infância; Balaio, Lança e Taquara; Fandango na Fronteira; Rio Ibicuí; João Sem Terra

O legado que as águas não apagam

Mais de três décadas após sua morte, Cenair Maicá segue vivo em cada roda de chimarrão onde alguém tatareia Canto dos Livres, em cada jovem compositor missioneiro que sente que precisa falar do povo simples, em cada artista que se recusa a deixar o comercial sobrepor o verdadeiro.

O legado é concreto também: uma rodovia recebe seu nome — a RS-536, no noroeste gaúcho. Travessas em Tucunduva e em Santo Ângelo. Um mausoléu. Um busto. E uma entrevista gravada em fita magnética no Museu Antropológico de Ijuí, onde sua voz ainda ecoa para quem quiser ouvir.

Cenair Maicá não fez muito disco. Mas fez música que dura. E isso, no fundo, é o único legado que importa.

"Nasce o poeta." — inscrição no mausoléu de Cenair Maicá, ao lado da data de nascimento

Conheces a obra de Cenair Maicá?

Qual é a tua música favorita do Cantor Missioneiro? Deixa nos comentários — e se tens uma história ligada à obra de Cenair, conta para nós. A memória de quem fez história merece ser mantida viva por quem a viveu.

terça-feira, 10 de março de 2026

Dicionário Gaudério - Entrevero

ENTREVERO - esta é a palavra que nos acompanha, y tu sabes vivente, quando tudo se mistura no pampa — a vida fica mais interessante.

Mas, afinal o que significa ENTREVERO?

Substantivo masculino. No linguajar gaúcho, entrevero é a mistura confusa, o embaralhamento de coisas, pessoas ou situações. É a briga generalizada onde todos brigam com todos, o rebanho que se mistura com o do vizinho, a conversa que começa num assunto e termina em outro completamente diferente.

Mas — e aqui está a riqueza da palavra — o entrevero não é necessariamente algo ruim. Pode ser o animado encontro de amigos no galpão onde as histórias se embaralham e ninguém sabe mais quem começou qual conversa. Pode ser a festa onde o salão da dança vira um só corpo pulsante. O entrevero é a vida em seu estado mais vivo.

"Deu um entrevero danado — gado, gente e cachorro, tudo junto, entreverados."

A origem da palavra vem do verbo espanhol entreverar, que significa misturar, intercalar, embaralhar. Chegou ao Rio Grande do Sul pela fronteira com o Uruguai e a Argentina, como tantas outras palavras que compõem o falar gaúcho — esse rico entrevero linguístico por si só.

No contexto militar do século XIX, o termo designava a batalha de cavalaria em que os soldados se misturavam ao inimigo em combate corpo a corpo — diferente do ataque organizado em formação. Daí a ideia de confusão intensa, de forças que se embaralham sem distinção.

Como se usa no dia a dia? O entrevero aparece em diferentes contextos do cotidiano gaúcho:

No campo: "Aquele vento forte causou um entrevero no rebanho — levou a manhã toda pra separar os bichos."

Na política e nos negócios: "A reunião virou um entrevero — cada um puxando pro seu lado, ninguém se entendia."

No bom sentido: "Que entrevero bom aquele baile! Música, chimarrão, prosa — não dava nem pra saber que horas eram."

Na culinária: "entrevero é a mistura de carnes, gado, frango, porco, linguiça, etc."

E claro — no nome deste blog. Entrevero Xucro é exatamente isso: uma mistura brava e autêntica de cultura, história e identidade gaúcha. Sem filtro, sem adorno. Do jeito que o pampa é.

O entrevero na música gaúcha e a palavra marcou presença em letras de músicas nativistas e na poesia gauchesca. O entrevero virou metáfora da própria alma do pampa — aquele lugar onde o vento, o gado, o povo e a saudade se misturam sem pedir licença.

Nos grandes festivais, compositores sempre voltam a esse universo do entrelaçamento: de raças, de culturas, de idiomas, de fronteiras que existem no mapa mas não no coração das pessoas.

"O pampa é um entrevero de horizontes — onde o céu não sabe onde termina e a terra não sabe onde começa."

Palavras da mesma família:

Entreverado(a): misturado, embaralhado. Exemplo: Aquele rebanho está todo entreverado com o do vizinho.

Entreverar: o verbo. Misturar, embaralhar, intercalar. Exemplo: Não vai entreverar as coisas, senão perde tudo.

Entrevero de ideias: expressão comum para uma conversa onde os assuntos se misturam de forma produtiva - ou não.

Y tu tchê, já se pegou num entrevero hoje?

Conta nos comentários a melhor situação de entrevero que já viveste. E se conheces outra palavra gaúcha que merece um post, deixa a sugestão — este dicionário é construído em conjunto, como todo bom entrevero deve ser.

Série: Dicionário Gaudério - EP: Entrevero

Acesse: entreveroxucro.blogspot.com



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Bioma Pampa: Origem do Gaúcho, Cultura do Rio Grande do Sul e Diferenças entre Brasil, Argentina e Uruguai

Quando se pesquisa no Google sobre o Bioma Pampa, sobre a formação do gaúcho ou sobre as diferenças entre os gaúchos do Brasil, da Argentina e do Uruguai, quase sempre os assuntos aparecem separados. Mas, aqui no Sul, a gente sabe que não dá para falar de um sem falar do outro. O campo moldou o homem, o homem moldou a cultura, e tudo isso nasceu numa mesma paisagem: o Pampa.

O Bioma Pampa, também conhecido como Campos do Sul ou Campos Sulinos, ocupa cerca de 176,5 mil km² no Brasil, o que representa aproximadamente 2% do território nacional. Ele está presente exclusivamente no estado do Rio Grande do Sul, onde cobre cerca de 63% do território gaúcho, e se estende pela Argentina e pelo Uruguai, formando uma grande faixa contínua de campos naturais no sul da América do Sul. A palavra “pampa” vem de origem indígena e significa “região plana”, embora, na prática, a paisagem seja marcada por coxilhas suaves, várzeas úmidas e horizontes que parecem não ter fim.

Diferente de outros biomas brasileiros, o Pampa é essencialmente campestre. A vegetação é formada principalmente por gramíneas e plantas herbáceas, com poucas árvores espalhadas. À primeira vista, pode parecer tudo igual, um grande tapete verde baixo, variando entre 60 centímetros e 1 metro de altura. Mas basta olhar com mais atenção para perceber a riqueza que existe ali. Nos topos mais planos, a vegetação é mais rala; nas encostas, torna-se mais densa e diversa, com predominância de gramíneas, compostas e leguminosas. Gêneros como Stipa, Piptochaetium, Aristida, Melica e Briza fazem parte desse cenário natural, além de espécies endêmicas de cactos e bromeliáceas que só existem nessa região.

