sábado, 21 de março de 2026

Por que o estatuto do teu CTG pode estar te prejudicando sem tu saber

Puxa o mate e vem comigo nessa charla.

Tu chegas no galpão, a invernada está ensaiando, o cheiro de churrasco já tomou conta do ar, o salão está cheio de gente boa. O CTG está vivo. Está de pé. Está cumprindo seu papel.

Mas lá na gaveta — ou numa pasta empoeirada no armário da secretaria — tem um documento que ninguém abre há anos. Um documento que pode estar, silenciosamente, colocando tudo isso em risco.

O estatuto social do teu CTG.

O que é o estatuto e por que ele importa tanto?

O estatuto é a lei interna do CTG. É ele que define quem manda, como se decide, quem pode ser sócio, como se faz uma eleição, o que acontece com o patrimônio se a entidade fechar.

Sem um estatuto atualizado e bem feito, o CTG fica vulnerável. Não de um jeito visível, como uma goteira no telhado. De um jeito silencioso — que só aparece quando a crise já chegou.

E aí já é tarde.

Os sinais de que o estatuto do teu CTG está desatualizado

Responde com honestidade: Quando foi a última vez que o estatuto foi atualizado e registrado em cartório?

Se a resposta for "mais de 5 anos atrás" — ou pior, "não sei" — é quase certo que tem coisa errada ali.

Veja os problemas mais comuns que encontro nos CTGs da nossa região:

1. O Patrão não tem prazo de mandato definido

É mais comum do que parece. O estatuto diz algo vago como "o Patrão exercerá o cargo enquanto contar com a confiança da assembleia" — sem prazo fixo, sem regra clara de renovação.

O resultado? O CTG vira refém de uma pessoa. Quando ela vai embora — por doença, desentendimento ou cansaço — ninguém sabe como assumir. A entidade trava.

2. O Conselho Fiscal não existe ou não tem função definida

O Conselho Fiscal é o órgão que fiscaliza as finanças do CTG de forma independente da diretoria. É obrigatório por lei para associações.

Mas em muitos estatutos, ele aparece apenas no papel — sem composição definida, sem prazo de reunião, sem obrigação de emitir parecer. Na prática, não existe.

Isso significa que ninguém fiscaliza as contas de forma independente. Qualquer desvio, intencional ou não, pode passar despercebido por anos.

3. As regras de assembleia não cabem mais na realidade

Estatutos antigos exigem convocação por edital no jornal local, reunião presencial com quórum de dois terços dos sócios, votação apenas por voto físico. Tenta reunir dois terços dos sócios de um CTG grande numa quinta-feira à noite. Boa sorte.

O resultado prático: assembleias que não atingem quórum, decisões tomadas informalmente, aprovações que não têm validade jurídica.

4. Nenhuma menção à LGPD

A Lei Geral de Proteção de Dados existe desde 2020. Todo CTG que coleta nome, CPF, endereço e dados de sócios está obrigado a cumpri-la.

Um estatuto de 2012 obviamente não menciona isso. E aí o CTG opera em irregularidade sem saber — com risco de multa e de processos por parte de sócios.

5. A cláusula de dissolução está errada ou ausente

A lei exige que o estatuto defina o que acontece com o patrimônio do CTG em caso de dissolução. Muitos estatutos antigos não têm isso — ou têm de forma incorreta.

Isso pode inviabilizar o registro de alterações no cartório, bloquear financiamentos e até impedir que o CTG participe de editais públicos.

"Mas o nosso CTG funciona bem assim há anos..."

Eu sei. E é exatamente por isso que o problema é traiçoeiro.

O estatuto ruim não atrapalha o dia a dia. O churrasco acontece, os ensaios seguem, os eventos lotam. A vida do CTG continua.

Ele atrapalha nos momentos de crise:

Quando dois grupos disputam a direção e não há regra clara de desempate

Quando um Patrão morre ou adoece e ninguém sabe legalmente quem assume

Quando alguém questiona uma decisão financeira e não há registro formal de aprovação

Quando o CTG tenta abrir conta bancária nova e o banco exige documentos atualizados

Quando chega uma oportunidade de financiamento e a entidade está irregular

Nessas horas, o estatuto empoeirado vira um problema enorme — e às vezes irreversível.

Por onde começar

A boa notícia é que atualizar o estatuto não precisa ser um bicho de sete cabeças. Com o apoio certo, dá pra fazer em dois a três meses, de forma participativa, sem traumatizar a diretoria.

O caminho básico é:

1. Localizar o estatuto atual e verificar a data do último registro em cartório

2. Comparar com a legislação vigente — especialmente o Código Civil (artigos 53 a 61) e as resoluções da MTG

3. Identificar os pontos que precisam de atualização

4. Elaborar a minuta do novo estatuto com apoio jurídico

5. Convocar Assembleia Geral Extraordinária para aprovação

6. Registrar em cartório

Simples na teoria — mas é onde a maioria dos CTGs trava, porque ninguém na diretoria tem tempo, conhecimento ou energia pra conduzir esse processo sozinho.

Uma pergunta pra ti

Quando foi a última vez que alguém da tua diretoria abriu o estatuto do CTG pra ler?

Se a resposta te deixou desconfortável, é um bom sinal. Significa que tu já sabes por onde começar.

Nos próximos meses vou trazer mais conteúdo sobre gestão prática para CTGs — finanças, eventos, captação de sócios — sempre com respeito pela tradição e pela realidade de quem vive o galpão de dentro.

Se esse assunto mexeu contigo, compartilha com o Patrão ou o Capataz do teu CTG. Pode ser que eles precisem ler isso hoje.


Até o próximo chimarrão.

Escrito por Rodrigo Silva — gestor público, especialista em gestão de manutenção industrial e apaixonado pela cultura gaúcha. Ajudo CTGs a ficarem mais fortes por dentro para durarem muito mais por fora.

terça-feira, 17 de março de 2026

Agenda cultural - Festivais nativistas de março e abril

2026 é um ano histórico para a música gaúcha. São mais de 100 festivais nativistas programados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina — o maior calendário dos últimos anos. E ainda tem um motivo especial para quem é das Missões: as celebrações dos 400 Anos das Missões Jesuítico-Guaranis colorem de história e emoção cada palco, cada música, cada premiação. Aqui no Entrevero Xucro, reunimos todos os festivais de março (a partir desta sexta) e abril para tu não perderes nenhum.

MARÇO DE 2026

O festival mais importante do mês — e um dos mais importantes do estado, o 17º Canto Missioneiro da Música Nativa nos dias 26, 27 e 28 de março na Praça Pinheiro Machado (em frente à Catedral Angelopolitana) de Santo Ângelo/RS.

Um dos festivais mais tradicionais e importantes da música missioneira gaúcha, o Canto Missioneiro chega à sua 17ª edição com uma carga simbólica enorme: o troféu principal homenageia Cenair Maicá, e toda a programação integra as celebrações dos 400 Anos das Missões Jesuítico-Guaranis. O festival acontece integrado ao Conecta Missões — semana de painéis, feiras, gastronomia e cultura que movimenta Santo Ângelo de 26 a 29 de março.

Programação artística:

Quinta (26/03) — Coral Guarani, Os Bilias e Elerson Louz Gottardo.

