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quinta-feira, 18 de junho de 2026

O dia em que o Rio Grande enfrentou o Brasil

Quando o orgulho gaúcho vestiu a mesma camiseta

Há partidas que valem mais que um título. Há jogos que entram para a história porque representam um povo.

E talvez nenhum jogo represente tão bem o orgulho gaúcho quanto aquele 17 de junho de 1972, quando a Seleção Gaúcha entrou no gramado do Beira-Rio para enfrentar a poderosa Seleção Brasileira.

Não era apenas um amistoso. Era o Rio Grande do Sul defendendo sua identidade. Era um estado inteiro mostrando que, antes de tudo, era gaúcho.

Naquele dia, Grêmio e Internacional deixaram de lado uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro para vestir a mesma camiseta.

O adversário era nada menos que a Seleção Brasileira, tricampeã do mundo apenas dois anos antes, dona de craques como Rivellino, Jairzinho, Clodoaldo, Leão e Paulo César Caju.

Mas para os gaúchos isso pouco importava. O sentimento era outro.

O Rio Grande queria respeito.

A origem da revolta gaúcha

Tudo começou quando o técnico Zagallo deixou de convocar Everaldo para a Taça Independência de 1972.

O detalhe é que Everaldo não era um jogador qualquer. Era o lateral-esquerdo titular da Seleção Brasileira campeã do mundo em 1970.

O único gaúcho daquele time histórico. Para muitos torcedores, dirigentes e jornalistas do Rio Grande do Sul, a ausência foi interpretada como uma injustiça.

Rapidamente surgiu uma ideia ousada: Se a Seleção Brasileira não valorizava os jogadores gaúchos, que viesse enfrentar o futebol gaúcho dentro da sua própria casa.

E assim nasceu a Seleção Gaúcha.

Um estado inteiro contra o Brasil

Os relatos da época parecem exagerados. Mas não são.

Mais de 100 mil pessoas lotaram o Beira-Rio. O estádio transformou-se em um mar vermelho, verde e amarelo do Rio Grande. Bandeiras gaúchas dominavam as arquibancadas.

Segundo jogadores da Seleção Brasileira, praticamente não havia bandeiras do Brasil.

O ambiente era tão intenso que alguns atletas brasileiros disseram ter a sensação de estar jogando em outro país.

Para compreender aquele momento é preciso entender o espírito do povo gaúcho.

O Rio Grande do Sul sempre cultivou forte identidade própria.

A história farroupilha, a formação fronteiriça, a cultura campeira e o tradicionalismo criaram um sentimento de pertencimento raro no país.

Naquele dia, esse sentimento ganhou forma dentro de um estádio.

O jogo que entrou para a eternidade

A Seleção Gaúcha reuniu jogadores da dupla Gre-Nal.

O Brasil trouxe praticamente sua força máxima.

Logo no início, Tovar abriu o placar para os gaúchos. Jairzinho empatou.

Carbone colocou os gaúchos novamente na frente. Paulo César Caju empatou.

Claudiomiro marcou o terceiro gol gaúcho. E Rivellino decretou o empate em 3 a 3.

O resultado oficial foi empate. Mas no coração dos torcedores, a sensação era outra.

O Rio Grande havia provado que podia enfrentar de igual para igual o melhor futebol do planeta.

Muito mais que futebol

Aquele confronto tornou-se um símbolo cultural. Representava algo maior que um simples placar.

Era a demonstração de que o povo gaúcho valorizava sua história, seus atletas e sua identidade.

Talvez por isso o jogo continue sendo lembrado mais de cinquenta anos depois.

Não foi apenas Grêmio e Inter unidos. Foi o Rio Grande unido.

Algo raro. Algo histórico.

A Seleção Gaúcha voltou em 1978

Seis anos depois, a história quase se repetiu.

Antes da Copa do Mundo da Argentina, a Seleção Gaúcha voltou a enfrentar a Seleção Brasileira.

O jogo terminou empatado em 2 a 2.

Mais uma vez houve polêmica, reclamações da torcida e a sensação de que os jogadores gaúchos mereciam maior reconhecimento nacional.

Entre os destaques estavam nomes como Falcão, Tarciso e Éder.

E o que aconteceu com a Seleção Gaúcha?

Com o passar dos anos, a Seleção Gaúcha deixou de existir como equipe permanente.

O crescimento do calendário nacional, a profissionalização do futebol e a falta de datas inviabilizaram novos confrontos.

Hoje ela sobrevive apenas na memória dos torcedores e nos registros históricos. Mas sua importância permanece.

Porque a Seleção Gaúcha nunca foi apenas um time. Foi uma ideia.

A ideia de que o Rio Grande do Sul possui identidade própria, cultura própria e uma forma única de enxergar o mundo.

Um legado que continua vivo

Mais de meio século depois, aquele empate continua sendo contado de geração em geração.

Pais contam aos filhos. Avós contam aos netos. Os jornais antigos viraram relíquias. As fotografias viraram documentos históricos.

E o orgulho continua o mesmo. Talvez porque aquele jogo tenha mostrado algo que os gaúchos já sabiam: o Rio Grande do Sul sempre foi parte do Brasil.

Mas nunca deixou de ser, acima de tudo, Rio Grande.

E naquele 17 de junho de 1972, por noventa minutos, o Rio Grande inteiro entrou em campo.