Os campos do Sul são considerados formações edáficas, ou seja, estão diretamente ligados às características do solo. O solo do Pampa, em geral, apresenta baixa fertilidade natural e é bastante suscetível à erosão. Em áreas de contato com o arenito Botucatu, especialmente na região de Quaraí e Alegrete, surgem solos podzólicos vermelho-escuros e fenômenos de arenização que, muitas vezes, são confundidos com desertificação. Essa fragilidade ambiental exige cuidado, principalmente quando se fala na substituição dos campos naturais por monoculturas. Toda monocultura provoca desequilíbrio ambiental, reduzindo algumas espécies, favorecendo outras e alterando funções ecológicas básicas. Num bioma naturalmente campestre, essas mudanças têm impacto ainda mais profundo.

Um exemplo de preservação dentro desse contexto é a Área de Proteção Ambiental do Rio Ibirapuitã, onde se encontram formações campestres e florestais de clima temperado distintas de outras regiões do país. Ali vivem mamíferos raros ou ameaçados de extinção, diversas espécies de aves e até peixe endêmico da bacia local. Isso mostra que o Pampa não é um “campo vazio”, mas um ecossistema complexo e um dos mais importantes do mundo em termos de biodiversidade campestre.

Foi nesse ambiente de clima temperado, com temperatura média em torno de 18°C, entre coxilhas e várzeas, que começou a se formar o modo de vida gaúcho. Muito antes da chegada dos europeus, povos indígenas como guaranis e charruas já viviam nessas terras, em equilíbrio com o Bioma Pampa. Caçavam, pescavam, cultivavam e conheciam o ritmo da natureza. Com a chegada de espanhóis e portugueses no século XVII, a região passou a viver disputas territoriais, missões religiosas e mudanças profundas na organização social.

A formação do gaúcho é resultado direto dessa mistura. Indígenas, europeus e africanos escravizados contribuíram para a construção de uma identidade própria, ligada ao campo e à pecuária. A introdução do cavalo pelos europeus e o desenvolvimento da criação extensiva de gado mudaram a economia da região e consolidaram a figura do homem campeiro. O gaúcho passou a ser reconhecido como hábil cavaleiro, conhecedor da lida com o gado, resistente ao frio e ao calor, acostumado às longas distâncias das estâncias.

No século XIX, conflitos como a Revolução Farroupilha reforçaram o sentimento regionalista no Rio Grande do Sul. A guerra, motivada por questões econômicas e políticas, marcou a memória coletiva e fortaleceu a ideia de autonomia e orgulho local. Até hoje, a Semana Farroupilha mantém viva essa lembrança em todo o estado. Ao mesmo tempo, a chegada de imigrantes alemães e italianos trouxe novos elementos culturais, principalmente na Serra Gaúcha, influenciando a agricultura, a produção de vinhos, o artesanato e a gastronomia.

O churrasco, preparado no espeto e no fogo de chão, nasceu nas estâncias como forma simples e prática de assar carne. O arroz carreteiro, o feijão mexido e tantos outros pratos surgiram da rotina campeira. O chimarrão, compartilhado em roda, tornou-se símbolo de hospitalidade e convivência. Bombacha, lenço no pescoço, poncho e bota deixaram de ser apenas vestimentas funcionais para se transformarem em símbolos de identidade. Tudo isso tem origem direta na vida moldada pelo Pampa.

Quando ampliamos o olhar para além das fronteiras brasileiras, percebemos que o gaúcho não é exclusividade do Rio Grande do Sul. Nos pampas da Argentina e do Uruguai, encontramos figuras muito semelhantes. A base é a mesma: campos abertos, pecuária extensiva, cavalo, laço e vida nas estâncias. Na Argentina, o gaucho foi eternizado na literatura e elevado à condição de herói rural. No Uruguai, faz parte do imaginário nacional e das tradições do interior. No Brasil, consolidou-se como símbolo regional, especialmente ao longo do século XIX.

Existem diferenças, claro. No Rio Grande do Sul, a tradição é organizada e preservada por meio de entidades e normas que regulamentam a pilcha e as manifestações culturais. Em Buenos Aires ou Montevidéu, o gaúcho é mais símbolo histórico e cultural do que presença cotidiana nas grandes cidades. Na culinária, o churrasco gaúcho convive com o assado argentino e uruguaio, preparado na parrilla e com cortes variados. O mate atravessa fronteiras, mudando apenas detalhes no modo de preparo.

Apesar das particularidades, o que une os três países do Pampa é maior do que o que os separa. Honra, coragem, companheirismo e respeito pela terra são valores compartilhados. A paisagem de campos abertos criou um tipo humano adaptado à liberdade e à vastidão do horizonte. O Pampa formou o gaúcho, e o gaúcho ajudou a construir a história do sul do continente.

Por isso, quando alguém pesquisa sobre o Bioma Pampa, sobre a cultura do Rio Grande do Sul ou sobre as diferenças entre gaúchos do Brasil, da Argentina e do Uruguai, está, na verdade, buscando entender uma mesma raiz. Não se trata apenas de geografia ou de folclore, mas de uma relação profunda entre natureza e identidade. O Pampa é chão, é história e é cultura viva. E enquanto houver campo aberto, mate passando de mão em mão e cavalo cruzando coxilha, essa identidade seguirá firme, atravessando gerações e fronteiras.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Por quê o gaúcho chama o dinheiro de pila?

Quem vem para o Rio Grande do Sul estranha ao ouvir a frase: “me empresta uns pila”, “isso aí custa dez pila”, “tô sem pila hoje”. A palavra atravessou gerações, resistiu à troca de moedas e saiu das fronteiras do Estado junto com os gaúchos que migraram Brasil afora. Mas afinal, de onde veio esse termo tão nosso?

A origem é política — e histórica. O “pila” tem sobrenome: Raul Pilla. Médico e liderança marcante do antigo Partido Libertador, Pilla foi um dos principais defensores do parlamentarismo no país e adversário declarado de Getúlio Vargas nos turbulentos anos 1930. Com a derrota política e os desdobramentos da Revolução Constitucionalista de 1932, acabou exilado no Uruguai, praticamente sem recursos.

Foi então que seus correligionários organizaram uma forma de ajudá-lo financeiramente. Criaram bônus, uma espécie de título ou letra partidária, em que o portador contribuía com determinado valor em cruzeiros “em prol da Democracia”. O documento vinha assinado por Raul Pilla e funcionava como uma arrecadação solidária para sustentar o líder no exterior. O dinheiro recolhido era enviado a ele.

Esses papéis passaram a circular entre simpatizantes e, pouco a pouco, o sobrenome estampado na assinatura virou sinônimo da própria contribuição em dinheiro. “Me dá um Pilla” teria se transformado naturalmente em “me dá um pila”. O termo pegou. E ficou.