Sexta (27/03) — Família Maicá e Os Fagundes.

Sábado (28/03) — Hermanos Guedes.

Categorias premiadas no 17º Canto Missioneiro:

- 1º lugar: R$ 7.000 + Troféu Cenair Maicá

- 2º lugar: R$ 5.000 + Troféu Tio Bilia

- 3º lugar: R$ 4.000 + Troféu Cindinho Medeiros

- Melhor Intérprete, Melhor Letra, Melhor Tema Missioneiro, Melhor Indumentária, Música Mais Popular

Canto Piá Missioneiro (juvenil) — também no dia 21 de março:

- 1º lugar: R$ 700 | 2º lugar: R$ 500 | 3º lugar: R$ 300 — todos com troféu

13ª Vertente da Canção Nativa

De 20 e 21 de março em Piratini/RS

Festival tradicional do sul do estado, na histórica Piratini — a Cidade dos Presidentes. A Vertente reúne composições inéditas com forte apelo lírico e regional, num cenário de muita história gaúcha.

No mesmo fim de semana ocorre a 3ª Vertentinha (21/03), categoria infantojuvenil — uma excelente opção para levar a gurizada.

19º Canto da Lagoa

27, 28 e 29 de março em Encantado/RS

Realizado em Encantado, no Vale do Taquari, o Canto da Lagoa é um festival consolidado no calendário nativista gaúcho, conhecido pela qualidade das composições e pelo ambiente acolhedor que reúne músicos e apreciadores da música regional.

No dia 28 ocorre o Canto da Lagoa Juvenil — incentivo a novos talentos da música nativa.

Dica do Entrevero Xucro: Se fosses escolher apenas um festival em março, vai ao Canto Missioneiro em Santo Ângelo. Em 2026, com a homenagem aos 400 Anos das Missões e o troféu Cenair Maicá, será uma noite histórica para a música gaúcha.


ABRIL DE 2026

Quatro festivais espalhados pelo estado, do extremo sul à fronteira com o Uruguai e de volta ao noroeste missioneiro.

5ª Tropeada da Canção Nativa

3 e 4 de abril em Santana do Livramento/RS

Na fronteira com o Uruguai, em Santana do Livramento — cidade de fronteira seca com Rivera —, a Tropeada da Canção Nativa reúne a música que vem dessa mistura única de culturas: gaúcha, uruguaia, e a herança platina que define o pampa do extremo oeste gaúcho. Um festival jovem, mas com muito futuro.

Fronteira viva: a influência uruguaia e argentina na música da Tropeada é algo único no calendário nativista.

6º Cordeiraço da Canção Nativa

11 de abril em Santa Margarida do Sul/RS

Pequeno município da região das Missões, Santa Margarida do Sul recebe o Cordeiraço — festival que valoriza a música de raiz e a tradição missioneira. No dia seguinte, 12 de abril, ocorre o 3º Cordeiraço Mirim, mostrando o compromisso do evento com as novas gerações.

Em dois dias seguidos: o Cordeiraço (adultos) no sábado 11 e o Cordeiraço Mirim (crianças e jovens) no domingo 12.

19ª Jerra da Canção Nativa

17, 18 e 19 de abril em Santa Vitória do Palmar/RS

No extremo sul do Rio Grande do Sul, quase na fronteira com o Uruguai, Santa Vitória do Palmar recebe a Jerra — um dos festivais mais longevos do calendário nativista do estado. O nome do festival já diz tudo: jerra é o ato de marcar o gado, de imprimir identidade. É exatamente isso que a música gaúcha faz com quem a ouve.

Santa Vitória do Palmar fica próxima à Lagoa Mirim e ao Chuí — um roteiro cultural e de ecoturismo para quem for ao festival.

Querência do Bugio — 16º Aparte

30 de abril a 2 de maio em São Francisco de Assis/RS

Atravessando a virada de abril para maio, o Aparte de São Francisco de Assis é um dos festivais mais queridos do calendário gaúcho. A Querência do Bugio tem nome e personalidade: o bugio, o macaco ruivo dos capões e beiras de arroio gaúcho, é símbolo de uma natureza que resiste — assim como a música nativista.

Festival de virada: começa em abril e encerra em maio — um dos poucos com essa característica no calendário.

Dica do Entrevero Xucro: A Jerra em Santa Vitória do Palmar é uma das experiências mais completas — festival de qualidade no extremo sul do estado, com a paisagem única da Lagoa Mirim como pano de fundo.

Resumo Geral — Todos os Festivais de Março e Abril

 Data | Festival | Cidade/RS | Região |

| 20-21/03 | 13ª Vertente da Canção Nativa | Piratini | Sul |

| 21/03 | 3ª Vertentinha (juvenil) | Piratini | Sul |

| 21/03 | 16º Canto Piá Missioneiro | Santo Ângelo | Missões |

| 26-28/03 | 17º Canto Missioneiro ⭐ | Santo Ângelo | Missões |

| 27-29/03 | 19º Canto da Lagoa | Encantado | Vale do Taquari |

| 28/03 | Canto da Lagoa Juvenil | Encantado | Vale do Taquari |

| 03-04/04 | 5ª Tropeada da Canção Nativa | Santana do Livramento | Fronteira Oeste |

| 11/04 | 6º Cordeiraço da Canção Nativa | Sta. Margarida do Sul | Missões |

| 12/04 | 3º Cordeiraço Mirim | Sta. Margarida do Sul | Missões |

| 17-19/04 | 19ª Jerra da Canção Nativa ⭐ | Santa Vitória do Palmar | Sul |

| 30/04-02/05 | 16º Aparte — Querência do Bugio | São Francisco de Assis | Fronteira Oeste |

Destaque da edição

Vai a algum festival? Conta pra nós!**

Se vais a algum desses festivais, deixa nos comentários — adoramos saber qual é a tua praça nativista preferida. E se tens fotos dos festivais anteriores, compartilha! A memória da música gaúcha se constrói junto.

As informações deste guia foram compiladas a partir da Agenda Nativista 2026 do blog Ronda dos Festivais (Jairo Reis), aqui tu tens além da agenda completa todas as notícias sobre os festivais, do Portal da Tradição e da Secretaria da Cultura do RS. Datas podem sofrer alterações — confirma sempre nos canais oficiais dos festivais antes de viajar.

Sabe de mais informações? Deixa nos comentários:

segunda-feira, 16 de março de 2026

Dicionário Gaudério - Xucro

XUCRO o que e bravio, indomável e autêntico, a essência do pampa gaucho.

Tu sabes o que significa XUCRO?

Adjetivo. No universo gaúcho, xucro é o animal que ainda não foi domado, o potro que nunca sentiu o peso de uma sela, a terneira que foge do laço, o touro que ninguém ainda ousou laçar ou encerrar na mangueira. Mas a palavra vai muito além do campo: virou sinônimo de tudo que é bruto, selvagem, autêntico, sem máscara.

Chamar alguém de xucro no Rio Grande do Sul pode ser um elogio disfarçado. É reconhecer que aquela pessoa tem fibra, que não foi amansada pelo mundo, que guarda em si algo genuíno e difícil de domar. É a marca de quem veio do chão, do vento e da lida.

"Aquele guri é xucro feito potro novo — não obedece ninguém, mas tem coragem de sobra."

