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sábado, 25 de abril de 2026

Gestão Crioula - O erro que faz CTG trabalhar o ano todo e terminar no prejuízo

Com o chimarrão na mão. Vamos falar de um assunto que muita gente prefere evitar.

A boia foi de fundamento. O salão lotou. A invernada se apresentou, o pessoal dançou até tarde, todo mundo saiu falando bem. O Patrão dormiu feliz.

Aí chegou a segunda-feira. O tesoureiro sentou com as notas fiscais, o caderno de controle e a planilha — ou o bloco de anotações, dependendo do CTG. E ali, na frieza dos números, apareceu a realidade: o evento deu prejuízo. Ou, na melhor das hipóteses, sobrou tão pouco que não valeu o trabalho de um mês inteiro de organização.

Isso acontece em CTGs de todos os tamanhos. E quase sempre pelo mesmo motivo. O erro mais comum: precificar por sentimento, por achismo, pelo sempre foi assim.

Quando chega a hora de definir o valor do ingresso ou da mesa de jantar, a conversa na diretoria costuma ser mais ou menos assim:

"Quanto a gente cobra?"

"O CTG tal cobrou 80 reais no ano passado..."

"Então vamos cobrar 90, pra parecer que melhorou."

"Mas se cobrar muito caro, o pessoal não vem."

"Então 80 mesmo."

Decisão tomada. Sem saber o custo real do evento. Sem saber quantas pessoas precisam comparecer pra cobrir as despesas. Sem saber qual é o ponto de equilíbrio. É precificação por sentimento — e ela é a principal razão pela qual CTGs trabalham meses e terminam no vermelho.

O que a maioria dos CTGs não calcula

Quando a diretoria pensa nos custos de um evento, normalmente lembra dos itens mais visíveis: o churrasco, a bebida, a música. Mas existe uma lista de custos que frequentemente fica de fora da conta. Custos diretos que todo mundo lembra: Alimentos e bebidas, Banda ou DJ, Decoração

Custos diretos que frequentemente esquecem: Gás e carvão, Descartáveis e guardanapos, Segurança (porteiro, vigilante), Impressão de ingressos e banners, Transporte de materiais, Taxa do sistema de cobrança (Pix tem custo? Depende da conta).

Custos indiretos que quase nunca entram na conta: Energia elétrica do evento, Desgaste de equipamentos (fogão, freezer, caixas de som), Horas de trabalho dos voluntários que saíram do bolso próprio pra comprar algo, Limpeza pós-evento, Eventual manutenção de algo que quebrou durante o evento e o maior esquecido de todos: A parcela do aluguel ou IPTU do mês — o espaço tem custo fixo que precisa ser coberto.

Quando tu somas tudo isso, o custo real do evento é quase sempre 30% a 40% maior do que o número que aparecia na cabeça da diretoria na hora de definir o preço.

Ponto de equilíbrio: é o número que todo Patrão precisa saber e é simples: é a quantidade mínima de ingressos que precisa ser vendida para que o evento não dê prejuízo.

A fórmula é direta: Ponto de equilíbrio = Custo total do evento ÷ Valor do ingresso

Exemplo prático: Custo total real do jantar: R$ 8.000. Valor do ingresso: R$ 80. Ponto de equilíbrio: 100 pessoas

Isso significa que as primeiras 100 entradas vendidas só pagam as contas. A partir da 101ª pessoa é que começa a sobrar dinheiro pro CTG. Se o salão comporta 150 pessoas e tu vendeste 110 — parabéns, o evento foi bem. Mas se vendeste 85, o CTG saiu no prejuízo mesmo com o salão "cheio".

Saber esse número antes do evento muda completamente a tomada de decisão. Tu podes ajustar o preço, reduzir custos, criar um ingresso antecipado com desconto pra garantir o mínimo — ou até decidir não fazer o evento se a conta não fechar.

O problema do ingresso antecipado mal gerido

Ingresso antecipado é uma ferramenta poderosa — quando bem usado. Mas em muitos CTGs ele vira um problema. O que acontece na prática: os sócios mais próximos compram antecipado com desconto. O CTG usa esse dinheiro pra pagar as despesas iniciais. Aí o evento acontece, as vendas na porta não compensam, e no final sobrou menos do que o esperado.

O ingresso antecipado precisa estar dentro da conta, não fora dela. Se tu vendes 50 ingressos a R$ 60 e 60 na porta a R$ 80, a receita total não é "60 vezes 80" — é a soma real das duas faixas.

Uma planilha simples resolve boa parte do problema

Não precisa de sistema caro, software sofisticado nem contador dedicado. Uma planilha no celular já resolve — desde que tu uses ela de verdade.

A planilha mínima de um evento de CTG tem três abas:

Aba 1 — Custos previstos: lista cada item de custo com o valor estimado, antes do evento.

Aba 2 — Receita prevista: quantos ingressos pretende vender, a que preço, em quais categorias.

Aba 3 — Resultado real: o que efetivamente foi gasto e o que entrou de receita, preenchida depois do evento.

Comparar as abas 1 e 2 antes do evento te diz se a conta fecha. Comparar com a aba 3 depois te ensina a fazer melhor no próximo.

Em três ou quatro eventos usando esse método, a diretoria começa a ter referências reais — e a precificação deixa de ser sentimento pra virar decisão.

"Mas no nosso CTG é tudo voluntário, não tem como cobrar tudo isso..."

Entendo. E respeito muito, o voluntarismo é o que mantém os CTGs de pé.

Mas existe uma diferença importante entre trabalho voluntário e prejuízo financeiro. O voluntário doa o seu tempo — e isso é lindo. Mas quando o CTG sai de um evento devendo pro fornecedor, sem dinheiro pra pagar a conta de luz do mês seguinte ou sem reserva pra manutenção do galpão, o problema não é só financeiro. É de sustentabilidade da própria entidade.

CTG que não tem saúde financeira não consegue manter a invernada, não consegue reformar o galpão, não consegue pagar a anuidade da MTG, não consegue crescer. Cuidar das contas não é desvirtuar a tradição. É garantir que ela continue existindo.

Por onde começar na semana que vem

Se tens um evento nos próximos meses, faz isso antes de definir qualquer preço:

1. Senta com o tesoureiro e lista todos os custos do último evento similar — os que lembrarem e os que acharem nos recibos

2. Adiciona 30% a essa lista pra cobrir o que esquecerem

3. Divide pelo número realista de participantes esperados

4. O número que aparecer é o custo por pessoa — e o ingresso precisa ser maior do que isso

Simples assim pra começar. Depois vai refinando.