Há também uma versão popular, mais folclórica, segundo a qual cabos eleitorais teriam cortado cédulas ao meio, entregando uma parte ao eleitor com a promessa de receber a outra após o voto confirmado em Raul Pilla. Embora pitoresca, essa história é vista mais como lenda política do que como fato comprovado.

O que é fato é que a palavra atravessou o tempo. Réis, cruzeiros, cruzados, cruzeiros novos, reais — pouco importou a mudança na economia nacional. No linguajar gaúcho, um pila sempre correspondeu a uma unidade da moeda corrente. Hoje, equivale a um real. Ontem, foi um cruzeiro. Antes disso, outro valor. O nome sobreviveu a todos.

O mais curioso é que o regionalismo ultrapassou as divisas do Estado. Em cidades de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e até mais longe, onde há presença gaúcha, o “pila” também circula na fala cotidiana. É um traço cultural que viajou junto com a bombacha, o chimarrão e o sotaque.

No fim das contas, o “pila” é mais do que dinheiro. É memória política, é identidade linguística e é prova de como a história pode se entranhar no vocabulário popular sem que muita gente saiba exatamente por quê. E assim segue, firme no bolso e na boca do povo: pila pra cá, pila pra lá.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Tu és gaúcho raiz ou nutella?

Pois é gauchada, as vezes nas redes sociais sempre escutamos debates e até embates sobre raiz e nutella. Mas primeiramente os defensores do raiz, deveriam exemplificar e esclarecer o que é ser raiz, pois, não conseguimos compreender um raiz nos moldes defendidos fazer discurso no celular, que é uma tecnologia muito nutella e nos poupa de muitas dificuldades.

Hoje por desinformação, que é muito comum em todas as áreas, as pessoas acham que escutar sertanejo antigo e Mano Lima é ser raiz, que escutar vaneira de banda e bailão não é gaúcho raiz. Na minha opinião, escutar sertanejo antigo nem gaúcho é, e por incrível que se pareça o sertanejo universitário se identifica mais com a cultura gaúcha, pois, tem sua levada marcada pela vaneira bem mais simplificada, quem é do ramo musical pode auxiliar e a partir desse ponto podemos definir como gostar ou não de um gênero e não se é ou não gaúcho. 

Outro ponto, é criticar a ponto de faltar o respeito os músicos de bandas gaúchas como os Tchês, Bailaço, entre outros pelo fato de não pilchar e não "ser raiz" mas, esquecem que são eles que atravessaram as fronteiras do Sul mostrando a "nossa" vaneira. Então, raízes entendidos de plantão, me expliquem por que estes gaúchos não podem ter seu trabalho respeitado e aceito na música se seus próprios filhos não seguem o raiz e devem ouvir coisas bem piores do centro do país e dos Estados Unidos que ultimamente tão idolatrado por aqui.

Ir nas redes sociais bradar bagualismo e desrespeitar pessoas é muito fácil atrás de uma tela, porém, muitos gaúchos por aí tem embaixo do mesmo teto o filho fazendo dancinha de tiktok com música pop ou funk. O desrespeito ao compatriota gaúcho faz com que o tradicionalista fique taxado de um tosco preconceituoso e retrógrado, e de certa forma é assim mesmo. Pois vamos aos fatos, hoje muitos tendem a levar para o lado político seu gauchismo, como já escutamos frases como: sou gaúcho, então sou de direita. Sou gaúcho e sou conservador. Sou gaúcho e agro, mas, o sujeito não tem um pinto para dar boia. Primeiramente isso mostra o despreparo do sujeito que muitas vezes está a frente de um ctg, piquete ou qualquer outra entidade tradicionalista, pois, os ideais farroupilha que tanto exaltam tem cunho estancieiro, capitalista e maçônico sim, mas, também muitos ideais revolucionários da Revolução Francesa, que se olharmos a fundo o viez é social, portanto, socialista.

Isso mostra que a maioria dos gaúchos hoje em dia estão ficando com um déficit intelectual elevadíssimo, pois, deixaram de buscar raízes e conhecimento sobre a nossa origem e ficam bradando ideais falsos, de moralidades duvidosas em busca do discurso que está do lado raiz.

Quer ser raiz? Então faça o seguinte, estude nossas origens, ideias republicanos de Netto, veja como fomos forjados, conheça a história da Cisplatina e de onde veio um tal de "índio vago" que apareceu em uma certa banda em 1700 e pouco. Depois de tudo isso, podemos definir e separa o raiz e o nutella, mas, me desculpem, enquanto estiverem metendo política na nossa cultura e levando tudo para o lado político, eles vão conseguir o que querem, acabar com a nossa identidade e normalizar e padronizar o Brasil em direita e esquerda e sabe de qual o lado que estamos, do lado de fora, do lado intelectual que defende a tradição gaúcha que se moldou no cotidiano, do lado do Rio Grande do Sul, da República Rio-Grandense. 


sábado, 3 de janeiro de 2026

Posicionamento da musical regional em 2025

 Como já é de costume, todo encerramento de semestre e de ano fizemos uma análise da nossa musica regional pelo site Connectmix, para ver o desempenho no primeiro semestre, clique AQUI.

A cada virada de ano, fizemos a comparação com o mês anterior e uma breve análise.

Região Sul – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 39º Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti


Região Sul – Rádios Comunitárias

5º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

17º lugar: Saudade da Ex – Céu e Cantos e Brilha Som


Rio Grande do Sul – Rádios Comerciais

8º lugar: Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti

16º lugar: Esperando Na Janela – Brilha Som


Rio Grande do Sul – Rádios Comunitárias

2º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

6º lugar: Me Diz – Brilha Som e Corpo e Alma

7º lugar: Apartamento 104 – Grupo Festerê e Cleiton Borges

9º lugar: Saudade da Ex – Céu e Cantos e Brilha Som

19ºlugar: Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti

20º lugar: Uma Só Lajota - Cleiton Borges


Santa Catarina – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 60º Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti


Santa Catarina – Rádios Comunitárias

1º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

12º lugar: Amada Que Mora Longe – Céu e Cantos


Paraná – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 100.


Paraná – Rádios Comunitárias

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 40º Amor Infinito – Céu e Cantos

Comparando aos números de 2024 AQUI no seguimento Região Sul comercial, Corpo e Alma segue como destaque, fora do top 20, mas, na mesma posição com outra música. Já na Região Sul comunitária, nossa música perdeu força, caindo de 5 para 2 músicas no top 20.

Já por estado, o RS se destaca como berço e popularidade da música regional e das bandas de bailão, inclusive aumentando de 1 para 2, no seguimento comercial, porém, caiu de 8 para 6 no comunitário.