A origem da palavra xucro é debatida entre os estudiosos do gaúchês. Uma linha aponta para o tupi-guarani çukuru, que designava animal feroz ou indomável. Outra corrente liga a palavra ao espanhol platino chúcaro, de mesma raiz semântica, muito usado no Uruguai e na Argentina para o animal não domado.

O certo é que a palavra chegou ao pampa gaúcho pela mistura de culturas que define essa região, indígena, ibérica, africana e se fixou no vocabulário com uma força que o tempo não apagou. Hoje, mais de dois séculos depois, ela ainda soa verdadeira na boca de qualquer gaúcho.

Como se usa no dia a dia?

O xucro aparece em múltiplos contextos, sempre carregando essa ideia de algo não domesticado:

No campo: Esse cavalo está xucro ainda, não chegou a vez da doma.

Para pessoas: É xucro o homem, mal chegou na cidade e já quer voltar pro interior.

Com carinho: Meu filho é um xucro igual ao pai, teimoso, mas de palavra.

Como identidade: Sou xucro e tenho orgulho, não fui criado em tapete, fui criado no campo.

Não é à toa que o nome deste blog carrega a palavra. Entrevero Xucro é uma declaração: aqui o conteúdo não é domesticado para agradar a todos. É bruto, autêntico e do pampa — do jeito que a cultura gaúcha merece ser contada.

Xucro e a doma: o maior rito do pampa

Entender o xucro é entender a doma, o ritual mais simbólico da cultura gaúcha. Domar um animal xucro não é quebrá-lo. O domador habilidoso não busca destruir o espírito bravio do animal: busca estabelecer uma parceria, um respeito mútuo entre duas criaturas livres que decidem trabalhar juntas.

Por isso o xucro é valorizado, não temido. Um animal que nunca foi xucro, que nasceu já mansinho demais, não tem a mesma força, o mesmo fôlego, a mesma garra de quem precisou ser conquistado. A bravura inicial é o que garante a qualidade final.

"Cavalo que nunca foi xucro nunca vai ser bom de campo, precisa ter o fogo antes de ter o freio."

O xucro na música e na poesia gaúcha

A palavra xucro atravessa décadas de música nativista e poesia gauchesca como um fio dourado. Compositores usam o xucro para falar de liberdade, de resistência, de identidade. É o gaúcho que não se curva, o pampa que não se deixa cercar, a tradição que não se deixa apagar pelo tempo.

Nos festivais de música nativista — da Califórnia da Canção Nativa ao Canto de Primavera — o universo do xucro aparece em metáforas, em imagens, em versos que celebram justamente o que não foi domado: o vento, o gaudério, a saudade, o pampa infinito.

Palavras da mesma família

Xucrada: conjunto de animais xucros, ou grupo de pessoas bravas e indômitas. Chegou a xucrada, prepara o laço.

Xucrez / Xucreza: o estado de ser xucro, a bravura natural. A xucreza daquele potro e impressionante.

Xucrar: verbo usado regionalmente para tornar-se bravio, fugir do domínio, agitar-se. O rebanho xucrou com a trovoada.

Tem algo de xucro em ti?

O pampa ensina que o mais valioso não é o que foi polido e domesticado — é o que manteve sua essência mesmo depois de tudo. Se tens algo de xucro em ti, cuida bem disso. É teu bem mais precioso.

Conta nos comentários: o que é xucro na tua vida? E se conheces outra palavra gaúcha que merece entrar no Dicionário Gaudério, deixa aqui a sugestão.

Série: Dicionário Gaudério - EP: Xucro
Acesse: entreveroxucro.blogspot.com




sábado, 14 de março de 2026

Capitais Gaúchas: os Títulos que o Rio Grande do Sul Carrega com Orgulho

O Rio Grande do Sul é campeão em títulos. Não só nos campos de futebol — mas nas leis e decretos que consagram suas cidades como capitais de produtos, tradições, atividades e identidades culturais. São dezenas de municípios gaúchos que carregam com orgulho reconhecimentos nacionais, estaduais e até informais, que contam um pouco da alma de cada canto do estado. A lista é longa, curiosa e, muitas vezes, surpreendente. Confira:

Alegrete — Capital Nacional da Linguiça Campeira | Lei Federal 15.021/2025

Ametista do Sul — Capital Nacional da Pedra Preciosa de Ametista | Projeto de Lei Federal 5617/2019 (em tramitação); reconhecida popularmente como Capital Mundial da Pedra Ametista

Antônio Prado — Capital Nacional da Massa e Cidade Mais Italiana do Brasil | Projeto de Lei Federal 2613/2019 (em tramitação)

Arvorezinha — Capital Nacional da Erva-Mate e do Melhor Chimarrão | Reconhecimento popular

Bagé — Capital Nacional da Criação de Cavalos da Raça Puro-Sangue Inglês | Lei Federal 14.571/2023; Capital Estadual do Cavalo Crioulo | Lei Estadual 13.771/2011

Bento Gonçalves — Capital Estadual do Vinho | Lei Estadual 10.852/1996; Capital Brasileira da Uva e do Vinho | Projeto de Lei Federal 3869/2025 (em tramitação); Capital Nacional da Indústria Moveleira | Projeto de Lei Federal 6515/2019 (em tramitação); reconhecida popularmente como Capital Brasileira das Parreiras

Bom Jesus — Capital Nacional do Tropeirismo | Projeto de Lei Federal 98/2015 (em tramitação)

Bom Princípio — Capital Estadual do Moranguinho | Lei Estadual 15.636/2021

Caçapava do Sul — Capital Gaúcha da Geodiversidade | Lei Estadual 14.708/2015

Cachoeira do Sul — Capital Estadual do Arroz | Lei Estadual 15.334/2019; Capital Nacional do Laço Feminino | Projeto de Lei Federal 3862/2019 (em tramitação)

Candiota — Capital Nacional do Carvão Mineral | Reconhecimento popular

Canela — Capital Nacional dos Parques Temáticos | Projeto de Lei Federal 4852/2020 (em tramitação)

Cândido Godói — Capital Mundial dos Gêmeos | Reconhecimento popular e internacional (cidade possui a maior taxa de nascimentos gemelares do mundo)

Canguçu — Capital Nacional da Agricultura Familiar | Projeto de Lei Federal 6408/2016 (em tramitação)

Canoas — Cidade do Avião | Lei Estadual 15.658/2021; Cidade Referência do Típico Xis Gaúcho | Lei Municipal 5.990/2016

Carlos Barbosa — Capital Nacional do Futsal | Lei Federal 13.503/2017

Carazinho — Capital do Galeto com Massa | Reconhecimento popular (com lei municipal que institui o prato como comida típica do município)

Casca — Capital Gaúcha do Leite | Reconhecimento popular (maior produção de leite do estado conforme dados do IBGE)

Caxias do Sul — Capital Nacional do Voluntariado | Lei Federal 13.560/2017; Capital Estadual dos CTGs | Lei Estadual 15.630/2021; Capital Brasileira das Parreiras | Reconhecimento popular

Dom Pedrito — Capital da Paz | Reconhecimento histórico (o Tratado de Paz da Revolução Farroupilha foi assinado no distrito de Ponche Verde, em Dom Pedrito)

