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sábado, 18 de julho de 2026

Uma breve charla - Copa do mundo desmascara a triste situação de nossa cultura

Uma da primeiras colunas do blog foi esta, Uma Breve Charla. Charla, para quem não conhece é conversa, informal entre amigos. A palavra veio do espanhol (do verbo charlar, que significa conversar), devido à proximidade geográfica e cultural com os países vizinhos hispanofalantes. Aqui já vamos de encontro ao tema de hoje.

O avanço dos nossos "hermanos" argentinos na copa do mundo trouxe a tona um assunto que transcende o futebol e parte para o cultural, inclusive, ao ponto de se transformar em ofensas a honra de pessoas que não às conhece. Não queremos defender ninguém aqui, mas, sempre fui contra rotulagens, pois, ainda somos rotulados aqui no Rio Grande do Sul e são bem ruins que todos conhecem.

A questão que trago aqui, onde um grupo grande de pessoas acusa um país de racista e admite "torcer" a favor de outro igual, vide casos do jogador do Brasil Vinícius Júnior sofrido no país que ele joga, por torcedores do time da mesma cidade que ele mora e este país qual é? ESPANHA. Pera aí, o racismo na Espanha é bom e na Argentina não? Que eu saiba o racismo é uma coisa nojenta em qualquer lugar do mundo.

Então, no momento que tu escolhe tomar um partido e teu partido é o ativismo, tens que manter teus princípios e neste caso específico, é a neutralidade. Inclusive se formos levar ao pé da letra, podemos considerar poucas nações para se torcer e juntamente nesta ótica que temos que tomar partido pelas coisas boas que o país que tu escolheu vai te proporcionar.

Se tu usar o mesmo argumento de não torcer para a Argentina por que lá tem racistas (e esse contexto lá é bem complexo), não torça para Espanha que fez o que citei acima, nem para a França que sua população diz que não são franceses na hora da derrota, a Inglaterra tem restrições à imigrantes, os países árabes do oriente médios e as nações africanas muçulmanas mantém várias restrições ás mulheres, os EUA nem se fala, eles se incomodam com tudo que está fora de seus domínios e por fim o Brasil, que é uma nação que não respeita os negros, mulheres, lgbt's, idosos e nem crianças.

Fica ainda mais constrangedor, quando algum Rio-Grandense que se diz Gaúcho cita o absurdo de dizer que não torce para a Argentina por que são racistas, a origem de nossa cultura tem a mesma base da cultura Argentina e Uruguaia e certamente em ambos os países tem determinado tipo de gente que não vale a pena citar, porém, como tudo na vida não devemos generalizar nada.

O preconceito existe, estrutural na Argentina com certeza, como citei, lá é bem mais complexo e um caso a ser estudado, pois, a origem é a mesma do Gaúcho das banda de cá, com traços e genética indígena, europeia  espanhola e africana, porém, lá a política de clarear a população para parecer europeia partiu de políticas de governo e de muito tempo, inclusive com a finalidade de acabar com os traços africanos de sua população. A conclusão que chegamos com isso é de que o racismo é sim evidente na Argentina, que não devemos generalizar o povo em geral e sua cultura e também não esquecer dos absurdos que acontecem do lado de cá, tanto questões raciais, étnicas e de gênero, e aí vem a copa mais demagoga de todos os tempo e aflora demagogos em tudo que é canto, inclusive meus compatriotas Gaúchos.


sábado, 6 de dezembro de 2025

Dia Nacional do Gaúcho na Argentina

Sim, tu não leu errado nosso título, hoje 06/12 é o Dia Nacional do Gaúcho na Argentina, e a gente puxa o facón da história e acende a lenha da memória: o Dia Nacional do Gaúcho na Argentina é uma homenagem à figura que marcou a alma do pampa e a língua do povo. A data foi escolhida em referência à publicação da primeira parte do livro El gaucho Martín Fierro, de José Hernández, obra-marco da literatura gauchesca que consagrou o gaúcho como símbolo cultural argentino e acabou se espalhando pelo pampa e se tornando referência para os Gaúchos e Gauchos. A escolha do dia remete à edição de 1872 do poema, que passou a ser lido como voz do pampa e do homem montado à cavalo. 