Uma pergunta pra ti:

No último evento do teu CTG — tu sabias, antes de começar, qual era o ponto de equilíbrio?

Se a resposta foi não, compartilha esse post com o tesoureiro. Pode ser a conversa mais importante que vocês vão ter essa semana.

Até o próximo chimarrão.

Escrito por Rodrigo Silva — gestor público, especialista em gestão de manutenção industrial e apaixonado pela cultura gaúcha. Ajudo CTGs a ficarem mais fortes por dentro para durarem muito mais por fora.

sábado, 11 de abril de 2026

Semana Farroupilha 2026: história, significado e como participar — o guia completo para o gaúcho de coração

O que é a Semana Farroupilha?

Todo ano, entre os dias 14 e 20 de setembro, o Rio Grande do Sul para. Não por crise, não por tragédia — para por orgulho. A Semana Farroupilha é a maior celebração da cultura gaúcha, realizada em homenagem à Revolução Farroupilha, iniciada em 20 de setembro de 1835. É quando os CTGs acendem a Chama Crioula, os piquetes se enchem de gente pilchada, o churrasco perfuma os acampamentos e a música nativista soa do Chuí ao Arroio Grande.

Mas para entender por que essa semana importa tanto, é preciso entender o que aconteceu em 1835 — e o que continuou acontecendo nos dez anos seguintes.

A Revolução Farroupilha — a guerra que virou símbolo

Em 20 de setembro de 1835, estourou no Rio Grande do Sul a maior e mais longa revolução da história do Brasil. Os farrapos — como ficaram conhecidos os revoltosos, em referência às roupas surradas dos combatentes — se levantaram contra o governo imperial, insatisfeitos com a taxação excessiva do charque gaúcho, com a falta de autonomia política e com o que consideravam descaso do Rio de Janeiro com o sul do país.

A guerra durou dez anos — de 1835 a 1845 — e atravessou todo o RS, chegando a Santa Catarina e ao Uruguai. Nesse período, os farrapos chegaram a proclamar a República Rio-Grandense (com capital em Piratini) e a República Juliana (em Laguna, SC). Foram tempos de cavalaria, de batalhas campais, de heróis que viraram lenda: Bento Gonçalves, David Canabarro, Giuseppe Garibaldi — que aqui aprendeu a lutar antes de ir unificar a Itália.

A guerra terminou com a Paz de Poncho Verde, em 1845, numa negociação que integrou o RS de volta ao Império sem punições. Mas a memória não se rendeu junto. O 20 de setembro virou data sagrada — e o espírito farroupilha virou identidade.

"Ser farroupilha não é vestir bombacha uma vez por ano. É carregar na alma o que aqueles homens carregaram nas costas."

A Semana Farroupilha — como surgiu a celebração

O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), fundado em 1947, foi o grande responsável por transformar a memória farroupilha em celebração organizada. Ao longo das décadas, os CTGs — Centros de Tradições Gaúchas, espalhados pelo Brasil e pelo mundo — passaram a realizar anualmente os Festejos Farroupilhas, culminando no 20 de setembro com desfiles, apresentações de danças, música nativista, culinária típica e o ritual da Chama Crioula.

Hoje são mais de 1.700 CTGs no RS e cerca de 2.500 piquetes ativos durante os festejos. O Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, realizado no Parque Harmonia, é o maior evento do calendário — com semanas de programação, shows, rodeios e uma cidade paralela que cresce na beira do Guaíba.

2026: o tema e a patrona

A Semana Farroupilha de 2026 tem um tema que une dois marcos históricos em um só ano:

"Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição"

O tema celebra os 400 Anos das Missões Jesuítico-Guaranis — o mesmo que moveu o Canto Missioneiro em Santo Ângelo em março, que iluminou a homenagem a Cenair Maicá, que dá cor a tantos eventos do ano. Em 2026, o RS olha para suas raízes mais profundas — antes do gaúcho da campanha, antes da imigração europeia — e reconhece o guarani como parte fundamental da identidade do estado.

A patrona escolhida é Marianita Ortaça — psicóloga, professora universitária, cantora e embaixadora dos 400 Anos das Missões. Filha do compositor Pedro Ortaça, um dos Quatro Troncos Missioneiros, ela representa exatamente essa ponte entre o tradicionalismo gaúcho e as raízes indígenas que o antecederam.

"Marianita representa a história viva guarani, a história dos povos originários e a história tradicionalista." — Denise Gress, presidente da Comissão Organizadora dos Festejos Farroupilhas 2026

O que acontece durante a Semana Farroupilha

Os Festejos Farroupilhas são muito mais do que uma semana — são um universo de rituais e atividades que começam antes e terminam depois do 20 de setembro. Veja os principais momentos:

A Centelha Crioula

Tudo começa com a Centelha — a chama simbólica acesa em Caxias do Sul e distribuída para os CTGs de todo o RS por grupos de cavaleiros. É um ritual de origem e pertencimento: a mesma chama que aquece o fogão de cada entidade vem da mesma fonte.

Os Piquetes e Acampamentos

Cada CTG monta seu piquete — um espaço coberto, decorado com bandeiras, pelegos e artesanato gaúcho — onde os associados se reúnem durante os dias dos festejos. No Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, centenas de piquetes ocupam o Parque Harmonia do início de setembro até o dia 20.

As Cavalgadas

Grupos de cavaleiros percorrem quilômetros a cavalo carregando a Chama Crioula pelos municípios do estado — um dos rituais mais visuais e emocionantes dos festejos.

Os Desfiles

No dia 20 de setembro, cidades por todo o RS realizam desfiles com invernadas artísticas, cavaleiros e cavaleiras pilchados, bandas de música e carros alegóricos. O desfile de Porto Alegre é o maior do estado.

A Música Nativista

Shows de artistas gaúchos animam os acampamentos durante toda a semana — de grupos tradicionalistas a nomes consagrados do nativismo.

A Culinária

Churrasco, arroz de carreteiro, entrevero, pinhão assado, chimarrão. A gastronomia gaúcha é personagem central dos festejos — e cada piquete tem seu orgulho na hora de apresentar a mesa.