Eldorado do Sul — Capital Estadual da Agricultura Familiar | Reconhecimento estadual/popular

Encruzilhada do Sul — Capital Nacional do Azeite de Oliva | Projeto de Lei Federal 2080/2021 (em tramitação)

Erechim — Capital Nacional do Rally | Projeto de Lei Federal 4273/2020 (em tramitação); Capital da Amizade | Reconhecimento popular

Esteio — Capital Nacional da Solidariedade | Lei Federal 14.425/2022; Capital Nacional da Expointer | Lei Federal 15.008/2024

Fagundes Varela — Capital Estadual do Torresmo | Lei Estadual 16.319/2025

Farroupilha — Capital Nacional do Moscatel | Lei Federal 13.784/2018

Feliz — Capital Estadual da Cerveja Artesanal | Lei Estadual 14.697/2015

Flores da Cunha — Capital Nacional da Vindima e maior produtora de vinhos do estado | Reconhecimento popular/setorial

Garibaldi — Capital Nacional do Espumante | Projeto de Lei Federal 9.692/2018 (aprovado na Comissão de Cultura da Câmara em 2025; aguarda CCJ e Senado)

Gramado — Capital Nacional do Chocolate Artesanal e Capital Nacional do Cinema | Lei Federal 14.120/2021

Guabiju — Capital Nacional do Guabiju | Lei Federal 14.862/2024; Capital Estadual do Guabiju | Lei Estadual 15.310/2019

Igrejinha — Capital Estadual do Voluntariado | Lei Estadual 15.340/2019; Capital Nacional do Voluntariado | Projeto de Lei Federal 5897/2019 (em tramitação)

Ijuí — Capital Nacional de Etnias | Lei Federal 14.280/2021

Ipê — Capital Nacional da Agricultura Ecológica | Lei Federal 12.238/2010

Lagoa Vermelha — Capital Nacional do Churrasco | Lei Federal 14.806/2024; Capital Nacional da Dança da Chula | Lei Federal 14.957/2024

Lindolfo Collor — Capital dos Tapetes de Couro | Lei Estadual 13.967/2012

Maquiné — Capital Nacional do Verde e Terra das Cascatas | Projeto de Lei Federal 404/2022 (em tramitação)

Montenegro — Capital Estadual e Berço da Bergamota Montenegrina | Lei Estadual 15.288/2019

Não-Me-Toque — Capital Nacional da Agricultura de Precisão | Lei Federal 12.087/2009; Capital Nacional da Agricultura | Lei Federal 12.081/2009

Nova Bréscia — Terra dos Churrasqueiros e Capital Nacional da Mentira | Lei Estadual 13.010/2008

Nova Petrópolis — Capital Nacional do Cooperativismo | Lei Federal 12.234/2010

Nova Santa Rita — Capital Estadual do Polo de Produção de Morangos | Reconhecimento estadual/popular

Novo Hamburgo — Capital Nacional do Calçado | Lei Federal 13.399/2016

Palmeira das Missões — Capital Berço da Erva-Mate | Projeto de Lei Federal 1499/2019 (em tramitação)

Passo Fundo — Capital Nacional da Literatura | Lei Federal 11.264/2006

Pelotas — Capital Nacional do Doce | Lei Federal 14.867/2024

Pinheiro Machado — Capital Nacional do Churrasco de Ovelha | Reconhecimento popular (sede da Feovelha, maior feira de ovinos do estado)

Pinto Bandeira — Capital Estadual do Pêssego de Mesa | Lei Estadual 15.341/2019

Piratini — Capital Simbólica do Rio Grande do Sul (Capital Farroupilha) | Lei Estadual 16.275/2025

Porto Alegre — Capital Mundial do Churrasco | Projeto lançado pela Prefeitura em 2022 (em andamento)

Rio Grande — Capital Nacional das Águas | Lei Federal 14.746/2023; Capital Mais Longeva do Futebol Brasileiro | Projeto de Lei Federal 4585/2021 (em tramitação)

Rolante — Capital Estadual das Cucas | Lei Estadual 15.820/2022; Capital Estadual do Bitcoin | Lei Estadual 16.312/2025; Capital Nacional da Cuca | Projeto de Lei Federal 9530/2018 (em tramitação)

Sant'Ana do Livramento — Capital Nacional da Ovelha | Lei Federal 15.110/2025

Santa Maria — Capital do Xis | Reconhecimento popular

Santa Rosa — Berço Nacional da Soja | Lei Federal 14.349/2022

Santo Antônio da Patrulha — Terra da Cachaça, do Sonho e da Rapadura | Lei Estadual 14.591/2014; Capital Nacional da Rapadura | Reconhecimento popular

Santo Ângelo — Capital das Missões | Reconhecimento popular

São Borja — Terra dos Presidentes | Lei Estadual 13.041/2008; Capital Gaúcha do Fandango | Lei Estadual 15.093/2018

São Gabriel — Capital Nacional do Arroz | Lei Federal 13.442/2017; Terra dos Marechais | Reconhecimento popular

São Leopoldo — Berço da Colonização Alemã no Brasil | Lei Federal 12.394/2011

São Luiz Gonzaga — Capital Estadual do Carreteiro | Lei Estadual 15.664/2021; Capital Estadual da Música Missioneira | Lei Estadual 14.123/2012

São Paulo das Missões — Capital Nacional do Jogo de Barril | Reconhecimento popular

Serafina Corrêa — Capital Nacional do Talian | Título conferido em 2015 (reconhecimento popular e institucional; o Talian é patrimônio imaterial do RS pela Lei Estadual 13.178/2009 e idioma cooficial do município pela Lei Municipal 2.615/2009)

Soledade — Capital Nacional das Pedras Preciosas | Lei Federal 15.217/2025

Teutônia — Capital Nacional do Canto Coral | Lei Federal 13.563/2017

Torres — Capital Nacional do Balonismo | Projeto de Lei Federal 9073/2017 (em tramitação)

Três Coroas — Capital Gaúcha do Rafting | Reconhecimento popular

Três Passos — Capital Nacional do Lambari | Lei Federal 14.512/2022

Turuçu — Capital Nacional da Pimenta Vermelha | Reconhecimento popular

Vacaria — Capital Nacional dos Rodeios Crioulos | Lei Federal 15.016/2024; Capital Gaúcha das Gincanas Culturais | Lei Estadual 15.159/2018

Venâncio Aires — Capital Estadual do Chimarrão | Lei Estadual 13.111/2009

Veranópolis — Terra da Longevidade | Reconhecimento popular e científico (certificada pela OMS como Cidade Amiga do Idoso em 2016); Berço Nacional da Maçã | Reconhecimento popular

Vicente Dutra — Capital Estadual da Cuia | Lei Estadual 15.777/2021

Victor Graeff — Capital Estadual da Cuca com Linguiça | Lei Estadual 15.693/2021

Vila Flores — Capital Nacional do Filó Italiano | Projeto de Lei Federal 4830/2016 (em tramitação)

Com mais de 90 municípios ostentando algum tipo de título — oficial por lei federal, estadual, municipal ou por reconhecimento popular — o Rio Grande do Sul é provavelmente o estado brasileiro com mais "capitais" por quilômetro quadrado. Cada título conta uma história: de colonização, de produção, de cultura, de bravura e, claro, de muito orgulho gaúcho.