Em SC, no comercial não temos top 20, mas, a melhor posicionada melhorou no ranking de 93º para 60º e no comunitário caiu de 3 para 2.

Já o PR, não está representando o bailão, em ambos os seguimentos não temos artistas no top 20 e no comercial nem no top 100, o comunitário caiu a melhor colocada de 23º para 40º, será que devemos desconsiderar ano que vem? Amigos paranaenses, colaborem com a música regional.

Nos acompanhe e deixe sua opinião nos comentários

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Origem e significado dos nomes das cidades do RS

Sempre tive a curiosidade de saber a origem do nome das cidades e resolvi começar a estudar o assunto e como sempre começando pelas origens seguindo a valorização da regionalidade. Primeira cidade é Pinheiro Machado minha origem e depois Pelotas onde comecei minha formação acadêmica.

1 - Pinheiro Machado - O município de Cacimbinhas teve seu nome mudado para Pinheiro Machado no governo do Intendente Provisório Dr.Ney Lima Costa quando o Senador José Gomes Pinheiro Machado foi assassinado no Rio de Janeiro, por Francisco Manso de Paiva Coimbra, que era um morador da região de Cacimbinhas. A mudança não foi aceita pela população, que se rebelou contra o Intendente que teve que deixar a cidade.

2 - Pelotas - O nome do município, “Pelotas”, teve origem no nome das embarcações de varas de corticeira forradas de couro, usadas para a travessia dos rios na época das charqueadas. A travessia do arroio com estas embarcações deram origem ao nome do arroio e depois da cidade pela importância do arroio no crescimento da cidade ao seu redor.

3 - Caxias do Sul - Conforme relato oficial é uma homenagem a Duque de Caxias, intitulada como Colônia Caxias pela Inspetoria Especial de Terras e Colonização da Província do Rio Grande do Sul e somente em posteriormente foi inserida sua posição geográfica em seu nome, o sul.

4 - Porto Alegre -  Antes Porto do Dornelas, Porto de Viamão e Porto dos Casais, não tem significado específico, apenas muitas versões. Uma delas é baseada na alegria do povo que vivia na época na região, outros que tem origem em uma série de nomes de localidades portugueses que remetem a Porto Alegre (Santana de Porto Alegre, na Ilha Terceira. Portalegre, no Alto Alentejo).

5 - Aceguá - O nome Aceguá tem origem na língua tupi: yace-guab tem diversos significados: “lugar de descanso eterno”, indicando o local alto que os indígenas escolhiam para viver seus últimos dias, por proporcionar alentadora visão panorâmica e proximidade com o céu; “terra alta e fria”, apontando as características geográfica e climática do local; e ainda “seios da lua”, em alusão aos cerros altos da serra do Aceguá. No folclore popular da região existe outra explicação: o nome Aceguá derivaria de uma espécie de lobo pequeno, denominado guará ou sorro, abundante na região. Os mercadores que por ali passavam há mais de dois séculos, ao ouvir o uivo dos lobos, diriam: “Hay um bicho que hace guá” (“Há um bicho que faz guá”).

6 - Água Santa - Quando os primeiros moradores se fixaram na região, descobriram uma gruta natural, distante 2 km da atual sede do município. Nesta gruta brota uma fonte cuja água era considerada milagrosa pelos primeiros moradores, que acreditavam ter ela curado várias doenças.

7 - Agudo - O nome "Agudo" provêm de um morro a oeste do município com 429 m de altura, que possui característica acentuada.

8 - Ajuricaba - Tendo sido reprimida a revolta de Ajuricaba, os Manaos acabaram por ser totalmente exterminados, destruídos, havendo segundo crônicas, sendo eliminados mais de 20.000 (vinte mil) índios.
Inspirados no exemplo de resistência e luta pela liberdade do herói indígena, a comunidade do 3º distrito de Ijuí em 1940 passou a se chamar AJURICABA que, para a história do município simboliza o “homem que luta pela liberdade”.

9 - Alecrim - nos tempos em que se efetuaram as medições do território Alecrinense, pelo Estado, dividindo-o em secções e estas em lotes, os agrimensores: Thomas Marquevitch, José Adriano Flech e João do Prado Mallmann sob a chefia do Dr. Artur Ambros, acamparam num local aprazível, fixando aí seu acampamento, sob a sombra dos Alecrins. Quando saiam a medir as terras, referiam-se ao acampamento com a expressão: "Acampamento do Alecrim". Os cargueiros que traziam mantimentos e outros objetos para o pessoal do acampamento, recebiam ordens do chefe da Inspetoria de Terras de Santa Rosa, nestes termos: "Levem esta carga para o Alecrim

10 - Alegrete - O nome tem origem no nome da capela Nossa Senhora da Conceição Aparecida de Alegrete quando o povoado ali formado foi atacado e arrasado pelos orientais, que só se retiraram com a aproximação das forças comandadas por Dom Luiz Telles da Silva Menezes, 5o Marquês de Alegrete, a capela foi erguida  em homenagem ao título honorífico do governador da capitania.

11 - Alegria - Segundo os moradores mais antigos, há três versões para a origem do nome da cidade de Alegria. São elas:
“certa ocasião os índios atacaram a casa do Senhor Vicente Taborda, travou-se uma grande luta. Em sinal da vitória, os brancos hastearam uma Bandeira. O irmão, João Taborda, ao saber da vitória, organizou o BAILE DA ALEGRIA”.

 “o primeiro Subprefeito de Vila Alegria, por Santo Ângelo, era o Senhor Francisco Rolim de Moura, um homem de bom caráter, digno e respeitador, resolveu contratar o conjunto “Eickhoff” de Ijuí, para fazer una surpresa, pois ele estava de aniversário. Foi uma festa muito animada, da qual ele gostou muito. Muitas vezes o subprefeito dizia: “Que alegria, que alegria; que alegria temos hoje aqui! Viva a nossa alegria!” Este acontecimento chegou logo aos ouvidos dos moradores de toda a região. Quando alguém mais tarde se dirigia ao local, dizia ao sair de casa: “Vou para Alegria”.

 “O Dr. Vité, Engenheiro Civil, da Comissão de Terras de Santa Rosa, realizando trabalhos na região, constatou que o pessoal era muito alegre, animado e gostava de diversões. Por esta razão sugeriu que dessem o nome de Alegria à localidade."

12 - Almirante Tamandaré do Sul - O nome do hoje município de Almirante Tamandaré do Sul foi sugerido por um expedicionário da Guerra do Paraguai que participou da medição de áreas onde foi instalada a colonização e o loteamento que anos mais tarde formou a vila de Almirante Tamandaré.

13 - Alpestre - Nome sugerido pelo político Vicente Dutra, primeiro prefeito de Iraí, devido a semelhança da região com os Alpes Suíços.