Como participar

Não precisa ser sócio de CTG para viver a Semana Farroupilha. Há espaço para todo mundo — e quanto mais gente, mais rica fica a celebração. Veja como entrar na festa:

Visite o Acampamento Farroupilha de Porto Alegre

O Parque Harmonia é aberto ao público durante os festejos. A entrada é gratuita em boa parte dos dias. É só chegar, caminhar entre os piquetes, tomar um chimarrão oferecido e deixar a cultura te envolver.

Procure o CTG ou piquete da tua cidade

Todo município do RS tem pelo menos um CTG ou entidade tradicionalista que realiza seus próprios festejos. Entra em contato, visita, participa. A porta está sempre aberta.

Pilche-se

Nada obrigatório — mas vestir a pilcha (a indumentária gaúcha tradicional) durante os festejos é uma forma bonita de participar. Homens: bombacha, camisa, lenço, chapéu e botas. Mulheres: vestido de prenda ou saia campeira. Crianças: versão mirim de tudo isso.

Participa das atividades culturais

Apresentações de danças, concursos de poesia, palestras sobre história gaúcha, exposições — os festejos são também um grande festival cultural. Consulta a programação do teu município.

Levar as crianças

A Semana Farroupilha é uma das melhores oportunidades para apresentar a cultura gaúcha às novas gerações. A experiência de ver cavalos, ouvir música ao vivo e participar dos rituais fica gravada na memória para sempre.

"A Semana Farroupilha não é um museu da tradição. É a tradição viva — se transformando, crescendo, incluindo gente nova todo ano."

Principais eventos em 2026

Os Festejos Farroupilhas 2026 acontecem de 14 a 20 de setembro. Os principais eventos a acompanhar:

Acampamento Farroupilha de Porto Alegre — Parque Harmonia, Porto Alegre (a partir de 1º de setembro)

Desfile do 20 de setembro — em Porto Alegre e em centenas de municípios gaúchos

Semanas Farroupilhas municipais — cada cidade tem sua própria programação, que pode começar antes e terminar depois do 20

Festivais nativistas de setembro — vários festivais de música se integram à programação dos festejos

As programações detalhadas são divulgadas pelos CTGs e prefeituras municipais a partir de agosto. Acompanha o @entreveroxucro para não perder nenhuma novidade.

Vai participar da Semana Farroupilha este ano?

Conta nos comentários de qual cidade és e como costumas celebrar o 20 de setembro. E se é a primeira vez que vai participar dos festejos, conta isso também — adoramos saber quando alguém descobre essa tradição pela primeira vez.

Acompanha o Entrevero Xucro — toda semana, história, cultura e identidade gaúcha do jeito que o pampa merece.

Entrevero Xucro | entreveroxucro.blogspot.com



quarta-feira, 1 de abril de 2026

Dicionário Gaudério - Galpão

GALPÃO - O coração da estância gaúcha, onde a vida acontece de verdade. Mas, afinal tu sabes o que significa GALPÃO?

Substantivo masculino. No universo gaúcho, o galpão é muito mais do que uma construção. É o espaço coberto, geralmente de madeira ou alvenaria, erguido no coração da estância — onde o peão descansa, onde o chimarrão circula, onde o fogo de chão é aceso, onde as histórias são contadas e onde a vida campeira se organiza entre uma lida e outra.

O galpão é o lar do gaúcho de campo. Não o lar da família — esse é a casa. O galpão é o lar da lida, o espaço onde o homem do campo é mais ele mesmo: de bombacha, de faca na cinta, de cuia na mão, sem cerimônia e sem pressa.

"No galpão não tem protocolo. Tem fumaça, tem mate, tem prosa — e tem verdade."

A origem da palavra

A palavra galpão tem origem no espanhol platino galpón, que por sua vez deriva do quíchua galpuni — palavra que os povos andinos usavam para designar um abrigo grande ou um depósito. Chegou ao Rio Grande do Sul pela fronteira com o Uruguai e a Argentina, e se fixou no vocabulário gaúcho com um significado que vai muito além de depósito: virou sinônimo de lar, de identidade, de cultura.

A palavra chegou ao Brasil colonial pela mesma via que tantos outros termos platinos — cavalos, gado, fronteira e convivência. E aqui, como em tantos outros casos, ganhou uma dimensão cultural que o original nunca teve.

O galpão na estância — cada coisa no seu lugar

Na estância gaúcha tradicional, o galpão tem uma organização quase sagrada. Cada canto cumpre uma função — e qualquer peão experiente sabe que mexer nessa organização sem avisar é falta de consideração:

O fogo de chão: no centro ou num canto do galpão, é onde o assado é feito, onde a água do chimarrão é aquecida, onde o frio do inverno gaúcho encontra seu antídoto.

As pelagens e arreios: pendurados nas paredes ou nas vigas — sela, lombilho, cabresto, retranca, esporas. A ferramenta do ofício, tratada com o mesmo cuidado que um músico trata o instrumento.

As tarimbas: as camas dos peões — simples, de madeira ou couro, mas com o pelego que cada um cuida como tesouro. É onde o corpo descansa depois da lida.

A cuia e a bomba: nunca faltam. O chimarrão no galpão não é opcional — é parte do ritual de início e fim de qualquer atividade.

O canto das histórias: não tem placa, não tem cadeira marcada — mas todo galpão tem um canto onde os mais velhos sentam, e onde as histórias são contadas para os mais novos. É onde a tradição oral se perpetua.

"O galpão não é só abrigo. É onde o gaúcho aprende a ser gaúcho."

O galpão como espaço social — onde a cultura gaúcha vive

Nenhum CTG, nenhum festival nativista, nenhuma festa de peão existe sem um galpão — real ou simbólico. A palavra virou metáfora da própria cultura gaúcha: quando se diz que alguém é gente de galpão, está se dizendo que é pessoa autêntica, sem frescura, de confiança.

No galpão, as diferenças sociais se dissolvem. Patrão e peão tomam mate da mesma cuia, comem do mesmo assado, escutam a mesma história. Não é democracia no sentido político — é igualdade no sentido humano, construída pelo fogo compartilhado e pelo mate que passa de mão em mão.

Os grandes festivais nativistas do RS carregam o galpão no nome e no espírito: o Cheiro de Galpão dos Monarcas, o Galpão Crioulo da RBS TV, os CTGs espalhados pelo Brasil inteiro como guardiões desse espaço. Onde houver um grupo de gaúchos reunidos em torno de um fogo e um chimarrão, há um galpão — mesmo que seja uma churrasqueira no pátio de um apartamento em São Paulo.