Confira algumas curiosidades dessas capitais:

Nova Bréscia tem dois títulos curiosíssimos na mesma lei estadual: Terra dos Churrasqueiros e Capital Nacional da Mentira, por causa do tradicional Festival da Mentira realizado no município. Um caso único no estado — e talvez no Brasil.

Cândido Godói não tem lei, mas sua fama é mundial. A cada 100 nascimentos, cerca de 10 são de gêmeos — uma taxa dez vezes acima da média brasileira, estudada por pesquisadores da UFRGS há mais de 30 anos.

São Borja aparece com dois títulos por lei: Terra dos Presidentes (Getúlio Vargas e João Goulart nasceram lá) e Capital Gaúcha do Fandango.

Lagoa Vermelha é duplamente consagrada por lei federal: Capital Nacional do Churrasco (2024) e Capital Nacional da Dança da Chula (2024).

Clique neste AQUI link e confira um acervo no site da Amazon de livros sobre cidades gaúchas.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Biografia Gaúcha - Cenair Maicá

Das barrancas do Rio Uruguai para o mundo

Conhecido como o Poeta do Pampa, a voz que fez as Missões cantarem para o mundo. Cenair Maicá nasceu em 3 de maio de 1947, na localidade de Águas Frias, no que hoje é o município de Tucunduva — então distrito de Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul. Cresceu numa região de fronteira viva, onde o Brasil, a Argentina e o Paraguai se encontram nas águas do Rio Uruguai e nas memórias dos povos guaranis.

Desde pequeno, Cenair viveu essa mistura. Estudou na cidade de Oberá, na província argentina de Misiones, e ali aprendeu os primeiros acordes no violão, conheceu aspectos da cultura guarani e absorveu a música platina que mais tarde daria cor especial ao seu trabalho. Era um menino de fronteira — e essa fronteiridade seria a marca mais profunda de toda a sua arte.

De volta ao Brasil, foi para Santo Ângelo, onde passaria a maior parte da vida. Ali, aos 10 anos, já se apresentava em público ao lado do irmão Adelque, formando a dupla Irmãos Maicá. Tocavam nas rádios e nos bailes da região — dois guris cheios de talento e uma música que ainda mal sabia o tamanho que ia tomar.

"Se meu destino é cantar, eu canto." — Cenair Maicá

1966: o manifesto que mudou a música gaúcha

Em 1966, Cenair Maicá, Noel Guarany e Pedro Ortaça lançaram um manifesto que poucos documentos na história da música gaúcha igualam em importância. O texto reivindicava a herança guarani como parte legítima — e esquecida — da identidade do Rio Grande do Sul, e anunciava a intenção de criar, a partir dela, uma nova arte missioneira.

Até então, a identidade gaúcha oficial era quase que exclusivamente baseada na figura do estancieiro da campanha, do peão dos pampas do sul. As Missões — aquela região de história tão rica quanto esquecida — não tinham voz nos palcos nem nas gravadoras. Cenair e seus companheiros decidiram mudar isso.

Juntos, os quatro artistas — Cenair, Noel Guarany, Pedro Ortaça e Jayme Caetano Braun — ficaram conhecidos como os Quatro Troncos Missioneiros. Cada um com sua voz própria, mas todos enraizados na mesma terra e movidos pela mesma causa: dar ao povo missioneiro o lugar que lhe pertencia na cultura do estado.

1970: a consagração na Argentina e o início do sucesso

O nome Cenair Maicá entrou definitivamente na história da música gaúcha em 1970. Naquele ano, ele venceu o 7º Festival do Folclore Correntino, realizado em Santo Tomé, na Argentina, interpretando a música Fandango na Fronteira — composição de Noel Guarany, com quem dividiu o palco na noite da vitória.

A consagração foi dupla: para Cenair como intérprete e para os dois artistas como símbolo do que aquele manifesto de 1966 havia prometido. A vitória num festival internacional revelou que a música missioneira não era apenas uma questão regional — era arte com potencial para atravessar fronteiras.

O prêmio rendeu a gravação do compacto duplo Filosofia de Gaúcho (1970), o primeiro registro fonográfico oficial de Cenair. A partir daí, a carreira solo seria inevitável.

A carreira: poesia, denúncia e identidade

Em 1978, Cenair lançou Rio de Minha Infância, seu primeiro LP solo — produzido e dirigido por Noel Guarany. O disco apresentou ao público o universo que definiria toda a obra de Cenair: o Rio Uruguai e suas águas como metáfora de vida e liberdade, os ribeirinhos e balseiros como protagonistas esquecidos, os indígenas como herança viva — não como curiosidade histórica.

Nas canções Homem Rural e Balaio, Lança e Taquara, Cenair deu voz aos trabalhadores do interior — camponeses, índios, gente simples que raramente aparecia nas letras da música regional. Sua poesia era denúncia social embrulhada em melodia, um ato político disfarçado de milonga.

Não é por acaso que a Ditadura Militar censurou sua canção Canto dos Livres, proibindo sua execução nas rádios e chegando a apreender discos. Cenair era inconveniente para o regime — e isso era, para ele, o maior dos elogios.

Paralelamente à música, Cenair trabalhou como representante comercial das máquinas de escrever Olivetti e apresentou programas nas rádios Repórter de Ijuí, Sepé Tiaraju de Santo Ângelo e Liberdade FM de Viamão. Homem de muitas frentes, mas sempre com a música como centro.

"O músico, além de cantar as coisas bonitas, a alegria, tem que ser um porta-voz do povo." — Cenair Maicá

Imagem da internet

A saúde, a luta e a despedida

A vida de Cenair carregou uma sombra desde cedo. Aos 17 anos, num acidente, perdeu um rim. A consequência não foi imediata — mas o futuro já estava marcado.

Em 1984, o rim remanescente começou a falhar. Cenair precisou se submeter a sessões de hemodiálise, o que debilitou profundamente sua saúde e o afastou temporariamente dos palcos. Em 1985, realizou um transplante de rim — o doador foi seu irmão Darci Maicá, num gesto de amor que a família nunca esqueceu.

Em dezembro de 1988, foi internado para a colocação de uma prótese femural. Não resistiu a uma infecção hospitalar. Em 2 de janeiro de 1989, Cenair Maicá morreu em Porto Alegre, aos 41 anos. Uma vida curta, mas vivida com a intensidade de quem sabe que o tempo é precioso.

Como era seu desejo, foi enterrado pilchado, de botas e lenço vermelho. Seus restos mortais estão em Santo Ângelo, no mausoléu construído na entrada do Cemitério Municipal. Dois pilares marcam o local: um representando a MÚSICA, outro a POESIA. No centro, a frase que resume tudo: Se meu destino é cantar, eu canto. Ao lado da data de nascimento: Nasce o poeta. Ao lado da data de morte: O mundo fica mais triste.

Discografia

Cenair gravou um compacto duplo e quatro LPs ao longo da carreira, dois deles posteriormente relançados em CD. Uma obra pequena em volume, gigante em qualidade.

1970 - Filosofia de Gaúcho (compacto duplo). Com Noel Guarany. Primeiro registro de Cenair após vitória no Festival Correntino.