14 - Alto Alegre - Após uma festa ter sido animada, o povo muito alegre, e o lugar bonito, aprazível livre e muito alto, as autoridades presentes no então faxinal, em solenidades inaugurais, pronunciaram que este lugar deveria chamar-se ALTO ALEGRE.

 15 - Alto Feliz - É originário de "Obern Feliz" (Feliz Alta), utilizado já nos primórdios da colonização e relaciona-se com sua situação geográfica. Os colonizadores alemães chegaram no ano de 1846, estabelecendo-se em local bucólico, no alto de um morro

16 - Alvorada - O nome sugerido por um integrante da Comissão Pró-Emancipação, teve inspiração em dois fatores: a alvorada do povo, que acorda às primeiras horas da manhã e parte para o trabalho, e o Palácio da Alvorada, o grande destaque na então nova capital do País, Brasília, inaugurada em 1960.

17 - Ametista do Sul - É uma referência à sua principal riqueza mineral, a pedra ametista.

18 - Amaral Ferrador - é uma homenagem ao General José Amaral Ferrador. O general nasceu no Uruguai em 1801, lutou na Revolução Farroupilha, na campanha contra o Ditador Juan Manuel Rosas e na Guerra do Paraguai. Após o fim das lutas, mudou-se para a vila de São José do Patrocínio, seu antigo nome.

19 - André da Rocha - O primeiro Juiz da Comarca de Lagoa Vermelha, Manoel André da Rocha, foi quem criou o Distrito, que em sua homenagem levou o nome de André da Rocha.

20 - Anta Gorda - Conta-se que, certa vez, foi abatida nas cercanias, uma anta de grandes proporções. Admirados com o tamanho do animal, os desbravadores logo passaram a utilizar o fato como referência sempre que se mencionava o local. Diziam: “Lá onde mataram a anta gorda…”.

 21 - Antônio Prado - Este núcleo não tinha nome, por isso, o Bacharel Manoel Barata Góis, engenheiro-chefe da Comissão de Madição de Lotes, sugeriu e solicitou que fosse dado à nova colônia o nome de Antônio Prado, em homenagem a Antônio da Silva Prado, fazendeiro paulista que como Ministro da Agricultura da época, promoveu a vinda dos imigrantes italianos ao Brasil, e instalou núcleos coloniais no Rio Grande do Sul.

22 - Arambaré - na língua tupi-guarani, significa sacerdote que espalha luz, e uma lenda conta que os índios arachãs escolheram essa terra porque lá encontraram o Bem Viver.

23 - Araricá - Tem origem tupi e significa "mata do rio das araras". A palavra é formada pela junção dos termos a'rara (arara), 'y (água, rio) e ka'a (mata) e está ligada a uma ave colorida, verde com penas azuis, Arariquaba ou Ararí - Caa (tradução indígena). Araricá era destinada como bebedouro dos papagaios,

24 - Aratiba - tem origem na língua tupi e significa "pequenas araras"

25 - Arroio do Meio - tem origem no arroio que corta a região, o qual recebeu essa denominação por estar localizado entre o Arroio Forqueta e o Arroio Grande

26 - Arroio do Padre - tem origem no padre Francisco Xavier Prates, o primeiro administrador da Feitoria, que também era professor do Mosteiro de São Bento e do Convento Santo Antônio no Rio de Janeiro. O nome foi dado ao arroio que banha a região, e posteriormente, ao distrito e ao município. 

27 - Arroio do Sal - tem origem na produção de sal feita por moradores locais junto a um arroio, durante a escassez de sal na Segunda Guerra Mundial. Eles ferviam água do mar próximo a uma figueira à beira do arroio para fabricar o sal.

28 - Arroio do Tigre - a origem está ligada à história de seus primeiros moradores, acredita-se que o nome surgiu após a morte de uma onça, que os moradores locais confundiram com um tigre, nas margens de um arroio. 

29 - Arroio dos Ratos - tem origem no arroio que atravessa o município, onde, segundo relatos, havia grande quantidade de ratões, especialmente nas lagoas formadas ao longo do curso d'água. Essa abundância de roedores deu origem ao nome do arroio e, consequentemente, da cidade. 

30 - Arroio Grande - tem origem na sua localização geográfica, estando situada junto a um arroio (pequeno curso d'água) de grande porte, que se tornou a principal referência para a região. 

31 - Arvorezinha - tem origem em uma pequena figueira que ficava ao lado da igreja matriz da cidade. Inicialmente, a região era conhecida como Alto da Figueira, possivelmente em referência ao primeiro morador, Lino Figueira, ou à árvore em si. Em 1938, com a criação da vila, o nome foi alterado para Arvorezinha, em referência à árvore figueira, que era pequena e se destacava na paisagem. 
O nome "Arvorezinha" surgiu como uma alternativa para evitar a repetição de nomes de localidades, conforme determinação do governo estadual na época.

32 - Bagé - tem origem indígena, provavelmente derivada da língua Minuano, e pode ter dois significados principais: "lugar de onde se volta" ou "lugar de retorno", ou ainda relacionado ao cacique indígena Ibagé. Alguns associam o nome à palavra "bag", que significa cerros, em referência às formações geográficas da região. 

33 - Balneário Pinhal - A origem do nome do Município é uma deferência à antiga Fazenda do Pinhal e não aos pinus plantados anos mais tarde.

34 - Barra do Ribeiro - O nome do município deriva da sua localização geográfica, caracterizada pelo encontro do Arroio Ribeiro com o Lago Guaíba.

35 - Barra do Quaraí - tem origem na sua localização geográfica e no nome do rio que a define. "Barra" refere-se à foz do rio Quaraí, onde ele deságua no rio Uruguai, enquanto "Quaraí" é um termo de origem indígena, possivelmente Tupi-Guarani, que significa "Rio das Garças" ou "Rio do Sol". 

36 - Barracão - tropeiros passavam pela região da cidade de forma clandestina para fugir do pagamento de impostos dos produtos transportados. Para fiscalizar a região, foi construído um barracão que serviria de quartel e casa de coletaria. A construção deu nome ao município.

37 - Bento Gonçalves - O nome foi dado em homenagem ao general Bento Gonçalves da Silva, chefe da Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul de 1835 a 1845. Bento Gonçalves deu seu primeiro impulso de progresso com a vinda da agência do Banco Nacional do Comércio e Banco de Pelotas.

38 - Boa Vista do Cadeado - Tem esse nome, por causa da vista sobre uma colina na Serra do Cadeado.

39 - Boa Vista do Incra - O nome de Boa Vista é por causa de uma fazenda que existe na cidade desde 1839. Em 1969, a propriedade foi adquirida para o reassentamento de famílias que foram atingidas pela construção de uma barragem. As áreas foram distribuídas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que completou o batismo do município.