Como se usa no dia a dia

O galpão aparece em diferentes contextos — sempre com aquela carga de autenticidade e pertencimento:

No campo: Depois da lida, todo mundo se reúne no galpão pra tomar um mate e botar a conversa em dia.

Como elogio: Ele é gente de galpão — pode confiar, é da nossa.

Como saudade: Tenho saudade do galpão do meu avô — aquele cheiro de fumaça e couro curtido não tem igual.

Como identidade: Nossa família sempre se reuniu no galpão — é ali que a gente é a gente.

O galpão na música e na poesia gaúcha

Poucos espaços aparecem tanto na música nativista quanto o galpão. De Jayme Caetano Braun a Os Monarcas, de Gildo de Freitas ao CTG Galpão Crioulo — a palavra permeia o cancioneiro gaúcho como um fio que conecta gerações.

Os Monarcas lançaram em 1991 o CD Cheiro de Galpão — que rendeu o primeiro Disco de Ouro do grupo. O título não foi escolhido por acaso: nenhuma expressão captura melhor o que aquela música representa. Cheiro de galpão é cheiro de fumaça, de couro, de terra molhada, de erva-mate, de suor de trabalho honesto. É o cheiro da cultura gaúcha em seu estado mais puro.

"Cheiro de galpão não se descreve — se reconhece. E quem reconhece, nunca esquece."

Palavras da mesma família

Galpãozinho: o diminutivo carinhoso — o galpão menor, da família, do sítio, onde o churrasco de domingo é feito.

Gente de galpão: expressão que designa pessoa autêntica, de palavra, sem frescura. Um dos maiores elogios que um gaúcho pode receber.

Galpão crioulo: espaço cultural dentro dos CTGs onde se realizam atividades artísticas, danças e apresentações — o galpão como palco da tradição.

O teu galpão tem história?

Todo gaúcho tem um galpão na memória — seja o da estância do avô, o do CTG da infância, ou aquele galpão improvisado no fundo do quintal onde a família se reunia aos domingos. Conta nos comentários a história do teu galpão.

E se quiseres conhecer mais palavras do falar gaúcho, acompanha o Dicionário Gaudério aqui no Entrevero Xucro — toda semana uma palavra nova, com origem, história e como se usa no dia a dia.

sábado, 21 de março de 2026

Gestão Crioula - Por que o estatuto do teu CTG pode estar te prejudicando sem tu saber

Puxa o mate e vem comigo nessa charla.

Tu chegas no galpão, a invernada está ensaiando, o cheiro de churrasco já tomou conta do ar, o salão está cheio de gente boa. O CTG está vivo. Está de pé. Está cumprindo seu papel.

Mas lá na gaveta — ou numa pasta empoeirada no armário da secretaria — tem um documento que ninguém abre há anos. Um documento que pode estar, silenciosamente, colocando tudo isso em risco.

O estatuto social do teu CTG.

O que é o estatuto e por que ele importa tanto?

O estatuto é a lei interna do CTG. É ele que define quem manda, como se decide, quem pode ser sócio, como se faz uma eleição, o que acontece com o patrimônio se a entidade fechar.

Sem um estatuto atualizado e bem feito, o CTG fica vulnerável. Não de um jeito visível, como uma goteira no telhado. De um jeito silencioso — que só aparece quando a crise já chegou.

E aí já é tarde.

Os sinais de que o estatuto do teu CTG está desatualizado

Responde com honestidade: Quando foi a última vez que o estatuto foi atualizado e registrado em cartório?

Se a resposta for "mais de 5 anos atrás" — ou pior, "não sei" — é quase certo que tem coisa errada ali.

Veja os problemas mais comuns que encontro nos CTGs da nossa região:

1. O Patrão não tem prazo de mandato definido

É mais comum do que parece. O estatuto diz algo vago como "o Patrão exercerá o cargo enquanto contar com a confiança da assembleia" — sem prazo fixo, sem regra clara de renovação.

O resultado? O CTG vira refém de uma pessoa. Quando ela vai embora — por doença, desentendimento ou cansaço — ninguém sabe como assumir. A entidade trava.

2. O Conselho Fiscal não existe ou não tem função definida

O Conselho Fiscal é o órgão que fiscaliza as finanças do CTG de forma independente da diretoria. É obrigatório por lei para associações.

Mas em muitos estatutos, ele aparece apenas no papel — sem composição definida, sem prazo de reunião, sem obrigação de emitir parecer. Na prática, não existe.

Isso significa que ninguém fiscaliza as contas de forma independente. Qualquer desvio, intencional ou não, pode passar despercebido por anos.

3. As regras de assembleia não cabem mais na realidade

Estatutos antigos exigem convocação por edital no jornal local, reunião presencial com quórum de dois terços dos sócios, votação apenas por voto físico. Tenta reunir dois terços dos sócios de um CTG grande numa quinta-feira à noite. Boa sorte.

O resultado prático: assembleias que não atingem quórum, decisões tomadas informalmente, aprovações que não têm validade jurídica.

4. Nenhuma menção à LGPD

A Lei Geral de Proteção de Dados existe desde 2020. Todo CTG que coleta nome, CPF, endereço e dados de sócios está obrigado a cumpri-la.

Um estatuto de 2012 obviamente não menciona isso. E aí o CTG opera em irregularidade sem saber — com risco de multa e de processos por parte de sócios.

5. A cláusula de dissolução está errada ou ausente

A lei exige que o estatuto defina o que acontece com o patrimônio do CTG em caso de dissolução. Muitos estatutos antigos não têm isso — ou têm de forma incorreta.

Isso pode inviabilizar o registro de alterações no cartório, bloquear financiamentos e até impedir que o CTG participe de editais públicos.

"Mas o nosso CTG funciona bem assim há anos..."

Eu sei. E é exatamente por isso que o problema é traiçoeiro.

O estatuto ruim não atrapalha o dia a dia. O churrasco acontece, os ensaios seguem, os eventos lotam. A vida do CTG continua.

Ele atrapalha nos momentos de crise:

Quando dois grupos disputam a direção e não há regra clara de desempate

Quando um Patrão morre ou adoece e ninguém sabe legalmente quem assume

Quando alguém questiona uma decisão financeira e não há registro formal de aprovação

Quando o CTG tenta abrir conta bancária nova e o banco exige documentos atualizados

Quando chega uma oportunidade de financiamento e a entidade está irregular

Nessas horas, o estatuto empoeirado vira um problema enorme — e às vezes irreversível.