1978 - Rio de Minha Infância. 1º LP solo. Produção de Noel Guarany. Relançado em CD em 2003 na série Tradição Gaúcha.

1980 - Canto dos Livres. 2º LP. Contém a música censurada pela Ditadura Militar. Um dos mais importantes do nativismo gaúcho.

Imagem da internet

1983 - Meu Canto. 3º LP. Gravado com saúde já debilitada. Reúne composições de forte teor social e poético.

1985 - Companheira Liberdade. Relançamento/compilação das melhores faixas gravadas para o selo Rodeio (WEA). Reeditado em CD.

2003 - Tradição Gaúcha (coletânea). Relançamento em CD do LP Rio de Minha Infância. Lançado postumamente pela série Tradição Gaúcha.

Principais canções

Canto dos Livres; Balseiros do Rio Uruguai; Baile do Sapucaí; Bolicho; Homem Rural; Rio de Minha Infância; Balaio, Lança e Taquara; Fandango na Fronteira; Rio Ibicuí; João Sem Terra

O legado que as águas não apagam

Mais de três décadas após sua morte, Cenair Maicá segue vivo em cada roda de chimarrão onde alguém tatareia Canto dos Livres, em cada jovem compositor missioneiro que sente que precisa falar do povo simples, em cada artista que se recusa a deixar o comercial sobrepor o verdadeiro.

O legado é concreto também: uma rodovia recebe seu nome — a RS-536, no noroeste gaúcho. Travessas em Tucunduva e em Santo Ângelo. Um mausoléu. Um busto. E uma entrevista gravada em fita magnética no Museu Antropológico de Ijuí, onde sua voz ainda ecoa para quem quiser ouvir.

Cenair Maicá não fez muito disco. Mas fez música que dura. E isso, no fundo, é o único legado que importa.

"Nasce o poeta." — inscrição no mausoléu de Cenair Maicá, ao lado da data de nascimento

Conheces a obra de Cenair Maicá?

Qual é a tua música favorita do Cantor Missioneiro? Deixa nos comentários — e se tens uma história ligada à obra de Cenair, conta para nós. A memória de quem fez história merece ser mantida viva por quem a viveu.

terça-feira, 10 de março de 2026

Dicionário Gaudério - Entrevero

ENTREVERO - esta é a palavra que nos acompanha, y tu sabes vivente, quando tudo se mistura no pampa — a vida fica mais interessante.

Mas, afinal o que significa ENTREVERO?

Substantivo masculino. No linguajar gaúcho, entrevero é a mistura confusa, o embaralhamento de coisas, pessoas ou situações. É a briga generalizada onde todos brigam com todos, o rebanho que se mistura com o do vizinho, a conversa que começa num assunto e termina em outro completamente diferente.

Mas — e aqui está a riqueza da palavra — o entrevero não é necessariamente algo ruim. Pode ser o animado encontro de amigos no galpão onde as histórias se embaralham e ninguém sabe mais quem começou qual conversa. Pode ser a festa onde o salão da dança vira um só corpo pulsante. O entrevero é a vida em seu estado mais vivo.

"Deu um entrevero danado — gado, gente e cachorro, tudo junto, entreverados."

A origem da palavra vem do verbo espanhol entreverar, que significa misturar, intercalar, embaralhar. Chegou ao Rio Grande do Sul pela fronteira com o Uruguai e a Argentina, como tantas outras palavras que compõem o falar gaúcho — esse rico entrevero linguístico por si só.

No contexto militar do século XIX, o termo designava a batalha de cavalaria em que os soldados se misturavam ao inimigo em combate corpo a corpo — diferente do ataque organizado em formação. Daí a ideia de confusão intensa, de forças que se embaralham sem distinção.

Como se usa no dia a dia? O entrevero aparece em diferentes contextos do cotidiano gaúcho:

No campo: "Aquele vento forte causou um entrevero no rebanho — levou a manhã toda pra separar os bichos."

Na política e nos negócios: "A reunião virou um entrevero — cada um puxando pro seu lado, ninguém se entendia."

No bom sentido: "Que entrevero bom aquele baile! Música, chimarrão, prosa — não dava nem pra saber que horas eram."

Na culinária: "entrevero é a mistura de carnes, gado, frango, porco, linguiça, etc."

E claro — no nome deste blog. Entrevero Xucro é exatamente isso: uma mistura brava e autêntica de cultura, história e identidade gaúcha. Sem filtro, sem adorno. Do jeito que o pampa é.

O entrevero na música gaúcha e a palavra marcou presença em letras de músicas nativistas e na poesia gauchesca. O entrevero virou metáfora da própria alma do pampa — aquele lugar onde o vento, o gado, o povo e a saudade se misturam sem pedir licença.

Nos grandes festivais, compositores sempre voltam a esse universo do entrelaçamento: de raças, de culturas, de idiomas, de fronteiras que existem no mapa mas não no coração das pessoas.

"O pampa é um entrevero de horizontes — onde o céu não sabe onde termina e a terra não sabe onde começa."

Palavras da mesma família:

Entreverado(a): misturado, embaralhado. Exemplo: Aquele rebanho está todo entreverado com o do vizinho.

Entreverar: o verbo. Misturar, embaralhar, intercalar. Exemplo: Não vai entreverar as coisas, senão perde tudo.

Entrevero de ideias: expressão comum para uma conversa onde os assuntos se misturam de forma produtiva - ou não.

Y tu tchê, já se pegou num entrevero hoje?

Conta nos comentários a melhor situação de entrevero que já viveste. E se conheces outra palavra gaúcha que merece um post, deixa a sugestão — este dicionário é construído em conjunto, como todo bom entrevero deve ser.

Série: Dicionário Gaudério - EP: Entrevero

Acesse: entreveroxucro.blogspot.com



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Bioma Pampa: Origem do Gaúcho, Cultura do Rio Grande do Sul e Diferenças entre Brasil, Argentina e Uruguai

Quando se pesquisa no Google sobre o Bioma Pampa, sobre a formação do gaúcho ou sobre as diferenças entre os gaúchos do Brasil, da Argentina e do Uruguai, quase sempre os assuntos aparecem separados. Mas, aqui no Sul, a gente sabe que não dá para falar de um sem falar do outro. O campo moldou o homem, o homem moldou a cultura, e tudo isso nasceu numa mesma paisagem: o Pampa.

O Bioma Pampa, também conhecido como Campos do Sul ou Campos Sulinos, ocupa cerca de 176,5 mil km² no Brasil, o que representa aproximadamente 2% do território nacional. Ele está presente exclusivamente no estado do Rio Grande do Sul, onde cobre cerca de 63% do território gaúcho, e se estende pela Argentina e pelo Uruguai, formando uma grande faixa contínua de campos naturais no sul da América do Sul. A palavra “pampa” vem de origem indígena e significa “região plana”, embora, na prática, a paisagem seja marcada por coxilhas suaves, várzeas úmidas e horizontes que parecem não ter fim.