Seleção Gaúcha de 1972




domingo, 12 de abril de 2026

Erva-mate Barão também entra no futebol

Barão, de Barão de Cotegipe, fecha parceria com o Grêmio — e o chimarrão entra em campo no futebol gaúcho

Recentemente o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense anunciou uma parceria com a Barão Erva-Mate e Chás — ervateira gaúcha fundada em 1951 na cidade de Barão de Cotegipe, no Alto Uruguai. Com o acordo, a marca passa a integrar o time de parceiros oficiais do clube tricolor, unindo dois símbolos do Rio Grande do Sul: o maior clube de futebol do estado e uma das marcas de erva-mate mais tradicionais do Brasil.

A parceria chega num momento especial para a indústria ervateira gaúcha — semanas depois de outra ervateira do RS, a Baldo de Encantado, anunciar que será a fornecedora oficial de erva-mate da Seleção Argentina para a Copa do Mundo de 2026. Dois anúncios, uma mesma mensagem: a erva-mate gaúcha está conquistando o mundo do esporte.

A história da Barão — 75 anos de chimarrão no RS

A Barão Comércio e Indústria de Erva-Mate nasceu em 1951, fundada por Etelvino Picolo na cidade que leva o nome do próprio produto — Barão de Cotegipe, no noroeste do Rio Grande do Sul, região do Alto Uruguai. O fundador veio de uma família ligada à terra e ao mate, e desde o início o compromisso foi claro: honrar a tradição gaúcha do chimarrão com qualidade e respeito à erva.

A primeira erva-mate produzida por Etelvino Picolo é referência até hoje dentro da empresa — um blend que se tornou o ponto de partida para toda uma linha de produtos que, ao longo de 75 anos, cresceu para incluir ervas-mate de diferentes perfis, tererés, chás e até cápsulas compatíveis com máquinas de café expresso.

Hoje, com sede na Rua Ilma Picolo, 368, no centro de Barão de Cotegipe, a empresa se define como a marca líder em erva-mate e chás no Brasil — e os números dão razão à afirmação. São décadas de presença nas gôndolas gaúchas, brasileiras e internacionais, com exportações que levam o mate do Alto Uruguai para outros continentes.

"Desde 1951, compartilhando histórias com você." — lema da Barão Erva-Mate

Barão de Cotegipe — a cidade que nasceu para o mate

Para entender a Barão, é preciso entender Barão de Cotegipe — um município de pouco mais de 9 mil habitantes encravado na região do Alto Uruguai, onde a erva-mate nativa sempre foi parte da paisagem, da economia e da identidade das famílias.

A região é um dos polos históricos de produção de erva-mate do Rio Grande do Sul — terra onde imigrantes italianos e seus descendentes aprenderam a trabalhar a erva com um cuidado que vem de gerações. É desse território que nasce a Cambona 4 — variedade de erva-mate nativa reconhecida pelo sabor suave e pela origem controlada, uma singularidade que a Barão incorporou à sua linha premium.

Quando Etelvino Picolo fundou a empresa em 1951, estava fazendo exatamente o que aquela terra sempre soube fazer: transformar a planta do pampa em cultura, em produto, em orgulho.

Tradição encontra tradição — erva-mate e futebol gaúcho

O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense foi fundado em 15 de setembro de 1903 — um clube que atravessou mais de um século sendo símbolo de Porto Alegre, do RS e do futebol brasileiro. Tricampeão da Libertadores, campeão mundial de clubes, Tríplice Coroa em 1996 — a história tricolor é longa e repleta de conquistas.

A parceria com a Barão não é apenas um patrocínio comercial. É o encontro de duas tradições gaúchas que carregam, cada uma à sua maneira, a identidade do estado. O futebol e o chimarrão são talvez os dois rituais mais universais entre os gaúchos — presentes tanto no galpão da estância quanto nas arquibancadas da Arena.

Em 2026, ano em que o Grêmio celebra os 30 anos da Tríplice Coroa de 1996, a chegada da Barão como parceira reforça o vínculo do clube com marcas genuinamente gaúchas, num momento em que o tricolor busca reconstruir sua base de patrocinadores após o encerramento de contratos anteriores.

"O chimarrão no vestiário não é novidade. A novidade é que agora tem nome — e esse nome é gaúcho."

O mate e o futebol — uma relação mais antiga do que parece

Para qualquer torcedor gaúcho, a cena é familiar: a cuia passando de mão em mão na fila antes do jogo, a garrafa térmica no meio da torcida na arquibancada, o chimarrão no aquecimento dos jogadores nos dias frios de inverno. O mate sempre esteve no futebol gaúcho — só que informal, sem logotipo, sem contrato.

A parceria Barão + Grêmio formaliza algo que já existia na cultura. E não é a primeira vez que o futebol gaúcho e a erva-mate se encontram oficialmente: lembras da polêmica na Copa do Qatar 2022, quando os argentinos foram fotografados com a erva Canarias nas malas — produto fabricado pela Baldo, de Encantado? E do anúncio, em março de 2026, de que a Baldo seria a fornecedora oficial da Seleção Argentina para a Copa do Mundo 2026?

O chimarrão está conquistando o futebol. E o futebol está reconhecendo o chimarrão. Para o Rio Grande do Sul, isso é apenas o que deveria ter acontecido faz tempo.

Leia também: A Erva-Mate Gaúcha vai à Copa do Mundo — a história da Baldo de Encantado e a parceria com a Seleção Argentina aqui no Entrevero Xucro.

Tu és gremista e/ou toma Barão?

Conta nos comentários. E se tens uma memória do chimarrão no futebol — na arquibancada, no aquecimento, no galpão do CTG antes de assistir o jogo — divide com a gente. Porque o mate e o futebol, no RS, sempre andaram juntos. Agora é oficial.

Acompanha o Entrevero Xucro para mais cultura, tradição e identidade gaúcha — toda semana no blog e nas redes sociais.

Imagem: Instagram Grêmio 

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