Por onde começar

A boa notícia é que atualizar o estatuto não precisa ser um bicho de sete cabeças. Com o apoio certo, dá pra fazer em dois a três meses, de forma participativa, sem traumatizar a diretoria.

O caminho básico é:

1. Localizar o estatuto atual e verificar a data do último registro em cartório

2. Comparar com a legislação vigente — especialmente o Código Civil (artigos 53 a 61) e as resoluções da MTG

3. Identificar os pontos que precisam de atualização

4. Elaborar a minuta do novo estatuto com apoio jurídico

5. Convocar Assembleia Geral Extraordinária para aprovação

6. Registrar em cartório

Simples na teoria — mas é onde a maioria dos CTGs trava, porque ninguém na diretoria tem tempo, conhecimento ou energia pra conduzir esse processo sozinho.

Uma pergunta pra ti

Quando foi a última vez que alguém da tua diretoria abriu o estatuto do CTG pra ler?

Se a resposta te deixou desconfortável, é um bom sinal. Significa que tu já sabes por onde começar.

Nos próximos meses vou trazer mais conteúdo sobre gestão prática para CTGs — finanças, eventos, captação de sócios — sempre com respeito pela tradição e pela realidade de quem vive o galpão de dentro.

Se esse assunto mexeu contigo, compartilha com o Patrão ou o Capataz do teu CTG. Pode ser que eles precisem ler isso hoje.


Até o próximo chimarrão.

Escrito por Rodrigo Silva — gestor público, especialista em gestão de manutenção industrial e apaixonado pela cultura gaúcha. Ajudo CTGs a ficarem mais fortes por dentro para durarem muito mais por fora.

sábado, 12 de julho de 2025

Paixão Cortes: O Gaúcho que se Fez Tradição

Se hoje o Rio Grande do Sul respira cultura gaúcha em cada rodeio, fandango, CTG e pilcha bem trajada, muito disso se deve a um nome: João Carlos D’Ávila Paixão Cortes. Nascido em 12 de julho de 1927, em Santana do Livramento, esse vivente deixou um legado tão forte que segue cavalgando na memória de todos os que amam a tradição.

Neste 12 de julho de 2025, Paixão Cortes estaria completando 98 anos. E mesmo que ele tenha partido em 2018, sua presença continua firme no coração do povo gaúcho, como um marco da identidade sul-rio-grandense.

Guri novo, Paixão já se mostrava diferente. Em Porto Alegre, nos anos 40, enquanto muitos se afastavam das tradições, ele resolveu fazer o caminho contrário: mergulhou no campo, nos causos, nas danças, nos costumes campeiros, e tratou de anotar, catalogar e preservar cada detalhe.

Foi dele a iniciativa de fundar, ao lado de outros idealistas, o primeiro CTG (Centro de Tradições Gaúchas) do mundo: o 35 CTG, em 1948. Ali começava o movimento tradicionalista gaúcho, que hoje se espalha por milhares de CTGs pelo Brasil e pelo exterior.

Paixão Cortes estudou as danças tradicionais gaúchas diretamente com os mais antigos – peões, prendas, tropeiros. A partir disso, sistematizou coreografias que hoje são ensinadas em concursos como o Enart e vividas nos fandangos do interior.

Ele também ajudou a padronizar a pilcha, diferenciar os tipos de lenço, os usos do poncho, da guaiaca, e resgatou a linguagem campeira com orgulho.

E mais: inspirou a estátua do Laçador, símbolo de Porto Alegre, baseada em sua própria figura, pilchado de forma autêntica.

Paixão não via o tradicionalismo como folclore vazio, mas como filosofia de respeito à terra, ao passado e à identidade do povo sulino. Ele dizia que o gaúcho não era um personagem: era um modo de ser.

Foi radialista, folclorista, pesquisador, compositor e sempre um divulgador incansável das coisas do Sul. Andou pelo interior, pelas escolas, pelas rádios e palcos, sempre dizendo: “Ser gaúcho é uma honra e uma responsabilidade”.

Entre suas principais contribuições literárias e iniciativas, estão:

"Danças Tradicionais Gaúchas" (com Barbosa Lessa)

Criação do 35 CTG

Codificação das danças e trajes do RS

Inspiração para o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG)

Conservação oral e escrita do folclore do sul do Brasil

Paixão Cortes não foi apenas um homem: foi um monumento vivo da tradição, daqueles que andam de chapéu, mas também carregam no olhar a responsabilidade de manter acesa a chama crioula.

Ele nos ensinou a valorizar a história, a linguagem, a música, o churrasco, o cavalo, a dança, a hospitalidade e a honra.

Neste 12 de julho, o Rio Grande inteiro tem motivo de sobra pra lembrar desse gaúcho de alma imensa. Se hoje temos orgulho de vestir a pilcha, de cantar milonga, de cevar o mate e de ensinar pros mais moços o valor do nosso chão, é porque Paixão Cortes esteve aqui antes e abriu caminho a lanço e a verso.

Comenta aí, vivente!

Qual é tua lembrança ou ensinamento mais forte ligado a Paixão Cortes?

Já leu alguma obra dele ou dançou uma coreografia que ele ajudou a preservar?

Deixa teu comentário, compartilha esse post e ajuda a manter viva a chama da tradição.

Segue o blog e acompanha nossas redes pra mais histórias do sul do mundo.

Imagem da internet


terça-feira, 8 de outubro de 2024

Rio Grande do Sul e sua formação cultural

A cultura do Rio Grande do Sul é marcada por uma rica e complexa combinação de influências indígenas, europeias e africanas, resultando em um mosaico cultural único no Brasil. Para entender suas origens e seu desenvolvimento, é preciso mergulhar na história do estado, que começa muito antes da chegada dos colonizadores.

Raízes Indígenas e o Início da Colonização

Antes da colonização europeia, as terras gaúchas eram habitadas por diferentes povos indígenas, como os guaranis e charruas, que viviam em harmonia com o Bioma Pampa e a geografia local. Seus modos de vida, organizados em torno da caça, pesca e agricultura, deixaram marcas profundas na cultura da região, influenciando o que viria a ser, mais tarde, a base das tradições rurais gaúchas.

A chegada dos primeiros europeus, particularmente os espanhóis e portugueses, no século XVII, trouxe uma nova dinâmica para a região. As missões jesuíticas espanholas estabeleceram as primeiras vilas organizadas, convivendo com os indígenas e promovendo a mestiçagem cultural. No entanto, com a chegada dos bandeirantes paulistas e o avanço do domínio português, os povos indígenas foram brutalmente impactados, levando a uma reorganização cultural que seria o caminho para a formação do gaúcho.