Diferente de outros biomas brasileiros, o Pampa é essencialmente campestre. A vegetação é formada principalmente por gramíneas e plantas herbáceas, com poucas árvores espalhadas. À primeira vista, pode parecer tudo igual, um grande tapete verde baixo, variando entre 60 centímetros e 1 metro de altura. Mas basta olhar com mais atenção para perceber a riqueza que existe ali. Nos topos mais planos, a vegetação é mais rala; nas encostas, torna-se mais densa e diversa, com predominância de gramíneas, compostas e leguminosas. Gêneros como Stipa, Piptochaetium, Aristida, Melica e Briza fazem parte desse cenário natural, além de espécies endêmicas de cactos e bromeliáceas que só existem nessa região.

Os campos do Sul são considerados formações edáficas, ou seja, estão diretamente ligados às características do solo. O solo do Pampa, em geral, apresenta baixa fertilidade natural e é bastante suscetível à erosão. Em áreas de contato com o arenito Botucatu, especialmente na região de Quaraí e Alegrete, surgem solos podzólicos vermelho-escuros e fenômenos de arenização que, muitas vezes, são confundidos com desertificação. Essa fragilidade ambiental exige cuidado, principalmente quando se fala na substituição dos campos naturais por monoculturas. Toda monocultura provoca desequilíbrio ambiental, reduzindo algumas espécies, favorecendo outras e alterando funções ecológicas básicas. Num bioma naturalmente campestre, essas mudanças têm impacto ainda mais profundo.

Um exemplo de preservação dentro desse contexto é a Área de Proteção Ambiental do Rio Ibirapuitã, onde se encontram formações campestres e florestais de clima temperado distintas de outras regiões do país. Ali vivem mamíferos raros ou ameaçados de extinção, diversas espécies de aves e até peixe endêmico da bacia local. Isso mostra que o Pampa não é um “campo vazio”, mas um ecossistema complexo e um dos mais importantes do mundo em termos de biodiversidade campestre.

Foi nesse ambiente de clima temperado, com temperatura média em torno de 18°C, entre coxilhas e várzeas, que começou a se formar o modo de vida gaúcho. Muito antes da chegada dos europeus, povos indígenas como guaranis e charruas já viviam nessas terras, em equilíbrio com o Bioma Pampa. Caçavam, pescavam, cultivavam e conheciam o ritmo da natureza. Com a chegada de espanhóis e portugueses no século XVII, a região passou a viver disputas territoriais, missões religiosas e mudanças profundas na organização social.

A formação do gaúcho é resultado direto dessa mistura. Indígenas, europeus e africanos escravizados contribuíram para a construção de uma identidade própria, ligada ao campo e à pecuária. A introdução do cavalo pelos europeus e o desenvolvimento da criação extensiva de gado mudaram a economia da região e consolidaram a figura do homem campeiro. O gaúcho passou a ser reconhecido como hábil cavaleiro, conhecedor da lida com o gado, resistente ao frio e ao calor, acostumado às longas distâncias das estâncias.

No século XIX, conflitos como a Revolução Farroupilha reforçaram o sentimento regionalista no Rio Grande do Sul. A guerra, motivada por questões econômicas e políticas, marcou a memória coletiva e fortaleceu a ideia de autonomia e orgulho local. Até hoje, a Semana Farroupilha mantém viva essa lembrança em todo o estado. Ao mesmo tempo, a chegada de imigrantes alemães e italianos trouxe novos elementos culturais, principalmente na Serra Gaúcha, influenciando a agricultura, a produção de vinhos, o artesanato e a gastronomia.

O churrasco, preparado no espeto e no fogo de chão, nasceu nas estâncias como forma simples e prática de assar carne. O arroz carreteiro, o feijão mexido e tantos outros pratos surgiram da rotina campeira. O chimarrão, compartilhado em roda, tornou-se símbolo de hospitalidade e convivência. Bombacha, lenço no pescoço, poncho e bota deixaram de ser apenas vestimentas funcionais para se transformarem em símbolos de identidade. Tudo isso tem origem direta na vida moldada pelo Pampa.

Quando ampliamos o olhar para além das fronteiras brasileiras, percebemos que o gaúcho não é exclusividade do Rio Grande do Sul. Nos pampas da Argentina e do Uruguai, encontramos figuras muito semelhantes. A base é a mesma: campos abertos, pecuária extensiva, cavalo, laço e vida nas estâncias. Na Argentina, o gaucho foi eternizado na literatura e elevado à condição de herói rural. No Uruguai, faz parte do imaginário nacional e das tradições do interior. No Brasil, consolidou-se como símbolo regional, especialmente ao longo do século XIX.

Existem diferenças, claro. No Rio Grande do Sul, a tradição é organizada e preservada por meio de entidades e normas que regulamentam a pilcha e as manifestações culturais. Em Buenos Aires ou Montevidéu, o gaúcho é mais símbolo histórico e cultural do que presença cotidiana nas grandes cidades. Na culinária, o churrasco gaúcho convive com o assado argentino e uruguaio, preparado na parrilla e com cortes variados. O mate atravessa fronteiras, mudando apenas detalhes no modo de preparo.

Apesar das particularidades, o que une os três países do Pampa é maior do que o que os separa. Honra, coragem, companheirismo e respeito pela terra são valores compartilhados. A paisagem de campos abertos criou um tipo humano adaptado à liberdade e à vastidão do horizonte. O Pampa formou o gaúcho, e o gaúcho ajudou a construir a história do sul do continente.

Por isso, quando alguém pesquisa sobre o Bioma Pampa, sobre a cultura do Rio Grande do Sul ou sobre as diferenças entre gaúchos do Brasil, da Argentina e do Uruguai, está, na verdade, buscando entender uma mesma raiz. Não se trata apenas de geografia ou de folclore, mas de uma relação profunda entre natureza e identidade. O Pampa é chão, é história e é cultura viva. E enquanto houver campo aberto, mate passando de mão em mão e cavalo cruzando coxilha, essa identidade seguirá firme, atravessando gerações e fronteiras.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Por quê o gaúcho chama o dinheiro de pila?

Quem vem para o Rio Grande do Sul estranha ao ouvir a frase: “me empresta uns pila”, “isso aí custa dez pila”, “tô sem pila hoje”. A palavra atravessou gerações, resistiu à troca de moedas e saiu das fronteiras do Estado junto com os gaúchos que migraram Brasil afora. Mas afinal, de onde veio esse termo tão nosso?

A origem é política — e histórica. O “pila” tem sobrenome: Raul Pilla. Médico e liderança marcante do antigo Partido Libertador, Pilla foi um dos principais defensores do parlamentarismo no país e adversário declarado de Getúlio Vargas nos turbulentos anos 1930. Com a derrota política e os desdobramentos da Revolução Constitucionalista de 1932, acabou exilado no Uruguai, praticamente sem recursos.

Foi então que seus correligionários organizaram uma forma de ajudá-lo financeiramente. Criaram bônus, uma espécie de título ou letra partidária, em que o portador contribuía com determinado valor em cruzeiros “em prol da Democracia”. O documento vinha assinado por Raul Pilla e funcionava como uma arrecadação solidária para sustentar o líder no exterior. O dinheiro recolhido era enviado a ele.

Esses papéis passaram a circular entre simpatizantes e, pouco a pouco, o sobrenome estampado na assinatura virou sinônimo da própria contribuição em dinheiro. “Me dá um Pilla” teria se transformado naturalmente em “me dá um pila”. O termo pegou. E ficou.