A Lei Nº 24.303 sancionou a instituição do Día Nacional del Gaucho sendo aprovada e sancionada em 15 de dezembro de 1993 (com a data comemorativa marcada para 6 de dezembro). Como desdobramento, o Decreto 1096/96 instituiu a Comissão Nacional do Gaúcho para promover as ações e celebrações da data no âmbito da Secretaria de Cultura. A motivação não foi só um gesto literário, sendo que o movimento visou reconhecer o gaucho como símbolo da nacionalidade para valorizar suas práticas, costumes, canto e saberes, preservando as festas, a música, as vestimentas e as manifestações rurais que compõem uma identidade histórica. A lei busca também fomentar atividades culturais, educativas e de memória que aproximem as novas gerações do patrimônio gaúcho. 


Quando dezembro chega, algumas festividades acompanham o Día Nacional del Gaucho, as celebrações argentinas focam na exaltação da cultura, costumes e na figura simbólica do gaúcho na formação da nação, em várias localidades acontecem a Fiesta Nacional del Gaucho — festas locais (como em General Madariaga e Chivilcoy) que reúnem cavalgadas, desfiles em traje criollo, ofícios de artesãos e praça de comidas típicas. É onde o povo mostra o cavalo, o facón, e a melhor bombacha. Além disso tem Gineteadas e domas, Payadas e música folclórica.

Atividades institucionais — a partir da lei, órgãos públicos e instituições culturais promovem eventos, exposições e atos oficiais que resgatam a história e a iconografia do gaúcho. 

O Día Nacional del Gaucho é comemorado em diferentes localidades e tamanhos, desde pequenas festas em municípios do interior até atividades oficiais em Buenos Aires e outros centros. As celebrações mesclam devoção cultural à Martín Fierro, homenagens a personalidades e festa campeira com assados, cavalgadas, danças e competições. Municípios e museus rurais aproveitam a data para discutir patrimônio imaterial e políticas de preservação. 

O Dia Nacional do Gaúcho não é só nostalgia, é memória viva, é resistência cultural e é ferramenta de identidade. Preservar essas práticas é preservar pedaços da história do pampa — assim como o homem que cavalga, a tradição segue em movimento, contando e reinventando-se a cada galope.

Que possamos cada vez mais afirmar por aqui nossa identidade sem regras a cada setembro e que a data máxima do Gaúcho do Rio Grande do Sul vire símbolo de resistência como a data Argentina, que seja símbolo de nossa luta contra a invasão de culturas estrangeiras que inundam a cabeça dos nossos jovens e nossas lares. Quando falamos estrangeirismo, não remetemos apenas de fora da América, mas, vinda de outros estados que tentam normatizar culturas como um todo como se o Brasil fosse uniforme.

Que outros estados sempre exaltem e celebrem suas culturas, para manter viva as regionalidades culturais deste território continental, culturas diversas que assim como a Gaúcha, devem ser mantidas e celebradas.



quinta-feira, 19 de junho de 2025

Gaúchos das 3 pátrias. Comparativo entre Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina

Sempre foi notado que são grandes as semelhanças dos habitantes do Pampa nos costumes e tradições, então vamos fazer um comparativo evidenciando diferenças e semelhanças para os amigos leitores conhecer um pouco do gaúcho pampeano. Aqui, vamos fazer uma imersão completa nas culturas gaúchas desses três países — explorando história, culinária, vestimentas, vida cotidiana, festas, e como cada povo adapta esse legado ao seu próprio jeito de ser.