A Formação da Identidade Gaúcha

O gaúcho, figura emblemática do Rio Grande do Sul, é o resultado da mescla de povos indígenas, colonos europeus, e africanos escravizados trazidos durante o período colonial. Trabalhando principalmente na criação de gado, o gaúcho desenvolveu um estilo de vida próprio, associado à lida no campo, à coragem e à liberdade. O uso da bombacha, do lenço e do poncho, bem como o hábito de tomar chimarrão, são símbolos dessa identidade, que ainda perdura como uma referência do orgulho sulista.

A introdução do cavalo pelos europeus e o desenvolvimento da pecuária marcaram profundamente o estado, transformando a economia e definindo grande parte das tradições. O Rio Grande do Sul tornou-se conhecido como uma terra de estâncias e rodeios, consolidando a figura do gaúcho como protótipo de bravura e independência.

Revoluções e a Consciência Regionalista

Outro fator essencial na cultura gaúcha são os movimentos revolucionários que marcaram sua história, sendo o mais famoso a Revolução Farroupilha (1835-1845). Essa guerra, travada entre os farroupilhas, que buscavam mais autonomia para a província e a redução dos impostos sobre o charque, e o governo imperial, reforçou o espírito combativo do povo gaúcho e sua noção de liberdade. Até hoje, a Revolução Farroupilha é comemorada com fervor durante a Semana Farroupilha, em setembro, quando o orgulho regionalista ganha destaque em todo o estado.

Tradições e Influências Europeias

Além dos elementos indígenas e africanos, o Rio Grande do Sul recebeu um grande contingente de imigrantes europeus, especialmente alemães e italianos, durante o século XIX. Esses grupos estabeleceram colônias nas regiões da Serra Gaúcha, onde desenvolveram uma cultura voltada para a agricultura, a viticultura e o artesanato, traços que permanecem até os dias de hoje.

A gastronomia gaúcha também reflete essa diversidade de influências. O churrasco, principal símbolo da culinária regional, surgiu nas estâncias, como uma forma de preparo da carne em meio ao cotidiano dos vaqueiros. A culinária dos imigrantes italianos trouxe o hábito de consumir massas e vinhos, enquanto os alemães deixaram como legado o tradicional café colonial, além de pratos como o chucrute e a cerveja artesanal.

A Cultura Contemporânea

No cenário contemporâneo, o Rio Grande do Sul mantém vivo seu orgulho por suas tradições, mas também abraça a modernidade. A música tradicionalista, com artistas que perpetuam a estética do gauchismo, divide espaço com novos movimentos culturais que renovam o cenário musical e literário do estado. A cultura de rodeios, festas campeiras e danças folclóricas, como o fandango, é amplamente celebrada nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), que preservam a memória dos antigos gaúchos e passam esses valores às gerações mais jovens.

Por fim, o Rio Grande do Sul é um estado de múltiplas vozes e culturas, que soube transformar sua história de resistência e luta em um símbolo de força e identidade. O gaúcho, seja nas estâncias do interior, nas cidades da serra ou nas metrópoles, carrega em si um orgulho que transcende fronteiras, projetando a cultura sulista como uma das mais vibrantes e complexas do Brasil.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Resultado Enart 2017

Buenas entreverados, e se foi mais uma edição do Enart, se encerrou ontem em Santa Cruz do Sul.
Confira a lista completa dos vencedores do ENART 2017 em cada modalidade.

Danças Tradicionais Força A
1º lugar: CPF Piá do Sul, Santa Maria (13ª RT)
2º lugar: CTG Tiarayú, Porto Alegre (1ª RT)
3º lugar: CTG Aldeia dos Anjos, Gravataí (1ª RT)
4º lugar: CTG Rancho da Saudade, Cachoeirinha (1ª RT)
5º lugar: CTG Lalau Miranda, Passo Fundo (7ª RT)

Danças Tradicionais Força B
1º lugar: CTG Brigadeiro Raphael Pinto Bandeira, Rio Grande (6ª RT)
2º lugar: DTG Noel Guarany, Santa Maria (13ª RT)
3º lugar: GF Chaleira Preta, Ijuí (9ª RT)
4º lugar: CTG Tropilha Farrapa, Lajeado (24ª RT)
5º lugar: Centro Farroupilha de Tradições Gaúchas, Alegrete (4ª RT)

Melhor entrada
1º lugar: CTG Lalau Miranda, Passo Fundo (7ª RT)
2º lugar: CTG Aldeia dos Anjos, Gravataí (1ª RT)
3º lugar: CTG Campo dos Bugres, Caxias do Sul (25ª RT)

Melhor saída
1º lugar: União Gaúcha João Simões Lopes Neto, Pelotas (26ª RT)
2º lugar: CPF Piá do Sul, Santa Maria (13ª RT)
3º lugar: CTG Lalau Miranda, Passo Fundo (7ª RT)

Conjunto musical das invernadas
1º lugar: CTG Galpão Campeiro, Erechim (19ª RT)
2º lugar: DT Querência das Dores, Santa Maria (13ª RT)
3º lugar: CTG Gildo de Freitas, Porto Alegre (1ª RT)

Destaque do Enart
1º lugar: CTG Lalau Miranda, Passo Fundo (7ª RT)
2º lugar: DT Querência das Dores, Santa Maria (13ª RT)
3º lugar: CTG Sentinela da Querência, Santa Maria (13ª RT)

Grupo mais popular
PTG Bocal de Prata, Osório (23ª RT)

Troféu Marca Grande
13ª Região Tradicionalista

Melhor acampamento
DTG José Altivo dos Santos, Santa Cruz do Sul (5ª RT)

Chula
1º lugar: Leonardo Brizola de Mello, GF Chaleira Preta – Ijuí (9ª RT)
2º lugar: Leonardo Moisés Silvano, CTG Rancho da Saudade – Cachoeirinha (1ª RT)
3º lugar: José Guilherme Guimarães, CTG Rincão da Amizade – Gravataí (1ª RT)

Gaita piano
1º lugar: Eduardo Abramson, CTG Querência Costeira – Porto Lucena (3ª RT)
2º lugar: Lucas Biazus, CTG Ronda Crioula – São Sepé (19ª RT)
3º lugar: Luiz Miguel Melos Valim, CTG Sinuelo – Caxias do Sul (25ª RT)