40 - Bom Jesus - Vem da devoção religiosa ao Senhor Bom Jesus, iniciada com a promessa de um proprietário de terras local, Manoel Silveira de Azevedo, que prometeu erguer uma capela se voltasse são e salvo da Guerra do Paraguai

41 - Bom Princípio - O nome "Bom Princípio" teria sido criado em 1853, pelo comerciante Philip Jacob Selbach, para que a localidade tivesse um nome em português.

42 - Bom Retiro do Sul - Vem de um morro onde o gado era reunido para receber sal, sendo um "bom retiro" natural para os animais, o que deu nome à região.  A adição "do Sul" foi necessária para diferenciar a localidade fixando sua identidade geográfica. 

43 -Butiá - Um pé-de-butiá, típico da região carbonífera, deu origem ao nome do município. De acordo com a prefeitura, uma árvore isolada, que ficava próximo a uma estância da localidade, acabou se tornando ponto de referência e local para descanso de carreteiros que passavam pela região.

44 - Caçapava do Sul - O nome Caçapava vem do Tupi-Guarani e significa "Clareira na Mata", "Fim da Estrada na Mata" ou "Fim da Travessia no Monte", descrevendo uma área aberta na floresta, local onde um acampamento militar se estabeleceu e deu origem à cidade no século XVIII, no território dos índios charruas. 

45 - Cacequi - Origem indígena e significa "Água do Cacique" ou "Rio do Cacequi", derivado da língua dos povos nativos que habitavam a região antes da colonização, com o nome permanecendo mesmo após a expulsão dos nativos durante o povoamento do Rio Grande do Sul

46 - Cachoeira do Sul - Vem de uma antiga cachoeira que existia no Rio Jacuí, próximo ao local onde hoje está a Ponte do Fandango, sendo a "Cachoeira" a característica geográfica marcante que deu origem ao nome da localidade, posteriormente adicionado "do Sul" para diferenciar de outras cidades e indicar sua localização no estado do Rio Grande do Sul. 

Cachoeirinha - 

Camaquã - Vem de Icabaquã e na língua tupi-guarani I significa rio, água e Cabaquã quer dizer velocidade, correnteza. Então podemos concluir que o nome do município vem do rio Camaquã que passa na cidade.

Cambará do Sul - 

Campestre da Serra - 

Campo Bom - 

Candelária - 

Candiota - 

Canela - provém de uma árvore, chamada de Canela, que era localizada na área central da cidade, hoje Praça João Corrêa, esta caneleira servia de ponto de encontro e pousada de tropeiros.

Canoas - Durante a construção da estrada de ferro que ligava Porto Alegre à São Leopoldo, inaugurada em 1874, uma timbaúva (Enterolobium contortisiliquum) foi aproveitada na antiga fazenda de Gravataí para construir embarcações. O lugar passou a ser chamado de Capão das Canoas, e deu origem ao nome do povoado.

Capão da Canoa - 

Capão do Leão - 

Capela de Santana - 

Capitão - homenageia o primeiro dono das terras na região, o capitão Francisco Silvestre Ribeiro. O mineiro recebeu o título de capitão da 4ª Companhia da Guarda Nacional em 1846.

Caraá - 

Carazinho - 

Carlos Barbosa - 

Casca - Acredita-se que o nome tenha origem na palavra "cascare", que significa "cair" em italiano. Imigrantes teriam batizado um riacho considerado escorregadio e fácil de cair com esse nome. Outra possibilidade, é a extração de cascas de árvores com objetivos comerciais na região.

Catuípe - 

Cerrito - Originou-se por ser um lugar bastante elevado e estar muito próximo de cerros e coxilhas. Uma das designações dadas pelos índios referia-se a montículos sepulcrais que significa: ponto culminante do lugar (Cerro Pelado )

Cerro Grande do Sul - 

Chapada -

Chuí - A palavra Chuy, segundo a maioria dos estudiosos, provém da língua tupi guarani. Com ela, os indígenas teriam designado o pequeno arroio em cujas bordas haveria de surgir no século XIX a população que hoje leva esse nome. Por outro lado, o antropólogo e escritor Daniel Granada afirma que “chui” era o nome que os indígenas davam a um pássaro de peito amarelo, nativo e comum nos banhados da região. Além disso, o escritor Tancredo Blotta diz que “chuy” é uma palavra composta e que pode ser traduzida como “rio de água parda”.

Chuvisca - se deve a uma área no município em que ocorria uma garoa permanente. Localizado próximo aos arroios Sutil e Duro, o fenômeno, que era popularmente chamado de "chuvisca", é característico do município.

Cidreira - 

Ciríaco - tem como origem o nome do primeiro morador da região. Segundo a prefeitura, não há registros escritos sobre sua estadia ou origem, mas relatos dizem que o homem teria se estabelecido no município entre 1860 e 1890, vindo da fronteira. Ciríaco, o morador, era um famoso esgrimista, conhecido em toda a região. Um dia, teria desafiado um tropeiro de Cruz Alta para um duelo e sofreu sua primeira derrota. Desapontado, entregou a sua espada ao vencedor e adquiriu uma posse de terras na região da mata, onde construiu uma choupana e viveu até falecer. Em torno deste local, surgiu o município de Ciríaco.

Crissiumal - 

Cristal - Surgiu dentro da área da "Estância do Cristal", propriedade histórica da família Bento Gonçalves da Silva, o herói Farroupilha que viveu nesta época durante 40 anos.

Cruz Alta - 

Cruzeiro do Sul - 

Dom Feliciano - 

Dom Pedrito - 

Encantado - 

Erechim - 

Esmeralda - 

Espumoso - inicialmente denominada "Passo Espumoso", com este nome porque o Jacuí formava grandes cones de espuma em suas águas, que alcançavam até 30 centímetros de altura. O fenômeno, que ocorria pela grande presença de cascatas e cachoeiras na região, não era registrado por viajantes em outros pontos do rio.

Estância Velha - 

Esteio - 

Estrela - 

Farroupilha - O nome é em homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha, que seria comemorado no ano seguinte, 1935. A palavra farroupilha poderia originar não só de "farrapo" que significa "pano velho", "tecido gasto"; mas também de "farroupo", um porco pequeno, com menos de um ano, marrãozinho.