Há também uma versão popular, mais folclórica, segundo a qual cabos eleitorais teriam cortado cédulas ao meio, entregando uma parte ao eleitor com a promessa de receber a outra após o voto confirmado em Raul Pilla. Embora pitoresca, essa história é vista mais como lenda política do que como fato comprovado.

O que é fato é que a palavra atravessou o tempo. Réis, cruzeiros, cruzados, cruzeiros novos, reais — pouco importou a mudança na economia nacional. No linguajar gaúcho, um pila sempre correspondeu a uma unidade da moeda corrente. Hoje, equivale a um real. Ontem, foi um cruzeiro. Antes disso, outro valor. O nome sobreviveu a todos.

O mais curioso é que o regionalismo ultrapassou as divisas do Estado. Em cidades de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e até mais longe, onde há presença gaúcha, o “pila” também circula na fala cotidiana. É um traço cultural que viajou junto com a bombacha, o chimarrão e o sotaque.

No fim das contas, o “pila” é mais do que dinheiro. É memória política, é identidade linguística e é prova de como a história pode se entranhar no vocabulário popular sem que muita gente saiba exatamente por quê. E assim segue, firme no bolso e na boca do povo: pila pra cá, pila pra lá.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Tu és gaúcho raiz ou nutella?

Pois é gauchada, as vezes nas redes sociais sempre escutamos debates e até embates sobre raiz e nutella. Mas primeiramente os defensores do raiz, deveriam exemplificar e esclarecer o que é ser raiz, pois, não conseguimos compreender um raiz nos moldes defendidos fazer discurso no celular, que é uma tecnologia muito nutella e nos poupa de muitas dificuldades.

Hoje por desinformação, que é muito comum em todas as áreas, as pessoas acham que escutar sertanejo antigo e Mano Lima é ser raiz, que escutar vaneira de banda e bailão não é gaúcho raiz. Na minha opinião, escutar sertanejo antigo nem gaúcho é, e por incrível que se pareça o sertanejo universitário se identifica mais com a cultura gaúcha, pois, tem sua levada marcada pela vaneira bem mais simplificada, quem é do ramo musical pode auxiliar e a partir desse ponto podemos definir como gostar ou não de um gênero e não se é ou não gaúcho. 

Outro ponto, é criticar a ponto de faltar o respeito os músicos de bandas gaúchas como os Tchês, Bailaço, entre outros pelo fato de não pilchar e não "ser raiz" mas, esquecem que são eles que atravessaram as fronteiras do Sul mostrando a "nossa" vaneira. Então, raízes entendidos de plantão, me expliquem por que estes gaúchos não podem ter seu trabalho respeitado e aceito na música se seus próprios filhos não seguem o raiz e devem ouvir coisas bem piores do centro do país e dos Estados Unidos que ultimamente tão idolatrado por aqui.

Ir nas redes sociais bradar bagualismo e desrespeitar pessoas é muito fácil atrás de uma tela, porém, muitos gaúchos por aí tem embaixo do mesmo teto o filho fazendo dancinha de tiktok com música pop ou funk. O desrespeito ao compatriota gaúcho faz com que o tradicionalista fique taxado de um tosco preconceituoso e retrógrado, e de certa forma é assim mesmo. Pois vamos aos fatos, hoje muitos tendem a levar para o lado político seu gauchismo, como já escutamos frases como: sou gaúcho, então sou de direita. Sou gaúcho e sou conservador. Sou gaúcho e agro, mas, o sujeito não tem um pinto para dar boia. Primeiramente isso mostra o despreparo do sujeito que muitas vezes está a frente de um ctg, piquete ou qualquer outra entidade tradicionalista, pois, os ideais farroupilha que tanto exaltam tem cunho estancieiro, capitalista e maçônico sim, mas, também muitos ideais revolucionários da Revolução Francesa, que se olharmos a fundo o viez é social, portanto, socialista.

Isso mostra que a maioria dos gaúchos hoje em dia estão ficando com um déficit intelectual elevadíssimo, pois, deixaram de buscar raízes e conhecimento sobre a nossa origem e ficam bradando ideais falsos, de moralidades duvidosas em busca do discurso que está do lado raiz.

Quer ser raiz? Então faça o seguinte, estude nossas origens, ideias republicanos de Netto, veja como fomos forjados, conheça a história da Cisplatina e de onde veio um tal de "índio vago" que apareceu em uma certa banda em 1700 e pouco. Depois de tudo isso, podemos definir e separa o raiz e o nutella, mas, me desculpem, enquanto estiverem metendo política na nossa cultura e levando tudo para o lado político, eles vão conseguir o que querem, acabar com a nossa identidade e normalizar e padronizar o Brasil em direita e esquerda e sabe de qual o lado que estamos, do lado de fora, do lado intelectual que defende a tradição gaúcha que se moldou no cotidiano, do lado do Rio Grande do Sul, da República Rio-Grandense. 


sábado, 3 de janeiro de 2026

Posicionamento da musical regional em 2025

 Como já é de costume, todo encerramento de semestre e de ano fizemos uma análise da nossa musica regional pelo site Connectmix, para ver o desempenho no primeiro semestre, clique AQUI.

A cada virada de ano, fizemos a comparação com o mês anterior e uma breve análise.

Região Sul – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 39º Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti


Região Sul – Rádios Comunitárias

5º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

17º lugar: Saudade da Ex – Céu e Cantos e Brilha Som


Rio Grande do Sul – Rádios Comerciais

8º lugar: Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti

16º lugar: Esperando Na Janela – Brilha Som


Rio Grande do Sul – Rádios Comunitárias

2º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

6º lugar: Me Diz – Brilha Som e Corpo e Alma

7º lugar: Apartamento 104 – Grupo Festerê e Cleiton Borges

9º lugar: Saudade da Ex – Céu e Cantos e Brilha Som

19ºlugar: Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti

20º lugar: Uma Só Lajota - Cleiton Borges


Santa Catarina – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 60º Data Especial – Corpo e Alma e Marcos & Belutti


Santa Catarina – Rádios Comunitárias

1º lugar: Amor Infinito – Céu e Cantos

12º lugar: Amada Que Mora Longe – Céu e Cantos


Paraná – Rádios Comerciais

Sem artistas regionais no Top 100.


Paraná – Rádios Comunitárias

Sem artistas regionais no Top 20.

Primeira que aparece: 40º Amor Infinito – Céu e Cantos

Comparando aos números de 2024 AQUI no seguimento Região Sul comercial, Corpo e Alma segue como destaque, fora do top 20, mas, na mesma posição com outra música. Já na Região Sul comunitária, nossa música perdeu força, caindo de 5 para 2 músicas no top 20.

Já por estado, o RS se destaca como berço e popularidade da música regional e das bandas de bailão, inclusive aumentando de 1 para 2, no seguimento comercial, porém, caiu de 8 para 6 no comunitário.

Em SC, no comercial não temos top 20, mas, a melhor posicionada melhorou no ranking de 93º para 60º e no comunitário caiu de 3 para 2.

Já o PR, não está representando o bailão, em ambos os seguimentos não temos artistas no top 20 e no comercial nem no top 100, o comunitário caiu a melhor colocada de 23º para 40º, será que devemos desconsiderar ano que vem? Amigos paranaenses, colaborem com a música regional.

Nos acompanhe e deixe sua opinião nos comentários