Gaita de botão até oito baixos
1º lugar: João Vitor Boeno Nunes, CTG Sentinela do Forte – Caçapava do Sul (18ª RT)
2º lugar: Nicolas Moro Mülller, CTG Ronda Charrua – Farroupilha (25ª RT)
3º lugar: Victor Hugo Muniz Barreto da Silva, CTG Martim Fierro – Uruguaiana (4ª RT)

Gaita de botão mais de oito baixos
1º lugar: Nicolas Moro Mülller, CTG Ronda Charrua – Farroupilha (25ª RT)
2º lugar: Luidhi Moro Müller, CTG Ronda Charrua – Farroupilha (25ª RT)
3º lugar: Victor Hugo Muniz Barreto da Silva, CTG Martim Fierro – Uruguaiana (4ª RT)

Gaita de boca
1º lugar: Rodrigo Filipini, CTG Sentinela da Querência – Santa Maria (13ª RT)
2º lugar: Aventino Rosa, GAN Anita Garibaldi – Encantado (24ª RT)
3º lugar: Mário Inácio Becker, CTG Lanceiros de Santa Cruz – Santa Cruz do Sul (5ª RT)

Bandoneon
1º lugar: Lauri Sagave, CTG Tropilha Farrapa – Lajeado (24ª RT)
2º lugar: Bruno Ludtke, CTG Coronel Thomaz Luiz Osório – Pelotas (26ª RT)

Violino ou rabeca
1º lugar: Cristiane Vasconcellos, CTG Querência do Arroio do Meio – Arroio do Meio (24ª RT)
2º lugar: Matheus Sebalhos Lameira, DTG Noel Guarany – Santa Maria (13ª RT)
3º lugar: Tiago Luigi Guadagnin Radin, CTG Pousada do Imigrante – Nova Bassano (11ª RT)

Violão
1º lugar: Pablo Machado Cardoso, DT Querência das Dores – Santa Maria (13ª RT)
2º lugar: Felipe Leal Rodrigues, CTG Sentinela da Querência – Santa Maria (13ª RT)
3º lugar: Matheus Venícius Prada da Silva, CTG Estirpe Gaúcha – Guaporé (11ª RT)

Viola
1º lugar: Rafael César da Silva, GF Os Guapos de Camaquã – Camaquã (16ª RT)
2º lugar: Rodrigo Ziliotto, CTG Negrinho do Pastoreio – Caxias do Sul (25ª RT)
3º lugar: Christian Luiz Albarello, CTG Unidos Pela Tradição Riograndense – Carazinho (7ª RT)

Conjunto instrumental
1º lugar: DT Querência das Dores, Santa Maria (13ª RT)
2º lugar: GF Os Guapos de Camaquã, Camaquã (16ª RT)
3º lugar: CTG Fronteira Aberta, Santana do Livramento (18ª RT)

Conjunto vocal
1º lugar: CTG Sentinela da Querência, Erechim (19ª RT)
2º lugar: DTG Noel Guarany, Santa Maria (13ª RT)
3º lugar: CTG Rincão da Carolina, Santana do Livramento (18ª RT)

Intérprete masculino
1º lugar: Pablo Machado Cardoso, DT Querência das Dores – Santa Maria (13ª RT)
2º lugar: Patrick Antunes, CTG Lalau Miranda – Passo Fundo (7ª RT)
3º lugar: Igor Tadielo Cézar, DT Querência das Dores – Santa Maria (13ª RT)

Intérprete feminino
1º lugar: Marcelly Bueno da Silva Walterman Cachoeira, DTG Leão da Serra – São Leopoldo (12ª RT)
2º lugar: Lucimara da Silva Rosa, CTG Lanceiros de Santa Cruz – Santa Cruz do Sul (5ª RT)
3º lugar: Talia Becker, CTG Tropilha Farrapa – Lajeado (24ª RT)

Declamação masculino
1º lugar: João Batista de Oliveira, CTG Sinuelo da Serra – Serafina Corrêa (11ª RT)
2º lugar: Willian Andrade, CTG Lalau Miranda – Passo Fundo (7ª RT)
3º lugar: Kelvyn Eduardo Krug, CTG Felipe Portinho – Marau (7ª RT)

Amadrinhador destaque: Caíque Mello
Declamação feminino
1º lugar: Clara Lisiane Faccio, CTG Passo dos Tropeiros – Rolante (22ª RT)
2º lugar: Romila Hoffmann do Amaral, CTG Herdeiros da Tradição – Caxias do Sul (25ª RT)
3º lugar: Aline Martins Linhares, CTG Farroupilhas – Santa Maria (13ª RT)

Amadrinhador destaque: Willian Andrade
Dança Gaúcha de Salão
1º lugar: Gabriel Campagnola Becker e Laura Panzer, CTG Rancho da Saudade – Cachoeirinha (1ª RT)
2º lugar: Luiz Fabrício Cavalheiro Trindade e Briani Costa Trindade, CTG Lalau Miranda – Passo Fundo (7ª RT)
3º lugar: Leonardo Schneider Ullrich e Victória Brondani de Oliveira, AT Poncho Branco – Santa Maria (13ª RT)

Trova mi maior de gavetão
1º lugar: Paulo Elizandro de Lima Chaves, CTG Lenço Verde – São Gabriel (18ª RT)
2º lugar: José Joaquim Jesus Hugo, CTG Coronel Thomaz Luiz Osório – Pelotas (26ª RT)
3º lugar: Luiz Carlos dos Santos Araújo, AT Pedro Ribeiro da Luz – Passo Fundo (7ª RT)

Trova de martelo
1º lugar: João Benito Soares Arena, CTG Carreteiros da Saudade – Gravataí (1ª RT)
2º lugar: Aldori Moreira Tito, CTG Oswaldo Aranha – Alegrete (4ª RT)
3º lugar: Pedro Alaor da Silva Merchel, CTG Herdeiros da Tradição – Caxias do Sul (25ª RT)

Trova estilo Gildo de Freitas
1º lugar: Paulo Rogério de Lima Chaves, CTG Tarumã – São Gabriel (18ª RT)
2º lugar: Celso de Oliveira, CTG Velha Cambona – Portão (15ª RT)
3º lugar: Jorge Luis Pieniz – CTG Tropeiros do Buricá – Três de Maio (20ª RT)
Trovador mais popular: Jorge Luis Pieniz – CTG Tropeiros do Buricá – Três de Maio (20ª RT)