Ao atravessar as vastas planícies do sul da América do Sul, somos guiados por um símbolo forte: o gaúcho. Presente no Rio Grande do Sul, na Argentina e no Uruguai, o gaúcho transcende fronteiras e une povos por meio da tradição, da bravura, da lida com o campo e da paixão pela liberdade.

Origens Comuns: Os Pampas e o Nascimento do Gaúcho

O gaúcho surgiu nos pampas, uma região de campos abertos que se estende por sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Inicialmente, esses homens eram mestiços (de indígenas, africanos e europeus), nômades, caçadores de gado selvagem e habilidosos cavaleiros.

No Brasil, a figura do gaúcho se consolidou no século XIX, ligada à índios vagos, guerras e ao tropeirismo.

Na Argentina e Uruguai, ele foi enaltecido como herói rural, símbolo de liberdade e simplicidade, presente em obras literárias como "Martín Fierro".


A Vida no Campo e na Cidade

Campo: Estâncias e a Lida Campeira

Nos três países, o gaúcho é o vaqueiro das estâncias, cuidando do gado, domando cavalos e cavalgando por grandes distâncias.

Ferramentas típicas: laço, boleadeiras, facão e rebenque.

Trabalham em parceria com a natureza, respeitando o tempo da terra.

Cidade: Tradição na Modernidade

No RS, o gaúcho urbano preserva tradições por meio dos CTGs, pilcha em eventos, culinária e o chimarrão no cotidiano.

Em Buenos Aires e Montevidéu, o gaucho é mais símbolo cultural, e menos presente no dia a dia urbano moderno.


Culinária Gaúcha: Sabor, Simplicidade e Fogo de Chão

Rio Grande do Sul (Brasil)

Churrasco gaúcho: feito no espeto e fogo de chão. Costela, vazio, linguiça e pão com alho.

Arroz carreteiro, feijão mexido, polenta e pratos herdados de italianos e alemães.

Chimarrão: consumido amargo e em roda, símbolo de hospitalidade.

Argentina e Uruguai

Assado: semelhante ao churrasco, mas feito na parrilla, com carnes nobres e vísceras (morcilla, chinchulín).

Mate: é mais forte, adoçado ou não, servido em cuias menores.

Empanadas, doce de leite e alfajor completam os sabores típicos.


Vestimentas Tradicionais: A Pilcha e o Estilo Gaúcho

Elementos em comum:

Bombacha, camisa, guaiaca, alpargatas ou botas, lenço no pescoço (representando filiações políticas ou tradicionalistas).

Poncho e faca: símbolos de honra e defesa.

Diferenças:

No RS, a pilcha é normatizada pelos CTGs e pode ser usada até em casamentos e eventos oficiais.

Na Argentina e Uruguai, o traje é menos normatizado e mais espontâneo, com variações regionais, principalmente no poncho.


Música, Dança e Festas Tradicionais

Brasil (RS)

Música nativista e fandango, com milonga, vaneira, chamamé e polcas.

Eventos como Semana Farroupilha, Enart e festivais de música tradicionalista.

Instrumentos: gaita-ponto, violão, acordeom.

Argentina

Chamamé, zamba, chacarera.

Tango não é típico do campo, mas da cidade.

Festivais como Festival Nacional de Doma y Folklore de Jesús María.

Uruguai

Milonga oriental, candombe afro-uruguaio e canto rural.

Festival del Asado con Cuero e festas tradicionalistas do interior.


Tabela Comparativa: Gaúchos do Brasil, Argentina e Uruguai


Por fim, a figura do gaúcho, moldada pelos ventos dos pampas, é muito mais que um estereótipo. Ela representa o elo entre o homem e o campo, a convivência com a simplicidade, o orgulho das raízes e o amor pela liberdade.

Embora com particularidades marcantes, os gaúchos do Brasil, Argentina e Uruguai compartilham valores profundos: honra, coragem, companheirismo e respeito pela terra.

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Você já conheceu algum destes três mundos gaúchos? Qual tradição mais te representa?

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