Feliz - Uma comitiva sob o comando do engenheiro Afonso Mabilde foi incumbida de abrir um caminho através da mata dos pinhais e o Campo dos Bugres (Caxias do Sul) aos campos de criação de gado de Vacaria. Este grupo atravessou com uma canoa o rio das Antas, usando uma embarcação como elo de ligação com os já ocupados campos de Vacaria, donde obtinham os mantimentos necessários. Uma enchente, no entanto, teria arrastado a canoa e foram obrigados a retornar ao sul. Depois de muitos dias pelo mato, finalmente teriam encontrado a casa de um colono e saudado este encontro com a exclamação: Oh Feliz! Em lembrança deste fato, a nova picada recebeu o nome de Feliz

Flores da Cunha - Tem esse nome numa homenagem ao ex-governador do estado, José Antônio Flores da Cunha, que havia prometido construir uma estrada férrea ligando o município ao resto do estado.

Formigueiro - naqueles tempos remotos, passando pela localidade uma comissão de engenheiros, um dos profissionais teria dito "isto aqui é um formigueiro!" ao ver a grande profusão de carretas que ali pousavam no trajeto até a fronteira.

Frederico Westphalen - Por decisão de uma assembleia de moradores, foi fixado o nome de Vila Frederico Westphalen, homenageando o engenheiro que colonizou a região sob o comando do Governo do Estado

Garibaldi - 

Gentil - O pároco de Marau, Frei Gentil de Caravaggio, teve grande influência sobre a localidade. Mesmo que tenha ficado pouco tempo em Marau, a influência do capuchinho era tanta que, em 1957, o povoado passou a se chamar Vila Frei Gentil, quando ainda fazia parte de Marau. Quando se emancipou, em março de 1992, o então distrito aboliu o status religioso do nome e foi batizado "apenas" como Gentil.

Giruá - 

Gramado - O nome da cidade está relacionado ao seu passado, quando servia de passagem para tropeiros que tocavam o gado pelos campos de cima da Serra, no fim do século XIX.

Guaíba - Foi batizada com o mesmo nome do lago que a margeia, a palavra Guaíba é de origem tupi, gua-ybe e tem o sentido de "baía de todas as águas".

Guaporé - 

Gravataí - 

Herval - 

Herveiras - Os colonizadores estavam em busca de araucárias e de ervas gigantes, o que deu origem ao nome da cidade. Cultivados inicialmente em pequena escala nas propriedades, com o tempo houve uma produção em maior escala, impulsionando assim o desenvolvimento da região.

Hulha Negra - 

Igrejinha - 

Ijuí - 

Imbé - 

Itaara - 

Itaquí - 

Ivoti - 

Jaguarão - 

Jóia - 

Júlio de Castilhos - 

Lagoa Vermelha - 

Lajeado - vem do ponto de referência que era dado à região. No Rio Taquari, na mesma área em que a cidade se encontra, as águas formavam cascatas sobre lajeiros (ou lajeados), rochas planas parecidas com lajes, por isso seu nome.

Lavras do Sul - 

Machadinho - 

Maquiné - O nome pode ter relação com a foz do rio, de mesmo nome da cidade, local onde morriam muitos índios, que batizaram o local de "Passo do Inferno".

Mariana Pimentel - 

Mormaço - devido ao forte calor provocado pelo sol no meio da mata fechada e, em época de frio, pelo vapor que se elevava do degelo das geadas, o local foi denominado "Serra do Mormaço" por alguns, mas acabou prevalecendo apenas o último nome.

Morro Redondo - 

Morro Reuter - 

Mostardas - Para o Executivo municipal, a hipótese mais aceita é a da historiadora Marisa Oliveira Guedes, segundo a qual a denominação tem uma origem militar – e vegetal. A pesquisadora aponta que a "Guarda das Mustardas" teria sido criada em 1738, recebendo esse nome porque as trincheiras cavadas pelos guardas eram camufladas através da plantação de mostarda, um vegetal que não murcha. Mais tarde, quando a localidade do sul do estado se transformou em freguesia, em 1773, é que passou a chamar-se "Freguesia de São Luís de Mostardas". Em 1963, quando se emancipou de São José do Norte, a localidade ficou apenas com a última parte do nome.

Muçum - 

Muitos Capões - 

Não-Me-Toque - Existem duas hipóteses uma delas é a presença de uma planta abundante na região, a "sucará" ou "espinho de Santo Antônio", chamada também de não-me-toque, justamente por causa dos espinhos. A outra possibilidade, de acordo com o município, é em razão de uma fazenda batizada de Não-Me-Toque registrada no cartório desde 1885.

Nova Hartz - 

Nova Pádua - 

Nova Petrópolis - 

Nova Prata - 

Nova Roma do Sul - 

Nova Santa Rita - 

Osório - 

Palmitinhos - Os primeiros colonizadores da região plantaram seis palmeiras em frente ao primeiro oratório da cidade, que fica no Noroeste do estado. A espécie plantada na praça era a de palmitos, o que deu origem ao nome do município.

Panambi - 

Paraí - 

Parobé - 

Passa Sete - Está em um arroio localizado no território pertencente ao município, onde, antigos moradores relatavam que viajantes que por ali passavam tinham que cruzar o referido arroio por sete vezes durante seus trajetos, muito íngremes e tortuosos. O fato motivou os passantes a chamarem de Passa Sete aquele trecho de seus itinerários.

Passo do Sobrado - pelo fato de haver uma passagem em um arroio, situado na entrada da cidade. Próximo a este arroio, existia uma casa de madeira, conhecida por sobrado. Carroceiros e tropeiros atribuíam a essa passagem o nome de passo do sobrado.

Passo Fundo - é uma tradução do nome originalmente dado pelos indígenas habitantes da região, que chamavam o local de GOYO-EN, sinônimo de muita água e rio fundo.

Pedras Altas - 

Pedro Osório - 

Picada Café - tem duas hipóteses para o nome, a primeira diz que tropeiros acampavam na cidade para tomar café ou pernoitar antes de seguir viagem. A outra versão diz que imigrantes receberam mudas de café para plantar na região. A plantação não prosperou mas o nome permaneceu. Já o termo "picada" significa estrada ou trilha aberta na mata.

Pinto Bandeira - 

Piratini - (denominação primitiva) na língua tupi-guarani significa "peixe barulhento", Chegaram 48 casais de açorianos na condição de ali residirem e trabalharem no local denominado "Capão do Piratini".

Poço das Antas - "poço" se refere ao formato do relevo da cidade, uma região cercada de montanhas em forma de vale para onde correm os rios. Já as antas eram atraídas para o poço, em busca de água.

Portão - 

Porto Xavier - 

Quaraí - 

Restinga Seca - 

Rio Grande - 

Rio Pardo - 

Rolante - 

Rosário do Sul - 

Salto do Jacuí - 

Salvador do Sul -

Santa Cruz do Sul - 

Santa Margarida do Sul - 

Santa Maria - originou-se do nome do rio que existia no local com nome de rio Santa Maria. 

Santa Rosa - 

Santa Tereza - Surgiu com a expressão de gratidão e amor do engenheiro chefe da colonização Senhor Joaquim Rodrigues Antunes pela sua esposa Tereza.