Payada
1º lugar: Paulo Rogério de Lima Chaves, CTG Tarumã – São Gabriel (18ª RT)
2º lugar: Paulo Elizandro de Lima Chaves, CTG Lenço Verde – São Gabriel (18ª RT)
3º lugar: Celso de Oliveira, CTG Velha Cambona – Portão (15ª RT)

Causo
1º lugar: Alexandre da Rosa Vieira, DT Clube Recreativo Juvenil – Passo Fundo (7ª RT)
2º lugar: Cleinner da Silva Teixeira, CTG Tropeiros da Querência – Arroio Grande (21ª RT)
3º lugar: Frederico Sá de Farias, CTG Velha Cambona – Portão (15ª RT)

Poesia
1º lugar: Inês Terezinha Busetti, CTG Rancho de Gaudérios – Farroupilha (25ª RT)
2º lugar: Jefferson Rogério Valente de Barros, CTG Raízes do Sul – Lajeado (24ª RT)
3º lugar: Jorge Claudemir Soares, CTG Tríplice Aliança – Uruguaiana (4ª RT)

Conto
1º lugar: Cândido Adalberto de Bastos Brasil, CTG Laço da Amizade – Gravataí (1ª RT)
2º lugar: Luciele da Costa Gomes, CTG Patrulha do Oeste – Uruguaiana (4ª RT)
3º lugar: Andréa Berenice Cavalheiro Rodrigues, CTG Presilha do Pago da Vigia – Santana do Livramento (18ª RT)

Fonte: www.enart2017.com

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O MTG muda regras, mas, a mentalidade segue.

Como sempre foi a postura do blog, defender um cultura verdadeiramente gaúcha, e sim, com raízes nos países da banda oriental de onde vem a origem do Gaúcho, o "el gaucho", vemos claramente a postura demasiadamente conservadora do MTG, em não aceitar e regrar a tradição.

De que adianta liberar a manta gel porque judia do animal e não coíbir o uso de esporas? Por que não flexibilizar a pilcha gaúcha e parar com essa ladaínha que somos da cultura brasileira, que não será aceito "estrangerismos" na tradição. Não adianta, pois, se tu ver a fundo a bombacha é estrangeira, e outra coisa, a mídia quando cita a cultura brasileira, fala em carnaval e futebol, ninguém lembra que no sul do Brasil tem um CTG.

Acho justo manter regras dentro de uma sociedade, mas, tudo evolui e devemos seguir em frente sem pisar e esquecer nosso passado, com certeza podemos ermanar em busca do ideal tradicionalista e modernidade que é uma realidade e mostrar as tradições aos mais novos e como era antigamente.

O MTG prega a preservação da família, justo, muito justo. Prega não discriminar ninguém devido sua classe e cor, justo também. Então, pergunto, porque quando eu participei levando meus filhos ao CTG, ninguém chamou a crinçada para explicar o que e porque eles estavam dançando aquelas danças, pilchadito no más? As prendinhas saíam do ensaio e enfiavam no ouvido todo o tipo de lixo cultural vindo da banda brasileira. O MTG esta cercado de regras e burocrácia, e está faltando coração gaúcho para retransmitir o sentimento que tem um gaúcho de verdade.

Falta o acolhimento em torno dos pequeninos, mostrar que é bom ser gaúcho, como faço com meu piá, mostro a música nativista, a música de galpão, conto o significado das lendas, faço acreditar no Negrinho do Pastoreio, faço gostar de vestir bombacha e cantar o hino do nosso pago a plenos pulmões. Faço eles fazerem tudo isso não com uma ordem e sim com exemplo.

Devemos dar o exemplo na atitude mais simples, como um troco errado no mercado, os filhos irão te perguntar, por que não ficaste com o dinheiro a mais, e tu responde: - Meu filho o verdadeiro gaúcho é justo e humilde, não devemos levar a melhor em cima de ninguém, muito menos nos mais humildes.

Está na hora de formar grupos para mostrar a juventude a importância de manter a tradição do Rio Grande, o valor do cavalo na nossa sociedade, mostrar os prédios da época e contar história de verdadeiros gaúchos, aqueles que não tinham regras nem fronteiras, e sim aqueles que como eu traz o Rio Grande no coração.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Blog CTG Sinuelo

Buenas gauchada guapa, é com muita satisfação que informo que está no ar o Blog do CTG Sinuelo, no qual eu sou o moderador do blog, ali terão todas informações referentes ao CTG. É só acessar lá vivente.

Quebra

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Invernada do CTG Sinuelo

Neste fim de semana a invernada do CTG Sinuelo se apresenta no Rodeio de Fagundes Varela, com suas invernadas Pré-mirim e Mirim. E eu louco de facero em ver a gurizada no meio do tradicionalismo, ainda mais os meus, a Guria uma prendinha muy hermosa se apresentando e o Guri no meio, ainda é pequeno, mas acho que vai seguir o gosto do pai.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Orgulho Gaúcho

Buenas indiada, neste fim de semana estive no ensaio da invernada do CTG Sinuelo, de Caxias do Sul, e me senti orgulhoso vendo aquela piazada toda, uns correndo e outros ensaiando a chula empuleirados no palco, os guris de bota e bombacha e as prendinhas com seus vestidos que sarandeiam nos passos das musícas tradicionais. Isto de fato, me emociona e me faz acreditar ainda mais que a chama da tradição está acesa, mesmo que em alguns casos, essas crianças ainda não tem a exata noção do que esta acontecendo no coração de seus pais, estão por gostar de dançar, por ser diferente e até mesmo porque o pai e mãe gostam, mas é assim que começa o orgulho e o sentimento tradicionalista, é uma herança que deve ser passada de geração em geração, nós como pais e orientadores temos que mostrar o rumo certo, mostrar que não devemos ter vergonha de amar nossa querência, nosso chão, ter orgulho de dizer: - Sou gaúcho, sim senhor!

Vamos levar nossas crianças e nossos jovem até o CTG e trazer o Rio Grande aos nossos corações.

domingo, 11 de julho de 2010

Invernada CTG Sinuelo

Buenas, a invernada do CTG Sinuelo da empresa Mundial SA convida à todos os pais que tenham seus peõezinhos entre 4 e 9 anos a participar da invernada pré-mirim do CTG, os ensaios acontecem na academia Mundial atrás da Voges Fundição apartir das 16hs..

Compareçam