Santa Vitória do Palmar - 

Santo Ângelo - 

Santo Antônio da Patrulha - 

Santo Antônio das Missões - 

Santo Cristo - 

Santana da Boa Vista - 

Santana do Livramento - 

São Borja - é uma homenagem a São Francisco de Borja, que foi o terceiro general (geral) da ordem dos jesuítas.

São Francisco de Assis - Após os portugueses conquistarem da Espanha a região das missões, guardas de milicianos portugueses são instaladas ao norte do Rio Ibicuí. Uma delas é a guarda de São Francisco de Assis, cujo Forte foi construído à margem esquerda do rio Inhacundá. Início da povoação permanente se dá ao redor do Forte

São Francisco de Paula - O povoamento da cidade começou quando Pedro da Silva Chaves, capitão de ordenanças da região de cima da serra, doou uma área de terra para a fundação do povoado, que virou patrimônio de uma igreja construída no local. A esta igreja, o capitão batizaria de São Francisco de Paula, santo de sua devoção.

São Gabriel - 

São Jerônimo - 

São José do Norte - 

São José dos Ausentes - 

São Leopoldo - 

São Lourenço do Sul - 

São Luíz Gonzaga - 

São Marcos - Conta a história que Antônio Machado de Souza  atingiu "as campinas verdes de São Francisco de Paula de Cima da Serra, lá para o rincão de São Marcos, no fundo da invernada então pertencente Oliveira Pedroso". Assim se deu a chegada no território que, mais tarde, se chamaria São Marcos Dei Polacchi.

São Miguel das Missões - 

São Nicolau - foi uma homenagem à Nicolau Duran Mastrilli, arcebispo da Cúria de Buenos de Aires.

São Pedro do Sul - 

São Sebastião do Caí - 

São Sepé - 

São Vendelino - 

Sapiranga - 

Sapucaia do Sul - 

Seberi- 

Segredo - Abel Batista da Silva, dono de vastas terras na região, foi morto a golpes de machado, em 1881, por um empregado, Salvador Carvalho, e um escravizado de nome Benjamim. Após o homicídio, o corpo teria sido jogado no arroio que passava logo abaixo do local do crime, um paiol onde hoje fica o Centro do município. Dias depois, alguns pescadores encontraram um cadáver no curso d'água. Presumiu-se que Salvador Carvalho e o escravo Benjamim haviam assassinado o antigo patrão e ambos foram condenados pelo crime, mas nunca foi provado que o cadáver era mesmo o de Abel e o motivo do crime não foi descoberto. Contudo, existia uma suspeita sobre um possível caso amoroso entre Maria Francisca da Silva, esposa do morto, e Salvador. O arroio onde apareceu o corpo passou a ser chamado de "Arroio Segredo", dando origem ao nome da localidade.

Sentinela do Sul - O nome remete a sua localização em zona elevada, a qual permitiu que os soldados revolucionários montassem guarda para observar as tropas inimigas.

Serafina Corrêa - 

Sério - uma possibilidade é uma homenagem ao Rio Serio, na Itália, região de origem do dono de terras na cidade. A outra hipótese é mais curiosa. Italianos teriam dificuldade para pronunciar a letra "g" do nome de Sérgio Franciosi, um morador da região. O nome dele, então, era dito "Sério".

Sertão Santana - 

Sinimbú - o nome significa “lagarto do mato”  e a versão mais acertada para a origem do nome do distrito é a de homenagem ao Dr. João Lino Vieira Cansanção de Sinimbu, que foi o presidente da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, tendo determinado a colonização das linhas Sinimbu, São João da Serra, Dona Josefa e Andréas.

Sobradinho - 

Taquara - 

Taquari - 

Tapejara - 

Tapes - 

Tenente Portela - 

Terra de Areia - 

Teutônia - 

Tio Hugo - Pelos anos de 1962, estabeleceu-se no Km 214 da rodovia 386, o Sr. Hugo André Londero com a finalidade de instalar um Posto de Combustível. Inicialmente era um pequeno Posto de Serviços, Hugo Londero era uma pessoa carismática, de bom relacionamento, muito atencioso no atendimento a seus clientes e prestativo em relação aos seus vizinhos e amigos. Esse carisma fez com que todos passassem a chamá-lo de tio Hugo e, por conseguinte, a localidade ficou também conhecida como Tio Hugo.

Torres - Tem este nome devido a três grandes rochedos que se estendem à beira Mar. São eles: Torre do Norte (Morro do Farol); Torre do Centro (Morro das Furnas) e Torre do Sul (onde está a Praia da Guarita).

Tramandaí -

Travesseiro - tem como origem o conjunto de pontilhões de madeira que faziam a travessia do arroio que corta o município. As travessias viraram "travesseiro".

Três Cachoeiras - 

Três Coroas - 

Três de Maio - 

Três Passos - 

Triunfo - 

Tucunduva - 

Turuçu - Na língua indígena, quer dizer “águas grandes”, em referência ao arroio homônimo que faz divisa com o município de São Lourenço do Sul.

Unistalda - Quando foi construída uma estrada de ferro entre Santiago e São Borja. As obras foram comandadas pelo general Horta Barbosa. A vila erguida na região foi batizada em homenagem à mãe do militar, a dona Unistalda.

Uruguaiana - A nova freguesia, de início, teve a denominação de Santana do Uruguai e logo depois, Domingos José de Almeida, reunindo os nomes Uruguai (rio) e Ana (Nossa Senhora de Santana - padroeira da Vila) altera o nome para Uruguaiana.

Vacaria - 

Vale Real - O antigo nome de Vale Real era Kronenthal, nome impropriamente traduzido do alemão que significa Vale da Coroa, vale da Coroa de Montanhas

Venâncio Aires - 

Veranópolis - 

Vespasiano Corrêa - 

Viamão - Uma das hipóteses para o nome é uma referência ao avistamento de uma mão espalmada. Isso porque os cinco rios afluentes do Guaíba formariam uma mão sendo vista do alto. Outra possibilidade, segundo a prefeitura, seria uma variação de "ibiamon", ou seja, terra dos pássaros ibias. Existe também o relato de que o município ficaria na região de uma passagem entre montes, a via-monte. Outra versão diz que a cidade, vizinha a Porto Alegre, foi batizada em homenagem a Viamara, antigo nome da província de Guimarães, em Portugal.

Vila Nova do Sul - veio da reestruturação do antigo povoado de São João Velho surgindo uma Vila Nova do Sul.

Xangri-lá - Shangri-La é um paraíso, nas montanhas do Himalaian retratado no livro "Horizonte Perdido", do inglês James Hilton. Lá, a harmonia e a felicidade prevaleceriam entre os moradores.